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O Dia do Jornalista – pra que(m) serve o teu jornalismo?

6 abr

Nesse sábado, 7 de abril, comemora-se o Dia do Jornalista. O jornalismo, como qualquer profissão ou qualquer ferramenta, pode ser usado para o bem e para o mal. Então qual jornalista deve ser homenageado e qual deve ser lamentado e repudiado? Esta é uma formulação mais individualizada de uma questão fundamental para o exercício do jornalismo: para quem serve o trabalho que desenvolves?

Não há neutralidade em qualquer setor da vida, em qualquer ação. A neutralidade está ainda mais distante quando falamos de jornalismo. Retratar a sociedade que está à nossa volta é necessariamente agir sobre a sociedade que virá a seguir. A mídia tem o poder de construir e reconstruir a realidade através da visão dos jornalistas e das empresas de comunicação. É através da mídia que a sociedade enxerga a si mesma, é através da informação que ela existe efetivamente.

Como a escola e a família – e, cada vez em menor medida, a igreja – a mídia forma a personalidade dos indivíduos desde a primeira infância, onde os sons e imagens transmitidos pela televisão às vezes são mais presentes do que os próprios pais. Já adultos e jovens e com a percepção básica do mundo formada a partir das interações iniciais com o ambiente – que inclui esta enxurrada de sons, imagens e informações que chegam através da mídia –, as pessoas seguem se informando através dos meios de comunicação, já que não é possível estar em todos os lugares onde as coisas acontecem. Afastados da vida política por um modelo que elitiza o processo decisório, os sujeitos são treinados para assistirem passivamente à realidade imposta pelos dominantes e distorcida pela mídia hegemônica. Mas há, pelo trabalho de diversos atores sociais, espaço para agir sobre essa realidade e modificá-la.

É justamente nesse ponto que se diferenciam os dois tipos de jornalistas: os que trabalham para seus patrões e para as elites opressoras, e os que trabalham pelo interesse pública e para os oprimidos. A sociedade capitalista, repartida entre opressores e oprimidos (capitalistas e proletários, ainda que o capitalismo moderno inclua classes híbridas entra essas duas, que acabam por alimentar o domínio da primeira), não admite a omissão. Não escolher um lado é ser escolhido pelo lado dominante.

O jornalismo possui, nesse contexto, uma função social fundamental, função que infelizmente é muitas vezes relegada em favorecimento aos interesses dos patrocinadores dos grandes conglomerados de comunicação. A função de defesa dos oprimidos, de luta por desencobrir a realidade encoberta pela fumaça da alienação, é deixada de lado, e o jornalista se torna mais uma peça na engrenagem de realimentação do sistema, cuja lógica é a opressão de muitos para o domínio de alguns poucos.

No Dia do Jornalista, um enorme parabéns aos que honram a profissão lutando ao lado do povo, postando-se ao lado dos oprimidos e trabalhando pelo descobrimento da realidade encoberta pela desinformação alienante, pela aproximação entre as pessoas e a própria realidade ignorada. Parabéns aos que usam a verdade como arma e as palavras como estiletes. Parabéns aos que não se acomodam, não se conformam. Parabéns aos que se indignam. Parabéns aos que lutam.

Jornalismo é subversão.

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A velha mídia contra os estudantes, em 2007 e em 2011, nos traços de Latuff

7 nov

A ocupação da Reitoria da USP por um grupo de estudantes, na última semana, mostrou uma polícia despreparada e com forte herança do período de Ditadura Militar, e mostrou o reacionarismo quase fascista de alguns setores da sociedade. Tudo isso alimentado por uma mídia dominante que nutre verdadeiro ódio por qualquer tipo de manifestação crítica e atua diariamente na criação de estereótipos que visam deslegitimar todos os movimentos de contestação.

Como já havia acontecido na ocupação da mesma USP em 2007, o chargista Carlos Latuff vem observando e registrando com precisão o papel da mídia nesse conflito. A seguir, algumas de suas charges. As duas primeiras feitas na última semana, as seguintes datadas de 2007. Há quatro anos o governador de São Paulo era José Serra, agora é Geraldo Alckmin. Ambos são do PSDB. A mídia continua a mesma. Mesmos atores, mesmo posicionamento. É essa mídia quem nutre as mentes reacionárias e anti-democráticas com seus preconceitos.

