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Tarso Genro volta a criticar Grupo RBS – E o Conselho?

13 abr

‎Marco Weissheimer – Na edição de Zero Hora desta sexta-feira (13/4), o colunista David Coimbra pergunta se o senhor “não tem vergonha” da situação. Qual a sua resposta a essa indagação?

Tarso Genro – Convido o jornalista que escreveu o isento artigo a ter vergonha comigo. Mais vergonha, talvez, porque, afinal, os dois governos que nos precederam foram eleitos com o apoio ostensivo das editorias da rede de comunicação onde ele trabalha. Os últimos oito anos de total descaso com o Presídio Central é que resultaram esta situação dramática que, paulatinamente, vamos corrigir. Ou alguém pensa que drama do presídio é resultado dos últimos 15 meses? Portanto, em oito anos de governos que foram eleitos com o ostensivo apoio dos “formadores de opinião” do jornal ao qual o referido jornalista presta o seu serviço, pouco ou nada foi feito em relação ao Presídio Central.

A questão acima é parte da entrevista com o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, publicada nesta sexta no blog RS Urgente. No texto referido por Marco, o funcionário do Grupo RBS David Coimbra defende a privatização como solução para os imensos problemas do sistema prisional.

Neste momento, vale lembrar duas coisas:

1 – Já demonstramos AQUI a predileção do Grupo RBS por um sistema prisional privado, e algumas das motivações envolvidas na defesa dessa pauta.

2 – Os militantes da democratização da mídia no Rio Grande do Sul continuamos esperando pela criação do Conselho Estadual de Comunicação. Em março de 2011, a secretária de Comunicação Vera Spolidoro demonstrou, em entrevista ao Jornalismo B, a intenção de levar a cabo a criação do Conselho. Tarso reconhece – e não é a primeira vez que faz afirmações nesse sentido – o quão prejudicial o monopólio do Grupo RBS é ao Rio Grande do Sul, então podemos acreditar que, juntamente com a mobilização da sociedade organizada, o governo tomará atitudes nesse sentido até o fim de seu mandato.

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Sensacionalismo, desinformação e silêncio sobre acidente ambiental de Tramandaí

6 fev

Zero Hora completa nessa terça-feira uma semana de silêncio sobre o vazamento de óleo no litoral do Rio Grande do Sul. Há 11 dias o vazamento em uma monoboia da Transpetro, na praia de Tramandaí, era capa do principal jornal gaúcho. Em toda a cobertura, apenas um pequeno texto de cinco parágrafos abordou o tema dos danos à fauna, e os prejuízos aos pescadores não foi sequer citado.

O sensacionalismo foi a tônica dos primeiros dias de cobertura, quando o mar estava impróprio para banho. Passado o momento em que os leitores estavam impedidos de banhar-se no mar, Zero Hora simplesmente abandonou o assunto. Em nenhum momento houve aprofundamento, preocupação com o meio ambiente ou com as pessoas que precisam do mar para trabalhar. Afinal de contas, peixes, aves e pescadores não compram Zero Hora.

O foco de todas as matérias do jornal foi o prejuízo aos banhistas, o que sem dúvida alguma é, para qualquer cidadão consciente, o menor problema de um vazamento de petróleo. A mortandade de animais torna-se inevitável, e nenhuma atenção tem sido dada a esse problema. Não é tão “sensacional” quanto assustar o leitor com os riscos que este pode correr ao entrar no mar. Assim como não é tão “sensacional”, tão apelativo para a classe média alienada leitora assídua e anunciante de Zero Hora, o desespero dos pescadores, há dias impedidos de trabalhar por seu sustento. Como disse, em entrevista ao Sul 21, o coordenador do Fórum da Pesca do Litoral Norte, Valdomiro Hoffmann, “nunca falam dos pescadores, que são os principais prejudicados, que dependem disso para sobreviver. Chegamos a ouvir piadas ofensivas, como: para os pescadores está bom, é só levar a frigideira que já tem peixe e óleo na praia”.

