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Franklin Martins promete comprar briga por regulamentação da mídia

10 nov

Foi dado o primeiro sinal positivo. O ministro das Comunicações, Franklin Martins, defendeu impiedosamente uma nova política para a radiodifusão brasileira. Franklin discursou na abertura do seminário internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídia, em Brasília, no início da semana.

Algumas declarações do ministro trazem esperança para quem tem lutado nas mais diversas trincheiras pela democratização da comunicação e pelo fim da “terra de ninguém” chamada mídia brasileira. Mostrou-se decidido a enfim fazer esforços para modificar o modelo antidemocrático que temos no país, mesmo que para isso tenha que enfrentar interesses poderosos. “Nenhum grupo tem o poder de interditar a discussão. A discussão está na mesa. Terá de ser feita. Pode ser num clima de enfrentamento ou de entendimento”, disse.

Franklin criticou também a criação de “fantasmas” por alguns grupos, fantasmas esses que arrastam correntes dizendo que o governo ameaça a liberdade de imprensa, de expressão, blábláblá. A matéria do Estadão sobre o assunto diz ainda que “ele quer entregar até o fim do ano um anteprojeto de regulação do setor à presidente eleita, Dilma Rousseff”. Há luz.

É claro que as entidades de mídia – que deveriam representar jornalistas e meios de comunicação em geral, mas representam apenas os grandes conglomerados da meia dúzia de famílias que mandam na comunicação brasileira –, são contra qualquer marco regulatório, contra qualquer movimento do governo ou da sociedade que mexa um milímetro no que temos hoje. Para eles, o interessante é ficar como está, em um contexto de total presença de liberdade de empresa e total ausência de liberdade de empresa.

Em entrevista a TV Estadão sobre o assunto, o jornalista e professor Eugênio Bucci deu algumas declarações interessantes. Disse que não há, vinda do governo federal, ameaça à liberdade de expressão, mas criticou as propostas de criação de conselhos de comunicação em alguns Estados. Em primeiro lugar, porque estes não podem legislar sobre as concessões de rádio e televisão. Além disso – e mais importante – os conselhos não podem, afirma acertadamente Bucci, serem mantidos pelo Poder Executivo. Este deve apenas criá-los e reconhecê-los, mas os conselhos devem ser uma mecanismo de controle social sobre a mídia, não controle estatal. São coisas bem diferentes.

Bucci disse ainda que são quatro as questões principais com as quais as ações para a regulamentação da mídia devem se preocupar: propriedade cruzada – uma mesma pessoa ou grupo dono de jornais, emissoras de TV e emissoras de rádio –; monopólios e oligopólios – grupos que detém uma fatia da publicidade em determinadas regiões que impede a concorrência –; políticos concessionários de rádio e TV – quem tem a obrigação de fiscalizar as concessões acaba sendo o próprio concessionário; e igrejas proprietárias desse mesmo tipo de concessão – o Estado é laico, portanto os critérios adotados nas concessões, públicos, devem ser também laicos.

Sabemos que regulamentação é diferente de democratização. Mas também sabemos que é uma questão delicada, que precisa ser debatida amplamente e de forma responsável. Mas a irresponsabilidade maior é não debater, é manter a situação como está. O debate está começando a engrenar. E, se realmente a posição do governo for de comprar essa briga, a sociedade organizada comprará junto, ainda que saibamos que os entraves serão grandes e o adversário poderoso.

Postado por Alexandre Haubrich

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Somos blogueiros de esquerda

9 nov

Na tarde desta terça-feira um debate muito proveitoso ocorreu no Twitter envolvendo alguns blogueiros e twitteiros de várias partes do Brasil. Partindo de um ponto específico, chegamos a questões mais amplas, especialmente relacionadas a formas pelas quais podemos ajudar uns aos outros e fortalecer esse espectro de comunicadores independentes, alternativos, de esquerda, como queiram. Para não me adiantar às discussões que prosseguirão em uma lista de emails e logo deverão começar a repercutir, vou apenas comentar aqui alguns pontos já falados no Twitter, sem levantar sugestões específicas ou possíveis formas de solucionar a questão.

