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Dois anos de Jornalismo B Impresso

18 mai

O Jornalismo B Impresso chega, nesta edição, ao seu segundo aniversário. São 37 edições em dois anos de vida, e dezenas de assinantes espalhados por todas as partes do Brasil. Vamos crescendo, fortalecendo o jornal que fortalece o blog que fortalece o jornal. E, desse circuito virtuoso, a mídia independente também sai mais forte.

Temos consciência de que continua existindo o abismo que existia há dois anos entre o modelo de comunicação que temos no Brasil e o modelo que precisamos para caminhar em direção ao aprofundamento da democracia. Mas a mídia independente tem podido avançar. Os blogs, especialmente, e as plataformas de redes sociais, como o Facebook e o Twiter, ganham cada vez mais importância enquanto espaços de informação, debate e militância política – inclusive pela democratização da mídia.

O avanço desses espaços deve, porém, ser entendido sempre como um meio, não como o fim. O fim, que só pode ser alcançado se avançarmos muito mais na luta pela democracia comunicacional, é uma sociedade igualitária e horizontal em todos os seus aspectos. O crescimento da mídia independente, para efetivar-se enquanto caminho a este fim, precisa ser acompanhado da batalha pela horizontalização de toda a comunicação do país, com a conquista, pelas forças populares, de todo o espectro da mídia nacional, incluindo as concessões de TV e rádio.

O Jornalismo B se mantém vivo, cresce, e o oxigênio que mantém essa vida é feito da mesma matéria prima do alimento que garante o crescimento: a convicção na luta como única forma de construir uma sociedade com valores humanistas, igualitários e justos, uma sociedade na qual o povo esteja no lugar que lhe é devido. É com essa convicção que seguiremos caminhando. Quem entender essa necessidade, poste-se ao nosso lado. E lute.

O texto acima é o editorial da 37ª edição do Jornalismo B Impresso. A edição será distribuída em Porto Alegre na próxima semana, e o jornal pode ser assinado em qualquer lugar do Brasil. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

Nessa edição, temos textos sobre as estatizações dos recursos naturais na América Latina, a ocupação Eliana Silva, em Belo Horizonte, a punição dos assassinos de Eldorado dos Carajás, e, claro, as relações entre a revista Veja e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 6 edições – R$ 40; 12 edições – R$ 60; 20 edições – R$ 100. As edições são quinzenais. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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O Trabalho e a lógica da dominação

10 mai

O Dia do Trabalhador, o primeiro dia deste mês, é uma oportunidade importante para refletirmos com mais profundidade sobre um tema fundamental na luta por uma sociedade democrática. A questão do Trabalho é central na busca por emancipação popular frente ao domínio das elites.

A dominação começa justamente na exploração do trabalhador pelos patrões, pelo grande empresariado. Empoderar os trabalhadores é empoderar o povo, e isso só pode acontecer no contexto de momento no Brasil em uma dinâmica que inclua o aprofundamento das lutas e o apoio do poder público a essas lutas. É o que vem acontecendo em outros países da América Latina, com as estatizações recentes na Bolívia e na Argentina e as ocupações de fábricas por trabalhadores venezuelanos, referendadas pelo governo de Hugo Chávez.

A mídia hegemônica brasileira, como parte de seu ideário de defesa do empresariado, ataca os trabalhadores a cada movimento grevista – forma absolutamente legítima de reivindicação – e, na cobertura do 1º de maio, pouco mais fez do que discutir a expansão do mercado de trabalho no país. O debate real que se impõe em um contexto socioeconômico de exploração é sobre a necessidade de que os meios de produção e a terra sejam de propriedade de quem neles trabalha. A lógica capitalista é a lógica da opressão, e tem sua base nessa separação entre trabalhadores e meios de produção, lógica que favorece apenas as elites.

Modificar esse rumo das coisas deve ser o compromisso de todos os que se colocam ao lado dos trabalhadores. O avanço dos direitos pode ser uma importante conquista, mas pode, também, ser apenas instrumento de manutenção da ordem. Depende apenas da atitude que escolhemos tomar a partir de cada avanço conquistado. Aprofundar as lutas é o único caminho aceitável.

O texto acima é o editorial da 36ª edição do Jornalismo B Impresso. A edição já está sendo distribuída em Porto Alegre, e o jornal pode ser assinado em qualquer lugar do Brasil. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

Nessa edição, temos textos sobre o Código Florestal, as cotas raciais, além de uma entrevista com o jornalista, ex editor do Coojornal, Elmar Bones.