No quadro a seguir, demonstramos esta despreocupação de Zero Hora com o interesse público e seu objetivo único de dramatizar o caso, em detrimento da informação precisa e aprofundada. Quando os banhistas deixaram de ser diretamente afetados, o jornal perdeu totalmente o interesse pelo assunto. Os danos – do derramamento de petróleo e da desinformação – continuam enfileirando-se.

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O primeiro ano de uma Diretoria de Comunicação voltada à participação, educação e fomento

17 jan

O artigo a seguir é uma colaboração especial de Claudia Cardoso*

Costumo iniciar as apresentações da Diretoria de Políticas Públicas da SECOM (Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital), relatando a origem da própria Secretaria, porque, a partir desse fato, é que se pode entender o que são políticas públicas de comunicação.

A SECOM é fruto de uma Plenária Livre de Comunicação, realizada no segundo semestre de 2010, em plena campanha eleitoral do candidato Tarso Genro ao governo do Rio Grande do Sul. Na ocasião, jornalistas, funcionários da Fundação Piratini, delegadas e delegadas da I CONFECOM/2009 (Conferência Nacional de Comunicação), oriundos de distintos movimentos pela democratização das comunicações (filiados ou não a partidos políticos), definiram objetivos e ações na área da comunicação que a Unidade Popular pelo Rio Grande deveria acolher em seu programa de governo, entre estas, a criação de uma Secretaria de Comunicação.

Tarso Genro é eleito e é criado um GT (Grupo de Trabalho) para elaborar a estrutura, os objetivos e as atribuições de uma Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital. São recolhidas sugestões de diversos segmentos da sociedade, caracterizados pela pluralidade de agentes, que são sistematizadas por um grupo executivo. Desse trabalho, ampliam-se as ações da SECOM: além das atribuições meio (jornalismo, publicidade), ela passa a ter ações finalísticas, com a criação das Diretorias de Relações Públicas, Inclusão Digital e Políticas Públicas. Ou seja, tanto a SECOM, como a Diretoria de Políticas Públicas são criadas com muita participação social.

A esta Diretoria compete formular e desenvolver políticas públicas de comunicação com o objetivo de incentivar a produção e a difusão de uma comunicação democrática e cidadã.

Tratemos da definição de políticas públicas de comunicação. O FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) assim formula:

“Uma política pública é um conjunto de conceitos, decisões e planos que orientam as ações do Estado e dos governos. (…) Qual é a comunicação que desejamos? Que tipo de programação vamos estimular nas televisões e rádios? Quais audiovisuais o Estado financiará? Qual é o papel da comunicação comunitária? Como viabilizá-la? Como tratar a convergência digital? Quais as tecnologias que são mais favoráveis ao desenvolvimento da cultura e da cidadania? Como pode se exercer o controle público sobre a comunicação?”

A Diretoria atua em três eixos, a saber:
Fomento (publicidade pública, fundo, editais, etc.)
Educação (formação, capacitação, atualização, etc.)
Participação (conferência, seminário, simpósio, fórum, conselho, etc.)

E suas principais atribuições são: participar de comitês, comissões, grupos de trabalho que tratem de políticas públicas em diversas áreas de atuação do Governo RS; elaborar projetos, pareceres, editais; promover parcerias com órgãos públicos e setor privado; colaborar com as diversas instâncias da SECOM e do Governo do RS.

O ano de 2011 foi dedicado ao eixo “Participação”. Os seminários “Comunicação em Pauta – o que mudou e o que ainda precisa mudar” foram realizados nas 9 Regiões Funcionais de Planejamento do Estado, para o debate sobre o direito à comunicação e a importância da participação social na comunicação. Os seminários estavam inseridos numa das prioridades estratégicas da SECOM, que é a criação do Conselho Estadual de Comunicação Social do RS, conforme programa de governo da Unidade Popular pelo Riogrande . Foi atingida a meta de participação da população nos debates, bem como há o registro em vídeo de tais seminários como legado. Foram tratados assuntos sobre marco regulatório das comunicações; convergência tecnológica; fortalecimento do sistema público de comunicação; marco civil da Internet; respeito à diversidade étnico-racial, gênero, geracional, orientação sexual nos meios de comunicação; políticas de inclusão digital; a importância dos conselhos de comunicação; atuação em redes sociais; radiodifusão comunitária.