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Ditadura da beleza, o massacre da mídia

2 nov

Produzido por Fernanda do Valle, documentário sobre a influência da mídia nos transtornos alimentares. Entrevista com a nutricionista Marle Alvarenga, mestre e doutora em nutrição humana pela USP.

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Cai a confiança do brasileiro na mídia. Avanço ou problema?

5 out

A dinâmica social vai atropelando a inércia governamental e fazendo mudar, mesmo que a passos lentos, a estrutura da mídia brasileira. Foi divulgada na última segunda-feira (3/10) uma pesquisa do Ibope Inteligência, que apontou o nível de confiança do brasileiro em diversas instituições da sociedade. Os meios de comunicação mantiveram sua posição (4º lugar, atrás de Corpo de Bombeiros, Igrejas e Forças Armadas), mas seu índice caiu de 67% para 65% de confiança de 2010 para 2011, sendo que, em 2009, o índice chegava a 71%.

É verdade que, de 2010 para 2011, quase todas as instituições viram a confiança da população diminuir, mas, no apanhado dos três últimos anos, apenas o sistema de saúde e as escolas públicas perderam mais confiança do que a mídia.

Essa queda de seis pontos percentuais em três anos não acontece por acaso. A cobertura eleitoral do ano passado foi lugar de grandes sujeiras da mídia dominante, a começar pelo emblemático “caso da bolinha de papel”. Ao mesmo tempo, o grande trabalho militante de uma fatia considerável da blogosfera e o avanço e popularização da internet – justamente onde esse trabalho de desmascarar a velha mídia é realizado com mais intensidade – atuaram no sentido de desconstruir o discurso de neutralidade dos conglomerados de mídia.

A classificação dos meios de comunicação como quarta “instituição” mais confiável, e a comparação com os outros países pesquisados pelo Ibope Inteligência, porém, mostram que ainda temos muito o que caminhar para que nossas percepções enquanto mídia independente e enquanto militantes pela democratização da comunicação cheguem efetivamente ao conjunto da sociedade brasileira. Entre Chile, Argentina e Porto Rico, apenas neste último a população confia mais nos meios de comunicação do que os brasileiros. No Chile, o índice é de apenas 51%.

É importante para um país que sua população confie nos meios de comunicação – mais, por exemplo, do que nas forças armadas ou nas igrejas -, e o fortalecimento das instituições faz também com que toda a sociedade se fortaleça e se torne mais democrática. Mas essa confiança deve sempre crítica, uma confiança desconfiada. É preciso que a confiança parta de uma lógica de compreensão das ações da mídia. Não pode ser uma confiança cega, inocente, alienada. Precisa estar fundamentada em uma mídia realmente digna da crença na veracidade das informações e na honestidade das ações. Não é o que temos no Brasil.

Por enquanto estamos no momento de desconfiar, de investigar, de exigir entender a lógica inserida na qual trabalha a mídia corporativa. Quando avançarmos mais nesse processo de aprendizado, o nível de confiança se reduzirá drasticamente, e então, com o cenário preparado para a substituição hegemônica de uma mídia elitista, falsária, comprometida com o capital, por uma mídia democrática, plural e popular, a sociedade terá uma mídia na qual verdadeiramente poderá confiar, já que também poderá construir.

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Eblog e BlogProg: união pela democratização da mídia

6 jul

O manifesto político do Eblog (Blogueiros de Esquerda), lançado no início dessa semana, veio acompanhado de uma convocação à blogagem coletiva em defesa da democratização da comunicação. O chamamento pede que se usa a hashtag (etiqueta) #DemoCom, e a ideia é que os posts dessa blogagem se estendam de 7 a 10 de julho. O Jornalismo B prefere pegar o gancho do manifesto do Eblog e começar com um dia de antecedência as postagens sob essa hashtag.

