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Charge: Paulo Sérgio, condenado pela mídia

23 mai

Lula e Paulo Sérgio: pobres, desdentados e estupradores?

21 mai

O ex presidente Lula, nascido pobre, crescido desdentado e com fome, amadurecido analfabeto, já foi acusado de estupro pela mídia dominante no país. Lula passou por cima de tudo isso e tornou-se, ajudado por uma série de eventos e conjunturas, o primeiro presidente operário da História do Brasil. O capitalismo tem dessas, permite que um ou outro indivíduo consiga alçar-se a posições de mando mesmo tendo nascido nas posições mais subalternas possíveis. Mas casos assim são muito raros, se a queda dos regimes institucionalmente aristocráticos passou a permitir algum nível de mobilidade social, esse nível segue ínfimo – e seguirá enquanto estivermos sob esse sistema econômico-político.

Lula acusado de estupro, Lula acusado de ignorância, Lula acusado de pobreza. Paulo Sérgio também. Mas Paulo Sérgio não é presidente. E, mesmo que chegasse a ser, continuaria, como Lula continuou, refém de um passado que não teve a oportunidade de escolher. Paulo Sérgio, além de pobre, desdentado e analfabeto, é negro. Lula, além de pobre, desdentado e analfabeto, era nordestino. A ascensão social deste segundo é um acinte às oligarquias brasileiras, e, reconhecido internacionalmente como um dos grandes líderes mundiais, Lula seguiu – e segue – achincalhado pela velha mídia brasileira.

Paulo Sérgio é um garoto negro que foi preso por tentativa de furto. E acusado de tentativa de estupro. Acusado por quem o prendeu e o espancou e acusado pela repórter da TV Band que se fantasiou de torturadora para o inquirir e de juíza para definir a sentença: culpado. Culpado por estupro, culpado por ignorância, culpado por pobreza. Culpado por não ter dentes e culpado por ter a pele de uma cor que não agrada à classe média conservadora e à mídia suja que a representa. Se o acusado é um Paulo Sérgio, negro, pobre, e desdentado, já nasceu culpado.

Como bem definiu Mino Carta, essa é a “mídia da Casa Grande”, que odeia o povo, odeia os trabalhadores, odeia os negros e odeia o Brasil. A mesma mídia que odeia Lula, odeia Paulo Sérgio. A mesma mídia que tenta humilhar Lula por seu passado pobre – e tudo o que isso acarreta – é a mídia que, de mãos dadas com uma polícia que atua como atuava na Ditadura Militar, põe Paulo Sérgio contra a parede e o violenta psiquicamente com gargalhadas, deboches e acusações sem provas. Lula e Paulo Sérgio são, nesse sentido, o mesmo homem, a mesma vítima da História e da mídia que a esquece e esconde.

Essa mídia precisa ser atacada de frente, sem subterfúgios e sem recuos. A senzala deve gritar mais alto, e a mídia realmente independente e popular tem o papel de ecoar esse grito. Para romper as amarras que mantêm a fome, a ignorância e a violência é preciso romper com esse modelo de jornalismo tão afeito à exclusão como espetáculo à venda.

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A violência eufemismada de jornalismo: “Paulo Sérgio, estuprador”

21 mai

Em vídeo postado recentemente no YouTube, a repórter Mirella Cunha, do Brasil Urgente Bahia, ataca um garoto negro preso por furto e acusado de estupro. Quando ele diz que não houve estupro, a repórter não pergunta, mas afirma e acusa: “não estuprou, mas queria estuprar”. O garoto, negro e desdentado, machucado por ter sido agredido pelos dois homens que o prenderam – o que a repórter em momento algum chega a questionar – garante que a polícia pode fazer os exames necessários e comprovará que não houve estupro. A partir daí, a repórter passa cerca de dois minutos não fazendo nada mais do que debochar do fato de o acusado não saber o nome do exame a que deveria submeter-se. Debocha, inclusive, quando ele cita “exame de próstata” como o que deveria ser feito. Ela insiste, sorri, dá risada e continua pedindo que ele diga o nome do exame. Enquanto isso, a legenda chama de “chororô” a alegação de inocência.