O principal problema que desencadeou as reflexões e debates foi a percepção geral entre esses twitteiros de que os blogueiros “famosos” reproduzem algumas práticas da mídia hegemônica, tradicional, e pouco colaboram para que os outros blogs possam crescer também, aumentando, assim, a força do conjunto. Falta, em alguns deles, a visão de grupo, a visão de conteúdos alternativos como construção coletiva.

Falei, então, na possibilidade de estar surgindo uma “classe média” na mídia brasileira. Outros preferiram chamar de “classe B”. Pode ser. O importante é que está se reproduzindo, dentro do espaço dos blogs, a hierarquização de conteúdo que já vamos no conjunto das mídias. Isso não é ruim, e não há porque ser condenado. Mas essa estrutura não pode ser alimentada e insuflada por quem defende verdadeiramente uma democratização do espectro midiático.

É preciso a consciência de que a democratização da mídia depende da noção de integração, coletividade, trabalho em equipe, fortalecimento conjunto do que foi chamado de grupo de “blogueiros progressistas”, mas, sem acomodação com partidos ou com os preconceitos da sociedade, deveria ser chamado de “blogueiros de esquerda” ou algo do tipo.

Os recursos para esse trabalho em equipe são inumeráveis. São, na verdade, o pressuposto inicial da internet, a formação de redes. E ainda que as redes precisem de alguns fios mais fortes para que os demais se mantenham unidos, os mais fortes também precisam dos mais fracos. Um fio rompido e a rede está enfraquecida. É preciso, então, que os mais fortes também colaborem com os mais fracos, que seja um grupo minimamente coeso. Não pode acontecer de ficarmos alimentando e fortalecendo quem não nos fortalece e não nos alimenta. Precisa ser recíproco. Fique claro, porém, que não há nesses comentários, como não houve no debate da tarde, qualquer caráter de embate. A ideia é reconstrução.

Os blogueiros e twitteiros que participaram da conversa:

@maria_fro (www.mariafro.com.br)

@arnobio1969 (www.arnobiorocha.wordpress.com)

@Tsavkko (www.tsavkko.blogspot.com)

@luckaz (www.diarioliberdade.org)

@nideoliveira71 (www.pimentacomlimao.wordpress.com)

@GuilhermeJrg (www.resistenciacarioca.blogspot.com)

@LaPasionaria (www.brasilmobilizado.blogspot.com).

Postado por Alexandre Haubrich

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A luta diária

29 out

A 11ª edição do Jornalismo B Impresso já está sendo distribuída em Porto Alegre . Os locais de divulgação continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

Assine o Jornalismo B Impresso e contribua para o crescimento e fortalecimento da imprensa independente.

Abaixo, o editorial da 11ª edição:

 

No último dia da quinzena à qual é dedicada esta edição do Jornalismo B Impresso, os brasileiros irão às urnas votar para definir quem será o novo presidente do país. Chegaremos, no dia 31 de outubro, ao fim de uma campanha dura, brigada, na qual a imprensa teve grande influência. O tamanho dessa influência e para qual lado ela penderá só saberemos ao fim da apuração.

O que é certo é que, vença quem vencer, a perspectiva de mudança para a área da comunicação é pequena. Nenhum dos dois candidatos que chegou ao segundo turno deu qualquer sinalização séria de que pretende lutar pela democratização da comunicação. Isso não quer dizer que os dois projetos sejam iguais. Não são.

De qualquer forma, a mobilização dos movimentos sociais e dos jornalistas independentes em busca de conquistas nesse sentido precisa continuar, e precisa ser aprofundada. Independente de quem vença o pleito, o jornalismo alternativo deve manter-se crítico, ou perde sua função.

É preciso que, após as comemorações ou lamentações, a esquerda midiática volte a estar unida em torno da luta por ideais democráticos, por mudanças sociais profundas, por um jornalismo inclusivo e por um novo paradigma para a comunicação brasileira.

O processo eleitoral, altamente injusto sob quase todos os ângulos, é apenas uma pequena parte da disputa política. Ela deve ser travada diariamente, por todos, de forma incansável e das mais diversas formas. O embate com a imprensa hegemônica e com o sistema que oprime e segrega precisa estar acima de opções partidárias ou puramente eleitorais. Enquanto a dominação for regra, a luta contra ela não pode ser exceção.

