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No Dia Mundial de Combate à Homofobia, velha mídia mostra sua cara

17 mai

No Dia Mundial de Combate à Homofobia, a velha mídia brasileira mostrou mais uma vez seu velho ranço conservador. O mofo a que cheiram os maiores jornais do país amarela cada uma de suas páginas, e embolora cada uma de suas edições em um silêncio conivente com a discriminação.

Em uma data que marca mundialmente uma das mais atuais lutas sociais estabelecidas nas sociedades ocidentais – e, no Brasil, o tema tem tido grande debate por conta da ascensão do radicalismo de direita – o silêncio tomou conta dos sites de Estadão, Folha de S. Paulo e O Globo. A Rádio Globo, por sua vez, falou, mas a voz que ali se ouviu foi a voz da reação, não da mudança.

Pela manhã, o deputado Jean Wyllis (PSOL), comentou em seu perfil no Twitter:

Acabo de me recusar, no ar, na Rádio Globo, a debater homofobia e direitos humanos de LGBTs com Bolsonaro. Não rebaixo a pauta LGBT! A emissora não me avisou da presença do deputado homofóbico e eu já entrei no ar ouvindo seu discurso odioso e difamador dos homossexuais. Não há como debater algo sério como direitos humanos de LGBTs (assunto sobre o qual há tanto preconceito) num clima sensacionalista. O deputado homofóbico não oferece argumentos contrários à criminalização da homofobia; oferece tão somente ofensas e hipocrisia! Não dá! Não me farei de escada para elevar discursos de ódio que já têm espaço demais nas mídias, contando inclusive com aval de apresentadores.

A Globo, como o deputado Jair Bolsonaro, não trata o tema com a seriedade que merece. Aquela por estar preocupada apenas com sua audiência – e a díade conservadorismo/sensacionalismo é ideal para isso – e este por encarnar os ideais mais reacionários presentes na sociedade brasileira. Reacionários, intolerantes e ignorantes, já que, além de defender valores da reação, Bolsonaro não aceita as diferenças e não pauta seu discurso pela argumentação, como bem escreveu Jean Wyllis. É com Bolsonaro no ar que a Rádio Globo se propôs a falar sobre o Dia Mundial de Combate à Homofobia, uma apelação à falta de bom senso e à idiotia apática de boa parte de sua audiência.

Na Folha e no Estadão, a busca em seus sites apresenta apenas uma matéria sobre a temática da homofobia. E, nos dois casos, a matéria é a mesma, produzida pela Agência Brasil. No caso da Folha, a matéria sai com a assinatura da BBC Brasil, que nada mais fez do que copiar informações. No site de O Globo, com exceção de um comentário no blog de Ancelmo Góis e da seção “As mais comentadas do Twitter”, a última referência à “homofobia” aparece apenas no dia 28 de março. Ou seja, nenhuma produção de reportagem nos sites dos três principais jornais do país.

O silêncio e a omissão não carregam qualquer carga de neutralidade. São, em verdade, formas de atuar pela manutenção do estado das coisas. E o estado das coisas são, como disse a matéria da BBC Brasil que a Folha e o Estadão reproduziram, 3,4 denúncias de homofobia a cada dia no país, e agressões físicas e verbais que se repetem por todos os lados. O estado das coisas é também uma televisão que reforça preconceitos travestindo-os de humor e entretenimento. O silêncio e a omissão dos maiores jornais do país de nada servirá para a luta pela reversão desse quadro em favor da democracia.

*O Sul 21 publicou uma boa reportagem sobre o Dia Mundial de Combate à Homofobia, assim como fizeram diversos blogs de todo o país.

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Mino Carta desmascara “os chapa-branca da casa grande”

15 mai

A revista Carta Capital traz nesta semana a segunda capa em sequência tratando das relações da revista Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Os textos são fortes e precisos, como manda a situação, e fazem jus a uma trajetória de bom jornalismo e preocupação com as questões que envolvem a mídia brasileira. Se esse é um tema espinhoso para quem tem o rabo preso, a Carta Capital não se furta a tratá-lo com a intensidade que merece.

O editorial de Mino Carta é cirúrgico ao desconstruir o editorial publicado pelo jornal O Globo, que na última semana saiu em defesa da Veja, como manda o conceito de “pluralidade” e “diversidade” dos grandes grupos de comunicação. Uma mídia corporativa e monopolista, que trabalha objetiva ou subjetivamente unida pela manutenção dos esquemas neoliberais e da política comandada pelas elites.

