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Cristina devolve petroleira ao povo argentino, mídia privatista esperneia

17 abr

As privatizações costumam contar com grande apoio da mídia hegemônica, aconteçam em que país acontecerem. A grande mídia internacional também se refestela com esse tipo de política e busca criar situações de pânico quando países próximos buscam formas de aumentar o poder do Estado – e da sociedade civil – sobre as riquezas de cada país. Afinal de contas, se as riquezas estiverem nas mãos do povo, com que dinheiro os grandes empresários irão sustentar a mídia que tanto os defende?

A decisão da presidenta argentina Cristina Kirchner de nacionalizar a empresa petrolífera YPF e devolvê-la às mãos do povo argentino foi recebida com revolta por esses setores da mídia. A espanhola Repsol detinha a YPF desde 1999, quatro anos depois de a empresa ser privatizada pelo governo de Carlos Menem em meio à onda neoliberal que varreu a América Latina e entregou as poucas riquezas dos países do continente para exploradores estrangeiros.

A YPF, fundada no início do século passado e cujo modelo estatal inspirou a criação da Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB), da Petróleos Mexicanos e da Petrobrás, foi privatizada por um presidente que, em 2001, esteve preso por corrupção, e que durante seu governo perdoou criminosos condenados por suas atuações durante a Ditadura Militar argentina.

A velha mídia da Espanha esperneou. Atacou Cristina de cima de um altar colonialista, como costuma atacar os latino-americanos comprometidos com a própria soberania. O mesmo aconteceu com a mídia (ainda) dominante na Argentina, como o jornal Clarín, opositor de Cristina e entreguista costumaz.

No Brasil, como escreveu Martín Granovsky, do Página 12, a resolução de Cristina “mereceu um tom informativo e neutro, por exemplo, em dois portais ligados ao mundo dos negócios do Brasil, o do jornal Estado de São Paulo e o do Valor Econômico”. A Folha de S. Paulo também deu tom informativo à sua matéria principal sobre o assunto, mas, nas retrancas, grande espaço para as críticas espanholas e até um artigo de Jorge Castro, que, como a própria Folha tem a cara de pau de admitir, é colunista do Clarín e foi secretário de Planejamento de Carlos Menem, o presidente que privatizou a YPF.

O jornal gaúcho Zero Hora mergulhou novamente em sua ânsia de atacar os governos progressistas da América Latina. Distorceu, ao usar como “cartola” a frase “O petróleo é dela”, dando a entender que a presidenta havia tomado para si a petroleira, quando, na verdade, tomou-a para o Estado e o povo argentino. No título, tenta conduzir ao leitor à conclusão de que Cristina “tem gosto” por brigar e arrumar polêmicas, novamente personalizando-a: “Cristina agora briga com a Espanha”. O primeiro parágrafo dá o tom que Zero Hora busca impor a todas as notícias sobre a presidenta argentina, enfileirando críticas que voltam a cada nova matéria, como um recalque intransponível: “Em uma lista de atitudes controversas, que inclui perseguição a jornais, guerra de importações e a busca pela soberania das Ilhas Malvinas, a Argentina anunciou ontem a maior expropriação individual de uma petroleira na América Latina”.

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A “canalla mediática” internacional torce pela morte de Chávez

12 abr

O jornalista e blogueiro Rodrigo Vianna advertiu na última quarta-feira que a mídia dominante brasileira tem se transformado em um espaço de reforço à direita venezuelana em sua luta contra o presidente daquele país, Hugo Chávez. Como demonstrou Rodrigo, a fonte prioritária dos últimos lances midiáticos tem sido o jornalista venezuelano Nelson Bocanera. E o primeiro a repercutir, por exemplo, a “informação” de que Chávez viria tratar-se no Brasil foi Merval Pereira.

É importante, antes de mais nada, refletirmos sobre quem são esses dois personagens.

Nelson Bocanera, citado pelo Wall Street Journal como “leitura obrigatória pra quem vai “investir” na Venezuela”, trabalhou para a RCTV e a Venevizion, duas das maiores televisões privadas da Venezuela, ambas construtoras do Golpe de Estado que, em 2002, roubou a presidência de Chávez por algumas horas. Agora, Bocanera trabalha para o El Universal, um dos maiores jornais antichavista do país. Tuiteiro e blogueiro, o jornalista costuma republicar afirmações de políticos da oposição, como Maria Corina Machado, uma das pessoas que esteve à frente do Golpe de 2002.