Postado por Alexandre Haubrich

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O olhar que desmistifica

10 set

Nenhuma característica pode ser entendida como absoluta. Qualquer constatação só pode ser feita a partir da comparação, da observação de um objeto relativamente a outro. É assim também com as informações, e essa busca pela informação correta deve passar necessariamente por um olhar comparativo. Apenas assim o leitor pode entender o funcionamento da imprensa e distinguir as práticas que historicamente o manipulam.

 Cabe aos jornalistas e ativistas que defendem uma mídia mais democrática e uma sociedade mais justa colaborarem para que essa consciência seja criada e fortalecida. O exercício do olhar comparativo é a única forma de perceber as intenções por trás das ações da mídia. Desde a escolha das pautas, passando pelo enfoque definido e chegando, por fim, ao título, ao texto e às fotografias, tudo deve ser pensado a partir do que os outros veículos fazem.

 Para perceber a imprensa como um espaço parcial, para perceber o jornalista como uma pessoa e, como tal, suscetível a erros e inseparável de posicionamentos, é necessário notar como, em um mesmo acontecimento, as coberturas costumam ser diferentes entre si. E essa percepção é a única forma de desmistificar a mídia. É um ciclo de conhecimento barrado constantemente pela imprensa hegemônica, que insiste em se esconder atrás de uma aura de imparcialidade criada para manter seu poder de agenda.

 A mídia hegemônica precisa dessa criação fantasiosa, desse conto ficcional que a protege de críticas e mobiliza fatias da sociedade todas as vezes que se fala em uma imprensa democrática e responsável. Montou-se a crença popular de que essa democracia já existe, e cada crítica à imprensa dominante transforma-se em tentativa de censura. Apenas o exercício do olhar comparativo pode mostrar que nem sempre as coisas são como aparentam ser – ou como se faz aparentar.

 

O texto acima é o editorial da 8ª edição do Jornalismo B Impresso, que começa a ser distribuída em Porto Alegre na próxima semana. Como você já sabe, os locais de divulgação estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).

 É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil. 

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Postado por Alexandre Haubrich

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O silêncio sobre o Plebiscito Popular pelo limite da propriedade da terra

1 set

O problema da concentração das riquezas no Brasil mostra sua face mais cruel quando olhamos para o campo. São 5 milhões de estabelecimentos agropecuários no país. Destes, mais de 2 milhões têm menos de 10 hectares e ocupam menos que 2,36% da área. Enquanto isso, 1%, com área acima de mil hectares, ocupam mais de 44%. Essas distorções são o alvo do Plebiscito Popular pelo limite da propriedade da terra, organizado pelo Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo.

Com alcance nacional e apoio de diversos movimentos sociais, ONGs e outras instituições, como a CNBB, o plebiscito vem sendo completamente ignorado pela imprensa hegemônica brasileira. Não encontrei qualquer referência à iniciativa nos jornais Folha de S. Paulo, Estadão, O Globo e Zero Hora. As principais emissoras de televisão também vêm ignorando o plebiscito.

Ligados a esses 1% de grandes proprietários rurais, os grandes veículos de comunicação brasileiros são contra a reforma agrária. Precisam das grandes empresas para sustentá-los, e nessas podemos incluir bancos, empreiteiras, montadoras e também as empresas ligadas a esses grandes proprietários, desde as ligadas diretamente até as menos visíveis.

Não é apenas a reforma agrária o objeto de repulsa da mídia dominante. Nesse caso, fica clara a reprodução, através do silêncio, do discurso proferido pelo candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, no 8º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ). A repulsa é, também, pelas opiniões populares e pelas propostas apresentadas pela sociedade civil organizada. Essa fatia da mídia quer para si e para os interesses que representa o monopólio da definição das questões que devem ser discutidas, e como esse debate deve ser feito. Não aceitam e não legitimam qualquer iniciativa que não parta dos seus pares.

* Saiba mais sobre o Plebiscito Popular pelo limite da propriedade da terra AQUI. A votação vai até o dia 7 de setembro.

Postado por Alexandre Haubrich

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A trincheira é uma só

20 ago

O jornalista e historiador uruguaio Eduardo Galeano, um dos maiores gênios que as palavras já conheceram, diz que um escritor não é apenas aquele que escreve livros. Para Galeano, há toda uma função social envolvida no trabalho do escritor. Podemos transferir essa mesma ideia para o jornalista. O jornalismo não é apenas a redação de textos ou a produção de fotos.