Contrapondo a acusação de “chapa-branca” feito por O Globo contra a Carta Capital – que não é nominada, mas claramente está incluída em um grande balaio que inclui alguns dos blogs mais combativos do país – Mino Carta lembra que a Rede Globo ganhou corpo – engordou, como dizia Brizola – com a Ditadura Militar, que apoiou do início ao fim, passando pelo apoio aos momentos de aumento da repressão estatal e violenta. Lembra ainda o apoio da empresa à eleição de Collor – incluindo o famoso debate do segundo turno – e a conivência com a “privataria tucana” e a reeleição comprada por Fernando Henrique Cardoso. Relembra, ainda, a expressão que usou em outro editorial recente, chamando a mídia das elites de “mídia da casa grande”. Seu texto é um belo exercício de comparação e, como costumam ser muitos editoriais de Mino Carta, uma aula de jornalismo, ética e História.

Além do texto de Mino, há ainda uma reportagem de Cynara Menezes que, ainda que em alguns momentos caia para o tom editorializado, demonstra com clareza a rede denunciada pelos primeiros depoimentos colhidos pela CPI com delegados da Polícia Federal. E demonstra, acima de tudo, como essa rede atinge a revista Veja – em diversas instâncias da revista –, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o governador de Goiás, Marconi Perillo.

É importante, em meio ao mar de mesmice que toma conta da mídia hegemônica brasileira e que faz do silêncio a única arma (ou escudo) contra alguns possíveis desmembramentos da CPI do Cachoeira, tenhamos no país uma revista com o alcance da Carta Capital com a possibilidade de dar suporte – e receber suporte – às manifestações e denúncias que têm partido da internet. O debate sobre o modelo de mídia nacional e sobre a forma pela qual esse modelo fundou-se é a questão de fundo das denúncias de envolvimento da Veja no esquema de Cachoeira. A Carta Capital tem é um veículo importante para que esse debate possa trazer ares de mudança.

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Wanderson, Thor e Eike – o atropelamento e os estratagemas midiáticos

20 mar

Wanderson Pereira da Silva

O atropelamento que, no último sábado (17/03), causou a morte do ajudante de caminhões Wanderson Pereira da Silva, no Rio de Janeiro, não foi um acidente. Ainda que o motorista Thor Batista estivesse trafegando em baixa velocidade e com prudência – o que, como disse o advogado de Wanderson, não parece ter ocorrido, considerando-se o estado em que ficaram o corpo do atropelado e o carro do atropelador – acidentes são situações que não poderiam ser evitados em condições normais.

A morte de Wanderson, que trafegava de bicicleta, poderia ter sido evitado caso o Estado do Rio de Janeiro cumprisse uma de suas funções mais básicas e mais simples. Thor, filho de Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, não deveria portar uma carteira de motorista. Mas o Estado deixou que, mesmo sem condições práticas para portá-la, assim o fizesse. Como o Jornal Nacional bem mostrou na última segunda-feira, o motorista cometera cinco infrações por excesso de velocidade entre 2009 e 2010, quando sua carteira ainda era provisória – nesse caso, apenas uma infração já é suficiente para que o motorista não receba sua autorização definitiva para dirigir.

A mídia dominante, sempre aliada dos poderosos, tem feito, desde sábado, uma defesa quase aberta do filhinho de Eike Batista. A família de Wanderson pouco ou nada aparece nas matérias, enquanto Eike já ganhou até entrevista exclusiva na Folha de S. Paulo. O advogado da família do ciclista, Cléber Carvalho, é quem ganha algum espaço, mas sempre para responder questões mais práticas, sem o caráter emocional que envolve, obviamente, o pai do atropelador, ou envolveria os familiares do atropelado. O leitor não ganha intimidade com a vítima, ao mesmo tempo em que é aproximado de Thor Batista a partir do testemunho de um pai que defende o filho. A foto que mais circula não é a da vítima ou de Thor, mas do carro. É a “coisificação” subjetiva da responsabilidade. O site da Folha, aliás, é o único que, entre os portais dos três maiores jornais do país, mantém o caso na capa. A chamada é “Imprudência de ciclista poderia ter matado meu filho, afirma Eike”. Na tarde desta terça-feira, Estadão e O Globo ignoravam sumariamente, em seus sites, novas notícias sobre o assunto.

