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Ditadura da beleza, o massacre da mídia

2 nov

Produzido por Fernanda do Valle, documentário sobre a influência da mídia nos transtornos alimentares. Entrevista com a nutricionista Marle Alvarenga, mestre e doutora em nutrição humana pela USP.

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Allende vive – Twitter fura bloqueio midiático à História

12 set

Em 11 de setembro de 1973 se encerrava um governo popular, socialista e democrático que trazia belas perspectivas ao Chile e à América Latina. No mesmo dia, no mesmo lugar, tinha início a mais sangrenta ditadura que o continente americano já viveu. O Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, era bombardeado pelos golpistas aliados ao governo norte-americano, morria Salvador Allende e chegava ao poder o general Augusto Pinochet. Na ditadura instaurada a partir daí, e que durou até 1990, calcula-se que tenham sido assassinadas mais de 50 mil pessoas, além de a tortura ter sido prática comum.

No último domingo completaram-se 38 anos da morte de Allende e da ascensão de Pinochet, e um silêncio doído tomou conta da mídia hegemônica brasileira. No Fantástico, da Rede Globo, e no Domingo Espetacular, da Rede Record, nenhuma palavra, nenhuma lembrança sobre a morte de Allende ou sobre as tantas violências que daí decorreram. A morte de Allende foi uma pequena morte para o povo chileno.

Enquanto sua revista semanal silenciava sobre o Chile, a Rede Globo fez, durante toda a semana, uma enorme cobertura do “outro” 11 de setembro, o mais recente, no qual morreram quase 3 mil pessoas nos Estados Unidos.

É inegável a importância histórica do 11 de setembro norte-americano. Um ataque diferente do usual, em um país que nunca fora atacado nessa escala, e que deu início a mudanças profundas pelo mundo, começando pelo avanço da xenofobia contra os povos árabes e muçulmanos e chegando, é claro, aos centenas de milhares de civis assassinados pelos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque. Além disso, a data redonda (dez anos), ao contrário dos 38 da morte de Allende e do Golpe no Chile, justificam efetivamente uma cobertura maior.

Porém, 25 minutos tratando dos acontecimentos em torno do World Trade Center e nenhum instante para falar de Allende e Pinochet é uma distorção histórica grave. Como disse acima, o bombardeio ao La Moneda deu início a uma forma de terror ainda mais grave do que o terrorismo da Al Qaeda: a situação em que o Estado, representação institucional da sociedade, aterroriza a própria população que deveria proteger. Foi parte de uma estratégia internacional, com particularidades locais, de combate aos governos progressistas – muitos nem tanto – que se espalhavam pelo mundo. Quase toda a América Latina foi, no mesmo período, violentada por Ditaduras Militares apoiadas pelos Estados Unidos, e o Chile foi a expressão máxima da repressão e da violência de Estado, além de ver morrer uma das lideranças mundiais mais importantes daquele contexto de avanço democrático popular.

Tudo isso foi ignorado pela grande mídia brasileira, mas não pelas redes sociais. Durante uma boa parte do dia a hashtag (etiqueta, ou marcador) #AllendeVive esteve entre a segunda e a terceira colocação entre as expressões mais citadas no Twitter. Algumas pessoas relatavam não saber bem o que significava ou quem fora Allende, e acabaram se informando por ali. O bloqueio midiático à História foi furado mais uma vez.

* O último discurso de Salvador Allende:

* Documentário do cineasta Ken Loach, traçando um paralelo entre os dois 11 de setembro, 1973 e 2001.

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A Ditadura escondida e a Ditadura revelada

31 mar

Os dias 31 de março e 1º de abril de 1964 ficarão para sempre marcados na história brasileira como as datas de inauguração da nossa Idade das Trevas. O Golpe Militar que enterrou de uma vez os pequenos suspiros democráticos que tínhamos no país – assim como temos hoje, apenas suspiros de democracia, mas ao menos podemos suspirar – aprofundou-se em 1968 com o AI-5, e aí todos sabemos o que aconteceu: repressão aberta, torturas, assassinatos, sequestros, ódio a todos os tipos de liberdade, etc etc etc.

A Ditadura Militar brasileira durou até 1985, e contou com a colaboração direta ou indireta de grandes empresários, entre eles alguns dos principais empresários da comunicação brasileira. Hoje, quando se discute cada vez com mais veemência a necessidade de revisar-se a Lei da Anistia – que deixou impune torturadores e assassinos – e abrir-se os arquivos secretos da Ditadura – a verdade sobre o próprio Estado e a própria História é um direito fundamental de todo cidadão – estes mesmos grupos de comunicação que, de uma forma ou de outra, colaboraram para a continuidade da Idade das Trevas brasileira, obviamente se retraem.

