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Pra que (m) serve o futebol brasileiro?

22 mai

Muito do que se faz no Brasil e se chama de jornalismo esportivo nada mais é do que entretenimento. Na televisão, em verdade, a fronteira é sempre muito tênue, o que não tira a importância do fato de essa linha ter sido ultrapassada com os dois pés quando o assunto é futebol profissional.

A Rede Globo, que até pouco tempo vinha detendo o controle absoluto das transmissões de futebol no país, abandona, na maior parte das vezes, o jornalismo, tornando as coberturas futebolísticas um grande show de mesmice e entretenimento. Com “João Sorrisão” e diversas outras invencionices, força situações que impeçam a limitação das transmissões às burocráticas entrevistas à beira do gramado. Mas a emenda sai pior do que o soneto, e o que poderia ser feito através de perguntas inteligentes e questionamentos relevantes – que levariam a respostas relevantes – é feito com o burlesco como norma.

Nas entrevistas de campo, o repórter finge que pergunta, o jogador finge que responde, e o trabalho viciado atropela e reduz a competência até mesmo de repórteres acostumados a boas matérias extra-campo. E, fora de campo, a TV Globo cria brincadeiras que se distanciam da prática jornalística e transformam o futebol brasileiro em uma piada onde tudo gira em torno da emissora. Com sua influência, faz com que os jogadores comemorem os gols imitando um boneco, ou lamentem quando fazem apenas dois gols em uma partida e não conseguem “pedir música no Fantástico”. A tentativa de fazer com que todo o futebol do país gire em torno da Globo não é mais uma dessas brincadeiras, mas as inclui como ferramenta de hegemonia, assim como inclui os acordos com a CBF e o controle sobre o horário das partidas.

Quando alguém ousa não se submeter ao domínio global, é tratado como um extraterrestre. Foi o que aconteceu recentemente com três jogadores estrangeiros, que não têm de lidar, em seus países, com essa espetacularização – e, com isso, esvaziamento do senso crítico – do futebol, que acompanha a transformação do esporte em pouco mais do que uma ferramenta de marketing das grandes empresas de alguns setores da economia. Os atacantes Barcos, do Palmeiras, e Loco Abreu e Herrera, do Botafogo, desafiaram o showrnalismo da TV Globo.

Barcos reclamou de um repórter que insistia em comparar sua aparência com a do cantor Zé Ramalho. “Me parece pouco sério da tua parte”, disse o centroavante argentino ao repórter Leo Bianchi, da TV Globo. Loco Abreu, após perder um gol e ser perguntando sobre o “Inacreditável Futebol Clube”, rebateu: “O Inacreditável Futebol Clube é uma bobagem que vocês têm para sacanear o jogador de futebol, mas só quem está lá dentro sabe bem como é difícil jogar futebol”. E, no último final de semana, Herrera fez três gols contra o São Paulo, e se recusou a “pedir música no Fantástico”, mostrando, também, desacordo com esse tipo de jornalismo alienante. E foi xingado, via Twitter, por um repórter da Globo.

Da mesma forma, volta e meia alguns técnicos – Felipão, Renato Gaúcho, Dunga, Muricy Ramalho – são taxados de grosseiros por se incomodarem com perguntas que demonstram um total desconhecimento do futebol por parte dos repórteres. Estes são, em boa parte, apenas palpiteiros, que chegam às entrevistas com perguntas prontas – sempre as mesmas, com pequenas variações – e que, no vício frenético da rotina, não chegam a aprofundar0-se minimamente nas questões que pretendem abordar.

Os preparativos para a Copa do Mundo têm mostrado o despreparo da TV aberta brasileira para cobrir com profundidade as diversas questões que envolvem o esporte. Essa dificuldade não nasce por acaso, vêm justamente de uma prática viciada, acomodada no faz-de-conta. É preciso desacomodar, e alguns jogadores estrangeiros já têm mostrado que isso tudo pode ser diferente.

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MST realiza ações do Abril Vermelho, telejornais fazem cobertura improdutiva

16 abr

O MST promoveu nesta segunda-feira ações por todo o Brasil em defesa da Reforma Agrária – incluindo o assentamento de quase duzentas mil famílias e a reivindicação de uma reformulação do INCRA – e em lembrança aos 16 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 integrantes do movimento foram assassinados e mais de 70 feridos por policiais militares que seguem impunes até hoje.

As manifestações envolveram milhares de trabalhadores. Segundo o site do movimento, “já foram realizados protestos em 17 estados e em Brasília, somando 38 ocupações de terra, nove ocupações de sedes do Incra, cinco protestos em prédios públicos, além de trancamentos de estradas e criação de acampamentos nas cidades”.

