Cidade que Queremos – Fora do Eixo faz cobertura alternativa do processo eleitoral

O artigo a seguir é uma colaboração especial de Atílio Alencar*
Atendendo pelo nome de “Cidade que Queremos”, a campanha promovida pelo Fora do Eixo através da plataforma da Pos-TV (um formato de programa independente, com transmissão on line e com uma abordagem alternativa de temas geralmente explorados de forma superficial pela mídia de massas) atravessou um percurso de 20 dias as vésperas das eleições municipais, provocando ativistas, candidatos, gestores públicos e midialivristas a se manifestarem sobre o processo eleitoral.
 
Longe de configurar um apanhado de declarações em prol de determinado candidato – mas sem nunca apelar para o discurso dissimulado da “neutralidade” – a campanha, que contou com quase 100 programas transmitidos desde cerca de 30 cidades brasileiras, acenou para uma necessária ampliação do campo referencial dos eleitores e para o subsequente aprofundamento das pautas ligadas as eleições: a apropriação pública dos programas de governo, a gestão participativa,  a transparência administrativa, a dinâmica obscura de coligações e apoios, e, claro, as possibilidades de renovação dentro da forma-partido e suas relações com os movimentos sociais contemporâneos.

Foto: Fora do Eixo

 
Foi uma sequencia de debates marcada também pela clássica polarização que opõe partidos de direita e esquerda; mas, acima de tudo, informada pelas novas formas de ativismo manifestas em recentes insurreições mundo afora – vide mobilizações como o 15M, a Primavera Árabe, as marchas no Brasil e os Occupy norte-americanos e europeus, movimentos que não raramente vêem nos partidos um modelo insuficiente de expressão democrática. Em um sentido geral, debateu-se tanto as expectativas dos movimentos em relação as eleições, quanto a necessidade de superação do paradigma da representação.
 
A lógica da passividade eleitoral, na qual o cidadão conforma-se em optar dentro de um campo restrito de escolhas ou simplesmente abstém-se de votar, pode também ser considerada um marco a ser superado em iniciativas como a campanha Cidade que Queremos: o controle social sobre as gestões públicas passa a ser o foco, num claro sintoma de aspiração das comunidades urbanas a um outro nível de relação com a cidade. 
 
Na cidade que queremos, as noções de público e comum retomam seu valor como elementos fundamentais do convívio e do protagonismo social; e isso, de forma polifônica, foi expresso ao longo da jornada de Pos Tv’s que precedeu as eleições municipais desse ano.
 
*Atílio Alencar é gestor do Fora do Eixo e morador da Casa Fora do Eixo Porto Alegre

 

 

 

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Sobre Alexandre Haubrich

Jornalista, estudante de Ciências Sociais na UFRGS
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