Dilma Rousseff é a nova presidente do Brasil. A petista venceu o candidato do PSDB, José Serra. Menos mal. Com Serra, as dificuldades de diálogo seriam imensas. Os governos de seu partido em Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul mostram que a relação com movimentos sociais e manifestantes organizados é na base da agressão institucionalizada. Se a vitória de Dilma pode não representar grandes avanços nem mudanças profundas, ao menos a possibilidade de diálogo é maior. É partindo desse pressuposto que a sociedade precisa atuar a partir de agora.
Os movimentos sociais, os jornalistas alternativos e a sociedade organizada precisa pressionar o governo, puxando-o para a esquerda, defendendo políticas de redistribuição não apenas de renda, mas de terra, de educação, de saúde e de informação.
Há um outro ponto que precisa ser destacado neste momento: como a primeira eleição de Lula, a vitória de Dilma significou uma derrota da imprensa dominante. As poucas famílias que dominam quase toda a comunicação brasileira estiveram ao lado de Serra. Televisão, jornais e revistas apoiaram o PSDB, e foram ignorados pela maioria do eleitorado. A influência da velha mídia ainda é gigantesca, e atua das mais diversas formas, especialmente subjetivas. Mas, lentamente, essa força começa a desvanecer-se.
Frente a progressos sociais e à crescente popularização da internet, a velha mídia começa a perder força, e o coronelismo midiático caminha para a extinção. Mas não vai caminhar sozinho. Os movimentos sociais precisam pressionar governo federal e congresso, e precisa também esclarecer a sociedade e oferecer novas opções, mostrar que existem caminhos alternativos. Dessa forma, construímos aos poucos uma nova história. As circunstâncias estão fazendo sua parte.
O texto acima é o editorial da 12ª edição do Jornalismo B Impresso, a edição da primeira quinzena de novembro, que começa a ser distribuída em Porto Alegre na próxima semana . Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).
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Postado por Alexandre Haubrich
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