Merval Pereira trabalhou a vida inteira na Rede Globo, e notabilizou-se nos últimos anos como uma das principais expressões da direita midiática antilulista. Tanto que virou colunista, entrevistado e orador de encontros do Instituto Millenium.

O Instituto Millenium é uma entidade criada em 2005 com o objetivo de trazer para sua órbita a nata da direita brasileira. Possui como apoiadores instituições como o Instituto Liberal e o Movimento Endireita Brasil. Entre seus conselheiros, estão João Roberto Marinho, Roberto Civita, Jorge Gerdau, Luiz Eduardo Vasconcelos, Gustavo Franco e Pedro Bial. Seus princípios, segundo o site da organização, são “liberdade individual, propriedade privada, meritocracia, estado de direito, economia de mercado, democracia representativa, responsabilidade individual, eficiência e transparência”.

Em uma estranha escolha, Merval tornou-se também membro da Academia Brasileira de Letras, tendo publicado apenas dois livros (um escrito a quatro mãos, há décadas, e outro com uma seleção de artigos contra Lula). Em uma rápida busca, é possível encontrar artigos do “escritor” ou matérias sobre ele com trechos do tipo: “Merval acredita na necessidade em aperfeiçoar o sistema e aprofundar as discussões baseadas no lucro e em questões sociais: “O capitalismo não vai acabar e o socialismo não é uma alternativa. (…)”, ou “O Lulismo é resultado do mensalão e das políticas assistencialistas”.

Merval sempre criticou Chávez, afirmando que a Venezuela, assim como o Equador e outros países governados pela esquerda latino-americana, “se aproxima de um ditadura”. Nos últimos meses, “virou um setorista da doença de Chávez, só que com base em informações distorcidas”, segundo um texto publicado no blog Ficha Corrida.

Pois, obviamente, as intrigas da dupla Bocanera – Merval chegaram ao Rio Grande do Sul, a princípio através de Políbio Braga, uma espécie de Merval Pereira sem grife, e em seguida na editoria de Mundo do jornal Zero Hora, sempre preparada para atacar os governos progressistas que vêm ganhando força na América Latina desde o fim da década de 1990. Zero Hora também entrevistou Bocanera e usou o jornalista como fonte única em uma matéria de sete parágrafos sobre as “revelações” de Bocanera e Merval. Segundo a matéria, o venezuelano agora revela como o Chávez “mudou de ideia” sobre a possibilidade de tratar-se no Brasil. Ao invés de admitir o erro e a precipitação da informação repercutida por Merval, contorna-se a barriga.

A propaganda política em forma de guerrilha midiática, travestida sempre de jornalismo isento, é tática comum do imperialismo estadunidense em todos os locais onde tem interesse em atuar. O Departamento de Estado conta sempre com a colaboração da grande mídia internacional, que trabalha alimentando redes de boatos e de ataques de lado a lado. É similar ao que acontece em Cuba com a blogueira Yoani Sánchez. A “notícia” é dada na Venezuela, mas o povo venezuelano acredita cada vez menos na mídia privada do país. Também desconfia das agências e dos grandes jornais estadunidenses. Então a “informação” é enviada ao Brasil, onde é repercutida ao máximo, em todos os veículos aliados do capital internacional – alguns funcionários desses veículos já foram pegos pelo Wikileaks colaborando diretamente com o governo dos EUA, por exemplo. E fecha-se o círculo fazendo-se com que a matéria publicada por aqui seja devolvida à Venezuela, tornando o veículo brasileiro a nova fonte – aparentemente confiável para o venezuelano médio, que, como escreveu Rodrigo Vianna, não conhece o histórico ou a conjuntura atual da mídia brasileira.

*Em fevereiro já mostrávamos AQUI o posicionamento da velha mídia brasileira em defesa de Henrique Capriles, adversário de Chávez nas eleições que se avizinham.

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Charge: Desde 2002 chamando golpe de Estado de liberdade de imprensa

11 abr

Capriles y los medios internacionales contra Hugo Chávez

13 fev

*Este texto fue postado en portugues AQUIen Jornalismo B, y esta tradución no es perfecta, pero cumple su meta de levar a los compañeros de latinoamérica, fundamentalmente a los venezolanos, un poco de lo que se habla en Brasil a respecto de las elecciones en Venezuela.