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Zero Hora prepara terreno para mais ataques contra Conselhos de Comunicação

5 mar

Avanços sociais sempre vêm acompanhados de fortes respostas dos setores mais conservadores. Foi assim, por exemplo, com o Golpe Civil-Militar de 1964 e com os diversos golpes que implantaram ditaduras na América Latina em um período no qual alguns governos progressistas – como Jango e Allende – ganhavam espaço. O mesmo fenômeno social vem acontecendo no Brasil nos últimos anos, em um momento no qual certas demandas sociais avançam (ou ao menos o debate a respeito delas), e, em resposta, reaparecem figuras como o deputado Jair Bolsonaro e seus generais de pijama (ou os generais de pijama e seus bolsonaros, como preferir). É também o que acontece na mídia brasileira quando a sociedade organizada pressiona por mudanças no autoritário modelo de comunicação brasileiro, estimulada por avanços nos países vizinhos – como se não bastasse o terrível cenário nacional.

Cada vez se tornam  mais fortes as proposições a respeito dos Conselhos de Comunição, que verificariam o cumprimento das leis que tratam da mídia brasileira – muitas delas ainda são embriões, artigos da Constituição à espera de regulamentação. Nesse contexto, a velha mídia brasileira, descumpridora habitual de preceitos éticos e constitucionais, vem utilizando com fervor a palavra “censura”, construindo no imaginário popular a ideia de que são os governos que tentam reavivar as práticas de censura, quando, na verdade, é o abuso do capital econômico que impede o uso real da liberdade de expressão garantida constitucionalmente.

Editorial do jornal Zero Hora publicado no último domingo chama de “censura” a ação civil pública que pede a retirada de circulação de um Dicionário Houaiss que trata do vocábulo “cigano” como “indivíduo trapaceiro, velhaco, burlador”, ainda que, como explica o editorial, o dicionário advirta “que se trata da definição da palavra no seu uso pejorativo”.

Sem entrar no mérito da questão do dicionário, entremos no demérito absoluto do editorial. Não é um texto sobre o dicionário, mas uma prevenção sobre possíveis ações interventoras na mídia. É disso que se trata, e a tal polêmica do Houaiss é apenas uma cortina de fumaça. Da mesma forma como a mídia hegemônica costuma falar de si mesma, o editorial fala dos dicionários: “existem para conceituar a realidade da língua. Registram os significados das palavras, positivos ou negativos”. Omite o fato de que, quaisquer publicações, além de refletirem a realidade, refletem sobre ela, constroem-na. É o mito da imparcialidade reforçado mais uma vez.

No penúltimo parágrafo do editorial, desfaz-se o mistério, e ZH admite seu verdadeiro alvo. Escreve assim o corpo de editorialistas: Também agem como tutores indesejáveis dos cidadãos os julgadores que avocam para si a prerrogativa de decidir o que deve ou não ser publicado pela imprensa ou pelos novos instrumentos de mídia. A liberdade de expressão é uma cláusula pétrea da Constituição brasileira. Todas as pessoas têm o direito de dizer, escrever ou divulgar aquilo que pensam, sabendo que poderão ser responsabilizadas quando cometerem impropriedades. Não podem, porém, ser impedidas previamente de se manifestar.

Irônico citar a Constituição, assim como é irônico que o principal veículo do grupo que monopoliza a comunicação no Rio Grande do Sul afirme que as pessoas “não podem ser impedidas previamente de se manifestar”. Não podem, realmente. Nem pelo governo nem pelo abuso de poder econômico.

Da mesma forma, em sua confusão de temas – fala em um assunto quando, na realidade, busca tocar em outro – o editorial se contradiz em outro ponto. Escreve: Todas as pessoas têm o direito de dizer, escrever ou divulgar aquilo que pensam, sabendo que poderão ser responsabilizadas quando cometerem impropriedades. É isso, na verdade, o que está acontecendo com os dicionaristas do Houaiss. Disseram, escreveram e divulgaram aquilo que pensavam, e o Ministério Público pode responsabilizá-los por cometerem improbidades. É o mesmo que acontecerá com a imprensa quando tivermos uma Constituição que realmente seja respeitada e um Poder Judiciário que não sirva apenas aos interesses dos poderosos do país e dos barões da mídia.

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Aprovado o Estatuto da Juventude. E agora?

