Desde o dia 4 de junho acompanhamos, centímetro a centímetro, a cobertura que o jornal Zero Hora fez da campanha eleitoral para a Prefeitura de Porto Alegre. Medindo o espaço de destaque dado a cada um dos sete candidatos, podemos identificar tendências de cobertura e indicações de intencionalidades. Não existe imparcialidade, e a análise desses dados demonstra isso.
Para este post final, reunimos todos os dados e fomos um passo além, analisando se as matérias e notas podem ser caracterizadas como “positivas”, “negativas” ou “neutras”. Para isso tivemos que adotar alguns critérios: consideramos anúncios de apoios de partidos ou personalidades como notícias positivas, e notas sobre ataques feitos pelo candidato como negativas. É importante destacar que a classificação de uma nota em uma dessas três caixas não reflete necessariamente um posicionamento de ZH na matéria em questão, significa apenas que a notícia veiculada não é vantajosa à candidatura em questão.
Da mesma forma, para a contagem dos centímetros consideramos apenas matérias em que o candidato tem destaque sozinho ou divide esse destaque com no máximo mais um candidato. Nesse caso, os centímetros são divididos igualmente entre os dois. Foram esses os critérios escolhidos para a contagem. Poderiam ser outros, mas esses nos pareceram os mais justos e precisos.
O resultado foi o seguinte:
O prefeito reeleito, José Fortunati (PDT), foi quem mais teve espaço ao longo desses cinco meses. Excetuando-se matérias e notas que não destacam nenhum candidato em especial, 31,83% da cobertura eleitoral foi a respeito de Fortunati, totalizando 22834 cm², contra 17717 cm² (24,70%) sobre Manuela D’Ávila (PCdoB) e 14389 (20,06%) sobre Adão Villaverde (PT). Um cruzamento de dados simples mostra que Roberto Robaina (PSOL), quarto colocado no pleito com 3,85% dos votos, foi destacado em 4,9% da cobertura, enquanto Wambert Di Lorenzo (PSDB), quinto colocado com apenas 2,46% dos votos, teve destaque em 11,08% da cobertura. Foram 14 matérias e notas sobre Robaina, contra 40 que trataram de Wambert.
Em relação à classificação das notas, os dados sobre Robaina, Jocelin Azambuja (PSL) e Érico Correa (PSTU) pouco demonstram, já que o número de notas é muito reduzido. A maioria das notas dos dois primeiros refere-se apenas ao factual básico de campanha, por isso a tendência à neutralidade. A grande quantidade de notas negativas sobre Wambert deve ser atribuída às desavenças internas do PSDB, que renderam notícias desagradáveis ao candidato.
Entre os três candidatos mais votados, Villaverde foi quem menos teve notícias positivas (28,91% de suas notas), e mais teve notícias negativas (24,09%). Nas positivas a diferença entre Fortunati e Manuela é irrelevante, com 37,64% para o primeiro e 38,88% para a segunda. A maior parte das notícias positivas sobre Manuela está em notas sobre apoiadores, em especial a senadora do PP e virtual candidata ao governo do Estado, Ana Amélia Lemos. A diferença maior entre os dois está nas notas negativas. Se considerarmos os 24,09% de notas negativas sobre Villaverde e os 25% sobre Wambert, os 15,29% de notas negativas sobre Fortunati não representam um número alto, mas Manuela teve, nessa mesma “caixa”, apenas 8,33%. Mesmo assim, por ser destaque em 13 notas a mais do que Manuela (85 contra 12), Fortunati teve, em números absolutos, mais notas positivas e neutras em comparação com a opositora.
Muitas análises, por incontáveis ângulos, são possíveis ao nos debruçarmos sobre esses dados. Essas são algumas delas.
*As centimetragens semanais estão AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUIe AQUI.
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Muito boa a análise. Parabéns!