O jornalismo deve ser entendido e exercido como mais um meio, da mesma forma que os livros, as artes, ou a ciência. Um meio de busca incessante por uma mudança social, por uma sociedade realmente justa e democrática. O jornalista tem essa função e deve primar por ela, independente da área em que vá atuar. Deve, para isso, fazer com que seu trabalho dialogue constantemente com sua vida pessoal, de forma a levar a consciência social para sua profissão ao mesmo tempo em que cria, no trabalho diário, novos conhecimentos que aprimorem essa consciência.

Além disso, também é fundamental que haja o diálogo com profissionais de outras áreas. Não se pode deixar que barreiras criadas pelo próprio homem impeçam que o homem dialogue e, unindo-se, construa mudanças. O jornalista deve ter sempre em mente que o que está escrito em sua carteira profissional pouco significa. Ele é, acima de tudo, um cidadão, e deve estar a serviço da sociedade.

Pouco importam distinções entre jornalistas, sociólogos, cientistas políticos, historiadores, professores ou antropólogos. Desde que engajados na mesma luta, desde que interessados em privilegiar a solidariedade, a igualdade e a democracia, precisam estar do mesmo lado da trincheira. Cada profissão pode ser exercida nesse sentido, com essa obsessão, com a semente da subversão incessante fazendo crescer a ânsia por transformar.

 

O texto acima é o editorial da 7ª edição do Jornalismo B Impresso, que começa a ser distribuída em Porto Alegre na próxima semana. Como você já sabe, os locais de divulgação estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

É preciso lembrar que agora a livraria Ábaco Livros (Osvaldo Aranha, 426) é anunciante do jornal, e está nos apoiando nessa empreitada.

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Folha e UOL promovem novidade e ignoram outra

18 ago

Na manhã desta quarta-feira, Folha Online e UOL inovaram, mas mantiveram velhas práticas da política oligárquica e da imprensa que é sua porta voz. Em parceria, promoveram um debate online entre os candidatos à presidência da República, mas aproveitaram o vácuo legislativo para a internet no Brasil para adotar uma postura antidemocrática. A postura foi mantida e aprofundada nas matérias publicadas após o debate.

Para escolher os debatedores, os organizadores adotaram como critério os resultados das últimas pesquisas. Só participaria quem alcançasse 10% das intenções de voto. Dessa forma, participaram Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), destaque no primeiro debate televisivo, ficou de fora. As emissoras de televisão são obrigadas pela legislação a convidar o candidato do PSOL, por seu partido ter representação no Congresso. A falta total de regras para a internet possibilitou a decisão. Mas, embora a promoção de um debate seja uma questão jornalística, não é apenas desse fato que este post quer tratar.

Enquanto Folha Online e UOL transmitiam o debate, Plínio usou um recurso de webcam do Twitter, Twitcam, para comentar o que acontecia no encontro entre Dilma, Serra e Marina e, dessa forma, participar indiretamente das discussões, colocar-se, posicionar-se frente aos temas.

Assim como a promoção de um debate exclusivamente para a web, a atitude de intervenção de Plínio e a forma inteligente como ele usou a internet para democratizar a campanha foi inédita, e, no mínimo, digna de nota. Para a Folha e o UOL, não. Ainda que seja um fato importante e interessante dos entornos do debate que esses mesmos veículos promoveram, eles prefiram, de forma antidemocrática, ignorar a ação política do candidato do PSOL.

O Estadão Online foi o único veículo que deu ao fato o espaço devido. Embora o título da matéria distorça o que realmente aconteceu, dizendo que Plínio “hackeou” o debate, o texto mostra com clareza a ação, inclusive com o vídeo, e suas repercussões na web. Segundo o Estadão, “Plínio ficou oscilando entre as duas primeiras posições da lista de assuntos mais comentados do Twitter no Brasil – em maior destaque, inclusive, que a próprio debate. Entre 10h e 15h30, 1.760 tweets mencionaram ‘Plínio de Arruda’”. Foi isso o que Folha e UOL ignoraram solenemente. É o antijornalismo birrento.