A cada vez que esse debate ganha corpo, ou a velha mídia brasileira se esquiva ou fala em revanchismo para descaracterizar a simples e óbvia luta pela verdade e pela punição de criminosos do mais alto grau. As razões também são simples e óbvias: além do suporte dado por alguns desses veículos aos militares e seus aliados civis, também muitos atuais patrocinadores da grande mídia injetaram muito dinheiro para manter o regime ditatorial no Brasil. E também lucraram com isso.

Já que, portanto, desse mato não sai cachorro, cabe aos comunicadores alternativos gritarem ainda mais alto em defesa do verdadeiro fim da Ditadura. Esse fim só acontecerá quando enterrarmos nossos mortos e deixarmos de admitir a tortura, a opressão estatal, a violência policial e os assassinatos cometidos pelo Estado – ontem e hoje. A mobilização nos blogs e nas redes sociais tem sido significativas, e o governo, em algum momento, terá que dar resposta aos apelos da sociedade organizada que pretende representar, ou se tornará dispensável.

Ao mesmo tempo, vemos, com relação à revelação da nossa verdadeira História, a proliferação de livros sobre a nossa Idade das Trevas. Jornalistas, sociólogos, historiadores e outros interessados têm escrito obras de grande qualidade que ajudam a compor a acusação que todos nós fazemos contra os agentes da Ditadura Militar. Clássicos que abordam o tema sob diversos ângulos, como “1968 – o ano que não terminou”, de Zuenir Ventura, ou a série de trabalhos de Élio Gaspari, unem-se a muitos outros esforços nesse sentido. AQUI uma lista interessante.

Destaco, porém, uma leitura recente: “Operação Condor – o sequestro dos uruguaios”, de Luiz Claudio Cunha. O jornalista, que era chefe da sucursal de Porto Alegre da então combativa revista Veja, testemunhou o início de um dos inúmeros sequestros da Operação Condor, que integrou a repressão política na América Latina. A partir daí, Luiz Cláudio Cunha e os fotógrafos Ricardo Chaves e J. B. Scalco tornam-se personagens de uma impressionante história de investigação que resultou na sobrevivência dos uruguaios Lílian Celiberti e Universindo Diaz, na verdade os únicos sobreviventes que a Operação Condor teve que tolerar. Através de relatos e pontos de vista diversos, Luiz Cláudio Cunha reconta esse caso, e, talvez sem querer, vai além: retrata de forma ampla a forma como a Ditadura brasileira agiu durante todos aqueles anos. Como diz na contracapa o jornalista Juca Kfouri, “penetra fundo na podridão de toda uma época e amplia, com a visão de historiador, a cena de um humilde apartamento gaúcho que bem poderia se chamar Brasil, ou melhor, América do Sul”.

Postado por Alexandre Haubrich

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A ditadura do pensamento único

18 mar

A comunicação é um direito universal. Todo ser humano deve ter assegurado o direito a se comunicar. As instituições que organizam a sociedade, todas criadas pelos próprios seres humanos em suas relações, precisam atuar para garantir direitos como esse. Em última instância, tudo o que as pessoas fazem durante sua vida é comunicar-se. A comunicação é a própria expressão do ser e, por isso, um ser humano só é respeitado como tal quando tem pleno direito a se comunicar. Porém, esse direito é diretamente atacado quando uma dezena de famílias decide tudo o que pode ser dito. É o que acontece no Brasil.

Os meios de comunicação têm por função primeira expandir o direito à expressão de forma que as palavras que dizemos alcancem mais do que permite a limitada voz humana. Por que alguns tem mais direito à voz do que outros? O que faz com que famílias contáveis nos dedos das mãos detenham a totalidade do direito de comunicar-se com um grande número de pessoas ao mesmo tempo, enquanto esse grande número de pessoas tem direito de comunicar-se apenas até onde sua voz humana permite? No Brasil, quem decide quem pode o que é o dinheiro e a influência política que os indivíduos detém.

As famílias Marinho, Civita e Frias controlam quase toda a mídia brasileira. O que não está nas mãos da tríade sagrada se divide entre outras poucas famílias, como os Sirotsky e os Mesquita. São os grupos empresariais comandados por esses sobrenomes que decidem tudo o que é publicado e divulgado. Toda a informação circula no país a partir do que essas famílias pensam ser relevante. Seus critérios editoriais constroem o imaginário coletivo, constroem e reconstroem a cultura, moldam a política, definem os rumos que a sociedade brasileira toma.

O espaço para o contraditório não existe. As redações dos jornais brasileiros, assim como as equipes dos mais diversos programas de qualquer das emissoras de televisão, não são independentes. Trabalham sob regras empresariais, não em direção a interesses sociais. Qualquer desvio de caminho é rapidamente corrigido através de reprimendas ou demissões.