O tema da democratização da mídia não é novidade por aqui. Diariamente, há quase quatro anos, o Jornalismo B trata da mídia brasileira, de seus problemas, de suas qualidades, e de seus caminhos. Nesse meio tempo o debate sobre o tema foi amplificado pela adesão cada vez mais maciça de blogueiros e usuários de todas as redes sociais. A questão da mídia vem se tornando central para muitos indivíduos e grupos de esquerda. Assim é também para o Jornalismo B, que percebe a comunicação como um direito de todos os cidadãos, e entende que somente através de uma mídia verdadeiramente democrática poderemos chegar a uma sociedade radicalmente democrática.

Já tratamos aqui de muitos dos pontos específicos que orbitam ao redor desse tema tão amplo, mas hoje, pegando o gancho do manifesto político do Eblog, chegamos a um item fortemente em pauta nas últimas semanas.

O manifesto é uma marcação de posição de quem somos, mas também de quem não somos, e inclui até um item específico de crítica a determinados procedimentos do BlogProg, grupo de “Blogueiros Progressistas” organizado há pouco mais de um ano e que realizou dois encontros nacionais, além de diversos encontros regionais. Assinei o manifesto, obviamente, por assinar embaixo da maior parte dos pontos defendidos, mas é importante ressaltar que não vejo no confronto entre BlogProg e Eblog um caminho interessante para qualquer um dos lados.

Há diferenças fundamentais, estruturais entre os dois grupos. Isso fica claro no dia a dia, no conteúdo de blogs e perfis e nas recorrentes discussões – muitas vezes exaltadas – entre integrantes de um e de outro. Existem, porém, pautas comuns – e muito importantes. Dentre elas sem dúvida está a democratização da comunicação. Ponto básico de debate nos encontros do BlogProg e demanda indiscutível do Eblog, a ideia de uma mudança profunda na organização midiática brasileira é entendida por todos como condição sine qua non de todas as outras demandas sociais. Um novo marco regulatório (uma versão brasileira da Ley de Medios argentina), a popularização do acesso à internet de banda larga, a criação de Conselhos de Comunicação, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam da mídia, o fim da criminalização das rádios comunitárias. Esses são apenas alguns dos itens específicos que todos nós, ainda que de formas diferentes, defendemos.

A mídia brasileira de esquerda e centro-esquerda acaba herdando, obviamente, uma dificuldade histórica da nossa esquerda total: a fragmentação. O foco, em certas pautas, não pode estar nas divergências, mas nas convergências. É preciso entender que, ainda que discordemos em muitas questões – algumas delas fundamentais, fundadoras, sem dúvida – temos pautas comuns e nelas precisamos trabalhar juntos contra adversários comuns. A discordância, a divergência e o debate sobre as diferenças devem, sim, acontecer, mas em nível político, jamais pessoal, e de forma argumentativo, jamais desqualificadora ou violenta. Não há donos da verdade, não há sequer verdade absoluta. Construímos, a cada ação, a verdade do momento. E essa construção se dará de forma mais efetiva se acontecer através de debates sérios, comprometidos apenas com a honestidade, a ética e a defesa de pautas populares, sem que se envolvam interesses individuais nem preconceitos.

Se percebemos a centralidade da questão da mídia para a evolução democrática, e se percebemos nessa pauta um interesse comum de defesa da comunicação popular e plural, como podemos simplesmente virar as costas uns para os outros? A democratização da comunicação não é a substituição de um domínio por outro, de uma opressão por outra. A verdadeira mídia democrática é horizontal, plural, ampla. Por isso mesmo precisa ser construída de forma horizontal, plural e ampla, e isso inclui todos que estejam interessados e conscientes da importância dessa luta, pertençam a que partidos ou organizações pertencerem, defendam as demais causas que defenderem. Com a mídia totalitária, perdemos todos. Isolados, perdemos todos. O grito pode – e deve – ser divergente, mas, se não houver alguns tons comuns, não será ouvido. Esse grito é de todos nós.