Postado por Alexandre Haubrich

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Colunista política da Folha pensa em votar no Uni, Duni, Tê

16 ago

O esvaziamento do debate político é a mais danosa arma dos poderosos obsessivos. É danosa porque é eficiente, a omissão ilude com mais facilidade que a mentira. Ilude mesmo intelectuais preparados, ilude mesmo os tais “formadores de opinião”, ou sua versão mais moderna, os “multiplicadores”. Uma coluna quinzenal da Folha de S. Paulo que estreou dois domingos atrás se mostrou, nesses dois textos já publicados, um grande engano e um grande desserviço.

Fernanda Torres é atriz, filha de uma das maiores que já nasceram no país, Fernanda Montenegro. Mas Fernanda Torres meteu-se a escrever para a Folha, e sobre política. Sua coluna estreou no dia 1º de agosto em meio a outras novidades que, naquele fim de semana, surgiram na cobertura das eleições pela Folha.

Com um texto impecável, requintado e redondo, Fernanda Torres capricha nas referências, nas idas e vindas das ideias, unindo-as ao final em uma conclusão bem construída. Isso acontece tanto em “Dom Quixote de Ferrari”, sua estreia, quanto em “Uni, Duni, Tê”, publicado na edição do último domingo (15/8). Não fica claro, mas com poucas indicações qualquer um pode perceber rapidamente para que lado vão os textos. O primeiro texto trata de Cristóvão Buarque e Collor, e diz que quem pensa como o primeiro deve adquirir características do segundo, sob pena de não chegar ao poder. A segunda coluna é sobre a forma como a autora diz pensar em escolher em que candidato votar para a presidência.

Os dois primeiros textos da atriz que agora é comentarista política contribuem apenas para a tentativa de esvaziamento da política, o que, por sua vez, contribui apenas para manter o povo alienado e as elites de sempre no poder. “Uni, Duni, Tê” é um texto, publicado no maior jornal do Brasil, cuja autora afirma e argumenta explicando o porquê pensa em definir seu voto na sorte. Essa é a imprensa que precisamos para fortalecer a democracia, para incluir a todos no debate político, o debate que constrói a cada dia, a cada ação, a sociedade que temos?

A imprensa precisa ajudar a construir a democracia. Falar inadvertidamente em liberdade de imprensa é muito fácil, mas não é apenas disso que se faz uma sociedade verdadeiramente democrática. O estímulo ao debate e à participação política é papel fundamental da imprensa. O “são todos iguais” faz com que as pessoas acreditem que pensar não é preciso, e favorece sempre as piores escolhas. Fernanda Torres pode fazer melhor. A Folha, sempre preocupada com a qualidade de sua cobertura política, também.

Postado por Alexandre Haubrich

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Para Folha, Dilma “distorce”, “superfatura”, “celebra feitos imaginários” e “engana”

11 ago

Para a Folha de S. Paulo, os destaques do primeiro debate entre os presidenciáveis foram as “distorções” de Dilma Rousseff (PT) e as “críticas moderadas” de José Serra (PSDB). A matéria principal que, no último sábado (7/8), foi publicada na Folha sobre o debate da quinta-feira anterior traz como título “Dilma distorce números e Serra faz críticas periféricas”.

A matéria tem oito parágrafos que falam diretamente sobre Dilma. Deixando o título fora da conta, são cinco referências a mentiras, com as mais diversas palavras ou expressões que possam caracterizar a petista como mentirosa. Cinco referências em oito parágrafos. Além disso, três desses parágrafos são dedicados a, diretamente, criticar números apresentados pela candidata.

A tentativa de apresentar Dilma como uma candidata sem propostas também fica clara. Na linha de apoio, a Folha afirma: “Petista fez projeções sem base para a educação (…)”. Abaixo da linha de apoio e antes do texto, como uma espécie de resumo do que vai ser apresentando, vem “A julgar pelo debate, as ambições de Dilma são a reforma tributária e a regulamentação da emenda sobre a saúde”. O texto, em seguida, diz que “ambas (as propostas) já foram encaminhadas pelo presidente Lula (…)”, antes de explicar que “há ainda a torcida declarada para a erradicação completa da miséria”, como se não passasse da torcida ao trabalho.

