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Velha mídia perde a eleição

5 nov

Dilma Rousseff é a nova presidente do Brasil. A petista venceu o candidato do PSDB, José Serra. Menos mal. Com Serra, as dificuldades de diálogo seriam imensas. Os governos de seu partido em Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul mostram que a relação com movimentos sociais e manifestantes organizados é na base da agressão institucionalizada. Se a vitória de Dilma pode não representar grandes avanços nem mudanças profundas, ao menos a possibilidade de diálogo é maior. É partindo desse pressuposto que a sociedade precisa atuar a partir de agora.

Os movimentos sociais, os jornalistas alternativos e a sociedade organizada precisa pressionar o governo, puxando-o para a esquerda, defendendo políticas de redistribuição não apenas de renda, mas de terra, de educação, de saúde e de informação.

Há um outro ponto que precisa ser destacado neste momento: como a primeira eleição de Lula, a vitória de Dilma significou uma derrota da imprensa dominante. As poucas famílias que dominam quase toda a comunicação brasileira estiveram ao lado de Serra. Televisão, jornais e revistas apoiaram o PSDB, e foram ignorados pela maioria do eleitorado. A influência da velha mídia ainda é gigantesca, e atua das mais diversas formas, especialmente subjetivas. Mas, lentamente, essa força começa a desvanecer-se.

Frente a progressos sociais e à crescente popularização da internet, a velha mídia começa a perder força, e o coronelismo midiático caminha para a extinção. Mas não vai caminhar sozinho. Os movimentos sociais precisam pressionar governo federal e congresso, e precisa também esclarecer a sociedade e oferecer novas opções, mostrar que existem caminhos alternativos. Dessa forma, construímos aos poucos uma nova história. As circunstâncias estão fazendo sua parte.

O texto acima é o editorial da 12ª edição do Jornalismo B Impresso, a edição da primeira quinzena de novembro, que começa a ser distribuída em Porto Alegre na próxima semana . Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).

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Postado por Alexandre Haubrich

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Estadão e O Globo vêem mulher como sombra do homem

2 nov

Independente de méritos ou deméritos políticos e de concordâncias ou discordâncias ideológico-programáticas, é preciso admitir que as vitórias de Lula, duas vezes, e de Dilma Rousseff, no último domingo, são superações de preconceito. Lula, o primeiro presidente operário, Dilma a primeira presidente mulher. Fora as outras diversas características de ambos que levam a intensa discriminação em todos os cantos do país.

Mas nenhuma dessas eleições significou realmente a vitória sobre o preconceito, apenas sua superação ocasional, resultado de uma série de outros fatores. Essa situação já ficou clara no dia imediatamente seguinte à vitória de Dilma. As capas de dois dos mais vendidos jornais do país demonstraram toda a sua raiva machista e tentaram deslegitimar a vitória de Dilma retirando da presidente eleita seus méritos, colocando-a como apenas uma sombra de Lula.

A manchete de O Globo foi “Lula elege Dilma e aliados já articulam sua volta em 2014”. No Estadão, “A vitória de Lula”. Os títulos, além de brigarem com a notícia, a vitória de Dilma, são discriminatórios, arrogantes e machistas. Mostram um ranço não apenas com o PT ou com o governo, mas com a vitória de uma mulher. Estratégia usada por Serra, pelo PSDB e pela imprensa dominante durante toda a campanha, a desvalorização de Dilma como quadro político não vai parar tão cedo. Essa desvalorização não é gratuita. Como ainda acontece com Lula pela falta de estudo formal do presidente, a raiva contra uma líder mulher, separada e ex-guerrilheira não vai passar por passe de mágica. Não vejo todos os ataques ou críticas a Dilma como ataques às mulheres, e percebo oportunismo em quem assim tenta fazer as coisas parecerem. Mas, nesse caso, o posicionamento está claro.