A análise da conjuntura geral da mídia brasileira, somada aos preceitos constitucionais e aos direitos universais da humanidade é a forma mais completa e complexa de demonstrar a necessidade absoluta de regulação da mídia brasileira, partindo-se de um novo marco para a comunicação no país. Mesmo assim, alguns exemplos tornam mais palpável essa necessidade. Se muitos deles partem de temáticas político-institucionais, alguns surgem da “base”, em notícias relacionadas ao cotidiano de pessoas que a classe média brasileira insiste em não enxergar.

O programa Brasil Urgente é recheado desses exemplos. Ocupando os finais de tarde na Band, esse programa é dedicado, basicamente, à cobertura policial. Afora o fato de que esse tipo de programação reforça e alimenta a violência de que, por sua vez, também sobrevive, a forma pela qual as notícias são abordadas é um deboche à inteligência do povo brasileiro e às instituições democráticas que pretendem defender o respeito a preceitos básicos de qualquer democracia, como a presunção de inocência. Que respeito uma emissora que veicula um programa como esse demonstra ter pela população brasileira?

O que temos ali, além de preconceito, covardia e desumanidade, é tortura. Mirella tortura o acusado durante três minutos. Tortura verbal, não física, mas não menos humilhante. É a espetacularização da notícia, o circo dos horrores em rede nacional. Nada de notícia, nada de informação, nada de prestação de serviços, nada de interesse público.

Criminalização da pobreza, preconceito social – ou racial, como escreveu Cristóvão Feil –, homofobia e desconstrução das políticas públicas de saúde preventiva – nas piadas sobre o “exame de próstata” -, acusação sem provas, ridicularização da imagem privada. De tudo isso pode-se acusar Mirella, e está tudo ali, no vídeo. Tudo isso é motivo mais do que suficiente para que seu registro de jornalista – caso tenha um – seja cassado, assim como é motivo para que o programa da Band seja imediatamente retirado do ar – até porque está longe de ser a primeira vez em que situações desse tipo são provocadas pelo Brasil Urgente em todo o país.

O “mercado” não irá regular esse tipo de barbaridade – no sentido último do termo, de ação de barbárie – e um espaço público, como uma concessão de televisão, não pode ser usado dessa forma. É, portanto, o governo federal e o Poder Legislativo quem têm o dever de impedir que essa bestificação da população brasileira – tanto da audiência quanto dos “personagens” envolvidos nas reportagens – tenha continuidade. Tudo isso foi feito utilizando-se de uma concessão pública, ou seja, o poder público brasileiro assina embaixo de tudo o que a “repórter” colocou, assim como assinam embaixo a Band, seus diretores de jornalismo e todos os patrocinadores do Brasil Urgente. São estes os responsáveis por essa violência eufemismada de jornalismo.

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MST realiza ações do Abril Vermelho, telejornais fazem cobertura improdutiva

16 abr

O MST promoveu nesta segunda-feira ações por todo o Brasil em defesa da Reforma Agrária – incluindo o assentamento de quase duzentas mil famílias e a reivindicação de uma reformulação do INCRA – e em lembrança aos 16 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 integrantes do movimento foram assassinados e mais de 70 feridos por policiais militares que seguem impunes até hoje.

As manifestações envolveram milhares de trabalhadores. Segundo o site do movimento, “já foram realizados protestos em 17 estados e em Brasília, somando 38 ocupações de terra, nove ocupações de sedes do Incra, cinco protestos em prédios públicos, além de trancamentos de estradas e criação de acampamentos nas cidades”.

Como costuma acontecer, as informações circularam na mídia dominante de forma truncada e vazia. Dentro os três principais telejornais do país, o único que informou sobre o assunto com qualidade – ainda que sem grande aprofundamento – foi o Jornal da Band. Jornal Nacional e Jornal da Record sequer veicularam matérias com um repórter em qualquer um dos locais de mobilização.

O Jornal da Band dedicou um minuto e meio ao tema, com reportagem de Carolina Vilela em Brasília. Na capital federal, o MST ocupou o prédio do Ministério do Desenvolvimento Agrário. A Band oscilou a caracterização das manifestações entre “invasão” e “ocupação”, mas deixou claras as intenções e reivindicações do movimento. Foi a única entre as três emissoras a lembrar que as mobilizações fazem parte do Abril Vermelho. Mas, como Globo e Record, em momento algum citou Eldorado dos Carajás, motivação fundamental dos protestos neste momento.