Sobre a criação do Conselho de Comunicação Social do RS, a Câmara Temática de Cultura e Comunicação, no âmbito do CDES RS (Conselho de Desenvolvimento Social do RS), recomendou a sua criação, ficando em aberto duas questões – vínculo e forma de escolha das conselheiras e dos conselheiros – a serem debatidas em GT próprio, a ser criado com membros do CDES, das Secretarias de Estado que compõem a Câmara Temática e instituições convidadas.

A Diretoria de Políticas Públicas, juntamente com a Diretoria de Publicidade, elaborou estudos para formalizar o apoio cultural para rádios comunitárias, devidamente autorizadas pelo Ministério das Comunicações, inspiradas pelo apoio da Assembleia Legislativa do RS e de algumas prefeituras que já realizavam ações de comunicação neste segmento da comunicação pública, visando ao impacto positivo desta cadeia produtiva nas comunidades em que estão inseridas. Também houve investimento orientado para jornais e rádios do interior, jornais de bairro, revistas, sites e blogues, TVs Comunitárias.

Para finalizar, em que pese todo o debate gerar aprendizagem, a Diretoria de Políticas Públicas, no ano de 2012, dedicará sua atuação no eixo Educação. Isso implicará esforços para a realização de cursos de formação para a mídia, tanto para quem já atua em comunicação, seja privada, seja pública, como para sujeitos de outros segmentos da sociedade interessados no tema, através de parcerias a serem firmadas com instituições públicas e privadas, bem como operando na transversalidade com outras Secretarias de Estado.

*Claudia Cardoso é diretora de Políticas Públicas da SECOM do Rio Grande do Sul.

O poder formal responde ao poder midiático

24 out

Há momentos em que ganha corpo e parece que vai deslanchar, enfim, o embate entre os poderes constituídos na sociedade brasileira. O poder de fato ataca diariamente o poder formal, mas este pouco faz para defender-se e defender a sociedade que deve representar. Por poder de fato entenda-se a mídia hegemônica. Por poder formal, entenda-se as diversas instituições do Estado.

A mídia hegemônica possui, junto com seus pares – sistema financeiro, montadoras de automóveis, empreiteiras, latifundiários e suas representações – um claro de projeto de poder, e por esse projeto age diariamente na desconstrução dos demais poderes. Isso acontece através dos ataques ao Estado e a todas as formas de ação política. O ideal neoliberal é o fim da política e a totalidade das regras sociais ditadas pelo “deus mercado”, ou seja, por meia dúzia de corporações donas do mundo.

Mas, como disse no início do texto, há momentos em que o embate acontece, momentos em que o poder público reage. O último fim de semana foi um desses momentos em que, ainda que em fagulhas, há alguma chama acesa na defesa das instituições sociais. Se referindo a textos diferentes publicados no mesmo dia no jornal Zero Hora, do Grupo RBS, e o presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), João Ricardo dos Santos Costa, e o governador do Estado, Tarso Genro, reclamaram de manipulação e omissão de informações.

Na última quinta-feira (20), Tarso proferiu uma conferência no Congresso do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Como explicou o site Carta Maior, Zero Hora publicou um editorial neste sábado (22) manifestando “estarrecimento” pelo que chama de “ataque desfechado pelo governador Tarso Genro ao jornalismo investigativo”. O editorial acusa o governador de sustentar uma posição que “tende a interessar mais aos corruptos do que aos cidadãos”. ZH acusa Tarso também de querer “restringir preventivamente a liberdade de imprensa” e o trabalho da “imprensa livre e independente”, no momento em que “o país passa por uma limpeza ética”.