Ainda que a importância de Lula na campanha petista seja inegável, limitar a vitória de Dilma a esse fator é reduzi-la a uma sombra do presidente, como quando se reduz uma mulher à sombra do pai ou do marido. Dizer que Lula venceu é, além de mentira, agressão e despeito contra uma mulher que, eleita, superou os interesses e a mentalidade conservadora de setores da mídia brasileira, superou o conservadorismo e o preconceito que essa própria mídia cria e alimenta na sociedade. Superou. A vitória real e definitivamente contra tudo isso ainda está longe, e passa necessariamente por uma nova mentalidade em relação à comunicação, como um primeiro passo para a criação de uma nova mentalidade social.

Postado por Alexandre Haubrich

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A luta diária

29 out

A 11ª edição do Jornalismo B Impresso já está sendo distribuída em Porto Alegre . Os locais de divulgação continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).

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Abaixo, o editorial da 11ª edição:

 

No último dia da quinzena à qual é dedicada esta edição do Jornalismo B Impresso, os brasileiros irão às urnas votar para definir quem será o novo presidente do país. Chegaremos, no dia 31 de outubro, ao fim de uma campanha dura, brigada, na qual a imprensa teve grande influência. O tamanho dessa influência e para qual lado ela penderá só saberemos ao fim da apuração.

O que é certo é que, vença quem vencer, a perspectiva de mudança para a área da comunicação é pequena. Nenhum dos dois candidatos que chegou ao segundo turno deu qualquer sinalização séria de que pretende lutar pela democratização da comunicação. Isso não quer dizer que os dois projetos sejam iguais. Não são.

De qualquer forma, a mobilização dos movimentos sociais e dos jornalistas independentes em busca de conquistas nesse sentido precisa continuar, e precisa ser aprofundada. Independente de quem vença o pleito, o jornalismo alternativo deve manter-se crítico, ou perde sua função.

É preciso que, após as comemorações ou lamentações, a esquerda midiática volte a estar unida em torno da luta por ideais democráticos, por mudanças sociais profundas, por um jornalismo inclusivo e por um novo paradigma para a comunicação brasileira.

O processo eleitoral, altamente injusto sob quase todos os ângulos, é apenas uma pequena parte da disputa política. Ela deve ser travada diariamente, por todos, de forma incansável e das mais diversas formas. O embate com a imprensa hegemônica e com o sistema que oprime e segrega precisa estar acima de opções partidárias ou puramente eleitorais. Enquanto a dominação for regra, a luta contra ela não pode ser exceção.

Postado por Alexandre Haubrich

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Jornal Nacional força interpretação de pesquisa eleitoral

28 out

Bem atrás nas pesquisas, o candidato do PSDB à presidência conta com um de seus grandes aliados para, nos últimos dias de campanha, tentar virar o jogo: a grande mídia. Nesta quinta-feira o Jornal Nacional mostrou que continua com Serra, e que não mede esforços para demonstrar que ainda confia em seu candidato.

Foi divulgada uma nova pesquisa Ibope, que apontou crescimento de Dilma Rousseff (PT), e queda de Serra. As oscilações foram de um por cento em cada caso, considerando-se todas as intenções de votos ou apenas as de votos válidos. Dilma crescendo e Serra caindo, e a Globo obrigada a dar a notícia, não havia como fugir, não havia como chamar peritos ou médicos que dissessem que bolinha de papel é rolo de fita.

Sem poder omitir a pesquisa, o Jornal Nacional decidiu mexer aqui e ali e achar uma forma mais “leve” de noticiar os resultados. Sem aparentar uma mentira, distorceu, tirou o foco do principal. Bonner deu a notícia da seguinte forma:

Dilma Rousseff, do PT, mantém a vantagem sobre José Serra, do PSDB. Em relação à pesquisa da semana passada, os dois candidatos oscilaram apenas um ponto percentual.