Como costuma acontecer, as informações circularam na mídia dominante de forma truncada e vazia. Dentro os três principais telejornais do país, o único que informou sobre o assunto com qualidade – ainda que sem grande aprofundamento – foi o Jornal da Band. Jornal Nacional e Jornal da Record sequer veicularam matérias com um repórter em qualquer um dos locais de mobilização.

O Jornal da Band dedicou um minuto e meio ao tema, com reportagem de Carolina Vilela em Brasília. Na capital federal, o MST ocupou o prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário. A Band oscilou a caracterização das manifestações entre “invasão” e “ocupação”, mas deixou claras as intenções e reivindicações do movimento. Foi a única entre as três emissoras a lembrar que as mobilizações fazem parte do Abril Vermelho. Mas, como Globo e Record, em momento algum citou Eldorado dos Carajás, motivação fundamental dos protestos neste momento.

O Jornal Nacional veiculou uma nota coberta, de 30 segundos, sem citar o massacre de 16 anos atrás, sem citar o Abril Vermelho, mas encontrando espaço para destacar que integrantes do MST que “invadiram” a sede do governo do Ceará “aproveitaram para se banhar no espelho d’água”. É essa a informação que o JN considera relevante. Sobre as reivindicações, só houve espaço para dizer que “exigem mais investimentos em Reforma Agrária”.

 No Jornal da Record, mais uma nota coberta de 30 segundos, e ali o descaso jornalístico chegou ao ponto de causar uma distorção grosseira em uma informação básica: enquanto os outros dois telejornais aqui citados se referem a ocupações em 15 Estados e no Distrito Federal, e o MST fala em “protestos em 17 Estados”, o Jornal da Record noticia que integrantes do MST “ocuparam prédios públicos em 7 estados e DF”, sem citar as demais mobilizações, absolutamente indissociáveis da ocupação dos prédios públicos. O mesmo programa, assim como o Jornal Nacional, destaca que, no Ceará, “nem a piscina escapou”. Onde foram parar os critérios de noticiabilidade mais básicos?

Preocupadas em manter a hegemonia do capital como forma de manter seu próprio domínio sobre a mídia e, assim, sobre a informação, as grandes emissoras de televisão não aprofundam as temáticas fundamentais da sociedade brasileira, fazendo do fútil e do cotidiano dos gabinetes a única expressão real da política em seus telejornais. Com notas de 30 segundos que destacam o banho de piscina dos sem-terra, despolitizam as mobilizações e esvaziam até a última gota o debate sobre a Reforma Agrária e sobre os criminosos de ontem – os assassinos de Eldorado dos Carajás da mesma forma que os torturadores e assassinos da Ditadura Militar.

É preciso que esse imenso latifúndio midiático – absolutamente improdutivo socialmente – seja ocupado. Assentemo-nos.

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Charge: Equipe da Globo é expulsa de manifestação de grevistas no Rio de Janeiro

15 fev

*Para ver o vídeo que mostra a equipe da Rede Globo sendo expulsa de uma manifestação dos policiais grevistas no Rio de Janeiro, AQUI.

A Privataria Tucana e o óbvio silêncio da mídia privatista

13 dez

A gritaria em torno da Privataria Tucana está sendo seguida pelo silêncio da Mídia Privatista Tucana. Um dos maiores fenômenos editoriais da história recente do país (toda a primeira tiragem, de 15 mil exemplares, foi vendida em apenas um dia), o livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr, denuncia uma serie de irregularidades e desvios de dinheiro no processo de privatização levado a cabo por Fernando Henrique Cardoso durante sua presidência. José Serra é o personagem central do livro-denúncia, e é em torno do ex governador de São Paulo que se passam todas as irregularidades apontadas, apuradas e documentadas pelo premiado repórter.

Enquanto o livro é um sucesso de público e de crítica, alguns setores da mídia preferem silenciar. O silêncio os denuncia como cúmplices e incentivadores de um processo de desmanche do país com requintes de crueldade contra os cofres públicos. A mesma mídia que esteve ao lado das privatizações de FHC e da campanha do PSDB na disputa presidencial de 2010, agora ignora um livro que vende como água e que traz denúncias extremamente graves contra Serra e contra quem está à sua volta. O blogueiro Eduardo Guimarães lembra em seu blog conversa entre FHC e seu então ministro das Comunicações: Mendonça de Barros – “A imprensa está muito favorável, com editoriais…”; Fernando Henrique Cardoso – “Está demais, né? Estão exagerando, até”.