Los medios privados de Brasil nunca ocultaron su odio a cualquiera gobierno popular, su odio a cualquiera movimiento de empoderamiento del pueblo. No se puede crear poder. En el momento en que este se destina a quien no le possue, los opresores de siempre pierden su potencia de opression.

Ejemplo en los últimos años es el gobierno de presidente Hugo Chávez en Venezuela. Y está cerca un momento en que la derecha internacional, incluso los medios de comunicacion, buscarán de todas las formas – hasta el golpe militar ha sido tentado por las elites y prontamente repelido por el pueblo – poner fin a la Revolución Bolivariana. Después de muchas elecciones confusa en su dificuldad en lidar con la democracia y con ele pueblo que se politiza, la oposición venezolana se hará unida en solo uno postulante a la presidencia, elegido en el ultimo domingo: Henrique Capriles.

Desde la definición de Capriles como candidato de la derecha, los viejos medios de comunicación brasileños se han alineado con los cadavéricos medios de comunicación privados venezolanos, y entre fiestas y omisione, comenzó la apasionada defensa de los opositores de Chávez. Los tres más grandes periódicos de Brasil – Folha de S. Paulo, Estadão y O Globo – han publicado reportajes atacando al presidente y alabando a su oponente. Los niveles de agresión y omisión fueron distintos, pero el apoyo a Capriles es evidente por todas las partes.

El título de uno de los reportajes de Estadão, por ejemplo, es “Elevada participación en preliminares fortalece anti-Chávez para elecciones de octubre”, y la apertura del texto de Lourival Santanna dice que “muchos venezuelanos desafiaram ayer el presidente Hugo Chávez y salieram a votar”. Sin embargo, no hay explicaciones a respeto de ese “desafio”. No hubo informes de que Chávez persigue a los que votam, a excepción de las acusaciones no probadas en el pasado, de que el gobierno hizo “listas negras” de los votantes de la oposición.

Sobre la cobertura de Folha de S. Paulo, el análisis de Altamiro Borges es instructivo y suficiente: “En un largo reportaje en el domingo, firmado por Flavia Marreiro, la reportera casi dijo su apoyo explícito al pre-candidato. El periódico, que siempre ha apoyado el golpe de Estado en Venezuela, tiene como objetivo confundir a sus lectores desprevenidos. Muestra la oposición con un candidato presidencial fuerte y no dice nada acerca de su golpe de Estado el pasado”. Sobre el pasado de Capriles, lo haremos pronto aquí en este mismo texto.

En el diario O Globo, la historia principal es una oda al “conciliador” Capriles, y aún encontró espacio para pintar el actual gobierno como agresivo y antidemocrático. Uno de los subtítulos dice que “vice de Chávez se burla de adversario”. También el blog de la periodista Miriam Leitão, parte integrante de lo sitio de O Globo, publicó entrevista com uno “analista de Venezuela”, el “politólogo Sadio Garavini Di Turno”. El texto explica que, por la solicitud de blog, [Sadio di Turno] ha comparado las ventajas y desvantajas de cada uno [Capriles y Chávez]”. O que el blog no há explicado es que el “analista de Venezuela” és importante opositor del actual gobierno. Está claro que esta implicacion de Di Turno en la politica venezuelana fué determinante em sus declaraciones, mismo con lo silencio de Miriam Leitão.

Silencio, por otra parte, que no era el único entre las omisiones de los tres vehículos analizados. El “pasado golpista” de Capriles no esta ocultado solamente en la Folha, como ha identificado Altamiro Borges. Estadão y O Globo tambien dejaran de hablar sobre esto, algo demasiado espinoso para aquellos que buscan posicionar a la oponente de Chávez como conciliador y un administrador serio y competente. Henrique Capriles llevó, en 2002, el intento de invasión de la embajada de Cuba en Venezuela, mientras que sus compañeros trataron de derrocar, a través de un golpe de Estado, el presidente electo por una abrumadora mayoría del pueblo venezolano. Este es el “pasado golpista”, mencionado solo en una pequeña nota en el sitio de Estadão, que habla de la cobertura de dos veiculos cubanos – Granma y Cubadebate – acerca del candidato de la derecha. Este es el camino que tiende a seguir la cobertura hasta las elecciones de octubre. Vamos a estar atentos.

