A Educação não precisa da RBS

Gabrielle de Paula

No último domingo à noite, como parte da série de matérias que o Grupo RBS vem produzindo pela campanha “A Educação precisa de respostas”, foi lançada a seguinte pergunta: Por que apenas 2% dos estudantes querem seguir a carreira de professor? Embora a reportagem tenha focado no belo exemplo da história do faxineiro Ronald de Souza, não foram abordados os motivos pelos quais a profissão de professor se tornou tão pouco atrativa. 

A baixa remuneração dos professores brasileiros, as más condições de trabalho, assim como o sucateamento do ensino, são temas que explicam essa falta de interesse dos jovens pela profissão. Temas que são pautas constantes na luta dos profissionais da educação, mas que não têm espaço em nenhuma campanha institucional. A campanha “A Educação precisa de respostas”, é muito bem elaborada quando trata de questões como a contradição de o país ser a sexta economia do mundo, mas estar no 88° lugar na educação, contudo, se torna incoerente, uma vez que é veiculada por uma empresa que não valoriza a luta dos professores, sobretudo, quando se trata das greves.

Neste ano, a greve dos servidores federais sempre foi destacada como um transtorno à população, assim como são tratadas todas as greves de trabalhadores pelos programas da RBS TV e pelas matérias do jornal Zero Hora.

O faxineiro da escola Piratini, Ronald, passou no concurso do magistério e se tornará professor em Porto Alegre. Ao final da reportagem, é citado a diferença no salário dele, que passará de R$1.100 para R$1.400, porque segundo a campanha do Grupo, para melhorar a qualidade da educação, é preciso investir mais na formação dos professores, e para atrair os melhores estudantes, é preciso oferecer melhor remuneração — a fim de disputar seu interesse com outras carreiras. No entanto, se Ronald de Souza optar por aderir uma greve por melhores salários, não terá o mesmo apoio da mídia tradicional. Será considerado um transtorno à sociedade e não mais um belo exemplo. 

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Sobre Alexandre Haubrich

Jornalista, estudante de Ciências Sociais na UFRGS
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Uma resposta para A Educação não precisa da RBS

  1. Sem contar a tolice de comparar um ranking de educação com o tamanho nominal da economia. Se formos considerar o raking de renda per capita, a educação brasileira está exatamente na posição que deveria estar.

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