A internet é um espaço que ainda pode ser tomado por comunicadores independentes. O fortalecimento dos blogs e das redes sociais vem trazendo novas possibilidades de fala a quem antes só podia ouvir. Mas o alcance dessas vozes ainda é muito limitado, o acesso ainda não está democratizado e o caminho a percorrer no aprendizado sobre a utilização efetiva da web é longo e feito de muitos tropeços. A televisão e os jornais ainda são os principais meios de comunicação e expressão.

A televisão teve a maior parte de seu espectro distribuído politicamente durante a presidência de José Sarney. Foi uma farra das concessões, foram beneficiados aliados políticos por todo o Brasil, fortalecendo a união entre caciques partidários e a mídia, encarcerando a comunicação e a livre expressão. Essas concessões não são revistas, embora muitas emissoras descumpram as funções sociais básicas destinadas a elas pela lei. As renovações são praticamente automáticas, tudo às escondidas da sociedade organizada.

Criou-se, dessa forma, uma falsa noção de normalidade e legalidade em uma situação absolutamente anormal e ilegal. As pessoas não sabem que as empresas de comunicação devem satisfações à sociedade. O plim plim virou um pedaço de cada brasileiro sem que a grande maioria desses brasileiros saiba que tem direitos em relação ao plim plim. As concessões são públicas, e é a sociedade, através de sua instância organizativa – o Estado – que tem o direito e o dever de escolher o que pode e o que não pode ser veiculado. Mas, apoiada em um discurso enganoso, a própria mídia impregnou o imaginário da ideia de sua legitimidade e de seus poderes ilimitados. A mídia brasileira não é uma terra sem lei. É uma terra onde uma dezena de famílias decide quais as leis e as aplica conforme for conveniente.

Todas as grandes empresas brasileiras de comunicação são diretamente sustentadas por grandes grupos empresariais de outras áreas. São as elites econômicas, aliadas às elites políticas, lutando pela manutenção de seu status social diferenciado, superior, dominante. Financiadas pelos mesmos grupos e direcionadas no mesmo interesse fundamental, as grandes empresas de mídia, ainda que tenham variações qualitativas temporais ou umas em relação às outras, afinam o discurso para construírem juntas o mesmo pensamento social. É o discurso único, sempre formulado a partir de parâmetros individualistas, competitivos e alienantes.

Com a mídia concentrada nas mãos de tão poucos, e considerando-se que estes poucos produzem, ainda que com variações, o mesmo discurso, aqueles muitos que já não tinham o direito de se comunicar com outros muitos – por não terem acesso à veiculação de conteúdo em veículos de mídia –, perdem também o direito a expressarem suas próprias opiniões aos parentes, vizinhos e amigos. Isso porque perdem a autonomia até para pensar. A voz que sai de sua boca já não é sua. Transformam-se todos, em diferentes níveis, em bonecos de ventríloquo, sentados no colo das poucas famílias que mandam no Brasil e nos brasileiros. Está constituída a ditadura.

*Artigo publicado originalmente no Canal VMTV.

Postado por Alexandre Haubrich

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No Brasil existe censura, sim

16 fev

O artigo a seguir é uma colaboração especial de Rodrigo Cardia*

Sabe-se que as relações de força nunca se reduzem a relações de força: todo exercício de força é acompanhado por um discurso que visa legitimar a força de quem a exerce; pode-se mesmo dizer que é próprio de toda relação de forças dissimular-se como relação de força e de só ter toda sua força na medida que ela se dissimula como tal. Em suma, para falar simplesmente, o homem político é aquele que diz: “Deus está conosco”. O equivalente de “Deus está conosco” é, hoje em dia, “a opinião pública está conosco”. – Pierre Bourdieu

Quando se fala em qualquer iniciativa que vise à democratização da imprensa no Brasil, a mídia corporativa reage com o velho brado: “querem ressuscitar a censura!”. O mesmo é utilizado quando se fala em regular a programação da televisão, para que os programas sejam adequados aos horários em que são exibidos.

Porém, ela reage assim para esconder o fato de que a censura continua a existir no país. Só que ela é diferente daquela da época da ditadura militar. Naqueles tempos difíceis, a censura era política, pois era fruto do abuso do poder político. Hoje, ela é econômica.

Esse tipo de censura nos atinge muito mais do que pensamos. Jamais veremos, por exemplo, algum dos principais jornais do Brasil publicar matérias que demonstrem o quanto melhor para a cidade – e mesmo para a saúde humana – é trocar o carro pela bicicleta: basta folhear o jornal e contar os anúncios de revendas de automóveis… A mídia corporativa depende dos anunciantes para sobreviver. Logo, não irá divulgar alguma notícia que prejudique os interesses das empresas que a patrocinam. (E quando uma matéria não é ruim para nenhum anunciante, pode o ser para o próprio dono do veículo de mídia.)