Enquanto isso, repercutindo matéria veiculada no Jornal Nacional de segunda-feira, o G1 noticia, enfim, a obviedade que grita: a possibilidade, levantada pelo advogado da família de Wanderson, de processo contra o Estado. Esses setores da mídia se encontram, então, em uma linha de fogo: quem responsabilizar? O Estado do Rio de Janeiro, de seu aliado Sérgio Cabral, ou o filho de um dos homens mais poderosos do país?

Pulam de um para o outro, e esvaziam as discussões de fundo – a terra de ninguém que se tornou o trânsito brasileiro, o fetiche em torno dos automóveis e da velocidade, o absoluto desrespeito aos ciclistas –, acabando por proteger ambos e tornar este mais um caso que só interessa enquanto objeto de showrnalismo.

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Jornal Nacional e Chevron: parceria renovada

15 mar

Mesmo com o óleo escorrendo pelo mar mais uma vez, o caso de amor entre Jornal Nacional e Chevron não foi manchado. Pela segunda vez em menos de seis meses, a petrolífera estadunidense Chevron-Texaco deixou que houvesse um vazamento em um dos campos que explora no Brasil. E pela segunda vez seu release foi divulgado pelo telejornal de maior audiência no país.

Como em novembro de 2011, o vazamento foi na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Como em novembro de 2011, o Jornal Nacional narrou o caso apenas pela visão da multinacional. A matéria de Tatiana Nascimento teve um minuto e meio de duração, e usou três vezes expressões que remetem à versão oficial – “segundo a empresa” ou “segundo a Chevron”. Tudo o que foi divulgado pela empresa está na matéria, e o único entrevistado é Rafael Williamson, diretor da Chevron.

A mesma Rede Globo deu espaço no site de seu principal jornal impresso, O Globo, para o que a Agência Nacional de Petróleo falou sobre o assunto. Na matéria em questão há citação da nota divulgada pela ANP e entrevista com o secretário estadual de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc. No Jornal Nacional, com mais audiência e repercussão, apenas a versão da Chevron.

O trabalho conjunto entre multinacionais e empresas brasileiras de comunicação é um dos grandes males da mídia brasileira. O interesse econômico desses grupos atropela o interesse público, atropela o direito do povo brasileiro à informação e agride o país de forma covarde.

 

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Capriles y los medios internacionales contra Hugo Chávez

13 fev

*Este texto fue postado en portugues AQUIen Jornalismo B, y esta tradución no es perfecta, pero cumple su meta de levar a los compañeros de latinoamérica, fundamentalmente a los venezolanos, un poco de lo que se habla en Brasil a respecto de las elecciones en Venezuela.

Los medios privados de Brasil nunca ocultaron su odio a cualquiera gobierno popular, su odio a cualquiera movimiento de empoderamiento del pueblo. No se puede crear poder. En el momento en que este se destina a quien no le possue, los opresores de siempre pierden su potencia de opression.

Ejemplo en los últimos años es el gobierno de presidente Hugo Chávez en Venezuela. Y está cerca un momento en que la derecha internacional, incluso los medios de comunicacion, buscarán de todas las formas – hasta el golpe militar ha sido tentado por las elites y prontamente repelido por el pueblo – poner fin a la Revolución Bolivariana. Después de muchas elecciones confusa en su dificuldad en lidar con la democracia y con ele pueblo que se politiza, la oposición venezolana se hará unida en solo uno postulante a la presidencia, elegido en el ultimo domingo: Henrique Capriles.

Desde la definición de Capriles como candidato de la derecha, los viejos medios de comunicación brasileños se han alineado con los cadavéricos medios de comunicación privados venezolanos, y entre fiestas y omisione, comenzó la apasionada defensa de los opositores de Chávez. Los tres más grandes periódicos de Brasil – Folha de S. Paulo, Estadão y O Globo – han publicado reportajes atacando al presidente y alabando a su oponente. Los niveles de agresión y omisión fueron distintos, pero el apoyo a Capriles es evidente por todas las partes.

El título de uno de los reportajes de Estadão, por ejemplo, es “Elevada participación en preliminares fortalece anti-Chávez para elecciones de octubre”, y la apertura del texto de Lourival Santanna dice que “muchos venezuelanos desafiaram ayer el presidente Hugo Chávez y salieram a votar”. Sin embargo, no hay explicaciones a respeto de ese “desafio”. No hubo informes de que Chávez persigue a los que votam, a excepción de las acusaciones no probadas en el pasado, de que el gobierno hizo “listas negras” de los votantes de la oposición.

