Para a Folha de S. Paulo, os destaques do primeiro debate entre os presidenciáveis foram as “distorções” de Dilma Rousseff (PT) e as “críticas moderadas” de José Serra (PSDB). A matéria principal que, no último sábado (7/8), foi publicada na Folha sobre o debate da quinta-feira anterior traz como título “Dilma distorce números e Serra faz críticas periféricas”.
A matéria tem oito parágrafos que falam diretamente sobre Dilma. Deixando o título fora da conta, são cinco referências a mentiras, com as mais diversas palavras ou expressões que possam caracterizar a petista como mentirosa. Cinco referências em oito parágrafos. Além disso, três desses parágrafos são dedicados a, diretamente, criticar números apresentados pela candidata.
A tentativa de apresentar Dilma como uma candidata sem propostas também fica clara. Na linha de apoio, a Folha afirma: “Petista fez projeções sem base para a educação (…)”. Abaixo da linha de apoio e antes do texto, como uma espécie de resumo do que vai ser apresentando, vem “A julgar pelo debate, as ambições de Dilma são a reforma tributária e a regulamentação da emenda sobre a saúde”. O texto, em seguida, diz que “ambas (as propostas) já foram encaminhadas pelo presidente Lula (…)”, antes de explicar que “há ainda a torcida declarada para a erradicação completa da miséria”, como se não passasse da torcida ao trabalho.
Para Serra foram dedicados especialmente quatro parágrafos. Nesse espaço, o jornal reclama da moderação das críticas do peessedebista a Dilma e ao governo Lula e de propostas que se limitaram ao que foi feito em São Paulo quando Serra foi governador. Queria que Serra batesse em aspectos estruturais, não apenas gerenciais.
Depois, em duas matérias pequenas, o jornal primeiro falou sobre o tom e o gestual dos candidatos, destacando Serra, tentando mostrar que Marina e Dilma fracassaram, e ironizando Plínio, ao escrever que ele “falou sozinho”. Na segunda das matérias menores, mais tentativas de minimizar a participação do candidato do PSOL. Ainda que o fim do texto conte que uma enquete feita com 29 cientistas políticos apontou Plínio como vencedor do debate, dá mais destaque a piadas feitas com o candidato e a um cientista que afirma que a “vitória” de Plínio demonstra que a campanha está despolitizada.
Em seguida, mais duas matérias periféricas falaram sobre o tom que Serra e Dilma deverão adotar a partir de agora, com o primeiro devendo, segundo a Folha, intensificar as comparações de sua experiência com a de Dilma, enquanto esta deverá “evitar citar Lula em debates”, com o objetivo de colocar-se ela própria como líder do atual governo. Mesmo que, na reportagem principal, a Folha tenha dito que houve, por parte de Dilma, uma “louvação ao presidente Lula”.
Postado por Alexandre Haubrich
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