Jornalista, ex vereador, deputado estadual e deputado federal pelo PT, Marcos Rolim sempre militou tendo a luta dos Direitos Humanos como principal norte. Na entrevista exclusiva que concedeu ao Jornalismo B, falou sobre violência policial, Copa do Mundo e mídia, e avalia os primeiros 15 meses de governo Dilma sob a ótica dos Direitos Humanos. A seguir, os trechos que tratam da influência da mídia na questão dos Direitos Humanos. A íntegra da entrevista está no Jornalismo B Impresso 35, que está circulando gratuitamente em Porto Alegre. Para assinar o jornal, em qualquer lugar do país, faça contato pelo bjornalismob@gmail.com.
Qual a importância da uma mídia democrática e popular na luta por Direitos Humanos?
Enorme. A mídia constrói a esfera pública moderna, porque pauta a preocupação pública elencando “prioridades” que tendem a ser encampadas pelos governantes sedentos por visibilidade. A mídia também condiciona um tipo de sensibilidade política, sugerindo medidas,demandando investimentos e, sobretudo, não oferecendo espaços para determinadas demandas ou opiniões que contrariam os interesses ou os valores dos donos dos meios de comunicação. As novas possibilidades inauguradas com as redes sociais e com o papel dos blogueiros abrem espaços importantes, mas não constituem – pelo menos por enquanto – alternativas que possam substituir os canais tradicionais de comunicação, destacadamente a TV. Então, penso que a luta pela democratização dos meios de comunicação e a necessidade do Poder Público incidir sobre emissoras de rádio e TV no sentido de assegurar que as concessões públicas sejam de fato públicas, respeitando o disposto pela Constituição Federal, sejam bandeiras muito atuais. O Governo Federal tem sido, tanto quanto no passado, absolutamente omisso neste particular e não foi capaz, até hoje, sequer de moralizar as concessões de novos canais. Mais uma vez, os governantes fazem um cálculo e avaliam que não vale a pena contrariar os interesses dos grandes monopólios de comunicação. Uma lástima.
Que papel tem cumprido a mídia brasileira na questão dos Direitos Humanos? É possível que os mesmos grupos que apoiaram a Ditadura Militar tornem mais democrático o discurso que reproduzem?
Quando falamos em mídia e direitos humanos no Brasil é necessário atentar para a enorme complexidade desta relação. A mídia brasileira tem sido nossa aliada para a denúncia de algumas arbitrariedades praticadas pelo Estado; um apoio que foi e segue sendo decisivo. Por outro lado, há muitos programas na TV e no rádio que violam abertamente os direitos humanos e que reproduzem opiniões preconceituosas e intolerantes. Então, qualquer balanço sobre este tema deve evitar generalizações e estar atento para as possibilidades virtuosas de uma mídia comprometida com a missão civilizatória. Quase toda a mídia brasileira que existia na época da ditadura apoiou os militares. Algumas empresas foram além disto e se prestaram a ajudar materialmente a repressão. Enquanto fizeram este serviço sujo, enriqueceram. Então, este é um tema difícil para a imprensa brasileira que gosta muito de falar em nome da democracia. Mas o fato de alguém ter errado no passado não significa que deverá errar sempre. Acredito sim em um processo de amadurecimento democrático da sociedade brasileira; algo que é muito mais lento do que gostaríamos, mas que também repercute na mídia.
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