Sobre la cobertura de Folha de S. Paulo, el análisis de Altamiro Borges es instructivo y suficiente: “En un largo reportaje en el domingo, firmado por Flavia Marreiro, la reportera casi dijo su apoyo explícito al pre-candidato. El periódico, que siempre ha apoyado el golpe de Estado en Venezuela, tiene como objetivo confundir a sus lectores desprevenidos. Muestra la oposición con un candidato presidencial fuerte y no dice nada acerca de su golpe de Estado el pasado”. Sobre el pasado de Capriles, lo haremos pronto aquí en este mismo texto.

En el diario O Globo, la historia principal es una oda al “conciliador” Capriles, y aún encontró espacio para pintar el actual gobierno como agresivo y antidemocrático. Uno de los subtítulos dice que “vice de Chávez se burla de adversario”. También el blog de la periodista Miriam Leitão, parte integrante de lo sitio de O Globo, publicó entrevista com uno “analista de Venezuela”, el “politólogo Sadio Garavini Di Turno”. El texto explica que, por la solicitud de blog, [Sadio di Turno] ha comparado las ventajas y desvantajas de cada uno [Capriles y Chávez]”. O que el blog no há explicado es que el “analista de Venezuela” és importante opositor del actual gobierno. Está claro que esta implicacion de Di Turno en la politica venezuelana fué determinante em sus declaraciones, mismo con lo silencio de Miriam Leitão.

Silencio, por otra parte, que no era el único entre las omisiones de los tres vehículos analizados. El “pasado golpista” de Capriles no esta ocultado solamente en la Folha, como ha identificado Altamiro Borges. Estadão y O Globo tambien dejaran de hablar sobre esto, algo demasiado espinoso para aquellos que buscan posicionar a la oponente de Chávez como conciliador y un administrador serio y competente. Henrique Capriles llevó, en 2002, el intento de invasión de la embajada de Cuba en Venezuela, mientras que sus compañeros trataron de derrocar, a través de un golpe de Estado, el presidente electo por una abrumadora mayoría del pueblo venezolano. Este es el “pasado golpista”, mencionado solo en una pequeña nota en el sitio de Estadão, que habla de la cobertura de dos veiculos cubanos – Granma y Cubadebate – acerca del candidato de la derecha. Este es el camino que tiende a seguir la cobertura hasta las elecciones de octubre. Vamos a estar atentos.

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Capriles e a grande mídia internacional (incluindo os jornalões brasileiros) contra Hugo Chávez

13 fev

A mídia hegemônica brasileira nunca escondeu seu rancor em relação a qualquer governo popular, seu ódio a qualquer movimentação de empoderamento do povo. Como não se pode criar poder, no momento em que este passa a ser destinado a quem não o possuía, necessariamente acabam por perder potencial de dominação os opressores de sempre. Entre eles estão alguns setores da mídia e seus patrocinadores, por isso a ojeriza dos conglomerados midiáticos aos anseios populares por poder político decisório.

Um caso exemplar nos últimos anos é a o governo liderado por Hugo Chávez na Venezuela. E aproxima-se mais um momento no qual a direita internacional, incluindo seus braços midiáticos, buscará de todas as formas – até golpe militar já foi tentando por essas elites e prontamente repelido pelo povo venezuelano – encerrar a Revolução Bolivariana. Depois de diversas eleições patinando em sua dificuldade em lidar com a democracia e com um povo que paulatinamente se torna politizado, a oposição venezuelana sairá unida em um candidato único, escolhido no último domingo: Henrique Capriles.

A partir da definição de Capriles como candidato da direita, a velha mídia brasileira alinhou-se à cadavérica mídia privada venezuelana e, entre confetes e omissões, iniciou sua apaixonada defesa da candidatura dos opositores de Chávez. Os três mais cotados jornais do Brasil – Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo – publicaram matérias com forte tom editorial, atacando o presidente e exaltando seu adversário. Os níveis de agressividade e omissão foram diferentes, mas o apoio a Capriles fica evidente por todos os lados.