A Privataria Tucana não foi sequer citada, até hoje, por Globo, Folha de S. Paulo e Grupo RBS. Com exceção de sua coluna Radar Político, o Estadão publicou apenas, na noite desta terça-feira, uma pequena nota, em que não diz absolutamente nada sobre o conteúdo do livro de Amauri. A nota é apenas o relato das manifestações de Serra e Aécio Neves sobre o livro. O ex governador de Minas Gerais apenas classificou a obra como “literatura menor”. O título da matéria do Estadão é um belo exemplo de como inverter uma pauta, brigando com a realidade. Em vez de focar no livro – o fato real – a chamada foca na reação de Serra – simples repercussão: “Serra chama de ‘lixo’ livro sobre privatizações do governo FHC”. A linha de apoio complementa, com a tentativa de deslegitimar o autor: “Amaury Ribeiro Júnior, autor do liivro, foi acusado durante a campanha eleitoral de 2010 de ter encomendado a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB”. A “matéria” do Estadão tem três parágrafos. O primeiro fala da reação de Serra, o segundo da reação de Aécio e o terceiro procura desconstruir a credibilidade do multipremiado Amaury Ribeiro Jr.

O mais provável é que, hora ou outra, os veículos que ainda não falaram sobre o assunto se vejam obrigados, por uma questão de audiência, a citar, mesmo que de forma tangencial, as denúncias. E aí a tendência é que sigam a linha do Estadão, destacando a defesa dos acusados e buscando formas de atacar o autor do livro.

Enquanto isso, a Carta Capital da última semana publicou uma grande reportagem resumindo o livro-denúncia, além de uma entrevista com o autor. A Record, por sua vez, dedicou grande espaço ao assunto em seu principal jornal, e, nesta terça, levou ao ar, na Record News, uma entrevista de Amaury Ribeiro Jr a Paulo Henrique Amorim. Os blogs e as redes sociais também têm repercutido exaustivamente, nos últimos dias, as denúncias de Amaury e o silêncio de alguns setores da mídia.

O mesmo Eduardo Guimarães citado quatro parágrafos acima mostra outras boas razões para o silêncio, ao apresentar os nomes das empresas que compraram os pedaços do país vendidos durante o governo Fernando Henrique. Deputados do PT também criticaram a omissão de parte da mídia.

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A informação, a contra-informação e a desinformação no Panamericano

27 out

A coluna F5, da Folha de S. Paulo, noticiou nesta quinta-feira que a Record teria mobilizado seus estagiários em jornalismo “para agir e postar, nas redes sociais, comentários elogiosos à cobertura da emissora nos Jogos Pan-Americanos, em Guadalajara. O objetivo da tropa era contra-atacar as críticas que há desde o início da transmissão, a respeito do tom “ufanista” de gente como Maurício Torres e Fernando Scherer, entre outras coisas”.

A estratégia teria vazado a partir de emails trocados entre esses estagiários e seus familiares. Coisas do tipo a gente não passou anos estudando para ser brinquediinho e, depois, disseram que vazou p (ara) (uma jornalista) um mail da chefia com as ordens. Então o pessoal abortou a operação (anteontem) à noite. Ainda segundo a coluna F5, a Record informa que mantém junto ao seu Departamento de Internet um grupo de trabalho responsável por fortalecer e divulgar a marca da emissora e de seus produtos nas mídias sociais – prática legítima e comum executada por grandes corporações em todo mundo. A Record, obviamente, não endossa ações anti-éticas e vai apurar internamente se houve algum tipo de desvio de conduta.

A mesma coluna diz que essa estratégia já é usada hoje por empresas, marcas, produtos específicos e até pelo governo federal, de forma descarada e, obviamente, com fins políticos. É preciso separar as coisas, e, já que vamos comentar o caso da Record, é importante dizer primeiro que a relação feita pela Folha é absolutamente espúria. Militância política virtual é absolutamente legítima, desde que parta – como parece ser o caso do PT – de militantes efetivos do partido, ainda que pagos. A coluna afirma também: Isso causa impressão de que existe uma situação naturalmente favorável, ou em defesa da marca/partido, mas na verdade, ela não existe. É manipulada. Inventada, “fake”. Não é bem por aí. A militância política é muito diferente da publicidade de uma marca ou empresa. Ela lida com outro tipo de lógica e com outro tipo de ação.

Sobre o caso específico da Record, duas questões se colocam: as transmissões do Panamericano e a exploração dos estagiários em jornalismo. Sobre a primeira, a questão do “ufanismo” é a prática comum nas transmissões esportivas brasileiras. Infelizmente o esporte não é entendido como um espaço cultural, digno de coberturas jornalísticas. É colocado como um grande circo, um espetáculo de entretenimento, o que acaba dando espaço para que narradores e comentaristas mais torçam do que documentem jornalisticamente o que acontece.

