Em protesto contra aumentos nos preços das passagens do transporte público, cerca de 300 mil manifestantes foram às ruas do Brasil, segundo dados oficiais. A cobertura imediatamente seguinte aos protestos, ainda na noite de segunda, reclamava das depredações e estimulavam novas manifestações pacíficas. Os colunistas mais reacionários aplaudiram os protestos, e certamente não modificaram suas posições políticas de fundo, o que significa clara e obviamente uma tentativa de conduzir o movimento à direita.
A forte mobilização que se espalha pelo Brasil obrigou a mídia dominante brasileira, histórica e atualmente ao lado dos adversários fundamentais dos manifestantes, a uma mudança de linha editorial, que começou já no final da última semana. No mesmo ritmo em que os protestos se nacionalizaram também estiveram conectados os donos da mídia brasileira em sua mudança editorial.
Depois das mobilizações da última quinta-feira, quando inclusive diversos jornalistas foram feridos em São Paulo, imediatamente a Folha de S. Paulo assumiu uma postura de repúdio à violência policial. A revista Veja também tomou a mesma atitude, e dando o sinal que, na sequência, foi adotado pelos demais veículos ligados aos conglomerados midiáticos. Sua mais recente capa traz a manchete: “A revolta dos jovens – Depois do preço das passagens, a vez da corrupção e da criminalidade”.
A manobra da Veja e a guinada da Folha, faróis que guiaram seus aliados, parecem ser parte de uma estratégia da direita para, já que não pode mais controlar os protestos – e entendeu essa situação – tentar apropriar-se deles e leva-los a novos rumos. Procura desviar a pauta principal do movimento – a redução dos preços das passagens de transporte público – para pautas que compõem a linha de frente do velho discurso da direita – o “combate à corrupção” e o “combate à violência” (o que, na prática direitista, significa combate à política e aumento da repressão policial).
Os protestos desta segunda lembraram sempre o papel da mídia na repressão. Em São Paulo a Rede Globo foi corrida. Em Porto Alegre o confronto com a polícia começou porque esta protegia em peso a sede do Grupo RBS, para onde os manifestantes rumavam. Por todo o Brasil equipes dos conglomerados midiáticos foram vaiadas e cartazes gritavam contra a manipulação e os monopólios. O Twitter da Veja foi hackeado.
É fundamental que haja a compreensão de que os conglomerados de mídia também são inimigos, tanto quanto todos os outros setores sociais – e administradores estatais – que mantêm um sistema social e político que cada vez menos representa as necessidades do povo. Se a rebelião é contra tudo isso, não pode recuar em ser também contra a velha mídia. É ela o aparato discursivo de todos os que oprimem. Mudar o modelo de mídia é um caminho importante para que se garanta a manutenção e expansão de direitos.





17 jun 2013









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Não se percam, mantenham o foco, tem golpista reacionário querendo usá-los, cuidado, boa sorte e obrigado!
O autor do texto usa táticas iguais às da imprensa para promover uma agenda diferente. Deixar claro quem são os inimigos? Sério? Participei dos protestos, mas não pelo preço da passagem. Agora, se não publicarem o meu comentário vocês provarão que são piores do que as pessoas que criticam.
Que os jovens lutem por juro e inflação zero, igual as taxas existentes nos países desenvolvidos. A inflação deve ser controlada pelo aumento da produção de bens e serviços, nunca pelo aumento de juros. Isso é fundamental, pois o dinheiro arrecadado com os impostos, que deveria ir para a educação, a saúde, o transporte e a segurança é desviado para o pagamento de juros. O pagamento de juros fixado pelo COPON no BANCO CENTRAL, que desvia bilhões dos cofres públicos, é o maior ato de corrupção do Brasil.
Em Brasília, onde as manifestações tomaram o Congresso Nacional, havia algumas palavras de ordem chaves, mais gritadas e cantadas pelo povo. A primeira, “Fora Renan, Fora Sarney”, ou seja, é a forma do povo dizer, chega da velha política do toma lá, da cá. A resposta esta na política: Constituinte Soberana e Exclusiva, por que este congresso já não tem mais o apoio do povo. A segunda palavra de ordem foi “Fora a Rede Globo”, que para o povo é a grande representante do PIG. A regulação dos meios de comunicação tem que ser posta em marcha pelo governo e pelo PT, sob pena de se não o fizermos, esta mesma mídia se utilizará dos movimentos em andamento para provocar um Golpe, como a mídia já fez em 1964. Havia ainda a palavra de ordem “menos dinheiro para a copa, mais dinheiro para educação. A MP dos 100% dos Royalties do Petróleo para a Educação e esta para votação no Congresso Nacional. As soluções para estas demandas existem. É só querer. E com certeza não é o que a mídia quer. Ela quer continuar mamando da isenção de impostos e dos altos valores de anúncios pagos pelos governos. Assim, escondem e mentem sobre o que de fato ocorre nos eventos, em especial a rejeição a mídia tradicional. O povo não é bobo, deu pra ti Rede Globo.
Acho todo esse movimento muito bonito. Mas acho muito curioso que o discurso dos lideres e apoiadores mais intelectualizados que começa a aparecer digam as mesmas coisas que o PT ou os petistas mais articulas diziam lá no começo, nos anos 80 e 90. As esquerdas estão se reeditando?
[…] Publicado junho 18, 2013 r Uncategorized Deixar um Comentário por Alexandre Haubrich No Blog Jornalismo B […]
[…] que trouxe às ruas o descontentamento do povo, o blog do analítico Jornalismo B apresentou um posicionamento de defesa dos manifestos, mas de “alerta” com relação à chamada velha […]