O título de uma das matérias do Estadão, por exemplo, é “Alta participação em prévia dá força a antichavistas para eleição de outubro”, e a abertura do texto de Lourival Santanna diz que “muitos venezuelanos desafiaram ontem o presidente Hugo Chávez e saíram para votar”. Porém, não há explicação sobre que “desafio” seria esse. Não se teve notícias de que Chávez perseguiria quem votasse, a não ser por acusações nunca comprovadas de que, no passado, o governo fez “listas negras” de eleitores da oposição.

Sobre a cobertura da Folha, a análise de Altamiro Borges é elucidativa e suficiente: “Numa longa reportagem no domingo, assinada por Flávia Marreiro, ela quase declarou apoio explicito ao ainda “pré-candidato”. O jornal, que sempre apoiou os golpistas da Venezuela, visa confundir seus incautos leitores. Apresenta o oposicionista como um forte candidato presidencial e também nada fala sobre seu passado golpista”. Sobre esse passado, logo falaremos aqui neste mesmo texto.

No jornal O Globo, a reportagem principal é uma ode ao “conciliador” Capriles, e ainda foi encontrado espaço para pintar o governo atual como agressivo e antidemocrático. Um dos subtítulos diz que “vice de Chávez ironiza adversário”. Além disso, o blog da jornalista Miriam Leitão, hospedado no site d’O Globo, publicou entrevista com um “analista da Venezuela”, o “cientista político Sadio Garavini Di Turno”. O texto explica que “a pedido do blog, [Sadio Di Turno] comparou as vantagens e desvantagens de cada um [Chávez e Capriles]”. O que o blog de Miriam Leitão não explicou é que o tal “analista da Venezuela” é um ferrenho opositor do atual governo, tendo, inclusive, afirmado em entrevista à Veja (sim!), quando das últimas eleições legislativas, que aquele resultado fora “um golpe fundamental”, que marcaria “o começo do fim da era Chávez”. É claro que essa implicação de Di Turno como parte atuante da política venezuelana foi determinante no teor das suas declarações, apesar do silêncio de Miriam Leitão.

Silêncio, aliás, que não esteve sozinho entre as omissões dos três veículos aqui analisados. O “passado golpista”de Capriles não deixa de aparecer apenas na Folha, como identificou Altamiro Borges. Estadão e O Globo também ignoraram este tema, espinhoso demais para quem busca posicionar o adversário de Chávez como conciliador e administrador sério e competente. Fato é que Henrique Capriles liderou, em 2002, a tentativa de invasão da embaixada de Cuba na Venezuela, enquanto seus companheiros tentavam derrubar, através de um Golpe de Estado, o presidente eleito pela esmagadora maioria do povo venezuelano. Esse é o “passado golpista”, citado apenas em uma pequena nota no site do Estadão que fala sobre a cobertura de dois veículos cubanos – o Granma e o Cubadebate – a respeito da escolha do candidato da direita. É nesse caminho que tende a seguir a cobertura até a eleição de outubro. Fiquemos atentos.

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Yoani Sánchez: personagem e arma da guerra midiática contra Cuba

27 jan

Com a viagem da presidenta Dilma Rousseff a Cuba, programada para a próxima semana, a trupe dos jornalões brasileiros não quis perder a oportunidade de pressioná-la. Uma das mais recorrentes críticas da mídia dominante ao governo de Lula se referiu à política externa. Ao contrário de todos os governantes anteriores, o petista manteve, de modo geral, um posicionamento independente, desagradando os setores da sociedade brasileira que sempre lucraram com um país subordinado aos interesses imperialistas (nas últimas décadas isso pode ser lido como EUA, mas não apenas isso) e que buscava estrangular os mais fracos.

A guinada da América Latina como um todo em direção a políticas externas de colaboração em detrimento da competição canibal entre os países historicamente explorados incomodou as elites e, é claro, seus representantes midiáticos. A pressão – e a sutil porém real mudança ideológica – já fizeram com que Dilma assumisse postura muito mais ofensiva do que Lula em relação ao Irã. Agora, estratégia de mídia semelhante é usada para afastar a presidenta do governo cubano. E uma peça vem sendo – e continuará a ser – fundamental nesse jogo: Yoani Sánchez.