O Jornal Nacional veiculou uma nota coberta, de 30 segundos, sem citar o massacre de 16 anos atrás, sem citar o Abril Vermelho, mas encontrando espaço para destacar que integrantes do MST que “invadiram” a sede do governo do Ceará “aproveitaram para se banhar no espelho d’água”. É essa a informação que o JN considera relevante. Sobre as reivindicações, só houve espaço para dizer que “exigem mais investimentos em Reforma Agrária”.

 No Jornal da Record, mais uma nota coberta de 30 segundos, e ali o descaso jornalístico chegou ao ponto de causar uma distorção grosseira em uma informação básica: enquanto os outros dois telejornais aqui citados se referem a ocupações em 15 Estados e no Distrito Federal, e o MST fala em “protestos em 17 Estados”, o Jornal da Record noticia que integrantes do MST “ocuparam prédios públicos em 7 estados e DF”, sem citar as demais mobilizações, absolutamente indissociáveis da ocupação dos prédios públicos. O mesmo programa, assim como o Jornal Nacional, destaca que, no Ceará, “nem a piscina escapou”. Onde foram parar os critérios de noticiabilidade mais básicos?

Preocupadas em manter a hegemonia do capital como forma de manter seu próprio domínio sobre a mídia e, assim, sobre a informação, as grandes emissoras de televisão não aprofundam as temáticas fundamentais da sociedade brasileira, fazendo do fútil e do cotidiano dos gabinetes a única expressão real da política em seus telejornais. Com notas de 30 segundos que destacam o banho de piscina dos sem-terra, despolitizam as mobilizações e esvaziam até a última gota o debate sobre a Reforma Agrária e sobre os criminosos de ontem – os assassinos de Eldorado dos Carajás da mesma forma que os torturadores e assassinos da Ditadura Militar.

É preciso que esse imenso latifúndio midiático – absolutamente improdutivo socialmente – seja ocupado. Assentemo-nos.

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A cruzada da velha mídia contra os trabalhadores

23 nov

Em um sistema político representativo, que tem como característica básica a parca possibilidade de participação efetiva da população nas decisões, somado a um sistema econômico no qual a exploração do trabalhador – pelas empresas privadas e pelo próprio Estado que deveria defendê-lo – é a tônica principal, as mobilizações grevistas são um mecanismo fundamental de luta contra a opressão.

Garantido pelo artigo 9º da Constituição Federal e regulado por leis específicas, o direito de greve não é aceito pela mídia hegemônica brasileira. A cada mobilização dos trabalhadores determinados setores da mídia se mobilizam do outro lado. Os artifícios são sempre os mesmos.

Na última terça-feira o Blog do Miro publicou um texto em que mostra como o Estadão atacou a greve dos trabalhadores da Petrobras antes mesmo que ela começasse. Aqui mesmo no Jornalismo B já fizemos, neste ano, pelo menos quatro posts denunciando os baixos ataques do Estadão, da Folha, da Band e da Zero Hora (AQUI e AQUI) contra movimentos grevistas.

É papel da mídia independente comprar essa briga e defender os sindicatos e os trabalhadores contra as mentiras, distorções, omissões e pressões da velha mídia. A greve é um instrumento básico de exigência de direitos, e é em si mesma um direito garantido. Estar ao lado dos trabalhadores é estar ao lado dos avanços democráticos e ao lado dos setores oprimidos da sociedade, e é esse o lugar da mídia contra-hegemônica.

Da mesma forma, é preciso que os sindicatos e movimentos sociais se afastem dos veículos que os condenam, e percebam também neles seus inimigos no caminho da emancipação. Por outro lado, esses grupos devem apoiar a mídia independente, que também deve apoiá-los não apenas como estratégia política, mas como tarefa fundamental. Dessa forma, fortalece-se a mídia contra-hegemônica e fortalecem-se os movimentos populares, que vêem suas vozes ampliadas na sociedade. A aproximação de sindicatos de trabalhadores e movimentos sociais os mais diversos com a mídia independente é uma necessidade para ambos os lados, se queremos fazer de nossas lutas nossas futuras conquistas.