Dilma manteve-se à frente, manteve a liderança, até se pode dizer que manteve vantagem, mas não manteve a vantagem. A vantagem aumentou, de onze para treze pontos percentuais. Dentro da margem de erro, sim, mas aumentou. Possivelmente a margem de erro seja um dos pretextos para que tanto o JN quanto, mais tarde, o Jornal da Globo, usem a expressão “mantém a vantagem”. Mas não se justifica. Dentro ou fora da margem de erro, a vantagem diminuiu. Dentro da margem de erro, na pesquisa anterior, Dilma teria entre 49% e 53%. Agora, tem entre 50% e 54%. A vantagem aumentou, não foi mantida.

A divulgação de pesquisas influencia, sim, o processo eleitoral, isso é amplamente conhecido e reconhecido. Mais no primeiro turno, pois inclui, aí, um fator que não tem a mesma força no segundo: o voto útil. Ainda assim, influencia, sob diversos aspectos nos quais não iremos nos ater.

São duas as principais preocupações do momento, na campanha oficial de Serra e em sua campanha extra-oficial, a de boa parte da imprensa dominante: primeiro, mostrar ao eleitor indeciso que Serra ainda tem chance, evitando assim que se vote na Dilma “já que ela vai ganhar”. A segunda preocupação é estimular o eleitor de Serra a seguir acreditando na vitória, para que, assim, não viaje no feriado antes de votar, e busque mais votos para o tucano.

Postado por Alexandre Haubrich

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Site do Estadão lista críticas ao PT

25 out

O Estadão anunciou algumas semanas atrás apoio a José Serra (PSDB) na disputa pela presidência da República. Teve um atitude mais digna do que outros veículos, que se dizem imparciais, independentes e neutros enquanto fazem campanha descarada. Ainda assim, não é por assumir a defesa de uma candidatura que um jornal pode sentir-se no direito de fazer campanha dissimulada, misturando jornalismo com propaganda sem deixar isso claro ao leitor.

Dedicar alguns minutos para uma olhada geral sobre o site do Estadão é certeza de encontrar manchetes e mais manchetes contrárias ao PT e à sua candidata, Dilma Rousseff, até mais do que favoráveis ao PSDB e a Serra. O ataque é constante, tem sido a tônica da campanha, e um veículo jornalístico que se joga de cabeça na campanha tende a não ficar para trás.

Às 20h15min desta segunda-feira, uma simples análise das manchetes da capa do site mostram a absoluta disparidade. São 7 manchetes contra o PT ou a favor do PSDB, 6 manchetes que podem ser consideradas neutras, e apenas uma contrária aos tucanos (veja as manchetes ao lado).

De dossiê a Erenice Guerra, de programa de governo a Soninha Francine, as pancadas em Dilma e no PT se multiplicam. A capa é pouco mais do que uma lista de acusações. Das quatro manchetes principais, três são desfavoráveis a Dilma, a outra é neutra, relatando a pesquisa mais recente. É assim que o Estadão faz uma cobertura jornalística do segundo turno das eleições. Manifestar apoio a uma candidatura não deveria significar trocar jornalismo por publicidade.

Postado por Alexandre Haubrich

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Jornal Nacional estende propaganda de Serra

21 out

Em uma confusão que mostrou ignorância nas militâncias do PT e do PSDB, o candidato tucano José Serra foi atingido, na tarde da última quarta-feira, por uma bolinha de papel e, mais tarde, por um rolo de fita. Serra acabou indo ao hospital, e teria sido aconselhado pelo médico a ficar 24 horas de repouso. Um fato aparentemente banal – uma pequena confusão entre militantes na qual sobraram uma bolinha de papel e uma fita em Serra – foi transformado pelo PSDB e pela mídia dominante no assunto mais importante do ano.