A blogueira cubana é, há anos, estrela internacional da luta imperialista contra a Revolução Cubana. Multivencedora de premiações promovidas por jornais e organizações internacionais afinadas com o neoliberalismo, Yoani costuma reclamar muito do que chama de “falta de liberdade de expressão” em Cuba, mas mantém seu blog no ar sem problemas, assim como sua conta na rede social Twitter. Da mesma forma, costuma dar muitas entrevistas, por telefone, email, ou mesmo pessoalmente. Mesmo assim, se diz perseguida. O Generacion Y, blog mantido pela cubana, é traduzido em 18 idiomas, e não se conhece outro site no mundo com esse número de traduções. As fontes dessa força não são conhecidas, assim como não são conhecidas muitas questões em torno de Yoani. As premiações, por exemplo, ajudam a sustentar sua tranquila vida em Havana. Quais interesses representam, é uma questão que a grande mídia internacional não costuma colocar nas centenas de vezes em que cita ou entrevista a blogueira.

Apenas em 2012, do qual não completamos nem o primeiro mês, os três maiores jornais brasileiros – Estadão, Folha de S. Paulo e O Globo – já fizeram cada um uma entrevista exclusiva com Yoani, além da publicação de incontáveis matérias e notas de agências. É claro que nenhuma delas questionou o financiamento do Generacion Y, a “censura” que a entrevistada alega sofrer, ou qualquer questão mais profunda ou contundente sobre a situação em Cuba. O tema dos cinco cubanos presos nos EUA, trazido novamente à tona pelo recente livro de Fernando Morais, também não foi colocado. Sobre o cerco do governo norte-americano a Cuba, novo silêncio.

Há, sim, nas três entrevistas, pressão combinada entre a entrevistada e os entrevistadores para que, em sua visita a Cuba, Dilma se encontre opositores do governo cubano, mas, curiosamente, quando um presidente brasileiro vai aos EUA não se faz pressão para que reserve espaço para audiências com a oposição do momento. Ao mesmo tempo, há gritos pelo direito de Yoani de vir ao Brasil, mas a legislação cubana para imigração não é explicada com clareza em momento algum.

Apenas o jornal Zero Hora conseguiu superar Estadão, Folha e O Globo. Em menos de um mês, duas entrevistas com Yoani, ambas por telefone. Parece que o acesso da imprensa internacional à blogueira não é tão difícil. Onde está a censura, então? Uma entrevista concedida por Yoani a um jornalista francês, em 2010, dá boas indicações sobre a resposta mais adequada. Mas é claro que essa reportagem, absolutamente crítica e que derruba por terra a credibilidade da blogueira, não foi reproduzida ou comentada na velha mídia brasileira. Não é aquela a face de Yoani que interessa aos grandes grupos midiáticos. Ao francês Salim Lamnarium, ela afirma que seu blog não pode ser acessado em Cuba, ao que ele responde que acabara de acessá-lo. Então ela se enrola um pouco, e reclama que não tem espaço nos maiores veículos de mídia do país. Quantas pessoas têm espaço nos maiores veículos de mídia do Brasil?

Yoani é uma peça interessante no tabuleiro que sedia a luta entre a Revolução Cubana e o imperialismo capitalista. Ela usa a mídia internacional para se promover e ganhar dinheiro – muito dinheiro, como indicam ao menos as premiações que recebe – ao mesmo tempo em que é usada como fonte principal de tudo o que se fala sobre Cuba, sempre com o direcionamento de ataques frontais ao governo cubano. As entrevistas a que a blogueira responde são pouco questionadoras e muito elogiosas à “sua luta por liberdade”, e, nessa dinâmica, é construída uma imagem de Cuba filtrada apenas pelos olhos suspeitos de Yoani Sánchez e por sua conta bancária recheada de dólares e euros.

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Resgate dos mineiros chilenos completa um ano. O show continua?

12 out

Há exatamente um ano eram resgatados os mineiros chilenos que, por 69 dias, estiveram presos na mina onde trabalhavam. Toda a mídia mundial acompanhou o caso com grande atenção, fazendo daqueles dias um enorme espetáculo. Entradas ao vivo do local, perfis intermináveis de cada um dos mineiros, entrevistas com especialistas em nada. No dia do resgate, enormes transmissões ao vivo, plantões no momento do resgate de cada um – com seu respectivo perfil –, emoção nas vozes dos apresentadores e repórter. Hoje, silêncio.

A mídia brasileira, naquele momento, segui a tônica da imprensa internacional. Como no filme “A Montanha dos Sete Abutres”, em que o personagem principal é um jornalista que arma um circo em volta do resgate de um mineiro para vender suas matérias, as terríveis condições de trabalho e a quase morte de 33 trabalhadores foram transformadas em show. Há um ano, o Jornalismo B publicava:

(O assunto) É muito importante para ser tratado como um circo, para ser usado apenas objetivando, através da emoção, arrebanhar audiência passiva.