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Capriles e a grande mídia internacional (incluindo os jornalões brasileiros) contra Hugo Chávez

13 fev

A mídia hegemônica brasileira nunca escondeu seu rancor em relação a qualquer governo popular, seu ódio a qualquer movimentação de empoderamento do povo. Como não se pode criar poder, no momento em que este passa a ser destinado a quem não o possuía, necessariamente acabam por perder potencial de dominação os opressores de sempre. Entre eles estão alguns setores da mídia e seus patrocinadores, por isso a ojeriza dos conglomerados midiáticos aos anseios populares por poder político decisório.

Um caso exemplar nos últimos anos é a o governo liderado por Hugo Chávez na Venezuela. E aproxima-se mais um momento no qual a direita internacional, incluindo seus braços midiáticos, buscará de todas as formas – até golpe militar já foi tentando por essas elites e prontamente repelido pelo povo venezuelano – encerrar a Revolução Bolivariana. Depois de diversas eleições patinando em sua dificuldade em lidar com a democracia e com um povo que paulatinamente se torna politizado, a oposição venezuelana sairá unida em um candidato único, escolhido no último domingo: Henrique Capriles.

A partir da definição de Capriles como candidato da direita, a velha mídia brasileira alinhou-se à cadavérica mídia privada venezuelana e, entre confetes e omissões, iniciou sua apaixonada defesa da candidatura dos opositores de Chávez. Os três mais cotados jornais do Brasil – Folha de S. Paulo, Estadão e O Globo – publicaram matérias com forte tom editorial, atacando o presidente e exaltando seu adversário. Os níveis de agressividade e omissão foram diferentes, mas o apoio a Capriles fica evidente por todos os lados.

O título de uma das matérias do Estadão, por exemplo, é “Alta participação em prévia dá força a antichavistas para eleição de outubro”, e a abertura do texto de Lourival Santanna diz que “muitos venezuelanos desafiaram ontem o presidente Hugo Chávez e saíram para votar”. Porém, não há explicação sobre que “desafio” seria esse. Não se teve notícias de que Chávez perseguiria quem votasse, a não ser por acusações nunca comprovadas de que, no passado, o governo fez “listas negras” de eleitores da oposição.

Sobre a cobertura da Folha, a análise de Altamiro Borges é elucidativa e suficiente: “Numa longa reportagem no domingo, assinada por Flávia Marreiro, ela quase declarou apoio explicito ao ainda “pré-candidato”. O jornal, que sempre apoiou os golpistas da Venezuela, visa confundir seus incautos leitores. Apresenta o oposicionista como um forte candidato presidencial e também nada fala sobre seu passado golpista”. Sobre esse passado, logo falaremos aqui neste mesmo texto.

No jornal O Globo, a reportagem principal é uma ode ao “conciliador” Capriles, e ainda foi encontrado espaço para pintar o governo atual como agressivo e antidemocrático. Um dos subtítulos diz que “vice de Chávez ironiza adversário”. Além disso, o blog da jornalista Miriam Leitão, hospedado no site d’O Globo, publicou entrevista com um “analista da Venezuela”, o “cientista político Sadio Garavini Di Turno”. O texto explica que “a pedido do blog, [Sadio Di Turno] comparou as vantagens e desvantagens de cada um [Chávez e Capriles]”. O que o blog de Miriam Leitão não explicou é que o tal “analista da Venezuela” é um ferrenho opositor do atual governo, tendo, inclusive, afirmado em entrevista à Veja (sim!), quando das últimas eleições legislativas, que aquele resultado fora “um golpe fundamental”, que marcaria “o começo do fim da era Chávez”. É claro que essa implicação de Di Turno como parte atuante da política venezuelana foi determinante no teor das suas declarações, apesar do silêncio de Miriam Leitão.

Silêncio, aliás, que não esteve sozinho entre as omissões dos três veículos aqui analisados. O “passado golpista”de Capriles não deixa de aparecer apenas na Folha, como identificou Altamiro Borges. Estadão e O Globo também ignoraram este tema, espinhoso demais para quem busca posicionar o adversário de Chávez como conciliador e administrador sério e competente. Fato é que Henrique Capriles liderou, em 2002, a tentativa de invasão da embaixada de Cuba na Venezuela, enquanto seus companheiros tentavam derrubar, através de um Golpe de Estado, o presidente eleito pela esmagadora maioria do povo venezuelano. Esse é o “passado golpista”, citado apenas em uma pequena nota no site do Estadão que fala sobre a cobertura de dois veículos cubanos – o Granma e o Cubadebate – a respeito da escolha do candidato da direita. É nesse caminho que tende a seguir a cobertura até a eleição de outubro. Fiquemos atentos.