No mesmo sábado, o mesmo jornal publicou uma matéria sobre um seminário promovido em Porto Alegre pela Ajuris e pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). Novamente como disse reportagem da Carta Maior, enquanto que a ANJ e as suas empresas afiliadas estavam mais interessadas em debater a liberdade de imprensa contra ideias de regulação e limite, a Ajuris queria debater também outros temas, como a ameaça que os monopólios de comunicação representam para a liberdade de imprensa e de expressão. (…) Zero Hora publicou uma matéria de uma página sobre o encontro. Intitulada “A defesa do direito de informar”, a matéria destacou as falas favoráveis à agenda da ANJ – como as da presidente da associação, Judith Brito, e do vice-presidente Institucional e Jurídico da RBS, Paulo Tonet – e omitiu a parte do debate que tratou do tema dos monopólios de comunicação.

Nos dias seguintes, o presidente da Ajuris e o governador contestaram os textos publicados no jornal. Tarso, além de mencionar trechos de sua conferência em que exalta a liberdade de imprensa, disse à Carta Maior que a reação violenta da RBS parece querer interditar o debate e o faz através da manipulação da informação (…). Esta atitude da RBS, pretendendo interditar o debate com ameaças de campanhas difamatórias que estão subjacentes no mesmo editorial, marca o ápice da petulância e da arrogância que poucas empresas de comunicação têm a coragem de expor publicamente. Mentem, quando dizem que sou contra o jornalismo investigativo, quando o que sou contra é julgamento sumário de pessoas, independentemente de que sejam culpadas ou não. Mentem quando contrastam dois textos meus sobre assuntos diferentes, mesmo tendo, na Conferência, manifestação explícita da minha parte que confirma a minha posição de princípio a favor da total liberdade da imprensa e de respeito irrestrito ao trabalho dos jornalistas. Vale a pena ler todas as declarações de Tarso no site da agência, linkado acima.

Por sua vez, o presidente da Ajuris reclamou das omissões na matéria do jornal que tratou do seminário. Disse ele, também em entrevista à Carta Maior: Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação. E citou Chomsky: o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação.

O governo do Estado e a Ajuris foram confrontados mais uma vez com o que já sabemos há tempos: o Grupo RBS trabalha pelo enfraquecimento das instituições a partir da distorção e da omissão de informações. De acordo com o momento faz suas próprias interpretações, decide o que vale ser citado e o que deve ser silenciado e, para comprovar suas teses forçadas, faz vista grossa aos fatos e à diversidade de visões.

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Band ataca MST e Tarso Genro e cria novo código judicial

13 out

Na edição desta quinta-feira, o Jornal da Band comentou nota do governo do Rio Grande do Sul que contestava reportagem veiculada na quarta, e reiterou sua posição de ataque ao governador Tarso Genro. Esse posicionamento da Band aparecera pela primeira vez na segunda-feira, com uma nota lida pelos apresentadores do jornal, na qual acusavam o governo de descumprir decisão judicial que determinou a reintegração de posse de uma área pública – da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária –ocupada pelo MST em Vacaria, no interior do Estado.

Para referendar a posição da emissora, foi enviada a Vacaria a repórter Luci Jorge, que construiu uma matéria nos mesmos termos que a editorializada nota da Band se expressara. Em dois minutos de reportagem, são ditas cinco vezes, sempre pela repórter, expressões como “invasores”, “invadiu” ou similares.

Charge de Carlos Latuff

O foco é, do início ao fim, o que a Band chama de “descumprimento da decisão judicial” pelo governo gaúcho. Fala-se apenas de passagem que, na verdade, o mandado de reintegração de posse expedido não tem data para ser cumprido, o que confronta diretamente a tese do “descumprimento”. Como um mandado sem data para cumprimento pode ser descumprido? Só no cursinho Band de Justiça, no qual se aprende que é a mídia quem julga, de acordo com seus próprios interesses imediatos.