Com relação à estratégia da Record para reverter a má impressão causada por algumas de suas transmissões, essa é a realidade da maioria dos estágios em jornalismo no Brasil. Os estagiários são pouco mais do que brinquedos. Nas faculdades de jornalismo são treinados para apertar botões e cumprir ordens nos grandes conglomerados de mídia. Estagiam nesses mesmos espaços, com essa mesma lógica, para depois se tornarem repórteres comprometidos mais com a camisa da empresa do que com o jornalismo e o interesse público. Essas empresas de comunicação não respeitam a sociedade, porque respeitariam os funcionários que vestem orgulhosamente a camisa da grande imprensa?

A propósito, não se deve duvidar de que a Rede Globo possa estar fazendo o mesmo tipo de coisa. Nenhuma emissora de televisão aplica melhor do que ela a lógica da mistura entre jornalismo e entretenimento, com clara sobreposição deste sobre aquele, a qualquer custo. O Panamericano, praticamente ignorado pela emissora, é um bom exemplo. Ao ignorar um fato jornalístico dessa importância cultural, a Globo ignora também a situação em que opera: é concessionária de um serviço público, e, como tal, deve atuar antes pelos interesses informativos do que por seus próprios interesses enquanto empresa.

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Existem novas mídias no Brasil?

15 set

Nesta semana o jornalista Luiz Carlos Azenha publicou em seu blog, o Viomundo, um texto apresentado em um seminário em São Paulo. A tese de Azenha, que parte da recuperação da história da mídia brasileira, é de que não existem “novas mídias” no Brasil, que os blogs e as redes sociais são apenas “a velha mídia que trocou de roupa”, já que seus espaços têm sido ocupados pelos mesmos grupos que já dominam a comunicação brasileira.

A análise de Azenha é, além de importante em si mesma, ainda mais interessante em um momento em que o otimismo com relação às “novas mídias” é a regra quase obrigatória da esquerda brasileira, e não apenas a esquerda ligada diretamente à mídia. As mudanças no Norte da África e as manifestações em alguns lugares da Europa, como a Espanha e a Grécia, todas elas impulsionadas, em medidas diferentes, pelas redes sociais, trouxeram uma grande carga de otimismo para o que pode ser feito com os mesmos fundamentos no Brasil. Mas não se pode exportar – ou importar – revoluções.

O contexto brasileiro, como bem lembra Azenha, é de domínio completo de uma mídia diretamente ligada ao poder político, que se adaptou às mudanças tecnológicas e conseguiu manter seu controle sobre toda a informação em circulação no Brasil. Porém, se não compartilho do otimismo exacerbado – às vezes fingido, talvez – de quem vê no Brasil a possibilidade de reproduzir, em qualquer medida que seja, as mudanças que vêm acontecendo pelo mundo, também não compartilho do pessimismo do blogueiro do Viomundo.

Concordo com Azenha quando se pergunta, retoricamente: “Quem terá mais “likes” no Facebook, uma emissora de TV que é vista por milhões ou eu? Quem terá mais seguidores no Twitter, a Patrícia Poeta, que aparece na Globo, ou o Leandro Fortes?”. Mas entendo que a questão ultrapassa a disputa entre a Globo e o blogueiro, entre a Patrícia Poeta e o Leandro Fortes. Há, sim, uma forma de disputar esse espaço de forma efetiva. Quem é a Patrícia Poeta contra centenas, talvez milhares de blogueiros, twitteiros e militantes da web? Esse é o ponto fundamental que distingue as possibilidades da internet das possibilidades já abertas por todas as outras formas de comunicação. A possibilidade do trabalho cooperativo como forma de disputa concreta contra os personagens que migram das mídias tradicionais. Ainda é um processo muito experimental, em início de gestação, mas as possibilidades se apresentam, sim.

A essa enorme porta aberta pela comunicação colaborativa soma-se o baixo custo econômico de se produzir conteúdo a ser veiculado na internet. Com esses dois elementos, é possível competir de forma contra-hegemônica real. E, a partir dessa competição nascida na internet, pressionar por uma mudança profunda no paradigma comunicacional brasileiro, com alterações legais que derrubem o monopólio midiático.

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O massacre em Realengo e os primeiros movimentos da mídia

7 abr

*Texto publicado às 13h (7/4).

Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entra em uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro, mata 11 crianças, fere muitas outras. Um policial militar entra na escola e acerta um tiro na perna do rapaz, que se mata com um tiro na cabeça. No momento em que este post é escrito, as informações complementares ainda são desencontradas. Mas o início da cobertura jornalística já mostrou muito do que serão os próximos dias.

As primeiras informações falavam em 13 mortos e 22 feridos. No meio da manhã já era feita a correção: 11 mortos (incluindo Wellington) e 17 feridos. Mesmo assim, os portais da Globo (G1), da Record (R7), da Band (E-band), da Folha de S. Paulo e do Estadão continuaram por muito tempo com as informações antigas. Não priorizaram a internet, claramente, deixando a velocidade de seus portais abandonada. E não em favor da qualidade da informação, pelo contrário: números continuaram errados.