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Monopólio, silêncios e ataques – velha mídia começa 2012 como terminou 2011

9 jan

O entendimento que temos sobre o tempo é arbitrário. Segundos, minutos, horas e anos são decisões sociais, e poderíamos “pensar” o tempo da forma que preferíssemos. Por uma questão organizativa, pensamos todos do mesmo jeito. Isso quer dizer que passar de 2011 para 2012 não muda nada se não fizermos com que mude. A passagem de 31 de dezembro de 2011 para 1º de janeiro de 2012, portanto, manteve a estrutura midiática do ano anterior e manteve a forma de atuação da mídia hegemônica brasileira.

A comunicação segue privilégio de poucos, e não direito de todos, como garante a Constituição. E os poucos que usufruem do privilégio da voz atuam contra as camadas desfavorecidas, agindo pela manutenção da opressão e da dinâmica social que favorece seus próprios interesses e os interesses de seus patrocinadores. Seguimos com uma mídia elitizada, que ignora as lutas sociais, manipula a realidade e esconde do povo o que acontece nas ruas do país e do mundo.

Nessa primeira semana de 2012 já tivemos os deslizamentos de terra no Rio de Janeiro, que vão se tornando tradicionais a cada verão, e as mortes que também vão se tornando tradição. A cobertura, mais uma vez, não ataca as causas reais do problema, o absoluto abandono dessas pessoas pelo Estado, e segue culpando “as águas”, uma tentativa de anestesia social.

Nessa primeira semana de 2012 já tivemos as diversas mortes no trânsito, que já se tornaram tradicionais a cada verão, e a velha mídia continua exaltando os recordes nas vendas de automóveis e marginalizando quem propõe alternativas, agora com o movimento Massa Crítica como alvo preferencial.

Nessa primeira semana de 2012 já tivemos os ataques aos governos progressistas da América Latina, a boataria sobre uma desmentida morte de Fidel Castro e o alinhamento da mídia dominante com o discurso do governo dos Estados Unidos sobre o Irã e seu presidente Ahmadinejad.

Nessa primeira semana de 2012 já tivemos o silêncio da canalha midiática sobre os aumentos nas passagens do transporte coletivo pelo Brasil e sobre o livro “A Privataria Tucana”, um dos maiores fenômenos editoriais dos últimos tempos.

Segue tudo como dantes. É mais um ano que começa e a mesma batalha que segue. Eles abrem novas trincheiras por lá, precisamos continuar abrindo as nossas por aqui. Nosso lado é outro.

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A liberdade denunciada e a censura escondida

18 out

O jornal Zero Hora publicou na última segunda-feira, 17, uma pequena matéria com o título “Censura e assassinatos para calar a liberdade de imprensa”. O texto foi enviado de Lima, no Peru, para onde foi enviado o repórter Nilson Mariano com a incumbência de cobrir a Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). A matéria destaca o que chama de censura governamental aos meios de comunicação da América Latina.

A Zero Hora informa que no Brasil, segundo o relatório da SIP e o vice-presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa, Paulo de Tarso Nogueira, “há uma escalada contra o jornalismo no país. (…) nos últimos seis meses, surgiram seis novos casos de censura. ZH foi um dos jornais atingidos por censura prévia”. Disse Paulo: “Prevalece preocupante a recorrente censura judicial (…)”. Além disso, Paulo de Tarso e ZH também lamentam “os repetidos intentos do Partido dos Trabalhadores (…) de tentar controlar os meios de comunicação”.

Zero Hora, duplamente premiada na Assembleia, foi citada como censurada, mas seu mais antigo caso de censura não foi lembrado. Ronaldo Bernardi, fotógrafo com décadas de Grupo RBS, vem processando o jornalista Wladymir Ungaretti e impedindo-o, judicialmente, de citar o nome de Bernardi em seu blog. É um caso claro de censura judicial, justamente a prática criticada por Paulo de Tarso Nogueira e por ZH quando se refere aos jornalões do país, e silenciada quando se refere a blogueiros. Os seis casos de censura relatados, como costuma acontecer, não levam em conta os diversos processos movidos contra blogueiros por políticos, jornalistas e jornais.

