O direcionamento de diversos setores sociais brasileiros – e latino-americanos, de modo geral – às práticas estadunidenses, ao american way of life, não é novidade para ninguém. Entre outros espaços, essa realidade neocolonial se reproduz na indústria cultural, onde está inserido o jornalismo em seu modelo atual, e se reproduz na economia – embora nos últimos 10 anos o Brasil tenha se afastado da dependência em que se mantinha frente ao comércio com os EUA.
Esses dois setores – indústria cultural / midiática e economia – são, a despeito de interesses sociais, nacionais e regionais, os regentes do tipo de jornalismo levado a cabo pelos conglomerados de comunicação, altamente vinculados a empresas multinacionais vindas do Norte e às representantes nacionais de um modelo econômico que faz a competição esmagar a solidariedade, reforçando a atuação dos países “em desenvolvimento” como capachos dos países ricos e novos imperialistas em suas relações com as nações pobres. Essa associação, como já dito, não é apenas econômica, mas também cultural.
É por tudo isso que a passagem do furacão Sandy pelo Caribe, onde atingiu Jamaica, Cuba, Bahamas e Haiti, tem pouco interesse para os conglomerados de comunicação. A informação não lhes diz respeito, apenas a venda de conteúdo. Os 69 mortos confirmados até agora na região caribenha em pouco ou nada dizem respeito a uma mídia que dá as costas à pobreza e aos países “periféricos” no jogo econômico e político mundial para voltar-se exclusiva e insistentemente aos centros capitalistas.
Os referidos países caribenhos, dentro de suas desesperadoras limitações estruturais, também tiveram sua etapa de preparação para enfrentar o furacão Sandy. Sobre isso, os sites dos dois principais jornais do Brasil – Folha de S. Paulo e Estadão – pouco ou nada falaram. Sobre os efeitos da passagem do furacão – 69 mortos, além da destruição – apenas referências rápidas, uma ou outra nota. Sandy ainda não chegou aos EUA. Mesmo assim a cobertura já é exaustiva desde que iniciou seu caminho do Caribe até a costa estadunidense.
Em uma busca pelos dois sites, encontramos 81 títulos no Estadão e 30 na Folha que se referem a “furacão” ou “Sandy”. Há ainda algumas outras matérias nas quais os títulos não contêm essas palavras mas se referem ao furacão, mas optamos por esse recorte. No Estadão, entre as 81 matérias, 66 (81,48%) referem-se aos EUA (sendo que o furacão ainda nem chegou por lá). Na Folha, o mesmo acontece com 24 matérias (80%). Influência clara e direta da mente e da prática colonizada.
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Estadão (de 24/10 a 29/10)
81 títulos com “furacão” ou “Sandy”
EUA – 66 (81,48%)
Caribe – 5
Cuba – 4
Jamaica – 2
Jamaica e Cuba – 1
Caribe e Cuba – 1
Caribe e Bahamas – 1
Caribe e EUA – 1
Folha (de 24/10 a 29/10)
30 títulos com “furacão” ou “Sandy”
EUA – 24 (80%)
EUA e Caribe – 2
Cuba – 2
Caribe – 1
Jamaica – 1
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* Coberturas interessantes sobre a passagem do furacão Sandy pelo Caribe, que não excluem uma cobertura atual sobre a situação nos EUA, estão, por exemplo, na TeleSur, no Opera Mundi, e no Cubadebate.
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29 out 2012






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No Jornal da Globo de ontem, quando Sandy atingiu a costa leste dos EUA, o Jornal da Globo fez uma cobertura exaustiva do fato. Dedicou o primeiro bloco inteiro só a esse assunto. No segundo bloco, um balanço das eleições municipais no Brasil. Com isso, fica claro que o jornal da Pelajo e do Waack (espião) é subordinado aos Estados Unidos. Dar uma cobertura ao furacão Sandy como foi feito, e relegar a um segundo plano a eleição brasileira, não tem cabimento. Deve ter ligação com o fato de o PSDB e o DEM terem sido os maiores perdedores desse último pleito, quem sabe?
Isso serve de alerta para população do Brasil.Que já passou da da hora de começar a decidir o que serve e o que não acrescenta em nada para o pais
[...] atingida, e a entrada do furacão nos EUA se estendeu pela terça-feira. Como foi demonstrado na postagem de ontem, os conglomerados midiáticos brasileiros simplesmente ignoraram os 69 mortos e a destruição no [...]