*Após o meio-dia números foram atualizados para 11 crianças mortas, além do atirador.

Na televisão, pudemos assistir cenas non sense de mau jornalismo na manhã e no início da tarde desta quinta-feira. Em primeiro lugar, na TV aberta só a Globo seguiu acompanhando ao vivo os desdobramentos do fato. Record e Band seguiam normalmente com suas programações, entrando apenas com flashes. Porém, a própria Globo pouco mais fez do que enrolar para segurar audiência. Jornalismo ao vivo é diferente de enrolação. Não usou o tempo de cobertura para aprofundar os debates necessários em um momento assim.

Na TV a cabo, destaque para a Globo News, que passou cada minuto reforçando preconceitos ao buscar relacionar o ataque a um possível HIV do assassino e a uma possível religião muçulmana. Foi feito de tudo para relacionar a comunidade muçulmana na fronteira brasileira com o massacre. Roupas que teriam sido usadas pelo atirador, carta deixada por ele (e não divulgada aos telespectadores) e entrevista desconexa de sua irmã adotiva foram usadas como argumento para questionar a forma como Wellington conseguiu as armas, dando a entender a todo instante que seriam fornecidas pelos muçulmanos. O islã foi retratado como “elemento ideológico que professa o massacre de infiéis”.

Em casos de violência extrema, a mídia brasileira costuma clamar por mais repressão policial. Já que não pode pedir mais policiamento dentro das escolas (com exceção de detectores de metais e policiamento nos acessos, já pedidos pela Globo), a mídia desfere ataques contra muçulmanos. E deverá seguir assim.

Minha previsão é que os próximos passos serão no sentido de reforço desesperado desses preconceitos e de aprofundamento do preconceito, do conservadorismo moral e do fundamentalismo religioso anti-islâmico. Além disso, perfis e mais perfis aparecerão: quem foram as vítimas, quem foram os heróis, quem foi o criminoso. A novelização da tragédia, com personagens rasos, retos, sem a profundidade e a complexidade que caracteriza as pessoas reais.

Além disso, os debates fundamentais não serão feitos: de que forma a lógica da Educação brasileira estimula e dá base para que situações assim ocorram? Como se dá e como se pode evitar a violência nas escolas? De que forma a valorização dos professores a o aperfeiçoamento das escolas podem modificar essa lógica? Sim, porque esse não é um caso isolado, é apenas o mais chocante das diárias manifestações nas escolas da violência social como um todo. Mais: por que tantas armas nas mãos das pessoas? Por que fábricas de armas patrocinam campanhas eleitorais? De que forma a própria mídia estimula a resolução violenta e individual dos conflitos sociais?

Postado por Alexandre Haubrich

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Entrevista exclusiva com Antonio Luiz M. C. Costa

30 mar

Antonio Luiz M. C. Costa é conhecido por seu trabalho na revista Carta Capital, mas seu trabalho de militância política começou há bastante tempo, nas marchas estudantis a partir da morte de Herzog e nos movimentos das Diretas Já e do Fora Collor. Filiou-se ao PT nos seus inícios, participou durante algum tempo de núcleos e diretórios e esteve no governo de Luiza Erundina na prefeitura de São Paulo, como assessor da Secretaria da Educação – inicialmente com Paulo Freire, depois com Mário Sérgio Cortella. Afastou-se do PT e da militância com o fim dessa administração, porque percebeu “que o sistema de núcleos estava praticamente morto e não havia mais, na prática, como influenciar o partido de baixo para cima. Nem era eu, como quadro técnico secundário, capaz de ter qualquer influência relevante nas políticas do partido – era visto como um mero funcionário, que devia executar o que fosse ordenado. Como não me interessa estar na política sem que possa ouvir minha voz, fui gradualmente para a área de comunicação”.

Sua formação é em engenharia, economia e filosofia e não tinha experiência com jornalismo além de escrever para jornais estudantis, mas “publicava um artigo aqui e ali e tive minha oportunidade quando a empresa de consultoria econômica na qual eu trabalhava depois de sair da prefeitura fez um convênio com a revista CartaCapital (na época, quinzenal), escrevendo artigos sobre conjuntura econômica setorial, nacional e internacional. Meus artigos chamaram a atenção de jornalistas da revista, Carlos Drummond e Mino Carta e acabei saindo da consultoria para trabalhar com jornalismo”. Depois de uma breve passagem de um ano pela IstoÉ – “para a qual fui inicialmente convidado, mas que se mostrou uma péssima experiência” – foi para a CartaCapital, onde estou desde 2001.