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Sensacionalismo sujo ataca estudantes na USP e na UFRGS

10 nov

O pior jornalismo de um dos piores jornalismos do planeta. Essa parece ser uma definição precisa para alguns programas que têm invadido cada vez com mais força as grades de programação da televisão brasileira. José Luiz Datena vem sendo, nos últimos anos, a principal cara desse tipo de agressão à inteligência do telespectador, mas algumas cópias mal acabadas vem surgindo. Dois bons (maus) exemplos são Luciano Facioli e Alexandre Mota. O primeiro chegou a apresentar o Brasil Urgente no lugar de Datena, mas tão logo este voltou para a Band Facioli foi rebaixado de volta ao Primeiro Jornal. O segundo é uma cópia ainda mais mal acabada, e apresenta o Balanço Geral RS.

É normal que em um país do tamanho do Brasil, e com a trajetória político que temos em nosso país, haja uma boa quantidade de pessoas reacionárias, agressivas, fascistas ou quase isso. O que não pode acontecer é que essas pessoas tenham espaço para vomitar seus ódios na televisão, um espaço essencialmente público, ocupado por emissoras privadas através de concessões estatais.

Essa semana, falando da ocupação da USP, Facioli chamou os estudantes de “vagabundos”, “vagabundas”, “dementes”, “doentes” e “cafajestes”. Destacou ainda serem esses estudantes filhos de pais ricos, como se isso tirasse a legitimidade da revolta contra a truculenta presença da Polícia Militar no Campus da Universidade. O apresentador esqueceu de mencionar que recebe R$ 250 mil mensais para ser o rosto do mais agressivo conservadorismo brasileiro. Para mostrar como está a serviço do jornalismo e da sociedade, Facioli impediu que a repórter presente no local ouvisse os manifestantes. Quando ela se aproximou de um grupo deles, o apresentador a proibiu: “não vale a pena ouvir, prefiro botar um cachorro pra latir do que ouvir esse pessoal”.

Alexandre Mota, como Facioli, é um rascunho amassado de Datena, e como tal se comporta. Diariamente urra bravatas em defesa da violência contra quem comete qualquer tipo de crime, se dizendo ao lado do trabalhador quando, na verdade, está contra ele, trabalhando pela alienação e pela criação do ódio entre quem padece dos mesmos males. Da mesma forma age em relação aos estudantes.

Vivemos, na UFRGS, uma semana de eleições para o Diretório Central de Estudantes (DCE). A Chapa 2 – DCE Livre, ligada ao PP e a outros movimentos de direita, foi gestão no ano de 2009, e marcou a primeira passagem da direita pelo DCE da UFRGS com a inatividade do Movimento Estudantil e várias denúncias de corrupção. Agora, em uma eleição com cinco chapas, novamente o mesmo grupo político tentou atacar o direito dos estudantes de escolherem seus representantes. Na tarde desta quinta-feira, segundo relato da mesária, um integrante da Chapa 2 tentou roubar as atas de votação. Outra estudante conta que uma integrante da mesma chapa tentou tirar a urna da tomada.

Na terça-feira foi instalada uma segunda urna na Faculdade de Veterinária, o que é irregular. Duas integrantes da Comissão Eleitoral foram ao local para regularizar a situação e foram hostilizadas, ameaçadas e expulsas por integrantes da Chapa 2 e seus apoiadores – em maioria no curso. O Balanço Geral RS, comandado por Alexandre Mota e com “reportagem” de Kellen Caldas, disse que o que aconteceu foi uma tentativa da Chapa 1 (situação) de impedir as eleições. Mostraram total desinformação sobre o processo, não fizeram sequer um rascunho de trabalho jornalístico, e destilaram seu ódio contra o movimento estudantil, certamente encaminhados pelas mesmas fontes que abastecem espaços como o blog de Políbio Braga.

Como temos demonstrado essa semana na cobertura das manifestações da USP, e em muitos outros posts a respeito de diversas mobilizações da juventude, a velha mídia treme perante a rebeldia dos jovens. Não quer a indignação, trabalha bravamente pela alienação e pela acomodação. A televisão, em especial, é um espaço público, apenas concedido a empresas privadas, não de propriedade delas. A desregulamentação e a conivência governamental, que entrega um bem público a meia dúzia de famílias, permitem que discursos que flertam com o fascismo e estimulam o ódio e a violência sejam veiculados diariamente em programas respaldados por emissoras como a Band e a Record.