O mesmo raciocínio vale para outras editorias, até a de esportes: a prioridade é dada ao futebol não só porque ele é o esporte mais popular do país, mas também porque “dá mais lucro” (então, dê-lhe matérias de pura “perfumaria”). Assim, outras modalidades têm pouco ou nenhum espaço na mídia corporativa, e o Brasil deixa de ser mais forte em outros esportes, que poderiam fazer de nosso país realmente uma “potência olímpica”. E mesmo se falando de futebol, há censura: o texto que escrevi aqui para o Jornalismo B no mês passado dá uma amostra.

Mas essa censura é mais ampla. Pois além de limitar o que é noticiado pela “grande imprensa”, também sufoca a mídia alternativa, que sobrevive (quando consegue sobreviver) com muitas dificuldades, e poucos patrocinadores. Assim, ela não consegue atingir o mesmo número de pessoas que a mídia corporativa.

E, em alguns momentos, ela é um pouco mais perceptível como censura, mas travestida de “ação judicial”. É o que acontece com alguns blogueiros cujas opiniões não agradam a certas pessoas, que tentam calar as vozes divergentes via processo. Usar o poder econômico contra um blogueiro (que geralmente não tem condições de contratar algum dos melhores advogados para sua defesa) ao invés de deixar um comentário discordando é mais sedutor para quem não tem lá muito apreço pela democracia.

Porém, a maioria das pessoas não percebe a existência desse tipo de censura no Brasil. É exatamente por isso que ela é muito mais eficaz: pois usa a máscara da “democracia”. Tem-se a ilusão da liberdade, e a mídia corporativa colabora decisivamente para que isso se mantenha: por sua insistência em apresentar-se como “imparcial” – utilizando-se de uma nebulosa entidade chamada “opinião pública” (que segundo Pierre Bourdieu, “não existe”) para justificar o viés dado a cada notícia –, é vista como “autoridade” por muitas pessoas, logo, detém um poder simbólico sobre elas, que só acreditam que determinados acontecimentos são reais se noticiados em certos jornais ou revistas. Popularmente, isso corresponde à expressão utilizada por muito tempo em Porto Alegre em relação ao jornal Correio do Povo: “se deu no Correio, é verdade”.

Como já disse, a censura era política, pois era fruto do abuso do poder político. Hoje, ela é econômica devido ao abuso do poder econômico. Elegemos parlamentares, prefeitos, governadores e até presidentes, mas a maioria deles se submete à vontade de grandes corporações e organismos como o FMI – e não nos é dado o direito de escolher quem comanda tais entidades.

*Rodrigo Cardia é historiador, autor do blog Cão Uivador.

As ditaduras do bem (?) – o Egito e a mídia brasileira

3 fev

O artigo a seguir é uma colaboração especial de Mirgon Kayser*

Não é simples – ou talvez seja! – compreender o efeito dominó que assistimos nas últimas semanas: Uma onde de protestos derrubou o então ditador da Tunísia, Ben Ali – fato que, por si, já faz história. Ben Ali tornou-se o primeiro líder árabe da história a ser derrubado pela vontade popular. Em seguida, vemos o Egito em um surpreendente levante contra o regime de ferro de Hosni Mubarak, o qual – pelo bem do próprio Egito – espera-se que caia nas próximas semanas. A terceira peça a balançar é o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh. Saleh, é provável, não deverá sustentar mais seu regime de pé.

Sob os pontos de vista humanitário, humanista, democrático, é evidente que esse processo, embora ceifando vidas, gerando caos e tensão, trará o alvorecer de novas sociedades nesses países. Os regimes ditatoriais podem ter os mais variados formatos, mais ou menos liberdade, mais ou menos pobreza, mais ou menos violência. O único elemento de que nenhum deles prescinde é o medo. Somente através do medo, um punhado de homens pode controlar a seu bel prazer o destino de milhões. Tunisinos, egípcios e iemenitas perderam justamente aquilo que lhes tolhia, que lhes calava: o medo.

Quem dera todos os povos do mundo que estão sob o tacão ditatorial de um punhado de “iluminados” pudessem ser alcançados por esse efeito dominó, por esse antídoto contra o medo, pelo exemplo de tunisinos, egípcios e iemenitas. Infelizmente, ainda não será em 2011 que decretaremos a erradicação dos regimes totalitários, sejam eles de direita, de esquerda, ou de ideologia alguma. Mas o efeito dominó pode ir longe: o regime chinês – que de ditadura de esquerda migrou para uma ditadura capitalista – teme que os efeitos cheguem ao seu imenso país continental e já determinou o bloqueio da palavra “Egito” nos sites de busca na internet. Nenhuma página que contenha a palavra Egito pode ser acessada dentro do território chinês. Parece que o medo não é uma via de mão única…

O mundo – leia-se a população do mundo – vê com certa angústia os acontecimentos no Oriente Médio, mas existe certo consenso popular de que eles estão corretos, mesmo no que costumamos chamar de “excessos”. Não existe homem ou mulher no mundo de hoje que não esteja acompanhando os acontecimentos com ares de torcedor. Quem não flagrou-se, pelo menos uma vez, tendo movimentos musculares involuntários de ajuda para virar um carro – ou arremessar algum objeto contra as forças de Mubarak – durante os noticiários da TV que cobrem a crise no Egito, tal qual é comum acontecer quando assistimos a uma partida de futebol?