Também é rápida a referência ao fato de que a permanência do grupo no local, por mais 90 dias, está condicionada pelo governo à não-interferência nos trabalhos da Fundação. Sobre as reivindicações das famílias, a situação de concentração de terras no Brasil, a reforma agrária e a diferença do tratamento que Tarso dá aos movimentos sociais em relação à sua antecessora, nenhuma palavra.

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Imprensa de aluguel ataca trabalhadores no Rio Grande do Sul

4 out

Nesta terça-feira chega a uma semana a greve dos bancários do Rio Grande do Sul. Os trabalhadores pedem 12,8% de aumento, o que seriam 5% de aumento real, enquanto os bancos, que lucram cada vez mais, oferecem 0,56% de aumento real. Com a greve, causada pelos banqueiros – e não pelos bancários, as grandes vítimas da lógica trabalhista dos bancos –, os usuários também saem prejudicados. Esse prejuízo é duplo: além das dificuldades óbvias em utilizar os serviços a que têm direito, ainda se vêem afundados em um grande lamaçal midiático. A desinformação é a tônica constante na mídia hegemônica quando se fala em qualquer movimento grevista. Nesse caso não é diferente.

Representante midiático das elites, o jornal Zero Hora começou, no mesmo dia em que iniciava a greve dos bancários, uma campanha difamatória contra o movimento e o Sindicato dos Bancários. A estratégia para jogar a população contra os grevistas vem sendo dupla: mostrar como a greve prejudica o bom andamento da vida do leitor e, imediatamente a seguir, deslegitimar o movimento como instrumento de luta.

Foram, até o momento, quatro matérias falando sobre a greve. Duas delas (27/09 e 04/10) falaram apenas sobre as dificuldades que os consumidores encontram e sobre “como fugir dos transtornos”. Ou seja, a greve é uma prática que atrapalha o bom andamento social e o “consumidor” deve agir em relação a ela apenas buscando formas de contorná-la. Não há porque se interessar em conhecer as motivações dos grevistas, muito menos solidarizar-se a eles. Zero Hora reforça o ideário liberal do indivíduo por si mesmo, desconectado de sua classe – no caso, a classe trabalhadora – ou das demandas sociais impostas de cima e refletidas embaixo.

As outras duas matérias (28/09 e 01/10) “denunciam” o uso de “grevistas de aluguel” que, segundo ZH, “dão volume ao movimento”. A ideia passada é de que o movimento não tem força e busca se legitimar através de artifícios que não são bem aceitos socialmente. Declarações do presidente do SindBancários, Mauro Salles, foram distorcidas para corroborar a tese que visa deslegitimar o movimento perante a população e entre seus próprios militantes. Salles deixa claro que foi contratado pessoal de apoio “para levar lanche, fixar faixas e até dar informações aos clientes”, já que “os funcionários de bancos privados que ficam na frente de suas agências podem ser demitidos”. Sobre mais essa forma de pressão sobre os trabalhadores – o risco iminente de demissão por exercer o direito à greve – Zero Hora preferiu não se aprofundar.

 As reivindicações dos bancários também ficam de fora da cobertura, assim como qualquer reflexão sobre o fato de os lucros astronômicos dos bancos não refletirem em uma melhora efetiva na condição dos trabalhadores.

Na matéria do dia 27/09, são seis parágrafos, totalizando 30 linhas, e apenas as últimas quatro foram destinadas a informar que “Os bancários reivindicam aumento de 12,8%, que corresponde à recomposição do salário de 7,8% mais o aumento de 5%”. Em 28/09, 13 parágrafos, 87 linhas, e apenas as últimas quatro, novamente, falam sobre reivindicações, e de forma incompleta (“Em greve nacional, os bancários reivindicam reajuste salarial de 12,8%. A Federação Nacional dos Bancos oferece por enquanto 8%”). No dia 01/10, cinco parágrafos, 35 linhas, e nenhuma palavra sobre reivindicações, o mesmo acontecendo no dia 04/10, quando o texto principal tem sete parágrafos que totalizam 61 linhas.