Sobre “os repetidos intentos do Partido dos Trabalhadores (…) de tentar controlar os meios de comunicação”, a SIP, o representante brasileiro e o jornal Zero Hora seguem a linha dos grandes conglomerados internacionais de comunicação, de tratar como “ataques às liberdades” os movimentos de governos progressistas latino-americanos no sentido de democratizar a mídia. Seguem lutando por sua liberdade de empresa em detrimento da verdadeira liberdade de imprensa, proibida à sociedade justamente pelos monopólios formados a partir do abuso do poder econômico e político desses grupos do Brasil e do restante do continente.

Zero Hora não deixou de, a partir do relatório da SIP, atacar os outros governos latino-americanos não-alinhados diretamente aos norte-americanos e ao neoliberalismo, governos que têm se preocupado em democratizar a comunicação como forma de democratizar os respectivos países. Há críticas à Argentina, ao Equador, à Venezuela, a Cuba e à Bolívia. Distorções claras são encontradas nos relatos sobre cada um deles, mas o caso mais gritante é o da Bolívia. Sobre ela, Zero Hora escreve: “cerca de 90% dos jornais e seus jornalistas praticam a autocensura, por receio de represálias do governo Evo Morales”. O primeiro questionamento que se coloca é sobre como se mede esse índice. O segundo, tão imperativo quanto o anterior, é a pergunta sobre a autocensura a que se obrigam os jornalistas que trabalham nos grandes conglomerados de comunicação quando confrontados com os interesses econômicos desses veículos.

A SIP, vale lembrar, tem como seu diretor de Liberdade de Imprensa o argentino Ricardo Trotti, que, assim como muitos dos integrantes do Conselho Consultivo, vive e trabalha em Miami. Também a maior parte da diretoria executiva da SIP é formada por executivos da mídia norte-americana.

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A pátria grande

9 set

Há muito tempo o Jornalismo B fala da importância da integração do continente latino-americano enquanto arma de enfrentamento ao imperialismo dos EUA e como estímulo aos avanços progressistas em marcha no continente. Em medidas diferentes, as ações governamentais em alguns países e as atividades de movimentos sociais em outros se apoiam mutuamente, e caminham juntas em um processo que pode levar à verdadeira independência latino-americana.

O papel da mídia alternativa nesse processo é fazer circular entre os países informações e análises críticas sobre os avanços e retrocessos nos vizinhos. É preciso fazer isso de forma a integrarmos nossos caminhos e aprendermos com as vitórias e derrotas alheias, que são também nossas vitórias e nossas derrotas.

Ao mesmo tempo em que ascendem governos de esquerda e centro-esquerda, a América Latina se confronta com governantes como a dupla Uribe-Santos na Colômbia ou o chileno Sebastian Piñera, representantes da velha direita neoliberal que apenas representa os interesses das elites locais e do imperialismo nortista. Também enfrentamos retrocessos em alguns dos países com governos mais progressistas do continente, e esses problemas devem ser observados de perto e enfrentados por todos nós.

É a partir dessa percepção que o Jornalismo B Impresso coloca nas ruas esta edição, especial sobre América Latina, tratando de situações específicas de alguns dos nossos países, mas que devem ser pensadas no conjunto de nações que aqui se integram. Nesta edição temos textos sobre Venezuela, Bolívia, Argentina, Chile, Peru e sobre a inserção do Brasil nesse processo, com a esperança de que nos sintamos cada vez mais pertencentes à pátria grande latino-americana.

O texto acima é o editorial da 27ª edição do Jornalismo B Impresso, edição Especial América Latina, que começa a ser distribuída em Porto Alegre na próxima semana. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Mídia alternativa na Venezuela: o empoderamento popular através da comunicação

18 ago

Os últimos dois posts do Jornalismo B trataram de dois importantes setores da mídia venezuelana que vivem uma polarização total e um confronto diário na guerra de informações da revolução bolivariana. Depois de falarmos dos meios privados e da mídia estatal, o post de hoje trata do terceiro setor comunicacional da Venezuela, um setor ainda mais complexo do que os outros dois: os meios alternativos, comunitários e independentes.