7 out

Foi aprovado no último dia 5, na Câmara dos Deputados, o Estatuto da Juventude, com relatoria da deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS). Agora o projeto segue para o Senado e, se aprovado, para sansão da presidenta Dilma Rousseff. O Estatuto é um grande avanço, e foi construído com participação efetiva da sociedade – segundo Manuela, 30% do texto partiu de sugestões via internet.

O Estatuto da Juventude torna lei federal a meia-entrada para estudantes em eventos culturais em todo o território nacional, acabando com as capengas leis estaduais. Também prevê a inclusão de temas relacionados à sexualidade nos conteúdos escolares, com respeito à diversidade sexual. Pelo caminho do Estatuto se consegue abrir uma porta para combater o preconceito desde a infância, o que foi impedido pelos acordos do governo federal no caso do kit anti-homofobia.

Porém, se o Estatuto em si é uma vitória, apenas ele fica longe de resolver os problemas que se propõe a abordar. Não podem ser os “adultos” a financiar a meia-entrada, por exemplo. É fundamental a criação de mecanismos que levem as próprias empresas/produtoras a arcarem com os custos, reduzindo seus lucros exorbitantes. Da mesma forma, a fiscalização sobre o modo como será tratado nas escolas o tema da educação sexual é indispensável para o sucesso do Estatuto.

O aprofundamento dos direitos sociais iniciado com os estatutos do Idoso e da Igualdade Racial se amplia agora com o Estatuto da Juventude. Essas movimentações começam a criar no Brasil uma legislação que leva mais em conta as particulares necessidades de cada camada social. Se a compreensão dessas particularidades relacionadas aos direitos sociais é importante para o avanço democrático, não pode estar descolada de um aprofundamento real dos direitos políticos, e da criação de mecanismos que efetivem os apontamentos dos estatutos.

O texto acima é o editorial da 29ª edição do Jornalismo B Impresso, que começa a ser distribuída em Porto Alegre na próxima semana. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

O Jornalismo B está completando quatro anos. Já são mais de quinhentos mil acessos ao blog, quase 6 mil followers no Twitter e chegamos agora a 29 edições do Jornalismo B Impresso. Tudo isso já é muito, mas ainda é pouco. O fortalecimento da mídia independente é o objetivo fundamental, e o espaço para uma mídia democrática no Brasil ainda é muito pequeno para acharmos que vamos bem.

O Jornalismo B é um desses espaços, construído diariamente por todos que lêem e comentam no blog, divulgam os posts, acompanham e assinam o Jornalismo B Impresso e colaboram das mais diversas formas na construção do conteúdo. O Jornalismo B Impresso, com quase um ano e meio circulando, vem ocupando terreno importante. Enquanto o blog visa desconstruir o discurso da grande mídia, das elites, o jornal reconstrói esse discurso a partir de uma perspectiva à esquerda, democrática, popular.

Para quem pensa o mundo a partir dessa linha, assinar o Jornalismo B Impresso é uma forma de ver suas ideias difundidas, divulgadas, expandidas. Assinar o Jornalismo B Impresso é participar dessa luta e ajudar a fortalecer a mídia independente. Com esse entendimento e como forma de reconhecimento da importância dos assinantes para o Jornalismo B, o mês de aniversário do blog será mês de promoção.

Todas as pessoas que assinarem o jornal no mês de outubro concorrerão ao livro João do Rio: um dândi na Cafelândia, uma seleção de textos de um dos grandes jornalistas e escritores brasileiros. Para quem já assina, não há problema: renovar a assinatura em outubro também dá direito a concorrer. Dessa forma, reforçamos o trabalho conjunto com os leitores que nos acompanham e apoiam. A promoção é mais um resultado da parceria com a livraria Letras e Cia, parceira do Jornalismo B já há bastante tempo.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

A pátria grande

9 set

Há muito tempo o Jornalismo B fala da importância da integração do continente latino-americano enquanto arma de enfrentamento ao imperialismo dos EUA e como estímulo aos avanços progressistas em marcha no continente. Em medidas diferentes, as ações governamentais em alguns países e as atividades de movimentos sociais em outros se apoiam mutuamente, e caminham juntas em um processo que pode levar à verdadeira independência latino-americana.

O papel da mídia alternativa nesse processo é fazer circular entre os países informações e análises críticas sobre os avanços e retrocessos nos vizinhos. É preciso fazer isso de forma a integrarmos nossos caminhos e aprendermos com as vitórias e derrotas alheias, que são também nossas vitórias e nossas derrotas.