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ANJ quer mídia “autorregulamentada”

27 mai

A mídia é uma terra sem lei ou com lei imposta por poucos sobre todos os outros? Fico com a segunda opção, e a caracterização de “donos da mídia” define com precisão o que buscam – e, por ora, conseguem – ser os grandes empresários da comunicação brasileira. Parte deles ou de seus representantes se reuniu nesta sexta-feira na sede do Supremo Tribunal Federal para o Fórum Internacional Liberdade de Imprensa e Poder Judiciário, promovido pela Associação Nacional de Jornais, que congrega os jornalões brasileiros e passa muito longe de representar os interesses da mídia democrática.

Quando os representantes dos grandes grupos de comunicação, das oito famílias que controlam toda a mídia brasileira, se reúnem para falar em “liberdade de imprensa”, muito cuidado: o que eles querem é libertinagem de empresa, e liberdade apenas para seus desmandos.

Para se ter uma ideia, a presidente da ANJ, Judith Brito, entregou o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa ao jornal argentino Clarín, por “simbolizar os problemas enfrentados pela imprensa do país vizinho para ser independente e não submissa ao governo”. Então o Clarín, que detém um monopólio quase absoluto dos meios de comunicação argentinos é “independente” e defensor da liberdade de imprensa? Que liberdade é essa, na qual apenas um grupo controla toda a palavra dita e escrita em um país? O monopólio do Grupo Clarín tem sido enfrentado pelo governo de centro-esquerda de Cristina Kirchner, através de leis que buscam pluralizar e democratizar a comunicação argentina.

Em outro painel, a advogada e consultora da Folha de São Paulo, Taís Gasparian, “citou casos envolvendo jornais brasileiros que enfrentaram problemas no exercício da liberdade de expressão”, segundo o site da ANJ. Tenho certeza que não foi citado o caso de censura ao blog Falha de S. Paulo, processado pela Folha que Taís foi representar.

Por fim, vale noticiar que ontem a ANJ aprovou em Assembléia Geral o Programa Permanente de Autorregulamentação. O resumo da ópera é que a própria mídia deve se regular – é claro que quem decide quais regulações são os próprios jornalões. Na prática, segue tudo como hoje, apenas com indicações para que os jornais aprimorem seus mecanismos de controle sobre o conteúdo, e justifiquem as críticas às tentativas de que a sociedade exerça controle sobre a qualidade das informações que recebe e tenta produzir. É mais um capítulo da luta dos ditadores da comunicação contra o debate social dos rumos midiáticos.

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Um diagnóstico das doenças de formação da mídia

29 abr

Texto publicado originalmente no Canal VMTV.

Destruir é preciso. Com a constituição de mídia que temos hoje, navegar é impossível. Se navegar é preciso, destruir é preciso para navegar. Não há voz, não há sequer corda vocal, apenas uma grande quantidade de gargantas virgens de gritos. É necessário, então, rasgar essas cordas que prendem as vozes, é necessário destruí-las. Mas é também imprescindível que, concomitante ao processo de destruição, alternativas sejam construídas. Aí está o grande desafio histórico da esquerda mundial, e, especificamente, da mídia de esquerda.

Com a atuação conjunta dos dois elementos que abordei nas minhas duas colunas anteriores no Canal VMTV (ditadura do capital aplicada à comunicação e falsa neutralidade pregada pelos conglomerados de mídia) fica dificultada a tarefa da esquerda de criar uma nova lógica na comunicação (ou uma “outra comunicação”, como preferiu o Fórum da Igualdade).

Temos atualmente, no Brasil, a configuração de três setores midiáticos: a mídia dominante, aliada aos grandes grupos empresarias e à direita nacional e internacional; a mídia oficial, ligada direta ou indiretamente aos governos nacional e estadual do PT; e a mídia contra-hegemônica, ou alternativa. Na primeira está o controle momentâneo de quase toda a informação que circula no país. A segunda é uma dissidência da antiga mídia independente, que, ao ver se partido chegar ao poder, grudou-se a ele, tornando-se orgânica e, substancialmente, acrítica. A terceira, por fim, como única fonte de mídia realmente independente – ainda que o termo seja impreciso – costuma cair no erro de querer ser tão alternativa a ponto de apequenar-se.