Desde que sofreu uma tentativa de golpe de Estado que contou com importante participação da mídia privada, em 2002, o governo de Hugo Chávez preocupou-se em estimular a ascensão de uma outra mídia na Venezuela. Há dez anos não havia nenhuma rádio comunitária nem nenhuma emissora de televisão comunitária legalizada no país. Hoje são mais de 50 emissoras de TV e cerca de quatrocentas rádios comunitárias, além de alguns jornais de menor influência e alguns sites, incluindo o Aporrea, importante termômetro político da esquerda venezuelana.

A primeira emissora de TV comunitária legalizada nasceu oficialmente em março de 2001, e foi decisiva na contra-informação que levou Chávez de volta ao poder no golpe de 2002. Enquanto as emissoras privadas diziam que o presidente renunciara, a Cátia TV informou que Chávez, na verdade, fora preso. Ao espalhar-se a notícia, centenas de milhares de pessoas foram às ruas exigir a volta do presidente que haviam escolhido.

Na sede da Cátia TV, a lembrança: “A palavra é uma arma”

Esse é apenas um exemplo da importância que esses espaços de mídia possuem como arma popular contra todas as formas de opressão. O empoderamento do povo passa necessariamente por dar às comunidades condições estruturais e legitimidade para produzirem e divulgarem seus próprios conteúdos, sem amarras, de forma autônoma. É isso o que vem sendo feito na Venezuela, ainda que tenhamos exceções sempre existentes em processos assim.

Há no país uma grande quantidade de pessoas organizadas em coletivos, que trabalham editando livros, jornais e revistas, tocando rádios ou televisões comunitárias, realizando trabalhos de grafitagem política por toda Caracas, organizando saraus e debates, e tudo o mais que se possa imaginar em matéria do que vem sendo chamado na Venezuela de “guerrilha comunicacional”.

Enquanto isso, no Brasil, como parte de um programa de governo que não inclui o povo nos processos decisórios – a prioridade é aumentar consumo, não participação política efetiva –, não há qualquer forma de estímulo aos veículos comunitários. Pelo contrário, o governo Lula foi o que mais fechou rádios comunitárias na história do país. A criminalização levada a cabo pela Anatel com apoio da violência estatal (Polícias Federal e Militar) é referendada pelo governo federal, que apoia o monopólio das comunicações por uma elite formada pelos grandes conglomerados midiáticos e por algumas famílias tradicionais de políticos inescrupulosos. Em vez de aliar-se ao povo, o aliado são as elites. Em vez de aliar-se aos meios alternativos, limpa-se os sapatos imundos dos monopólios.

Na Venezuela as pessoas participam efetivamente desses espaços de construção da soberania popular. A realidade das favelas passa na TV mostrada pelos moradores, é sua própria realidade e sua visão das outras realidades possíveis. As comunidades se integram, ganham corpo e membros com noção clara de pertencimento. Tudo isso com estímulo do governo, que agora debate amplamente uma lei específica para os meios alternativos, comunitários e independentes, uma lei que, para atender aos interesses populares, deve estimulá-los ainda mais, jamais regulá-los. Assim o povo vai fazendo de todo o espaço público sua mídia, sua voz. E, com essa voz, constrói seu país.

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As contradições da mídia estatal venezuelana

17 ago

Partindo da percepção de que há uma guerra ideológica sendo travada na Venezuela através de três setores distintos da mídia local, três posts desta semana no Jornalismo B vêm tratando de cada um dos lados dessa história. O último post tratou dos meios de comunicação privados venezuelanos. Na quinta-feira serão os meios alternativos, comunitários e independentes. Nesta quarta, a mídia estatal.

Criados ou fortalecidos durante o governo Hugo Chávez, canais como a VTV, a Vive TV e a ANTV ganharam, nos últimos anos, o reforço da TeleSur e da Rádio del Sur (multi-estatais) e do jornal Ciudad Caracas (ligado à prefeitura de Caracas, chavista), entre outros. Esse último é o jornal de maior circulação na capital do país, com 120 mil exemplares diários distribuídos gratuitamente.

Esses veículos formam uma tropa de choque da contra-informação, com foco nas notícias sobre o governo venezuelano e os outros governos progressistas da América Latina. Movimentos e organizações também têm bom espaço, além de algum noticiário sobre a África, muito mais do que estamos acostumados no Brasil. Mas o fundamental é o papel ideológico geral desempenhado pelo conjunto desses meios.