Infelizmente, essa revolução no mundo árabe, tão aplaudida por todos os que desfrutam da democracia – mesmo que ainda não em sua plenitude – e também aplaudida e desejada por todos aqueles que ainda a vêem por trás dos ombros de seus opressores, não é bem vinda para todos.

Durante os oito anos em que Lula foi presidente do Brasil, a imprensa foi bastante dura e não mediu palavras para criticar as boas relações do Brasil com Cuba e Irã, por exemplo. Não houve oportunidade em que as emissoras de televisão e os jornais impressos e digitais tenham deixado de emitir opiniões – muitas vezes forçadas – sobre como Lula não fazia oposição à Fidel e Ahmadinejad.

Causou-me estranheza o comportamento de grandes emissoras como a Rede Globo, sempre tão prestativa na defesa da democracia, em silenciar sobre o comportamento das grandes potencias mundiais no que diz respeito ao Egito. Pelo contrário, as primeiras noticias veiculadas na grande imprensa davam conta apenas de protestos relacionados à crise econômico que o Egito está mergulhado e sobre como Mubarak poderia “restabelecer a ordem e dar estabilidade ao governo”.

Claro que minha estranheza tinha algo de cínico, sarcástico, já que eu jamais esperaria que a nossa grande imprensa fosse pedir a cabeça de Mubarak com a mesma energia com que pede a queda de ditaduras como a cubana, a iraniana ou norte-coreana. No fundo, o que importa são os interesses. Fosse o regime cubano “queridinho da América”, e nossa grande imprensa o defenderia ao limite extremo da falta de argumentos.

Antes de ser um ditador, Mubarak é um aliado de Israel e dos Estados Unidos. Israel, a mesma Israel que possui um campo de concentração chamado Faixa de Gaza, em que “guarda” o povo palestino e sobre o que a grande imprensa brasileira sempre silencia, teme a queda de Mubarak. Para Israel, a ditadura de Mubarak serve aos seus interesses, não importa se o regime é totalitário, não importe se o povo egípcio sofre com a mão pesada de Mubarak sobre suas cabeças, vidas e consciências. Mubarak impede que os muçulmanos conquistem poder no Egito e, de quebra, é um importante parceiro político na região.

Por argumentos semelhantes, os Estados Unidos nunca implicaram com o regime egípcio. Israel e Egito são os grandes parceiros dos Estados Unidos em toda aquela região. Os mais confiáveis, os mais fiéis, os mais presentes e os que possuem mais interesses comuns. Por qual razão haveria os Estados Unidos de pedir a cabeça de Mubarak? Se Mubarak vier a cair – e cairá, ao que tudo indica – não será nenhuma surpresa se o Egito passar a ser um país pouco quisto pelos governantes estadunidenses. Afinal, é melhor uma ditadura que me sirva do que uma democracia que eu não controle! Para que serve uma democracia que não posso controlar? Esse é o pensamento estadunidense e o amor por Mubarak passa exatamente por esse ponto. E o povo egípcio que se lixe.

É como se existissem as ditaduras “do mal” e as ditaduras “do bem”. Não existem ditaduras do bem ou do mal. Existem apenas ditaduras – e todas elas devem tomar, mais cedo ou mais tarde, o mesmo caminho da desintegração. Como disse certa vez o ex-deputado Marcos Rolim – não nestas palavras exatas, mas com esse significado, não adiantará que se faça o melhor governo já visto, se isso não significar aumento da participação democrática da população nos destinos da sociedade.

Nossa imprensa, como sempre, apresenta seu viés ideológico nessas situações onde claramente interesses polarizam-se e o juízo de valor emitido por ela não se desloca em torno daquilo que nos parece o mais correto e sim, em torno daquilo que é mais vantajoso aos interesses que cruzam-se com os dela. Existe um alinhamento ideológico entre a nossa grande imprensa e os Estados Unidos – e natural que seja assim, defendem o mesmo tipo de sociedade.

