O jornalista Juremir Machado da Silva é colunista do Correio do Povo e professor da faculdade de jornalismo da PUCRS, além de coordenar o Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. Juremir trabalhou também nos jornais Zero Hora e Folha de S. Paulo, além da revista Isto É. Em seus estudos na Europa, teve contato próximo com alguns dos grandes intelectuais europeus da atualidade, como Michel Maffesoli, Edgar Morin e Jean Baudrilard.
Na entrevista a seguir, exclusiva ao Jornalismo B, o autor de “Getúlio”, “1930” e “História regional da infâmia”, entre muitos outros, fala sobre liberdade de imprensa, perspectivas do jornalismo brasileiro e o momento da mídia nacional.
Jornalismo B – Qual a tua avaliação do momento atual da mídia alternativa brasileira? E o papel das novas mídias nesse contexto?
Juremir Machado – A mídia brasileira é mediana: há muito compadrismo e provincianismo nos grandes jornais de Rio de Janeiro e São Paulo em se tratando de cultura. As novas mídias podem fazer a diferença, mas para isso será preciso parar de apenas refletir a mídia convencional e bajular suas celebridades.
Jornalismo B – Quais as principais dificuldades ainda enfrentadas pelos blogs e pelas redes sociais como espaço forte de comunicação? E quais os principais avanços que já foram feitos?
Juremir Machado – A dificuldade é encontrar leitores. Os blogs estão cansando quem os escreve, pois o número de leitores é baixo. Eles crescem como contrapoder, ou seja, naquela hora em que falam de coisas importantes ou denunciam informações oficiais.
Jornalismo B – Qual a avaliação do momento atual da mídia dominante?
Juremir Machado – Mediano. Há momentos inspirados, de crítica e denúncia, mas na maior parte do tempo é pura ideologia, puro jogo de interesses menores e puro jogo de cena.
Jornalismo B – De que forma o governo e a sociedade organizada podem atuar na defesa de uma comunicação mais democrática?
Juremir Machado – Participando, criticando, debatendo, cobrando, exigindo…
Jornalismo B – Qual o espaço ainda existente para que jornalistas críticos, contestadores, atuem na grande mídia? Em que medida isso é possível?
Juremir Machado – Sim, em cada jornalão há algum espaço para isso. É um sistema complexo, contraditório, com brechas e até grandes buracos. Tudo depende de muitos fatores, talento, capacidade de negociação, de engolir sapos, de driblar, de conquistar o público, de atrair anunciantes, de cumprir um papel, etc.
Jornalismo B – Existe liberdade de imprensa no Brasil?
Juremir Machado – Sim. No jogo complexo da totalidade, sim. O que não sai num lugar, sai no outro. É assim em todo o mundo. Em cada veículo, porém, pode haver limites políticos, ideológicos, conjunturais e mercadológicos. O anunciante tem peso. O maior anunciante, muitas vezes, é o governo. Joga-se com tudo isso. Mas dificilmente a informação decisiva deixará de ser publicada, pois seria deixar a bola para a concorrência.
Jornalismo B – Qual a tua opinião sobre iniciativas de controle social da mídia?
Juremir Machado – Sou totalmente contrário. O único controle que não faz ainda mais estragos é o da crítica, do público, do debate, da mudança de canal ou de jornal. O resto é censura.
Jornalismo B – Qual é o papel fundamental do jornalismo hoje?
Juremir Machado – O de sempre: informar, formar, entreteter, divertir, denunciar, cobrar, criticar.
Jornalismo B – Quais as perspectivas para o futuro do jornalismo brasileiro?
Juremir Machado – Muito boas. Quanto mais meios, quando todo mundo pode ter o seu meio (twitter, facebook), tudo fica melhor e o jogo mais complexo.
Postado por Alexandre Haubrich
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