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Band ataca MST e Tarso Genro e cria novo código judicial

13 out

Na edição desta quinta-feira, o Jornal da Band comentou nota do governo do Rio Grande do Sul que contestava reportagem veiculada na quarta, e reiterou sua posição de ataque ao governador Tarso Genro. Esse posicionamento da Band aparecera pela primeira vez na segunda-feira, com uma nota lida pelos apresentadores do jornal, na qual acusavam o governo de descumprir decisão judicial que determinou a reintegração de posse de uma área pública – da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária –ocupada pelo MST em Vacaria, no interior do Estado.

Para referendar a posição da emissora, foi enviada a Vacaria a repórter Luci Jorge, que construiu uma matéria nos mesmos termos que a editorializada nota da Band se expressara. Em dois minutos de reportagem, são ditas cinco vezes, sempre pela repórter, expressões como “invasores”, “invadiu” ou similares.

Charge de Carlos Latuff

O foco é, do início ao fim, o que a Band chama de “descumprimento da decisão judicial” pelo governo gaúcho. Fala-se apenas de passagem que, na verdade, o mandado de reintegração de posse expedido não tem data para ser cumprido, o que confronta diretamente a tese do “descumprimento”. Como um mandado sem data para cumprimento pode ser descumprido? Só no cursinho Band de Justiça, no qual se aprende que é a mídia quem julga, de acordo com seus próprios interesses imediatos.

Também é rápida a referência ao fato de que a permanência do grupo no local, por mais 90 dias, está condicionada pelo governo à não-interferência nos trabalhos da Fundação. Sobre as reivindicações das famílias, a situação de concentração de terras no Brasil, a reforma agrária e a diferença do tratamento que Tarso dá aos movimentos sociais em relação à sua antecessora, nenhuma palavra.

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Em editorial, Band ataca direito de greve e ameaça governo federal

10 out

No fim da última semana o Jornal da Band levou ao ar mais um editorial do Grupo Bandeirantes de Comunicação, lido por Joelmir Betting. No texto, o grupo critica a greve dos trabalhadores dos Correios, não a respeita enquanto instrumento de luta, e, mais do que isso, ataca o Governo Federal pela “falta de ação das autoridades diante da greve”.

Segundo a Band, a “falta de ação” mostra “a covardia com que esse governo lida com mobilizações sindicais”. “Nenhuma atitude enérgica em 23 dias de paralisação”, reclama a emissora. O editorial afirma que o governo tem “mais medo dos grevistas do que da justa indignação dos milhões de cidadãos prejudicados”. A tentativa de jogar o governo contra os grevistas e forçar uma atitude extrema, de ataque ao movimento, é acompanhada de uma livre interpretação da sensação da população frente à greve.

Por fim, a ameaça ao governo: “Enganam-se esses farsantes se pensam que poderão afrontar o interesse público por muito mais tempo (…). Podem acender o farol vermelho da paciência nacional. Autoridades: cuidado”. Mais uma demonstração do fato de a mídia dominante se ver como a maior autoridade nacional, com poder para ditar o que os governantes devem fazer e o que o povo deve pensar.

Afirmar diariamente que a população detesta as greves e todas as outras formas de protesto é agir para torná-la acomodada, para enfraquecer os movimentos políticos organizados e para criar objetivamente a realidade que afirma apenas retratar. É justamente isso o que faz a velha mídia brasileira, e a Band não é diferente.

Em tempo: não foi o primeiro editorial em que a Band destilou seu veneno contra o governo do PT e os movimentos sociais através da voz de Joelmir Betting, sempre em tom de ameaça e de alarmismo, sempre em defesa das elites. Alguns exemplos abaixo:

Ataque ao Plano Nacional de Direitos Humanos e ao Plano de Cultura, acusando o governo de tentativa de cercear a “liberdade de expressão”:

 

 Defesa do novo Código Florestal: “produtores do agronegócio são os verdadeiros trabalhadores e defensores da ecologia”:

Ataques a Lula e ao MST, defesa do agronegócio:


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O massacre em Realengo e os primeiros movimentos da mídia

7 abr

*Texto publicado às 13h (7/4).

Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entra em uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro, mata 11 crianças, fere muitas outras. Um policial militar entra na escola e acerta um tiro na perna do rapaz, que se mata com um tiro na cabeça. No momento em que este post é escrito, as informações complementares ainda são desencontradas. Mas o início da cobertura jornalística já mostrou muito do que serão os próximos dias.

As primeiras informações falavam em 13 mortos e 22 feridos. No meio da manhã já era feita a correção: 11 mortos (incluindo Wellington) e 17 feridos. Mesmo assim, os portais da Globo (G1), da Record (R7), da Band (E-band), da Folha de S. Paulo e do Estadão continuaram por muito tempo com as informações antigas. Não priorizaram a internet, claramente, deixando a velocidade de seus portais abandonada. E não em favor da qualidade da informação, pelo contrário: números continuaram errados.

*Após o meio-dia números foram atualizados para 11 crianças mortas, além do atirador.

Na televisão, pudemos assistir cenas non sense de mau jornalismo na manhã e no início da tarde desta quinta-feira. Em primeiro lugar, na TV aberta só a Globo seguiu acompanhando ao vivo os desdobramentos do fato. Record e Band seguiam normalmente com suas programações, entrando apenas com flashes. Porém, a própria Globo pouco mais fez do que enrolar para segurar audiência. Jornalismo ao vivo é diferente de enrolação. Não usou o tempo de cobertura para aprofundar os debates necessários em um momento assim.

Na TV a cabo, destaque para a Globo News, que passou cada minuto reforçando preconceitos ao buscar relacionar o ataque a um possível HIV do assassino e a uma possível religião muçulmana. Foi feito de tudo para relacionar a comunidade muçulmana na fronteira brasileira com o massacre. Roupas que teriam sido usadas pelo atirador, carta deixada por ele (e não divulgada aos telespectadores) e entrevista desconexa de sua irmã adotiva foram usadas como argumento para questionar a forma como Wellington conseguiu as armas, dando a entender a todo instante que seriam fornecidas pelos muçulmanos. O islã foi retratado como “elemento ideológico que professa o massacre de infiéis”.

Em casos de violência extrema, a mídia brasileira costuma clamar por mais repressão policial. Já que não pode pedir mais policiamento dentro das escolas (com exceção de detectores de metais e policiamento nos acessos, já pedidos pela Globo), a mídia desfere ataques contra muçulmanos. E deverá seguir assim.

Minha previsão é que os próximos passos serão no sentido de reforço desesperado desses preconceitos e de aprofundamento do preconceito, do conservadorismo moral e do fundamentalismo religioso anti-islâmico. Além disso, perfis e mais perfis aparecerão: quem foram as vítimas, quem foram os heróis, quem foi o criminoso. A novelização da tragédia, com personagens rasos, retos, sem a profundidade e a complexidade que caracteriza as pessoas reais.

Além disso, os debates fundamentais não serão feitos: de que forma a lógica da Educação brasileira estimula e dá base para que situações assim ocorram? Como se dá e como se pode evitar a violência nas escolas? De que forma a valorização dos professores a o aperfeiçoamento das escolas podem modificar essa lógica? Sim, porque esse não é um caso isolado, é apenas o mais chocante das diárias manifestações nas escolas da violência social como um todo. Mais: por que tantas armas nas mãos das pessoas? Por que fábricas de armas patrocinam campanhas eleitorais? De que forma a própria mídia estimula a resolução violenta e individual dos conflitos sociais?

Postado por Alexandre Haubrich

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O Governo Dilma Rousseff e a democratização da comunicação

27 jan

O artigo a seguir é uma colaboração especial de Lucas Morais*

Em entrevista à TV Brasil, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (PT), concordou que os meios de comunicação de massas (TV e Rádios) no Brasil precisam ser desmonopolizados, “Mas não vamos fazer isso por lei”, advertiu. “Não dá para fazer uma lei que diga que vai desconcentrar, até porque não haveria mecanismos para isso.” Ora, então o ministro quer confrontar a realidade? A Argentina aprovou a Ley de Medios que prevê uma maior democratização do espectro televisivo e de rádio que anuncia o fim da hegemonia dos oligopólios. Será que as palavras do ministro refletem conhecimento técnico ou simplesmente negligenciam a necessidade de um novo marco regulatório para os meios de comunicação de massa?