A grande mídia, representada, nesse caso específico, pelo jornal Zero Hora, é a tercerização do discurso das elites. É a imprensa de aluguel, alugada pelos banqueiros para defender seus indefensáveis interesses. O ataque às reivindicações dos trabalhadores é diário, e a desintegração social entre os explorados é o objetivo quando se criminaliza e deslegitima, através de um discurso distorcido, movimentos sociais legítimos e com direito à manifestação.

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A velha mídia e a construção do consenso liberal e da apatia política

30 ago

Na edição do último domingo (28/08) o jornal Zero Hora publicou mais uma peça ficcional que tenta aparentar veracidade, mais um texto com sentido claro de despolitização, esvaziamento das organizações de classe e culto ao individualismo. A reportagem “Mania de conflito empaca o Rio Grande”, assinada por Itamar Melo, é um show de “má sociologia”, como escreveu Marco Aurélio Weissheimer no RS Urgente. Mas também é uma daquelas matérias que compõem uma manipulação sutil e diária da consciência coletiva.

A reportagem é, na verdade, um texto altamente editorializado de crítica a uma suposta beligerância dos gaúchos, que, segundo Zero Hora, “empaca o Rio Grande”, a começar pela economia. Como Weissheimer bem lembrou, não há, em realidade, qualquer dado econômico na matéria de três páginas. O jornal ignora a vocação agrícola do Estado e a força de alguns setores prejudicados pelo avanço dos produtos chineses, mas não ignora por esquecimento, mas pela necessidade de comprovar sua tese absolutamente simplista de que é a “mania de conflito” o problema do Estado.

O texto fala em “vencer as barreiras ideológicas”. Diz que “diante dos problemas, cada lado se agarra ao próprio ideário, em lugar de pensar no bem comum”. Mas o que é o bem comum? Quem decide o que é o bem comum? Zero Hora, a seguir, dá exemplos: a carreira dos professores (meritocracia é o “bem comum”), Cais do Porto (privatização é o “bem comum”). Mas são só dois exemplo, como poderiam ser o estímulo ao agronegócio, a privatização dos recursos e dos espaços públicos, a concessão de isenções fiscais para fábricas de automóveis e empreiteiras…enfim, tudo o que Zero Hora e as forças político-sociais que representa (as elites econômicas) entendem como “correto”e vendem como “bem comum” justamente através de seus aparelhos de mídia.

Mas quem, para Zero Hora e seus aliados, vai contra o “bem comum”? A mesma reportagem explica: “a receita para o imobilismo já está dada, mas o Rio Grande ainda adiciona a ela um ingrediente extra, com poder para brecar qualquer mudança: a força descomunal de que gozam corporações, sindicatos e grupos de interesse”. Ou seja, as organizações e movimentos sociais são o grande problema do Rio Grande do Sul. Da mesma forma os partidos políticos, dos quais o Grupo RBS e os interesses que representa querem manter longe a população.

Já vimos a tese (são os conflitos que empacam o Rio Grande) e o problema (os sindicatos, corporações e grupos de interesse). E a solução? Zero Hora quer a desmobilização, a desorganização, o que, obviamente, reduz o poder dos setores sociais desfavorecidos, oprimidos, e entrega definitivamente o controle às elites. Mas é claro que o jornal não admitiria isso. Propõe, então, outra solução: “existe um ator que poderia desatar os nós cegos que atravancam o Estado, mas ele é omisso: a sociedade civil. O gaúcho enche o peito para dizer que é politizado, mas, na visão do professor Flávio Comim, o que temos é um corpo social apático, que não se posiciona diante dos grandes debates”. Mas não é justamente o posicionamento excessivo o problema?

Bom, se a sociedade civil deve participar e não deve atuar em quaisquer organizações, infere-se que a ação individual é a única aceitável. E sempre em busca do consenso, da conciliação, da aceitação das propostas que já chegam prontas. Essa é a percepção que Zero Hora quis passar a reportagem do último domingo, da mesma forma como já fez em outra oportunidade, há dois anos, publicando reportagem exatamente com o mesmo teor que essa, analisada brilhantemente por Rodrigo Cardia no Cão Uivador e, mais uma vez, por Weissheimer no RS Urgente.