Na entrevista a seguir, exclusiva ao Jornalismo B, Antonio defende a intervenção do Estado para a quebra dos monopólios da mídia e critica o momento dos blogs e das redes sociais.

Jornalismo B – Qual a tua avaliação do momento atual da mídia alternativa brasileira? E o papel das novas mídias nesse contexto?

Antonio Luiz Costa – Eu ainda pertenço muito mais à mídia tradicional do que à mídia alternativa. Minha participação no Twitter e em artigos online no site da CartaCapital ainda são complementos do meu trabalho na revista impressa e não um fim em si mesmo, de modo que minha opinião pode ser condicionada por essa visão, mas para mim a mídia alternativa no Brasil ainda está muito no começo, é essencialmente experimental e amadora. É importante para testar e abrir caminhos novos, mas não é realmente uma “alternativa” à mídia tradicional. A esmagadora maioria dos blogueiros limita-se a repercutir ou criticar o que é publicado na grande mídia tradicional – a Folha, o Jornal Nacional, o Estadão, a Veja. Sequer dão atenção ao que sai em órgãos “tradicionais” de menor porte e com posições diferenciadas, como a CartaCapital, o Brasil de Fato, a Caros Amigos, para não falar de blogs “concorrentes” que não sejam da mesma panelinha. Mesmo que se trata de “criticar o PIG”, é uma maneira de se deixar pautar, de deixar aos interesses mais tradicionais decidir que assuntos são importantes e merecem ser discutidos. E depois se queixam de que a presidenta da República vá à grande mídia para se comunicar com o público… Eles mesmos repercutem mais facilmente uma entrevista da Dilma à Ana Maria Braga do que um furo importante dado por um blog.

Jornalismo B – Quais as principais dificuldades ainda enfrentadas pelos blogs e pelas redes sociais como espaço forte de comunicação? E quais os principais avanços que já foram feitos?

Antonio Luiz Costa – A principal dificuldade é o amadorismo, tanto no sentido financeiro – os blogs não proporcionam renda suficiente para que alguém possa se dedicar inteiramente a eles – quanto no de capacitação, mesmo: a maioria dos seus autores são jovens com pouca experiência política e perspectiva histórica, falta prática ou formação em jornalismo ou comunicação popular, falta a supervisão que mesmo um jornalista iniciante teria, e que ajudaria a evitar erros graves. Os mais comuns incluem o subjetivismo extremado, a adesão acrítica a uma causa em função de redes de simpatias e antipatias (“se fulano é a favor, também sou; se beltrano é a favor, eu sou contra”), fazer alegações e deduções sem base nenhuma, tratar como traidores quem discorde até mesmo em questões secundárias (em particular, questões de terminologia!), aderir a teorias conspiratórias, até mesmo jogar fora o bom-senso e a credibilidade em função de uma causa qualquer que momentaneamente os empolgue. Quanto a avanços, vi poucos desde que comecei a frequentar o Twitter, por volta de 2009: algumas tentativas de organização que não me parecem muito bem-sucedidas e de resto os mesmos problemas. Das redes sociais além do Twitter, pouco sei: tenho alguns anos no Orkut, mas é uma rede em franca decadência, da qual pessoas interessantes e com capacidade de discutir em alto nível já desistiram de participar. Quanto ao Facebook, experimentei poucos meses e detestei.

Jornalismo B – Qual a avaliação do momento atual da mídia dominante?

Antonio Luiz Costa – É um momento de crise e fragilidade econômica para a mídia impressa. Os jornais e revistas tradicionais estão perdendo leitores e anunciantes e não descobriram como migrar para a internet de maneira lucrativa. No Brasil, estão ainda politicamente enfraquecidos, depois de apostar seu futuro e seu prestígio em colocar o tucanato de volta ao poder e fracassarem: só lhes resta, agora, conciliarem-se com o governo e implorar por recursos financeiros. Já a mídia televisiva é outra questão: a Globo, em particular, está enfraquecida pelo esgotamento de suas fórmulas tradicionais e pelo crescimento da concorrência, mas a TV como um todo não está em crise – e como se vê no Oriente Médio, com a Al-Jazeera, ainda tem um enorme potencial para influenciar a política, se souber criar credibilidade.

Jornalismo B – De que forma o governo e a sociedade organizada podem atuar na defesa de uma comunicação mais democrática?

Antonio Luiz Costa – O mais importante é quebrar os monopólios, principalmente na mídia eletrônica. Há centenas de canais disponíveis e centenas de questões e pontos de vista diferentes a se expressar e não se justifica que uns poucos grupos açambarquem todos os meios disponíveis. É preciso abrir canais para grupos como o movimento negro, MST, movimentos sindicais etc. e as verbas de incentivo à cultura e publicidade governamental devem favorecer a diversidade de abordagens e pontos de vista. Pode-se exigir, também, que os pacotes de TV a cabo incluam um mínimo de produção nacional e que a estrangeira seja razoavelmente diversificada – não apenas algumas grandes redes dos EUA.