Ao mesmo tempo em que ascendem governos de esquerda e centro-esquerda, a América Latina se confronta com governantes como a dupla Uribe-Santos na Colômbia ou o chileno Sebastian Piñera, representantes da velha direita neoliberal que apenas representa os interesses das elites locais e do imperialismo nortista. Também enfrentamos retrocessos em alguns dos países com governos mais progressistas do continente, e esses problemas devem ser observados de perto e enfrentados por todos nós.

É a partir dessa percepção que o Jornalismo B Impresso coloca nas ruas esta edição, especial sobre América Latina, tratando de situações específicas de alguns dos nossos países, mas que devem ser pensadas no conjunto de nações que aqui se integram. Nesta edição temos textos sobre Venezuela, Bolívia, Argentina, Chile, Peru e sobre a inserção do Brasil nesse processo, com a esperança de que nos sintamos cada vez mais pertencentes à pátria grande latino-americana.

O texto acima é o editorial da 27ª edição do Jornalismo B Impresso, edição Especial América Latina, que começa a ser distribuída em Porto Alegre na próxima semana. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Expurgar o capitalismo como tarefa

19 ago

Há uma crise econômica, política e social instaurada no capitalismo mundial. É uma crise que parte de razões econômicas, aprofunda-se em razões sociais e desemboca em uma grande crise política. Os retrocessos nos direitos sociais são reflexos diretos da crise econômica, e a imposição desses retrocessos cria uma crise de representatividade em boa parte da Europa.

A doença do capitalismo parte de sua nova face, o descontrole financeiro, mas é também reflexo de sua essência: o individualismo e a competição. É a mais recente forma capitalista representando, em sua crise, a crise de todo o sistema, em qualquer de suas facetas. Cria-se então um encadeamento de fatores que tem levado as pessoas às ruas e praças para ocupar os espaços públicos e exigir mudanças. Mas que mudanças serão estas?

De formas diferentes e em medidas variáveis os movimentos que se espalham pelo planeta possuem caráter anticapitalista. Ainda que em alguns casos seja possível que a consciência anticapitalista não esteja definitivamente criada, o combate é a elementos dos quais o capitalismo não pode se livrar, mesmo que possa os tornar menos relevantes dentro do contexto geral.

Nesse momento de crise e crítica ao sistema ou a alguns de seus elementos essenciais é preciso que a esquerda esteja pronta para propor alternativas. Essas alternativas não podem passar por novas reformas, novas medidas paliativas. O combate precisa ser à doença, e deve passar pela fundação de um novo corpo social e político, saudável, livre dos sintomas mas também livre da doença maior. São essas propostas que vão dar rumo claro e consciente aos movimentos contestadores que aí estão, e os poderão tornar efetivamente transformadores, instrumentos de mudança profunda e radical.

O texto acima é o editorial da 25ª edição do Jornalismo B Impresso, que já está sendo distribuída em Porto Alegre. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Um momento decisivo

3 jun

A mídia contra-hegemônica começa a ensaiar espaços de organização que refletem o aprendizado acumulado nos últimos anos de expansão de blogs e redes sociais. Com as possibilidades abertas pela eminente popularização da internet, muda toda a lógica comunicacional. Essa nova lógica está sendo construída ao mesmo tempo na teoria e na prática. O entendimento sobre o que está se formando só pode ser alcançado com uma participação ativa nesse processo revolucionário vivido pela mídia. Vivemos um momento decisivo.

Nesse contexto, tivemos recentemente em Porto Alegre o Encontro de Blogueiros e Twitteiros do Rio Grande do Sul, nascido a partir do Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que aconteceu em São Paulo no ano passado. Outros encontros se espalham pelo Brasil, tendo sempre por linha condutora o debate sobre a democratização da mídia. No caso do Rio Grande do Sul, o combate ao discurso único, antidemocrático e antipopular da mídia dominante, dos grandes conglomerados de comunicação pautou as discussões.

Em que pese alguns problemas – especialmente a às vezes excessiva ligação partidária – encontros como o BlogProgRS são fundamentais para que o trabalho coletivo se efetive através de debates diretos e construções diretas de novos entendimentos sobre o nosso papel como comunicadores e militantes da democracia midiática.