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Mídia alternativa dá mais um banho de cobertura em jornalão

5 jul

Exercícios simples de jornalismo comparativo demonstram como, mesmo com suas enormes dificuldades financeiras e de estrutura, a mídia alternativa faz jornalismo muito mais sério, comprometido e de qualidade em comparação com alguns dos maiores conglomerados de comunicação do país. Aqui no Rio Grande do Sul temos exemplos ainda mais claros, já que há um histórico importante de prática de jornalismo independente ao mesmo tempo em que os veículos do Grupo RBS, que praticamente monopoliza a mídia local, costumam derrapar não apenas na ética, mas também na qualidade do conteúdo que produzem.

Nos últimos dias de março, o estudante baiano Helder Santos fugiu de Jaguarão, no interior do Rio Grande do Sul, ameaçado de tortura e de morte por policiais militares. Helder foi agredido física e moralmente pelos policiais (sofreu racismo, inclusive) e, após denunciá-los, passou a ser ameaçado. Foi ridicularizado, e respondeu. A diretora da universidade onde Helder estudava em Jaguarão também foi ameaçada. Nas últimas semanas, foi a vez do advogado do estudante, Onir Araújo. Primeiro em meados de junho, depois na última quinta-feira.

Como você, leitor atento, percebeu nos links acima, o Coletivo Catarse, talvez a mais importante organização da mídia independente gaúcha, segue acompanhando o caso desde a primeira denúncia, com entrevistas longas com os envolvidos e a preocupação em amplificar a voz dos ameaçados, dos oprimidos. Por outro lado, uma busca no site de Zero Hora não encontra qualquer referência a Helder Santos desde o dia 31 de março. Nessa última reportagem, aliás, ZH tentou desqualificar o agredido. Um trecho da dita reportagem:

Mesmo quem tem tradição de militância nos movimentos sociais, como a vereadora Thiara Gimenez Oliveira (PT), colega de Souza no curso de História, questiona os reais riscos enfrentados pelo estudante.
— Abordagens truculentas ocorrem em todo Brasil. Não é algo específico da fronteira. Ele está vendendo uma imagem de Jaguarão que não corresponde com a verdade — opina Thiara.
Incomodada com a dimensão que o caso tomou a promotora de Justiça Cláudia Rodrigues Pegoraro reproduz o que ouve na comunidade.
— As pessoas dizem que ele quer transferência de volta à cidade dele, na Bahia — comenta Claudia.

“Jornalismo”, para Zero Hora, é isso. Dizer que não tem lado e colocar-se sempre ao lado dos poderosos, aliar seu poder da palavra ao poder da violência institucional. Bom jornalismo se faz como o Catarse, tratando o leitor, a fonte e os fatos com respeito, cuidado e carinho. Dando voz a quem não tem, e fazendo isso por um compromisso social, não para vender jornais. De forma aprofundada e constante, não através de notas e do seguinte abandono dos temas, das histórias e das pessoas.

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Um momento decisivo

3 jun

A mídia contra-hegemônica começa a ensaiar espaços de organização que refletem o aprendizado acumulado nos últimos anos de expansão de blogs e redes sociais. Com as possibilidades abertas pela eminente popularização da internet, muda toda a lógica comunicacional. Essa nova lógica está sendo construída ao mesmo tempo na teoria e na prática. O entendimento sobre o que está se formando só pode ser alcançado com uma participação ativa nesse processo revolucionário vivido pela mídia. Vivemos um momento decisivo.

Nesse contexto, tivemos recentemente em Porto Alegre o Encontro de Blogueiros e Twitteiros do Rio Grande do Sul, nascido a partir do Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que aconteceu em São Paulo no ano passado. Outros encontros se espalham pelo Brasil, tendo sempre por linha condutora o debate sobre a democratização da mídia. No caso do Rio Grande do Sul, o combate ao discurso único, antidemocrático e antipopular da mídia dominante, dos grandes conglomerados de comunicação pautou as discussões.