O que é realmente ultrajante é que sigam fazendo o discurso dos arautos da democracia. A democracia que lhes interessa, só se for. Democracia em Cuba é pra ontem, no Egito é melhor estabilizar a ditadura. Como assim? Toda ditadura, por excelência, seja ela de esquerda ou de direita, é nefasta ao desenvolvimento da humanidade. Vivemos em sociedade – o que significa que somos senhores de nossas vidas, com o componente condominial da vida em sociedade, o qual chamamos de Estado e outorgamos certos poderes para que possam administrar corretamente nosso condomínio social. Essa é a famosa afirmação de que “o poder emana do povo”. Não emana do povo porque é o povo quem elege seus representantes, emana do povo porque é a outorga de parte de seus poderes naturais e inalienáveis como seres humanos, direitos que deveriam ser adquiridos universalmente ao nascimento em qualquer lugar.

Pela força, um punhado de homens durante a história da humanidade extirpou a carga total de poder de milhares e milhões a sua volta, tomando-o para si, como se fossem realmente deles. Pela maior parte de nossa história, vivemos dessa forma – tanto tempo que até esquecemos exatamente o sentido do que é o Estado, a sociedade, os governos. Tanto tempo de poder extirpado que nos parece absolutamente natural que os governantes determinem nossos destinos – quando deveriam somente executar nossa vontade.

A experiência democrática tem, pouco a pouco, devolvendo aqui e ali, a consciência sobre o que é a sociedade e a quem pertence o poder e a responsabilidade de construí-la. Por óbvio, os ditadores e os herdeiros desses espólios farão força para continuarem exatamente onde estão – e para isso contarão com seus aliados, inclusive aqueles que se dizem defensores da democracia. Contarão também com a simpatia sonsa da imprensa de outros tantos países que preferirão falar sobre como o exército defendeu o Museu do Cairo e sobre como Mubarak estabiliza o Oriente Médio, do que falar sobre como o Egito pode ser melhor num regime democrático, sobre como os tunisinos fizeram história e sobre como será a vida dos iemenitas sem seus opressores.

Nossa imprensa tem muito a aprender sobre democracia, sobre liberdade de expressão e sobre responsabilidade de imprensa. Nossa imprensa ainda confunde ditaduras com governos estabilizadores, quando na verdade são ceifadores de consciências. Confunde wikileaks com espionagem, quando é na verdade o bom e velho direito de imprensa e de informar à população o que está acontecendo. Confunde a avaliação do que são informações relevantes, segundo seus interesses comerciais (por exemplo: quem viu a Globo noticiar que Débora Secco responde processo por formação de quadrilha e desvio de dinheiro público junto com seu pai e com Anthony Garotinho? Eu não vi). Confunde democratização da informação e regulação da mídia com censura.

Logicamente que a nossa grande imprensa “confunde” isso tudo com o mesmo cinismo e sarcasmo com que eu estranho suas posturas. Mas como escrevi a um tempo atrás, tudo tem sua hora – e o réquiem para a grande mídia já foi composto, já aguarda esse gigante moribundo. Esse dominó mais cedo ou mais tarde alcançará também seus apoiadores. Não há mais lugar no mundo para ditaduras – sejam elas de Estado, sejam elas de informação.

E todo apoio aos egípcios!

*Mirgon Kayser é editor do Blog do Mirgon

O mal a evitar

27 set

No mesmo dia, o último domingo, os dois jornais mais influentes do país publicaram editoriais contundentes sobre as eleições que se avizinham. Com o mesmo tom e muitas semelhanças, é uma coincidência muito grande, ou é resultado de algum tipo de combinação. Ficam as especulações. O que é fato é que, tomando posições diferentes sobre si mesmos, Folha de S. Paulo e Estadão tomaram a mesma posição sobre a sucessão presidencial, e com ataques pesados.

O Estadão teve uma atitude honrada, mas os meios que usou para esse fim mereceriam outros adjetivos, todos eles negativos. Declarou, nesse editorial, apoio ao candidato do PSDB à presidência, José Serra, como a revista Carta Capital já havia feito com a petista Dilma Rousseff. Até aí tudo bem, é uma decisão questionável, mas ao menos o jornal não se traveste de uma falsa imparcialidade. Dos males o menor.

As justificativas do Estadão para defender Serra, porém, são perigosas, pois, pra começar, praticamente ignoram o candidato tucano. Concentram-se todas em seus adversários petistas, Dilma e o presidente Lula, e não são apenas críticas. São críticas agressivas, que buscam criar um clima de confronto aberto com Lula, um clima pesado que remete a filmes que já vimos, e dos quais não gostamos.

Com o título “O mal a evitar”, o Estadão diz que Lula não gosta de ser criticado, quando na verdade o que aparece é que as críticas ao jornal paulista não vêm sendo bem assimiladas por seus chefões. O editorial dá a entender que o governo não gosta da imprensa, não gosta da liberdade e é um mar de corrupção. Diz que Lula ignora as instituições e atropela as leis, e reconhece no presidente dois aspectos positivos: a manutenção da política econômica de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e o avanço dos programas sociais.

