Os “valores-notícia”, características de um fato que o levam a ser considerado pelas estruturas dos meios de comunicação como “potencialmente noticiáveis” incluem diversos itens. Um deles é o da proximidade. Quer dizer, segundo essa dinâmica – que é dominante, mas cultural e não natural -, quanto mais próximo um fato ocorreu em relação ao universo de leitores / ouvintes / telespectadores do veículo em questão, mas “noticiável” ele se torna. Mas o critério da proximidade é apenas um dos “valores-notícia”, e assim o tratam os principais veículos de comunicação do mundo. Para o jornal Zero Hora, do Grupo RBS, que controla a maior parte da informação que circula no Rio Grande do Sul, porém, a proximidade é critério norteador de toda a hierarquização noticiosa. Essa escolha, vinda de um espaço midiático com um nível tão alto de predominância no estado, traz consequências importantes para o imaginário social.
A presidenta Dilma Rousseff discursou na Assembleia das Nações Unidas na manhã desta terça-feira, falando sobre as revelações a respeito de práticas de espionagem dos Estados Unidos contra a Petrobrás e contra a própria presidenta – ou seja, contra a soberania brasileira. O discurso de Dilma foi a notícia mais destacada em todos os portais do país, e em alguns dos sites de jornais estrangeiros. Não em Zero Hora, nem em seu irmão sediado em Santa Catarina, também do Grupo RBS, Diário Catarinense. No site de Zero Hora, no início da tarde a fala de Dilma era a segunda notícia mais importante, atrás da informação de que o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, ofereceu a secretaria de Infra-estrutura ao pedetista Airton Dipp. No site do Diário Catarinense, a matéria sobre Dilma não aparecia entre as principais chamadas, embora estivesse na capa.

Reprodução ZH e DC
Enquanto isso, de uma forma ou de outra – geralmente com tom de neutralidade nas chamadas, com a óbvia exceção da revista Veja -, jornais, revistas e portais brasileiros destacaram e repercutiram o discurso durante todo o dia.
O foco excessivo na questão da proximidade aprofunda também uma prática cotidiana no discurso dos veículos de comunicação tradicionais: a fragmentação da notícia e, como tal, a fragmentação da realidade construída. As pessoas se veem isoladas das outras, os grupos de pertencimento se reduzem e, dessa forma, se fortalecem falsas rivalidades e se enfraquecem potenciais práticas e culturas solidárias. Fica enfraquecida, também, a compreensão da realidade como todo e como prática coletiva, isolando os indivíduos e os afastando da realidade coletiva que, no fim das contas, constrói a sociedade.





24 set 2013




1 Comentário
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Dilma perdeu a oportunidade de falar sobre assuntos mais relevantes,Edward. Snowdem deve ser julgado preso como um traidor. Espionagem todos os países fazem,só a Dilma e o Brasil que ñ sabiam.Obama, o homem que vem cumprindo seu papel queiram ou ñ queiram com seu QI 300. ONU ñ cheira nem fede,Soberania só se foi pq revelaram que os e-mails da presidenta que é comuna,e que foi terrorista foi invadido. Que os EUA nos comuniquem o q ela ´pretende. Qto ao mandato da Merkel foi legítimo. Sou Merkel e Margarete Thatcher desde de criancinha.