Caminhamos para mais do mesmo. A parcela dos comunicadores que eram independentes e se tornaram mais fortemente vinculados ao PT reproduz o que tínhamos nas origens do jornalismo brasileiro, com jornais financiados por partidos políticos e a eles subordinados, objetiva ou subjetivamente. A era da imparcialidade marcha para o fim, mas a alternativa que emerge não é animadora: é o passado travestido em futuro próximo.

Por outro lado, temos uma mídia alternativa que resiste em tornar-se verdadeiramente contra-hegemônica. Não basta ficar à margem, isso é apequenar-se e conformar-se com o estado das coisas. Não é subversão, mal é um espectro de rebeldia. A contra-hegemonia sim, é a tentativa de criação de alternativas, e o embate entre essas alternativas e as lógicas que hegemonizam a comunicação.

Está aí a grande dificuldade do que restou da imprensa independente, esteja ela constituída na internet, em rádios comunitárias ou piratas, ou em veículos impressos. Para além da crítica e do desmonte da lógica dominante, precisamos criar. Criar pautas, criar espaços, criar conteúdos. É preciso destruir, mas é preciso ir além da destruição. É preciso construir. Navegar é preciso, mas em outros mares.

Mas é claro que muitos obstáculos se impõem nesse caminho. As dificuldades financeiras são o primeiro e maior entrave à produção, por exemplo, de reportagens. O que sobra, então? Sobra o esforço colaborativo. Aí está o gigantesco mar onde podemos navegar. É na colaboração que a mídia contra-hegemônica pode produzir alternativas e forçar o embate. Assunto a ser ainda muito debatido, e aprofundado em uma próxima coluna.

Postado por Alexandre Haubrich

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Portal reúne espaços da esquerda na internet

1 mar

Não é fácil encontrar uma definição precisa do que signifique “esquerda”, politicamente falando. Os conceitos de esquerda e direita variam de acordo com a época e com o contexto local, além de serem apresentados de acordo com focos diversos, a partir do entendimento dos analistas em relação ao que é prioridade na disputa política. Ressaltando a existência dessas variáveis, começo este post dizendo que não concordo com a amplitude da conceituação da “esquerda” aceita pelo Só Esquerda, um site agregador de espaços de esquerda na internet.

O Só Esquerda entrou no ar há pouco tempo, a partir de uma ideia nascida no Fórum de Mídia Livre, em 2008. A proposta é fantástica e, apesar de discordar do tamanho do espectro da esquerda aceito pelo site, entendo que é válido e democrático o critério usado pelos desenvolvedores do site: a auto-declaração. Independentemente dessa questão polêmica, o desenvolvimento de um espaço assim é fundamental para que as vozes de contestação se amplifiquem na internet.

Há tempos o Jornalismo B tem batido na tecla da necessidade impreterível da união entre os veículos da mídia contra-hegemônica, especialmente na internet. Para enfrentar a ditadura midiática, do discurso único das grandes empresas de comunicação, é preciso trabalhar coletivamente.

Em uma sociedade capitalista, dominada pela direita em suas mais diversas formas, a mídia não poderia ser diferente. Desconstruindo e reconstruindo a comunicação, a partir de uma visão de mundo à esquerda (solidária, independente, emancipatória, popular), ajudamos a reconstruir a sociedade. Ao mesmo tempo, a reconstrução da sociedade é impreterível para que se recrie a comunicação. É na luta pela formação de uma nova sociedade que os veículos de esquerda devem trabalhar. E, por serem contra-hegemônicos, por definição não são capazes de, isolados, alcançar os mesmos espaços da mídia dominante. Porém, por serem muitos, democráticos, não-concentrados em meia dúzia de grandes empresas, a união entre eles pode alçar suas vozes a níveis de real disputa hegemônica, em favor do povo e da democracia.