Curiosamente, são os dois aspectos positivos reconhecidos também pela Folha de S. Paulo em editorial do mesmo dia. Com o título “Todo poder tem limite”, a Folha busca, novamente, o poder absoluto para si mesma e para os veículos que, junto com ela, formam a imprensa hegemônica brasileira, e têm trabalhado de forma muito entrosada na atual campanha eleitoral. O tom do texto é o mesmo: fala em “risco”, enquanto o Estadão fala em “mal a evitar”. Diz que o governo “julga-se acima das críticas”, enquanto o Estadão diz que Lula “tem o mal hábito de perder a compostura quando é contrariado”. E por aí vai. Editoriais orquestrados ou coincidência?

O texto da Folha, porém, reafirma categoricamente sua imparcialidade, sua isenção. O jornal se classifica como “imprensa independente”, de forma quase patética, e, no último parágrafo, assusta seus leitores mais atentos ao histórico da imprensa hegemônica brasileira, apoiadora do Golpe Militar de 1964. Como uma ameaça à democracia fantasiada de ameaça ao PT, afirma:

Fiquem ambos (Lula e Dilma) advertidos, porém, de que tais bravatas somente redobram a confiança na utilidade pública do jornalismo livre. Fiquem advertidos de que tentativas de controle da imprensa serão repudiadas – e qualquer governo terá de violar cláusulas pétreas da Constituição na aventura temerária de implantá-lo.

A Folha, que se diz livre, independente e diz possuir “utilidade pública”, ameaça quase abertamente derrubar o governo Dilma que deve se confirmar em 3 de outubro. Só não vê a ameaça quem não quer. A grande imprensa brasileira está à frente de uma cruzada contra os governos federais do PT, e aos poucos deixa de esconder isso, perde a vergonha completamente. Para quem a perdeu 46 anos atrás, não custaria nada perder novamente. Esse é o verdadeiro mal a evitar.

*A capa da Folha de S. Paulo de duas semanas após o Golpe de 64 foi retirada do blog Brasil Autogestionário.

Postado por Alexandre Haubrich

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Caros Amigos entrevista Frei Betto

30 jul

Uma boa entrevista começa com a escolha certa do entrevistado, e passa a seguir pela escala de entrevistadores que conheçam a história e o pensamento daquele. Depois, perguntas bem formuladas e respostas interessantes fazem o sucesso de uma entrevista. Tudo isso convergiu para uma excelente matéria de capa na revista Caros Amigos de julho.

Frei Betto foi inquirido por quatro repórter: Gabriela Moncau, Hamilton Octavio de Souza, Lúcia Rodrigues e Tatiana Merlino. O resultado foram cinco páginas que são uma aula de História política do Brasil e de atualidades dos partidos políticos e movimentos sociais brasileiros.

A entrevista começa com uma extensa retomada da exemplar trajetória de luta de Frei Betto. Seus primeiros passos na lide política, seu interesse pela religião e, principalmente, sua atuação no combate à Ditadura Militar brasileira. As perguntas colocadas são de quem conhece a fundo a história abordada, e preparam o terreno para respostas que, em conjunto, dão uma boa perspectiva do que foi, para os setores aos quais Frei Betto estava ligado, a luta contra a ditadura.

Depois, as questões partem para o afastamento de Betto do PT, partido que ajudou a fundar, e sua ligação sempre próxima com movimentos sociais como a CUT e o MST. A partir daí, o entrevistado e os entrevistadores mostram uma lucidez impressionante quanto ao momento político brasileiro. Os méritos maiores são, é claro, de quem responde, mas colocar as perguntas certas é a única forma de obter respostas interessantes. A entrevista, muito bem conduzida, é altamente recomendável em todos os sentidos.

Postado por Alexandre Haubrich

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Radicalismo offline: Zero Hora diz que internet é desafio à democracia

21 jul

Algum desavisado, que não conheça os métodos da imprensa hegemônica brasileira e que tampouco conheça qualquer coisa sobre internet, pode até acreditar na aberração que é o editorial desta quarta-feira de Zero Hora. O jornal gaúcho usa uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e noticiada segunda-feira pela Folha de S. Paulo para afirmar que a internet é um espaço antidemocrático. Sim, pasmem.

O estudo da FGV mostrou que o debate político em blogs e redes sociais está muito radicalizado, sem espaço para a discussão em alto nível e com grande força nos posicionamentos radicais e intransigentes. Ok, sem oposições ao estudo, que mostra uma realidade que vemos claramente na prática. O problema é a interpretação que o editorial de Zero Hora faz das conclusões da FGV.

