O final do primeiro turno das eleições nacionais é um bom momento para fazer uma pequena retomada, um resumo, do que foi a cobertura até aqui, ainda que o pleito tenha ido para o segundo turno, onde se enfrentarão Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Pensando de forma retrospectiva e resumindo o que pode ser relembrado, pode-se perceber uma clara polarização na mídia brasileira.
Obviamente generalizando, podemos dizer que a grande imprensa, as grandes empresas de comunicação, defenderam – velada ou abertamente, caso do Estadão – a candidatura de Serra. Esse lado extremo fez da cobertura eleitoral uma campanha agressiva contra Lula e Dilma, trabalhando duro para trazer à tona fatos ou factóides que pudessem ser, de qualquer forma, ligados ao PT para prejudicar sua candidatura.
Não são as denúncias que critico, estas são função da imprensa, e deveriam, inclusive, estenderem-se aos outros candidatos. São as manipulações, as distorções e omissões, os ataques gratuitos, muitos deles demonstrados por A mais B em outros posts aqui no Jornalismo B.
No outro extremo está uma grande parte da pequena mídia, de comunicadores que, antes do início da campanha, trabalhavam com jornalismo crítico, ativista, comprometido apenas com os interesses da população. Durante os últimos meses, porém, tornaram-se pouco mais do que marqueteiros do PT. Misturando denúncias sérias com ataques gratuitos a Serra e aos outros candidatos, abandonaram a função de críticos para transformarem seus veículos em meios publicitários.
Não estou dizendo aqui que não se deva defender seus candidatos, mas é preciso saber diferenciar e deixar clara a diferenciação entre trabalho jornalístico e propaganda. Quando um espaço jornalístico transforma-se, repentinamente, em espaço publicitário, o leitor é enganado, passado para trás, e a totalidade dos veículos alternativos é afetada por esse engano deliberado, pois cada um perde credibilidade na medida em que está obviamente incluído entre os meios de contestação da grande mídia. Alguns desses veículos ainda reproduziram outras lógicas dos grandes meios, como a intolerância ao diverso e a falta de cuidado com algumas análises que em seguida se mostraram precipitadas.
Essa polarização é perigosa e antidemocrática, e esvazia o debate, o restringe a defesas partidárias intransigentes. O que podemos esperar é que, passadas as eleições, voltemos a ter uma mídia alternativa que seja também independente, crítica, marginal e unida no ativismo político, independente da ideologia partidária que cada um defenda.
Postado por Alexandre Haubrich
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