Para Serra foram dedicados especialmente quatro parágrafos. Nesse espaço, o jornal reclama da moderação das críticas do peessedebista a Dilma e ao governo Lula e de propostas que se limitaram ao que foi feito em São Paulo quando Serra foi governador. Queria que Serra batesse em aspectos estruturais, não apenas gerenciais.

Depois, em duas matérias pequenas, o jornal primeiro falou sobre o tom e o gestual dos candidatos, destacando Serra, tentando mostrar que Marina e Dilma fracassaram, e ironizando Plínio, ao escrever que ele “falou sozinho”. Na segunda das matérias menores, mais tentativas de minimizar a participação do candidato do PSOL. Ainda que o fim do texto conte que uma enquete feita com 29 cientistas políticos apontou Plínio como vencedor do debate, dá mais destaque a piadas feitas com o candidato e a um cientista que afirma que a “vitória” de Plínio demonstra que a campanha está despolitizada.

Em seguida, mais duas matérias periféricas falaram sobre o tom que Serra e Dilma deverão adotar a partir de agora, com o primeiro devendo, segundo a Folha, intensificar as comparações de sua experiência com a de Dilma, enquanto esta deverá “evitar citar Lula em debates”, com o objetivo de colocar-se ela própria como líder do atual governo. Mesmo que, na reportagem principal, a Folha tenha dito que houve, por parte de Dilma, uma “louvação ao presidente Lula”.

Postado por Alexandre Haubrich

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Zero Hora e o debate dos presidenciáveis

10 ago

Depois da conhecida manipulação do debate entre Collor e Lula em 1989, pelo Jornal Nacional, as regras e práticas nas emissoras de TV para edição de debates tornaram-se mais rígidas, os cuidados passaram a ser redobrados. Parece que os veículos impressos não aprenderam a lição. Nos posts de hoje e amanhã o Jornalismo B comentará as coberturas feitas no sábado por Zero Hora e Folha de S. Paulo, referentes ao primeiro debate televisivo entre os presidenciáveis, ocorrido na quinta-feira (5/8), na Band.

A reportagem de Zero Hora é um show de esquizofrenia. O candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, abriu sua participação no debate perguntando: “Ué, não eram três? Agora são quatro?”. Plínio ironizava a grande imprensa, que o tem ignorado solenemente. Pois Zero Hora parece não ter ouvido. Continuou achando que são três. A reportagem é de uma página inteira, mas em nenhum momento cita Plínio, considerado por muitos o grande destaque do debate.

No Twitter, como a própria Zero Hora contou algumas páginas depois, houve um “boom repentino” na popularidade do candidato do PSOL, que passou de 9 mil para 15 mil seguidores, além de ter seu nome no primeiro lugar entre as palavras mais citadas no mundo. E, na matéria principal que ZH dedicou ao debate, não houve sequer uma referência a Plínio.

O texto que encabeça um quadro com promessas que teriam sido feitas pelos candidatos durante o debate é o retrato da esquizofrenia e da crise de identidade, o deslize em meio à deliberada omissão de informações. Os grifos são meus:

No primeiro debate da corrida presidencial, na quinta-feira à noite, os quatro principais candidatos aproveitaram para jogar suas promessas no ar. Abaixo, algumas das pretensões de Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva.

Quem é o quarto candidato Zero Hora não esclarece, e essa é a única pista contida na matéria pela qual o leitor possa imaginar que um quarto candidato participou também. Não passa disso. Esse mesmo quadro diz que Marina Silva (PV) defendeu a necessidade de regulamentação da Emenda 29, mas não explica o que é a tal Emenda.

A preocupação com “equilibrar” a matéria sobre o debate fez o jornal optar por limitar o texto às visões do PSDB e do PT sobre como os candidatos se saíram. Nada a criticar, houvesse aí algum conteúdo a mais do que simples defesas de Dilma e Serra. O texto não diz absolutamente nada sobre o que foi o debate.

Além da baixa qualidade da matéria como um todo, o desserviço à democracia prestado quando se ignora deliberadamente um candidato que teve muito destaque no debate. Mostra grande prepotência ao querer definir quem deve e quem não deve ser citado, brigando com os fatos, brigando com a notícia.

Amanhã, aqui mesmo, comentários sobre a cobertura da Folha de S. Paulo.

*Por problemas técnicos, ontem não tivemos post no Jornalismo B.

Postado por Alexandre Haubrich

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