Jornalismo B – Qual é o papel fundamental da mídia hoje?

Antonio Luiz Costa – É o que sempre foi. Por um lado, informar o público dos acontecimentos reais e integrá-los em narrativas que façam sentido, permitindo que se posicionem como cidadãos. Por outro, proporcionar as experiências da arte e da ficção, estimulando o questionamento e o desenvolvimento intelectual.

Jornalismo B – Quais as perspectivas para o futuro da mídia brasileira?

Antonio Luiz Costa – Vejo o enfraquecimento progressivo dos grandes jornais e revistas impressos, possivelmente o desaparecimento de mais alguns deles, como já se deu com o velho Jornal do Brasil. Parece que há um novo espaço para tabloides criado pela classe C ascendente, que ao menos em São Paulo ainda foi pouco aproveitado, mas não é uma vertente que me interesse. Na mídia televisiva, vê-se um aumento da concorrência e o enfraquecimento progressivo do monopólio da Globo, mas há que se recear o papel crescente e agressivo de grandes redes transnacionais que lutam por um monopólio global da informação, tais como a Fox, a CNN e seus satélites. O Estado vai precisar intervir para evitar que monopolizem o acesso à opinião pública, exigindo que os distribuidores de TV a cabo ofereçam alternativas nacionais e outras como a Al-Jazeera, a TeleSur, a BBC etc.

Postado por Alexandre Haubrich

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Para o Jornal da Globo a culpa é do oprimido

10 mar

“As mulheres reclamam muito dos salários baixos, mas pesquisa revela: muitas delas têm medo de pedir aumento”. Essa foi a chamada para uma matéria do Jornal da Globo desta quinta-feira. Na escalada do jornal, o texto perguntou: “Medo de quê? Por que as mulheres tem mais dificuldade em pedir aumento?”.

Essa é a explicação encontrada pela Globo para os salários mais baixos recebidos por mulheres em cargos iguais aos dos homens. A mesma matéria já aproveita para explicar as maiores dificuldades das mulheres em ascender na carreira: apenas 28% delas pensam em promoção, contra 39% dos homens.

Após algumas entrevistas nas ruas, nas quais todas as falas que foram ao ar são de mulheres dizendo que nunca pediram aumento – referendando a tal pesquisa –, o repórter, em off, acusa: “Quase metade delas diz que ganha mal, mas também não faz nada para mudar essa situação”. No fim da matéria, a entrevistada é uma alta executiva. A partir de sua posição privilegiada, ela faz uma análise sociológica: “Não vejo limitações. Quem coloca limitações é a própria pessoa, o mercado está aberto”, afirma.

Entre tantas aspas destacando frases absurdas, um comentário do Mirgon Kayser, no Twitter, resumiu a situação com precisão: “Padrão Globo sim… Em geral a Globo valoriza as explicações mercadológicas que diluam e mascarem machismo / racismo / homofobia, etc”.  É isso. No caso específico das mulheres, é a reprodução e o fortalecimento do pensamento segundo o qual a mulher estuprada é a responsável pelo estupro.

A culpa por ser pobre é do próprio pobre, a culpa do desemprego é do desempregado que não gosta de trabalhar, a culpa de todas as formas de exploração e/ou opressão é sempre do explorado e oprimido. É assim que a Rede Globo quer fazer as pessoas pensarem, alimentando, dessa forma, a segregação, o preconceito e a exclusão por parte das elites, ao mesmo tempo em que tira dos oprimidos a percepção da necessidade de luta coletiva para se alcançar uma verdadeira mudança social. Individualiza a percepção e a luta, colaborando, através da construção desse discurso, com a manutenção das mais diversas formas de opressão.

Postado por Alexandre Haubrich

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2011 já começou

10 jan

Depois de duas semanas de recesso para algum merecido descanso, o Jornalismo B está de volta. Nesses poucos dias de ausência, aconteceu muita coisa relevante na mídia brasileira, mas, como sempre, refletindo apenas pequenas variações de uma lógica que se repete desde sempre: o alinhamento automático da mídia hegemônica com o discurso o mais elitista possível, em todos os níveis, em todos os aspectos, das mais diversas formas. Não foi a passagem de 2010 para 2011 que modificou a lógica de alimentação mútua entre as elites brasileiras e a mídia, sendo esta instrumento de propagação do discurso daquelas.