Em que pese alguns problemas – especialmente a às vezes excessiva ligação partidária – encontros como o BlogProgRS são fundamentais para que o trabalho coletivo se efetive através de debates diretos e construções diretas de novos entendimentos sobre o nosso papel como comunicadores e militantes da democracia midiática.

Os painéis do encontro gaúcho apontaram possíveis caminhos e serviram para integrar os agentes e sintonizar as pautas que mais nos impõem desafios nesse momento. O momento é este. Quem se mantiver à parte dessa construção – que ocorre em diversos meios, instâncias e formas – estará alijado do processo corrente de construção de uma nova democracia, que passa necessariamente por uma mídia democratizada, e será atropelado pela nova ordem mundial, alicerçada na intervenção virtual – mas real – sobre os grandes temas.

O texto acima é o editorial da 21ª edição do Jornalismo B Impresso, a edição da primeira quinzena de junho, que será distribuída em Porto Alegre na próxima semana. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Estadão faz boas reportagens sobre mudanças nos estados, mas abandona análise

24 jan

Nesta segunda-feira o Estadão publicou três reportagens a respeito da falta de continuidade entre os governos que se sucedem nos estados brasileiros. Em seu conjunto, as três matérias são um exemplo de boa apuração, mas pecam pela falta de aprofundamento e análise.

Elder Ogliari, Anna Ruth Dantas e Célia Bretas Tahans são os repórteres que assinam o primeiro texto, “Sucessão interrompe programas nos Estados”, que apresenta pequenos relatos sobre as situações no Tocantins, no Rio Grande do Norte, no Rio Grande do Sul e no Pará. O primeiro mérito é a nacionalização de informações sobre estados que pouco aparecem na grande mídia nacional. As regiões Norte, Nordeste e Sul estão contempladas na matéria. Em outra das reportagens, o Distrito Federal é abordado, e aí algumas das razões para a ampla mudança que está sendo aplicada pelo novo governador são explicadas.

Voltando à matéria principal, o texto é equilibrado, toma como exemplos estados que passaram a ser comandados por PSDB, DEM e PT, e não ataca nenhum dos partidos, apenas relatando algumas mudanças importantes que foram ou deverão ser logo aplicadas nas estruturas governamentais. O foco total no relato é, porém, a principal falha, tanto nesta quanto em uma das duas outras matérias, que trata de São Paulo. No estado mais rico do país, o PSDB está no poder há quatro mandatos, o que não faz com que a continuidade de programas e prioridades se estabeleça, segundo a reportagem do Estadão. O texto, de Lucas de Abreu Maia e Julia Dualib, mostra isso com clareza, através de diversos dados. A apuração é feita com rigor e de forma ampla. Porém, as divisões internas no PSDB, uma das causas principais dessa instabilidade, não são sequer citadas.

Também na reportagem tratada no parágrafo anterior não há espaço para se discutir as causas dessa falta de sequência nos programas de governo. E aí o que se deixa de esclarecer é que há diferenças, sim, entre os partidos, que há, sim, disputa ideológica. As razões das amplas mudanças que ocorrem a cada quatro anos podem ser resumidas, a grosso modo, em dois aspectos: os jogos de interesse (as tais “politicagens”) e a disputa ideológica (a verdadeira política).

Ao não tratar dessas questões, o Estadão perdeu uma oportunidade de colaborar na politização de seu leitor, mostrar que, ao contrário do que volta e meia é mentirosa ou erroneamente afirmado, os partidos políticos não são todos iguais, e a disputa ideológica é constante. O esvaziamento dessa noção interessa apenas aos que fazem da política a arte do lucro pessoal. Em uma disputa política, a tática de igualar os dois lados favorece apenas quem não está ao lado da maioria, do povo.

Postado por Alexandre Haubrich

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