Só no setor de televisão, a Globo passou a controlar neste ano 342 empresas; o SBT, 195; a Bandeirantes, 166; e a Record, 142. Além disso, 61 congressistas eleitos em 2010 possuem concessões de rádio e TV. O cenário é de um monopólio/oligopólio absurdo e a resposta que o Governo Federal promete dar nos próximos quatro anos é a massificação da banda larga – que é necessária em um país onde as transnacionais das telecomunicações atuam somente em cidades de médio e grande porte, privilegiando o serviço a bairros comerciais, de classes médias e elites.

Entretanto, a massificação da internet não significa uma democratização efetiva dos meios de comunicação de massas – não nos esqueçamos que a rede mundial de computadores não possui espectros para transmissão para apenas algumas empresas, como na TV e no rádio, portanto não se trata de um “meio de comunicação de massas”, apesar de ser instrumento de comunicação das massas. Os meios de comunicação que atingem mais diretamente as massas são a TV e o rádio, portanto o problema deve ser combatido neste terreno, apesar de que a luta se reforce também com a massificação do acesso à internet e a diversidade de informações que o usuário pode se imbuir.

O governo, e principalmente o PT, por questão de sobrevivência política, deverá rever este posicionamento em relação às concessões das empresas de TV e rádio. Prova disto é a utilização perversa do histórico de resistência à ditadura militar da então candidata Dilma Rousseff, tentando taxá-la como terrorista. Que dizer então da Bolinha de Papel Gate promovida por Ali Kamel em pleno auge das eleições no Jornal Nacional da Rede Globo?

Podemos visualizar a dimensão do problema com a campanha dos oligopólios capitalistas da mídia, primeiro escalão do entreguismo neoliberal capitalista e do imperialismo global, em favor da extradição do “terrorista” Cesare Battisti. Interessa à mídia esta extradição porque uma vitória de um processo jurídico-político tão absurdo como este, baseado em delação premiada, sem provas e julgado à revelia, significará uma vitória do consenso autoritário da direita italiana e, no Brasil, um exemplo do que acontece com aqueles que resistem à ordem, mesmo que seja aquela ordem dos “anos de chumbo” italianos ou brasileiros.

Para a Rede Globo especificamente, ver Berlusconi desfilar com a cabeça de Battisti no parlamento da direita italiana, seria o mesmo que desfilar com a cabeça de Lula no Jornal Nacional e Jornal da Globo, dado que a extradição só é possível com base em um golpe constitucional que pode ser promovido pelo Supremo Tribunal Federal, contrariando as ordens do ex-presidente num precedente perigoso. Para empresas golpistas como a Globo, a extradição significa um cala a boca no Governo Dilma e na autoridade do ex-presidente Lula. Esta campanha adquire uma força brutal, apesar da mobilização pela extradição ser de apenas setores da direita, da mídia e até de uma certa centro-esquerda; nas ruas, somente na Itália houve demonstrações da extrema direita, fascistas e setores de uma esquerda ressentida. O que vale, para eles, é mostrar que o Brasil não é uma nação soberana.

Uma ampla coalizão da direita brasileira, como o PSDB e DEM, os oligopólios desafetos ao PT como a Rede Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Veja (entre outros, conhecidos na blogosfera da esquerda como Partido da imprensa Golpista, por serem politicamente uma espécie de primeira coluna do antipetismo e antissocialismo, de ideologias antitrabalhadores e criminalizantes dos movimentos sociais), começou cedo os ataques. A Folha, por exemplo, conseguiu bater de largada um recorde de golpismo, com 35 manchetes negativas relativas ao Governo Dilma em 7 dias, forçando a barra e tratando o leitor como idiota.

Resta saber se a presidenta Dilma Rousseff e seu governo irão avançar em pautas tão urgentes como a efetiva democratização da comunicação, abertura dos arquivos, julgamento dos torturadores através de uma Comissão da Verdade e a realização da sempre adiada reforma agrária, ou se ajoelharão perante as exigências daqueles que investiram mais de R$150 milhões para financiar a campanha eleitoral.

*Lucas de Mendonça Morais é jornalista e editor brasileiro do Diário Liberdade.

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