Parte da redação da TeleSur, em Caracas

Não há neutralidade em ação nenhuma, incluídas aí quaisquer coberturas midiáticas. Desde a escolha da pauta já estão presentes opções, irremediavelmente ideologizadas, permeadas, no mínimo, por um entendimento do que deve ser notícia construído culturalmente, nas relações do repórter ou do editor com o meio, com a sociedade, com o veículo no qual trabalha, e em todas as relações que se dão ao redor disso. A mídia venezuelana tem lado, e deixa isso claro. Os meios estatais estão com o processo revolucionário, com o governo e com Chávez. Abertamente, da mesma forma que os meios privados estão contra o processo, o governo e Chávez.

Os veículos ligados ao Estado venezuelano são basicamente jornalísticos, e abordam as pautas ignoradas pela mídia privada. Ou isso ou invertem a lógica das mesmas pautas, priorizando o lado dos trabalhadores, do povo e/ou do governo. Se os meios privados se pautam por interesses econômicos – que irremediavelmente acabam desaguando em interesses políticos – é em cima de interesses políticos que trabalham VTV, ANTV, Vive TV, TeleSur, Rádio del Sur e Ciudad Caracas. É de extrema relevância o trabalho de contra-informação realizado por esses veículos, através deles chegam à Venezuela informações que não chegariam por outros caminhos, ao mesmo tempo que, via TeleSur, chegam a outros países da América Latina informações sobre o processo venezuelano que são omitidas pelos grandes conglomerados de mídia. Porém, como parte de um processo revolucionário permeado por contradições, o avanço dos meios estatais não poderia fugir de seus retrocessos – graves.

São dois problemas centrais, permeados por um maior – o domínio de burocratas sobre o conteúdo e a dinâmica dos veículos: a repressão às justas reivindicações trabalhistas e a falta de liberdade jornalística em alguns casos específicos. Sobre o primeiro ponto, alguns casos de reclamações com relação aos baixos salários e aos poucos benefícios têm sido resolvidos com ameaças ou demissões. Enquanto o governo estimula o controle operário em algumas fábricas privadas, seus meios de comunicação são administrados como empresas capitalistas, explorando os trabalhadores e não admitindo questionamentos trabalhistas.

Entrada da sede do jornal Ciudad Caracas

Sobre o segundo ponto, há grande dificuldade em se criticar ações do governo, e não se abrir espaço relevante para as questões mais polêmicas. Há relatos de que, quando da extradição do jornalista Joaquim Bezerra para a Colômbia, um dos temas mais controversos dos últimos anos de governo Chávez, uma reunião do Ministério das Comunicações com diretores dos veículos vetou menções ao assunto. Alguns não aceitaram a restrição, e o resultado, na Rádio del Sur, por exemplo, foi a demissão da diretora e de alguns jornalistas que ousaram falar sobre o caso.

Mas como transformar veículos estatais em independentes? É um passo necessário, se entendemos que o Estado deve estar nas mãos do povo. Como eliminar essa velha burocracia que coordena esses espaços afastando-os do controle popular, e priorizando, quando há conflito, o governo em detrimento do processo? Os limites são tênues, e as dificuldades enfrentadas nos meios de comunicação estatais não são diferentes das enfrentadas em todos os setores do processo revolucionário bolivariano na Venezuela. De qualquer forma, ainda que haja algumas limitações trabalhistas e políticas, a produção jornalística desses espaços é de grande qualidade, com verdadeiro compromisso social e político na construção de uma nova sociedade, sob uma ótica muito diferente da percepção dominante.

Todos os veículos de mídia possuem linhas editoriais definidas, mais ou menos amplas. A defesa de valores liberais, conservadores, progressistas, democráticos, totalitários, elitistas, populares, e aí podemos colocar outros inúmeros adjetivos. Os grandes meios de comunicação privados, na Venezuela como no Brasil, costumam defender valores anti-democráticos, elitistas, excludentes e alinhados aos interesses do capital internacional. Da mesma forma, os meios alternativos defendem os interesses das comunidades onde estão localizados, de ramos específicos da sociedade ou, em casos mais raros, defendem ideários sociais complexos e, geralmente, contestadores. A mídia estatal defende os interesses do governo, e são comprometidos com as lutas do povo na medida em que o próprio governo compromete-se com as demandas populares.

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