O Jornal Nacional comprou a briga de Serra, e, em suas edições de ontem e hoje, cumpriu perfeitamente o papel de porta-voz, de extensão da propaganda política do candidato tucano. Ontem foram dois minutos e meio de reportagem, na qual a ânsia em deixar muito claro que foi uma ação do PT fez com que a expressão “militantes petistas” fosse usada duas vezes e “militantes do PT” outras duas. Em dois minutos e meio. A matéria de André Luiz Azevedo traz ainda 30 segundos de entrevista com Serra, e nenhuma palavra petista, apenas a referência de Fátima Bernardes, no final, a uma nota do PT.

A reportagem de hoje, do mesmo jornalista, teve quase sete minutos. Quase a totalidade do primeiro minuto é a reprodução da matéria de ontem. Mesma imagem, mesmo texto, reforçando o ataque ao PT e a “coitadização” de Serra. Depois, um minuto e meio com Lula e Dilma comentando o caso, e acusando o candidato do PSDB de mentir sobre a agressão. Isso para, em seguida, usar dois minutos para demonstrar como Lula e Dilma estão errados, como foram dois momentos diferentes. Pausas nas imagens, aproximações, escurecimentos do entorno. Imagens por vários ângulos, de diversos cinegrafistas. Tudo é usado para sustentar a tese de dois momentos diferentes, como se o arremesso do rolo de fita fosse o principal fato da campanha até o momento.

Na metade do quarto minuto de matéria, entra em cena o perito Ricardo Molina, que afirma ser claro que são “dois eventos diferentes: um evento ‘bolinha’ e outro evento ‘rola de fita’”. Por mais de um minuto, Molina fica repetindo que são dois eventos diferentes, que são dois eventos diferentes, que são dois eventos diferentes. Após uma rápida entrada do repórter (passagem), 45 segundos para Serra dizer que foi agredido de diversas formas e criticar Lula, e 20 segundos para Fátima explicar que o médico que atendeu o candidato ficou “indignado” com as declarações do presidente.

Por dois dias a grande pauta política foi a cabeça de José Serra atingida por um rolo de fita. Quase 10 minutos em duas edições do jornal nacional, fora a cobertura dos jornais hegemônicos e as capas de diversos sites. O Jornal Nacional apresentou uma ampla defesa do candidato do PSDB, e levou ao foco principal um tema que nada tem a ver com o verdadeiro debate político. A despolitização da campanha vem sendo orquestrada por diversos ângulos, esse é apenas mais um, apenas o mais novo, mais tosco e mais baixo deles.

Postado por Alexandre Haubrich

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Dilma e Serra no Jornal Nacional

19 out

Em dois tempos de onze minutos, o Jornal Nacional fez duas entrevistas com os candidatos à presidência que ainda estão na disputa. As entrevistas com Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) foram equilibradas, o que não quer dizer que foram boas entrevistas.

Foram quatro questões para Dilma e cinco para Serra, a maior parte delas com pequenos desmembramentos. As questões foram equilibradas, semelhantes no teor, na forma de serem colocadas pelos entrevistadores e até na ordem em que apareceram. A agressividade de William Bonner e Fátima Bernardes nas entrevistas do primeiro turno não apareceram agora.

or Para Dilma e Serra, a primeira pergunta foi sobre o resultado do primeiro turno, e ambas trazendo aspectos negativos das votações: para Serra, o fato de ter tido menos votos que Geraldo Alckmin na última campanha; para Dilma a “não-vitória” já em primeiro turno. Depois, para ambos, perguntas sobre o tema do momento: o aborto. Nos dois casos, mesmo tom, sem acusações, apenas perguntas. Em seguida, a corrupção foi abordada, de lado a lado. Erenice Guerra para Dilma, Paulo Preto para Serra. Por fim, perguntas sobre alianças: para Serra, suas posições ambíguas sobre Marina Silva (PV). Para Dilma, o vai e volta de Ciro Gomes (PSB).

Por fim em termos. Para Serra, não foi o fim, e aí está a grande diferença entre as duas entrevistas. A pergunta final para o tucano é a única programática. Para Dilma faltou tempo. Se foi planejado? Não pareceu. A petista falou mais, se alongou mais nas respostas. De qualquer forma, a pergunta sobre programa político, muito mais importante que outras sobre aborto, primeiro turno, Ciro e Marina, não poderia ter ficado para o final, correndo o risco de ser cortada.