Os painéis do encontro gaúcho apontaram possíveis caminhos e serviram para integrar os agentes e sintonizar as pautas que mais nos impõem desafios nesse momento. O momento é este. Quem se mantiver à parte dessa construção – que ocorre em diversos meios, instâncias e formas – estará alijado do processo corrente de construção de uma nova democracia, que passa necessariamente por uma mídia democratizada, e será atropelado pela nova ordem mundial, alicerçada na intervenção virtual – mas real – sobre os grandes temas.

O texto acima é o editorial da 21ª edição do Jornalismo B Impresso, a edição da primeira quinzena de junho, que será distribuída em Porto Alegre na próxima semana. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

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São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Um ano de Jornalismo B Impresso

20 mai

Há exatamente um ano o Jornalismo B Impresso começava a circular. Desde a primeira edição a tentativa tem sido criar um espaço onde o jornalismo independente – de esquerda – tenha vozes. Vozes, no plural, porque a pluralidade de pensamento é uma característica da esquerda e do jornalismo verdadeiramente independente e contra-hegemônico.

É no conjunto de vozes diversas que o Jornalismo B busca debater os grandes temas nacionais e internacionais construindo discursos e subjetividades diferentes dos totalitários e anti-democráticos pontos de vista da mídia dominante. É objetivando essa construção que, de forma apartidária e independente, mas com indispensável sentido político, temos apresentado conteúdo amplo sob os mais variados temas e perspectivas da esquerda.

Para aprofundar o trabalho desenvolvido no blog, que completará, em outubro, quatro anos falando sobre a mídia brasileira, o jornal tem contado com a colaboração de muitos militantes, a começar pelas pessoas que cedem seus trabalhos para abrilhantar este espaço. Os assinantes e as parcerias são fundamentais para a sustentação financeira do jornal. Todas as pessoas que divulgam o Jornalismo B Impresso ou apóiam esta publicação das mais diversas formas estão, impreterivelmente, contribuindo para que a mídia independente se fortaleça.

A superação, aqui, da mídia como único tema – ao contrário do que acontece no blog – não faz com que percamos o foco na importância do debate sobre a comunicação brasileira. Este é o mote fundamental, mas, no Jornalismo B Impresso, vem acompanhado de conteúdos que abordam diretamente política, cultura, meio-ambiente, História, fotojornalismo, etc. Assim, em um trabalho coletivo, amplo e plural, vamos construindo um novo discurso. O primeiro ano de jornal, que se completa aqui, foi apenas uma etapa da nossa participação nesse caminho.

O texto acima é o editorial da 20ª edição do Jornalismo B Impresso, a edição da segunda quinzena de maio, que já começou a ser distribuída em Porto Alegre. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

Assine o Jornalismo B Impresso e contribua para o crescimento e fortalecimento da imprensa independente.

Registramos ainda o apoio, nessa edição, do DCE-UFRGS, do DACOM-UFRGS e da livraria Letras e Cia (Osvaldo Aranha, 444, Porto Alegre).

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O Norte da África também é aqui

11 mar

O texto abaixo é o editorial da 15ª edição do Jornalismo B Impresso, a edição da primeira quinzena de março, a primeira de 2011, que ser distribuída em Porto Alegre na próxima semana. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

Assine o Jornalismo B Impresso e contribua para o crescimento e fortalecimento da imprensa independente.

O ano de 2011 começou com mudanças importantes na política mundial. Ao que parece, o tema da nova revolução árabe perdurará por todo o ano, já que seus reflexos seguem se espalhando pelos países da região. Além disso, é fundamental que os desdobramentos internos em cada uma das nações que participam desse processo sejam acompanhados de perto. É o que faremos no Jornalismo B, e é por entender a importância política deste momento que a nossa primeira capa em 2011 é dedicada à forma como a mídia brasileira tem realizado a cobertura desses acontecimentos, no caso com foco no Egito.

Para o Jornalismo B Impresso, cuja primeira edição circulou em maio passado, 2011 é um ano de afirmação do que deu certo e de algumas novidades. Aprofundamos o ineditismo dos textos do jornal e conseguimos fixar uma espécie de “redação”. De forma mais ou menos fixa, escreverão no jornal durante o ano Rodolfo Mohr, Tiago Jucá, Wladymir Ungaretti, Rodrigo Cardia e Mirgon Kayser, este último com coluna estreando nesta edição. Além disso, seguem as charges do brilhante Santiago e o foco na crítica de mídia, além de colaborações de outros grandes nomes da comunicação e da militância nacionais.

