A absolvição de um psiquiatra acusado de racismo, no fim da primeira quinzena de setembro, demonstrou que o Brasil ainda patina no combate à discriminação racial. O médico foi condenado por injúria, mas o juiz entendeu que a ofensa relacionada à cor da atendente agredida não aconteceu “em contexto de discriminação racial”, não configurando, portanto, caso de racismo. Não importa que ele a tenha mandado “voltar pra África”, onde ela deveria “lidar com animais” e “não com gente”.
A doença social do racismo não está isolada das outras moléstias que atacam a sociedade capitalista. O combate a elas precisa, portanto, ser não apenas factual, mas conjunto. Avançar institucionalmente não faz com que se avance sobre a consciência, algo muito mais complexo e, por isso, difícil. Nesse sentido, avançar nas instituições pode ser tarefa específica em cada área, em cada problema, mas a mudança na consciência só pode ser atingida em conjunto. Essa necessária e urgente transformação inclui o ataque à ideia que as elites construíram para si como donas do país.
“Negro tem que voltar pra África”, “socialista tem que ir pra Cuba” e outros bordões das elites racistas e xenófobas são exacerbações de uma visão de si mesmo como dono do país. Para essas pessoas, o Brasil é lugar de gente branca e conformada com a organização social atual. Quem não for branco, endinheirado e entusiasta do status quo deve, ou adaptar-se às exigências dos donos do país – quer dizer, colocar-se “em seu lugar” – ou ir embora.
O problema central que se coloca é que efetivamente, na prática, o país continua sob comando dessas elites. Cada avanço progressista é respondido com raiva e arrogância justamente porque está longe de se caminhar para a conquista do poder pelo povo brasileiro. Quando as elites forem efetivamente deslocadas do poder, talvez desistam de lutar por um país que já não os interessará, pois não poderá ser por eles tratado como propriedade, e se mudem eles em busca de onde possam viver seu delírio de grandeza, isolamento e superioridade.
O texto acima é o editorial da 63ª edição do Jornalismo B Impresso, que será distribuída em Porto Alegre na próxima semana. O jornal pode ser assinado em qualquer lugar do Brasil.
Nesta edição trazemos textos sobre os cinco antiterroristas cubanos presos nos Estados Unidos, a CPI da Ocupação da Câmara de Porto Alegre, as verbas públicas recebidas pelo Grupo RBS, a participação russa na crise síria, e a mais recente mobilização do CPERS, além de uma entrevista exclusiva com Altamiro Borges.
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20 set 2013