A falta de discussão sobre os programas é a grande falha. Apenas uma pergunta para Serra, e bem genérica, nada para Dilma. A campanha eleitoral está muito pouco politizada, e é óbvio que ela pauta a mídia. Mas o contrário também acontece, a própria mídia influencia muito na definição das agendas da campanha. E, a partir de entrevistas como essas, o Jornal Nacional contribui muito pouco para o eleitor conhecer os candidatos e votar com clareza do que está fazendo. Ajuda a despolitizar o processo eleitoral, esvaziar o debate programático.

Postado por Alexandre Haubrich

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Três anos de blog, eleições e mídia livre

15 out

A 10ª edição do Jornalismo B Impresso começa a ser distribuída em Porto Alegre na segunda-feira. Como você já sabe, os locais de divulgação estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).

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Vale lembrar que a Ábaco Livros (Osvaldo Aranha, 426) está apoiando o Jornalismo B Impresso. Prestigie a livraria que prestigia a imprensa independente.

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Abaixo, o editorial da 10ª edição:

Esta décima edição do Jornalismo B Impresso sai em um momento importante. Sai na quinzena na qual o blog Jornalismo B completa três anos de idade. Ao mesmo tempo, estamos em meio a uma eleição presidencial, levada ao segundo turno e na qual a mídia tem tido grande influência, de lado a lado.

O aniversário do Jornalismo B merece ser comemorado e destacado. São três anos de muita luta, de ativismo constante, três anos escrevendo, debatendo, discutindo, buscando espaço para fortalecer a mídia independente, para democratizar a comunicação brasileira.

Ao mesmo tempo, entregamos aos leitores esta décima edição do Impresso, outra empreitada na qual os obstáculos são muitos e as facilidades poucas, mas para a qual temos o apoio e o auxílio de muitas pessoas, começando pelos assinantes e anunciantes do jornal, que ajudam a sustentá-lo e estimulam sua continuidade.

As eleições que estão para serem definidas foram um marco na comunicação brasileira. Tivemos uma divisão clara e, infelizmente, polarizada, entre grande mídia defendendo José Serra (PSDB) e pequena mídia apoiando Dilma Rousseff (PT). No meio disso estavam alguns poucos veículos, entre eles o Jornalismo B. Não nos posicionamos e, na grande cobertura que fizemos da campanha eleitoral, fiscalizamos os dois lados, analisamos o que foi feito pela pequena mídia, pela grande mídia e pelos que se mantiveram afastados da disputa partidária, disputando apenas no campo ideológico.

O blog Jornalismo B e o Jornalismo B Impresso se fortaleceram nesse processo eleitoral, e seguirão no mesmo caminho trilhado até aqui. Esse caminho tem resultado em reconhecimento, credibilidade e crescimento, exatamente o que buscamos para nós e para toda a mídia verdadeiramente democrática.

Postado por Alexandre Haubrich

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Mídia e eleições em debate na TV Câmara

8 out

A televisão é uma concessão pública. Deveria, dessa forma, operar sempre em acordo com o interesse público. Enquanto essa é uma constatação óbvia, as emissoras privadas brasileiras fazem o que querem com esse espaço público, tão público quanto uma praça ou uma rua. Uma emissora que cumpre esse papel é a TV Câmara. Semanalmente, por exemplo, apresenta um debate de meia hora sobre a imprensa brasileira, programa chamado Comitê de Imprensa.

O debate desta sexta-feira foi sobre a cobertura da mídia na campanha de primeiro turno das eleições deste ano. Os convidados, mediados pelo jornalista Paulo José Cunha, foram o chefe da sucursal do portal iG em Brasília, Tales Faria, e o colunista do Correio Braziliense, Luis Carlos Azevedo.