Entretidos com o show, os jornalistas brasileiros poucas vezes lembraram das más condições em que essas pessoas trabalham, dos motivos sociais que levaram a essa situação extrema. Preocupadas em entreter e emocionar, as coberturas que se disseram jornalísticas criaram um roteiro cinematográfico

Pois desde lá nada mudou. Cada tragédia continua sendo tratada como show para uma platéia em delírio, e as coberturas seguem sem qualquer profundidade. Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo não falaram nada sobre o aniversário do resgate, não houve qualquer matéria sobre o fato de nada ter mudado também na situação de trabalho de milhares de mineiros por todo o mundo.

Folha e O Globo repercutiram, no início da semana, uma matéria da agência EFE, na qual um desses 33 personagens relata que foi feito um acordo segundo o qual o primeiro mineiro que morresse lá embaixo seria comido pelos outros. E a matéria absolutamente corriqueira, como se uma situação limite como essa, causada por questões sociais, fosse aceitável. Não é. Ou fosse natural. Não é.

A Zero Hora, por sua vez, publicou uma reportagem na data do aniversário do resgate. Sobre o fim da fama dos mineiros, um ano após o fim do drama. Exatamente como se fizesse uma reportagem sobre a vida dos ex-BBBs após o fim do programa. Nada mais óbvio. Para esse tipo de jornalismo, aqueles mineiros não são pessoas, mas personagens de um show que, por incompetência, não conseguiram se manter no “ápice” de suas miseráveis vidas, enquanto, se fossem inteligentes, desinibidos e interessantes, poderiam viver agora os louros da fama instantânea.

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Ataques a Lula são ponta mais visível do neonazismo midiático

27 set

Desde que Dilma Rousseff começou a ser cotada como candidata do PT à sucessão de Lula a mídia hegemônica brasileira começou a deslegitimá-la e diminuí-la pelo fato de ser mulher. Essa ação aconteceu das mais diversas formas, da mais sutil à mais violenta, e já foi diversas vezes tratada, analisada e criticada aqui no Jornalismo B. A crítica a Dilma partir de um elemento social pessoal, e não político ou ideológico, não é, porém, nenhuma novidade. Com Lula já era assim. Nordestino, pobre, metalúrgico, sem diploma universitário. Desde sempre foram esses os elementos fundamentais do veneno destinado a Lula pela mídia oligárquica nacional – e internacional.

Lula saiu da presidência, mas seu status de grande liderança do PT – nacionalmente – e do Brasil – no cenário internacional – continua intacto. Na tarde desta terça-feira, recebeu de Ruchard Descoings, diretor do Sciences Po, da França, o doutorado Honoris Causa, concedido pela primeira vez pelo instituto a um latino-americano.

Foram enviados repórteres de alguns veículos brasileiros. Mas, ao que tudo indica, não foram a Paris para cobrir a entrega da distinção. Foram fazer lá o papel que fazem aqui, ou seja, de oposição raivosa e intransigente, de ataque gratuito justamente a um presidente que pouco ou nada fez para acabar com o monopólio de que usufruem esses mesmos meios de comunicação.

Trechos da matéria de um repórter do jornal argentino Página 12, impressionado com as perguntas feitas pelos brasileiros a Descoings na coletiva do diretor do Sciences Po: “Um dos colegas perguntou se era o caso de se premiar a quem se orgulhava de nunca ter lido um livro”; “‘Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção?’, foi a pergunta seguinte”; “Outro colega perguntou se era bom premiar a alguém que uma vez chamou de ‘irmão’ a Muamar Khadafi”; “Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po”. O próprio jornal O Globo publicou entrevista entrevista com Descoings na qual a primeira pergunta da repórter Deborah Berlinck é “Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?”.

Os relatos de brasileiros que vão ao exterior – inclusive alguns repórter – falam de países onde o Brasil passou a ser respeitado nos últimos dez anos. Nossa imagem para o resto do mundo inegavelmente foi modificada durante o governo Lula. É contra esse avanço que os lacaios da mídia entreguista neoliberal lutam como baleias agonizantes na areia. Lutam contra um país que já não se ajoelha perante o imperialismo e contra o operário que liderou seu levantar.