Além da importância de agregar espaços de esquerda, o próprio Só Esquerda trabalha na prática o conceito de democracia midiática, já que é o leitor quem constrói o site que irá acessar diariamente. Com as abas “blogs”, “jornalismo”, “mídia livre”, “movimento social”, “partidos”, “sindical”, “twitter” e “internacional”, o leitor pode ordenar os veículos ou até eliminá-los de acordo com seus interesses. Dessa forma, cada um tem o poder de construir seu próprio veículo de informação, pode elencar e organizar suas formas de buscar informações sobre suas áreas de interesse, sempre pelo viés da esquerda. Nessa interação e na autonomia que possibilita ao leitor está outro grande mérito do Só Esquerda.

O próprio site se descreve assim: “Só Esquerda é um portal, na verdadeira intenção da palavra: uma porta de entrada para a internet, que reúne os principais sites, blogs e portais da esquerda brasileira. Uma ferramenta de ótima utilidade para ativistas, militantes políticos, jornalistas sindicais e comunicadores populares da mídia alternativa”. Tem tudo para cumprir a função a que se propõe. É uma possibilidade a mais para quem cansou do conservadorismo e das máscaras da mídia dominante, e procura alternativas para se informar com qualidade e da forma que entender como a melhor.

Em tempo: o Jornalismo B está lá, nos blogs.

Postado por Alexandre Haubrich

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Um novo momento

28 fev

Ainda que esteja datado do último dia de fevereiro, este post inagura o março do Jornalismo B e inaugura o ano de 2011 neste blog que com vós dialóga. Sim, dialóga, porque aqui não há nem nunca houveram monólogos. O Jornalismo B é uma grande construção coletiva, a partir da percepção de que, nos comentários, nos textos dos colaboradores e nos mais diversos interagetens, construímos o pensamento sobre mídia que acaba expresso nos textos postados aqui.

Para aprofundar essa pluralidade de ideário midiático – sempre à esquerda, fique claro –, em janeiro e fevereiro foram muitos os nomes que passaram por aqui, com suas visões sobre a imprensa brasileira e internacional. Fizemos um esforço para mostrar aqui que se pensa, sim, sobre a mídia, e que essa crítica é necessária para construirmos o novo, seja na própria comunicação, seja na sociedade de modo geral. Ampliamos os conteúdos para ampliarmos a voz, ampliamos as vozes para ampliarmos o conteúdo.

Em março e abril outros formatos de posts seguirão na mesma direção de fomento ao pensamento crítico sobre a mídia como forma de reconstruí-la. Nestes dois meses, teremos, além dos posts costumeiros, entrevistas com jornalistas e/ou blogueiros que trabalham diariamente com esse longínquo vislumbre de uma mídia democrática. Além disso, nas sextas-feiras as publicações do Jornalismo B serão um revezamento entre os editoriais do Jornalismo B Impresso e textos pinçados de outros blogs. Dessa forma, traremos novas vozes ao blog.

O Jornalismo B Impresso, aliás, faz-se uma necessidade. Percebemos que a luta por uma comunicação democrática no Brasil precisa passar pelos mais diversos tipos de mídia, e o jornal que nasceu em maio de 2010 a partir deste blog é uma busca do fortalecimento dessa luta. Quinzenalmente, botamos nas ruas edições que extrapolam o tema da mídia para construírem um novo discurso, uma nova cultura, uma nova práxis. Ali, trazemos textos de diversos colaboradores para tratarmos de propor novas ideias, para repensarmos e reconstruirmos o que vemos diariamente na mídia dominante. Para que o Jornalismo B Impresso continue firme e forte, porém, precisamos que todos que nos acompanham assinem e apóiem a iniciativa, sob pena de perdermos um espaço que busca consolidar-se como alternativa ao discurso único e excludente. Se você quer saber como apoiar o Jornalismo B Impresso, leia AQUI.

O Jornalismo B é mais uma trincheira para, junto com cada um dos nossos leitores e dos nossos blogs parceiros, construirmos a mudança. É assim que entramos definitivamente em 2011, para fazer de cada dia um momento de luta por uma mídia diferente para ajudar a construir uma sociedade diferente, baseada em uma verdadeira democracia, onde todos tenham ouvidos com bons filtros e, acima de tudo, tenham voz.

Manipulação de massa

25 fev
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