A partir de uma ideia (“as comunidades criadas em torno de partidos e candidaturas quase sempre repetem pensamentos estereo-tipados, difundem preconceitos ideológicos ou promovem ataques agressivos”), ZH chega à seguinte conclusão:

Trata-se de um reino em que impera a tendenciosidade e, portanto, a falta de credibilidade. O fato de ser um espaço em que opiniões e informações, corretas ou absurdas, se misturam, em que a difamação pode conviver com notícias verdadeiras, em que o virtual anonimato estimula a calúnia e a covardia online, tudo isso representa um alerta e um desafio ao Brasil e a sua democracia.

Depois dessa conclusão, Zero Hora, afeita ao debate plural, mostra que é apenas ela quem sabe a solução para tornar o Brasil mais democrático: limitação à internet e manutenção da hegemonia e da liberdade de mercado (não de expressão) aos grandes veículos tradicionais.

Com a ajuda dos órgãos de fiscalização, o país precisa transformar esse campo de batalha minado de parcialidades em ferramenta de progresso social e político e na plataforma de um debate saudável, plural e construtivo.

Que sorte a nossa termos a Zero Hora para, de forma plural, saudável e construtiva, definir o que é certo. Não posso acreditar que os editorialistas do jornal hegemônico no Rio Grande do Sul estejam tão desconectados, tão offline. Só resta, então, uma possível motivação para um texto tão duro e difamante contra a internet, os blogs e as redes sociais: medo.

O medo da pluralidade, do livre debate, da opinião divergente, faz com que a grande mídia brasileira comece a tremer frente ao avanço da internet, com todas as possibilidades democráticas que esta oferece. Sejam argumentos bons ou ruins, construtivos ou destrutivos, radicais ou ponderados, fato é que a internet abre espaço para todos os argumentos, de todos os lados.

Com seu poderio econômico, os grupos que já monopolizam o pensamento e as opiniões nas mídias tradicionais têm tentado frear o avanço da diversidade na web. Se vão conseguir, depende da qualidade de conteúdo que as diversas frentes dessa batalha de ideias produzirão. A ditadura do pensamento único pode ser esfacelada, mas precisamos de pensamentos diversos consistentes.

Postado por Alexandre Haubrich

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Pra que (m) serve a tua liberdade?

2 jul

A liberdade que temos é a liberdade que queremos? É a liberdade de que precisamos? Que liberdade é essa? O capital substituiu os militares na ditadura imposta aos brasileiros e, sorrateiro, esconde-se atrás de instituições que, por sua vez, escondem-se atrás de apropriações vocabulares para, sob um manto de liberdade e democracia, disfarçar repressão e totalitarismo.

Um dos setores peça chave nessa nova ditadura é a grande imprensa. Porta-voz dos interesses dos poucos que mandam e oprimem os outros muitos, pensa e age de forma coesa, fechada, sem espaço para a pluralidade, a diversidade e a democracia. Impõe, através do estrangulamento financeiro e da força política, a ditadura do pensamento único.

A própria sociedade, sem perceber, alimenta o ditador que a controla. Tomando como base de informações apenas os grandes veículos, sem buscar também em meios alternativos o contraponto necessário à reflexão, as pessoas obedecem cegamente. Além disso, estimulam os anunciantes a manterem seus investimentos sempre nesses mesmos veículos. Cria-se, então, um ciclo vicioso, no qual cada um acaba cúmplice da ditadura que o oprime e oprime aos demais.

Ao apropriar-se de conceitos como “liberdade” e “democracia” para defender sua hegemonia, a grande mídia esconde o fato de que a única liberdade que defende é a de mercado, liberdade essa que impede todas as outras. Esconde também que a chamada democracia liberal não é democracia. Democracia é poder do povo, ou não é democracia. Democracia não é apenas votar, e liberdade não é apenas poder comprar. Democracia pressupõe liberdades maiores, a começar pela liberdade de pensar e de falar. Ainda falta muito para chegarmos a isso, mas a possibilidade de mudança está sempre nas nossas mãos. Somos os sujeitos da História. Como disse Chico Science, “um passo à frente e você já não está mais no mesmo lugar”.

O texto acima é o editorial da 4ª edição do Jornalismo B Impresso, que na segunda-feira começa a ser distribuída em Porto Alegre. Como você já sabe, os locais de divulgação estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

Para que essa edição saísse com a qualidade que penso ter saído, colaboraram Rodrigo Cardia, na diagramação e com o texto esportivo, Rubem Penz, Tiago Jucá, Rodolfo Mohr e Wladymir Ungaretti, além do Santiago, com a charge, e da EcoAgência. Além disso, agora a livraria Letras e Cia (Osvaldo Aranha, 444) é anunciante do jornal, e está nos apoiando nessa empreitada.

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