A conversa girou em torno da mídia de modo geral, abordando, além da cobertura jornalística, as pesquisas de intenção de voto e o uso do marketing viral, especialmente através de emails. Vale destacar, porém, algumas questões relacionadas diretamente ao jornalismo. As colocações de ambos os debatedores contribuem para o esclarecimento de como a grande imprensa brasileira tem agido nos últimos meses em sua cobertura política.

Logo no início do programa, Tales disse que uma parte da imprensa entrou na campanha. Elogiou o Estadão por assumir a defesa de uma candidatura, e cutucou a Folha de S. Paulo: “Pro leitor é bom saber que o veículo que ele está lendo tem aquela posição. O que não dá pra fazer, e muitos jornais estão fazendo, é ter uma posição e dizer que estão independentes”, disse Tales.

Azedo também criticou a partidarização da imprensa brasileira, e se aproximou de uma definição muito em voga no Rio Grande do Sul. Por aqui se diz que a RBS é o PRBS, e Azedo afirmou que “a imprensa estava mais preocupada em defender o seu próprio programa do que cobrar dos candidatos um programa”.

A questão da credibilidade da internet também foi abordada, ainda que de forma superficial, a partir da discussão sobre o marketing viral. Tales acredita que as más informações também tem seu lado bom: fazer com que o internauta comece a buscar fontes mais fidedignas. “O marketing viral é perigoso, mas isso vai sedimentar na cabeça das pessoas a procura cada vez maior por marcas de credibilidade. Já está ocorrendo. Você vai procurar na internet que te traz, junto com a informação, credibilidade”, disse o jornalista.

Curto, o debate não conseguiu aprofundar os temas abordados, mas levantou pontos sobre os quais devemos pensar. Programas qualificados como o Comitê de Imprensa prestam serviço público de verdade à sociedade. Levando ao telespectador debates como o da imprensa, a TV Câmara cumpre o papel pelo qual toda concessão pública deveria necessariamente primar: o interesse público.

Postado por Alexandre Haubrich

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Após votar, famílias encontram casas destruídas. Grande imprensa ignora

6 out

A imprensa hegemônica, assim como a quase totalidade da não hegemônica, está discutindo há três meses quase que exclusivamente o processo eleitoral. Este, por sua vez, atropelou uma das questões sociais fundamentais do país, que passou batida nos debates, nas reportagens e nas lembranças dos candidatos: a reforma agrária.

Tema evitado constantemente pela imprensa hegemônica, tende a ser abordado em momentos como a campanha eleitoral. Não foi. Pois no domingo das votações, 3 de outubro, no momento em que 12 famílias moradoras do Alagoas estavam votando, suas casas e suas fontes de alimentação foram incendiadas.

Mesmo em meio a uma gigantesca cobertura do dia eleitoral, o caso não foi noticiado em nenhum dos grandes veículos brasileiros. Sabe o motivo? As 12 famílias eram sem-terra, assentados há três anos no Acampamento Boa Vista, em Jacaré dos Homens, Alagoas.

Os camponeses tinham saído para votar, para a “festa democrática”, uma festa da qual eles participam apenas apertando os botões das urnas. São excluídos de qualquer possibilidade de participação na tal democracia brasileira. São invisíveis, a mídia os ignora e os esconde do campo de visão da sociedade. Foram casas e plantações incendiadas, e o principal suspeito é o fazendeiro José Carlos Amorim. Um dos agricultores disse:

Alguns dias atrás o fazendeiro disse que iria haver uma tragédia se todos os acampados não saíssem de lá, e agora acontece isso! Tudo veio abaixo, nós não temos para onde ir e plantar o nosso feijão, milho e palma.

A internet e alguns poucos veículos impressos permitem que essas pessoas existam, que sua voz possa, de alguma forma, ser ouvida. É preciso que esse espaço de eco seja ampliado.

Fotos retiradas do site do MST – www.mst.org.br

Postado por Alexandre Haubrich

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