Tudo leva a crer que um dos principais objetivos no momento é a desconstrução imediata do mito que se formou em torno do ex-presidente Lula. A perseguição começou com força, quase de uma hora para a outra, e aparentemente orquestrada. Folha, Estadão e O Globo, a tríade fundamental da imprensa hegemônica brasileira, trouxeram manchetes semelhantes com tons semelhantes. A estadia de Lula em um paraíso militar foi questionada, apesar das explicações perfeitamente cabíves, mas a utilidade de destinar o paraíso ao exército não foi questionada – se eu tiver perdido, alguém me corrija, por favor. Depois, os passaportes. O ano promete. As atividades políticas de Lula serão acompanhadas de perto por esses veículos – com razão – e tudo será motivo para “denúncias” – algumas sem razão. Interfira Lula ou não no governo Dilma, para esses setores da imprensa a interferência será constante, desmedida e ilegal. É só acompanhar os próximos capítulos e conferir.

O governo Dilma também começa sob fogo cruzado. A insistência na tentativa de criar crises deverá ser um ponto importante da cobertura política dos jornalões em 2011. Começou com o PMDB. Jogar aliados contra aliados para enfraquecer governos é prática comum em ações da direita organizada, nacional e internacionalmente. Não seria diferente aqui e agora. Os ataques a Dilma apelam também ao conservadorismo preconceituoso de boa parte da sociedade brasileira. Por ser mulher, Dilma já enfrentou ataques machistas durante toda a campanha, e seu status de presidente / presidenta não mudou esse cenário. Em reportagens sobre suas roupas, maquiagens e afins ou em charges que se preocupam apenas em inferiorizar a figura da mulher-política em relação ao homem, a presidente tem sido e continuará sendo atacada e desrespeitada dia a dia.

No outro sentido da disputa que tem se travado entre governo-mídia-sociedade, Paulo Bernardo assumiu o Ministério das Comunicações dizendo que a prioridade será a expansão da banda larga, e sinalizando que a regulamentação da mídia pode ficar em segundo plano. Mais uma vez é bom lembrar que a sociedade tem se organizado exigindo mudanças nesse setor, e o governo faz vista grossa, sofrendo ele próprio as consequências iniciais desse desleixo, mas deixando para a própria sociedade o ônus principal: a desinformação e a falta de democracia. Desse lado da história, tivemos de positiva a determinação da ministra do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, que mandou processar uma ação do PSOL que pede que o Congresso Nacional regulamente, enfim, os artigos da Constituição de 1988 (!) que versam sobre comunicação social.

Ainda na política, é preciso lembrar a gritaria direitista e entreguista de boa parte da grande mídia nacional em relação à decisão de Lula sobre o caso de Cesare Battisti. Lula e Battisti foram atacados fortemente, das mais diversas formas, pela tríade dos jornalões já citados, acompanhados lado a lado pelas principais emissoras de televisão aberta do país. Vale o elogio a Zero Hora, jornal gaúcho que, contrariando a tendência, chamou Battisti sempre de “ativista”, ao invés de “terrorista”, expressão que implica muitos significados inadequados ao caso.

Saindo, enfim, da política, o destaque na mídia brasileira tem sido, sem dúvida, a novela em torno da contratação de Ronaldinho Gaúcho por algum clube do futebol brasileiro (Grêmio, Palmeiras, Flamengo e Corinthians disputaram o jogador). Além dos clubes, travou-se uma disputa na imprensa. Tentando vender jornais ou conseguir audiência – para agora e para depois – as imprensas regionais (no esporte, mesmo as pretensamente nacionais costumam ser regionalizadas) torceram e bancaram a contratação de Ronaldinho pelos clubes locais. Muitas barrigadas foram dadas. Uma das grandes foi do editor de esportes de Zero Hora, David Coimbra, que bancou em seu blog que “Ronaldinho já é do Grêmio”, poucas horas antes de o presidente do clube gaúcho, Paulo Odone, anunciar que desistira de contratar o jogador. Por outro lado, no Rio Grande do Sul merece destaque a boa cobertura do repórter da Band Vagner Martins, também editor do blog 433.

Assim começou 2011. Durante esse ano, o Jornalismo B pretende aprofundar suas atividades das mais diversas formas, pluralizando ainda mais os debates aqui no blog, fazendo crescer o espaço do nosso Twitter, fortalecendo e expandindo o Jornalismo B Impresso e promovendo algumas atividades muito em breve. Para que tudo isso seja possível, é fundamental que todos os leitores amigos do Jornalismo B contribuam, comentando no blog, divulgando os posts e o Twitter, assinando e divulgando as assinaturas do Jornalismo B Impresso.

As colaborações mais diretas, através de posts, serão intensas em janeiro e fevereiro. Em todas as terças, quartas e quintas-feiras de janeiro e fevereiro, posts de colaboradores especiais deverão aparecer por aqui, objetivando exatamente ampliar horizontes, percepções e debates. Começou.

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