Fernando Henrique Cardoso é o presidente ideal da mídia elitista. Paulista, branco, rico, intelectual, cheio de diplomas, homem. Mulher, nordestino, pobre, sem diploma, operário, negro, homossexual, nem pensar. A mídia dominante quer impor seu padrão de gênero, de classe e de etnia às lideranças do país, e não pode, em seus padrões “arianos” de excelência, aceitar o comando de um subalterno, de um sujo. Lula não pertence à “raça perfeita” do neonazismo midiático que, se não mata, semea o ódio. E o ex presidente é apenas a ponta mais alta dos ataques dessa mídia contra os setores sociais oprimidos. Diariamente esses setores são atacados de forma ainda mais violenta, e são muito mais vulneráveis a esses ataques do que Lula.

Vale lembrar, por fim, que em oito anos na presidência Lula pouco ou nada fez para combater o domínio dessa mesma mídia que o ataca de forma tão baixa. Dilma também não sinaliza possibilidades de avanço. Alimentam o monstro. Parafraseando Augusto dos Anjos, o PT afaga quem apedreja sua mão, beija a boca que lhe escarra.

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Paulo Freire e o silêncio dos opressores

19 set
No Museo Bolivariano, em Caracas (Venezuela), há uma sala chamada “Los Imprescindibles”, ou “Os Imprescindíveis”. Entre Che Guevara, Simon Bolívar, Zapata e outros heróis latino-americanos, está um brasileiro: Paulo Freire. Pois esse educador pernambucano que desenvolveu a reflexão sobre uma outra forma de educação, respeitado fora do Brasil como “imprescindível”, autor do clássico “Pedagogia do Oprimido”, completaria 90 anos de nascimento nesta segunda-feira, 19 de setembro. E foi esquecido pela grande mídia nacional.

Paulo Freire foi um dos mais importantes brasileiros. Seu pensamento e suas ações apresentaram uma forma revolucionária de se pensar a Educação, na qual educador e educando cruzam seus papéis, se ensinam mutuamente. A pedagogia de Freire clama por autonomia para todos, pela emancipação social através da emancipação do estudante, pelo crescimento do professor unido ao crescimento do aluno, pela educação como prática de liberdade.

Paulo Freire lutou e construiu uma Educação que incomodava, e seu legado segue incomodando. Sua defesa dos oprimidos nunca agradou aos opressores, os mesmos que seguem oprimindo, e que têm seu discurso reproduzido pela mídia igualmente dominante, igualmente opressora. Essa mesma mídia que, neste 19 de setembro, silenciou sobre o aniversário de nascimento de um personagem do tamanho de Paulo Freire.

Nenhuma palavra sobre a data na Folha de S. Paulo, no Estadão, no O Globo ou no G1. Dos grandes portais, apenas o Terra falou sobre o assunto. O motivo do silêncio não é difícil de identificar. Por que os opressores dariam espaço a quem defende os oprimidos? O conhecimento sobre a obra de Paulo Freire é uma chave importante para a busca por autonomia, para a luta por democracia real, para o combate a todas as formas de opressão.

Citação de Paulo Freire – “imprescindible”

Em seus livros e em sua prática política Freire sugere dar voz e liberdade a quem as elites midiáticas trabalham diariamente para silenciar e prender. Os pobres deixam de ser vistos como ignorantes e passam a ser vistos como portadores de outras formas de conhecimento, deixam de ser selvagens aculturados para possuírem uma cultura diferente, deixam de ser objetos para serem sujeitos, deixam de serem caixas onde se depositar “conhecimento” para serem parte ativa de uma troca de experiências e mútuo aprendizado.

A criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, prática diária da mídia dominante, é confrontada diretamente pelo pensamento de Paulo Freire. A resposta dos opressores é fazer do próprio silêncio sobre o autor o silenciar das vozes dos oprimidos. A desinformação como arma.

O aniversário de aniversário de Paulo Freire mostrou quem está de que lado – com os opressores ou assumindo para si as lutas dos oprimidos por autonomia e emancipação. Enquanto a velha mídia ignorou a data, alguns sites e blogs de esquerda publicaram bom conteúdo lembrando o maior educador brasileiro. Alguns bons exemplos são a Revista Fórum, o Brasil de Fato e o Portal Vermelho.

*Todos os livros de Paulo Freire estão disponíveis para download grátis AQUI.

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