Este primeiro Jornalismo B Impresso do ano, conectado com as lutas no Norte da África, não esquece a cobertura do fundamental processo bolivariano na América Latina. A vereadora Fernanda Melchionna passou alguns dias na Venezuela, e apresenta aos leitores do Jornalismo B um relato sobre o que viu por lá. Nada de praias paradisíacas ou edifícios modernos. Fernanda relata a participação e politização do povo venezuelano, a revolução em andamento.

Acompanhando de perto o que acontece nos outros países da América Latina ou no Norte da África, ajudamos a construir a revolução brasileira. Se as dinâmicas locais não podem ser reproduzidas, servem de exemplo para as outras nações, e o Jornalismo B Impresso pretende ser mais uma voz a lutar para que também no Brasil tomemos conhecimento dos processos internacionais e, de alguma forma, lutemos nós também pela nossa própria autonomia como nação e como povo.

Postado por Alexandre Haubrich

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Editorial de Zero Hora defende propriedade cruzada na mídia. Por quê?

31 jan

A imprensa deve operar em defesa da sociedade ou de seus interesses privados? O interesse financeiro e empresarial dos veículos de mídia deve estar acima do interesse público? Estes interesses empresariais devem ser omitidos da sociedade? A mídia, com sua função irrevogável de instrumento de educação e conscientização, tem ou não a obrigação da transparência? Estas são algumas das perguntas que se impõe quando, em seu corpo de reportagens ou em seus editoriais o jornal Zero Hora defende seus próprios interesses comerciais sem apontá-los como tais.

Nesta segunda-feira, mais um editorial corporativista, e que não admite qual a corporação que defende. Defende diretamente os interesses do próprio Grupo RBS e empresas de mídia similares, que concentram a informação da mesma forma que acontece em tantos outros setores da economia capitalista, mas com um agravante: os elementos educacionais, informativos e ideológicos que fazem parte da comunicação. O texto é uma defesa aberta da propriedade cruzada dos meios de comunicação, em um texto que não explica as implicações desta prática, e, menos ainda, explica os interesses do Grupo RBS que estão em jogo nesse debate.

O primeiro parágrafo do texto diz assim:

Ao que tudo indica, sairão de cena velhos ranços ideológicos, entre os quais a campanha pelo veto à propriedade cruzada de veículos de informação e a obsessão pelo controle social da mídia, e entrarão em discussão temas objetivos como a própria liberdade de imprensa, a qualidade dos conteúdos e o cumprimento rigoroso dos preceitos constitucionais.

Depois de ser definida como “ranço ideológico”, a ideia das limitações à propriedade cruzada é classificada como “discurso radical que flertava com o autoritarismo”, “impasse ultrapassado” e “visão retrógrada”. Depois, o editorial afirma, se referindo à internet, que “ao mesmo tempo em que torna urgente a revisão do marco regulatório do setor, já propicia a tão falada democratização dos meios, que é regulada pelo próprio mercado”. Ah é?

Segundo o site do Grupo, a RBS é formada por “18 emissoras de TV aberta, duas emissoras de televisão comunitária, uma emissora segmentada focado no agronegócio, 25 emissoras de rádio, oito jornais diários, quatro portais na internet, editora, gráfica, gravadora, empresa de logística, empresa de marketing e relacionamento com o público jovem, participação em empresa de mobile marketing, e fundação de responsabilidade social”. Por que será que defende a propriedade cruzada dos meios de comunicação? AQUI no Jornalismo B tivemos, em 2009, um post sobre uma audiência pública chamada pelo Ministério Público para discutir o monopólio da RBS no Rio Grande do Sul. O fim da propriedade cruzada acabaria com boa parte do problema rapidamente.

Nos EUA, na França e no Reino Unido a propriedade cruzada é limitada (leia AQUI como funciona por lá). São países que a grande imprensa brasileira adora usar como exemplos de sociedades civilizadas para afirmar coisas como “se lá é assim, por que não aqui? Estamos atrasados”. Porém, nesse caso, é claro que o editorial de Zero Hora esqueceu de contar como funciona em outros países.

Finalmente, sobre as implicações gerais do fim da propriedade cruzada, omitidas pelo tal editorial, podem ser resumidas em uma palavra: democratização. Outra expressão sempre distorcida pela mídia dominante também explica bem o caminho que o fim da propriedade cruzada pode ajudar a trilhar: liberdade de expressão. O raciocínio é muito simples: comunicação descentralizada -> mais vozes no espectro midiático -> mais gente com liberdade para falar -> mais democracia.

Postado por Alexandre Haubrich

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