A parceria entre a velha mídia e o atual prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, segue rendendo frutos. Um dos mais agressivos dentre estes frutos é o silêncio. Na noite da última quarta-feira, um show no recém inaugurado auditório Araújo Vianna, encravado no Parque da Redenção, terminou em protesto contra a privatização dos espaços públicos de Porto Alegre.
O ativista cultural Atílio Alencar, integrante da organização Fora do Eixo, relatou assim:
O Araújo Vianna é um espaço público de forte histórico cultural em Porto Alegre. Recentemente, foi reaberto, após restauração realizada em uma parceria público-privada entre a Prefeitura de Porto Alegre e a Opus Promoções, com patrocínio da Operadora Oi, Coca-Cola e Grupo Zaffari. Depois do acordo, grades passaram a envolver o espaço que deve permanecer por 10 anos sob este formato de concessão, conforme o contrato.Nessa terça-feira, enquanto Tom Zé apresentava suas canções, cartazes foram levantados por manifestantes, demonstrando insatisfação com a situação do Araújo Vianna. Ainda durante o show, Tom Zé tomou um dos cartazes e o ergueu no palco: “Praças Vendidas”, estava escrito no manifesto.
Após o show, as pessoas foram impedidas de permanecer nos arredores do auditório pelos seguranças do evento, embora nenhum transtorno estivesse sendo causado ali. Como resposta a violência gratuita, a lata inflável da Coca-Cola, posta na entrada do Araújo Vianna, foi tombada. Para conter a manifestação, os seguranças usaram máquinas de choque e tiraram a força os manifestantes. Durante o enfrentamento, as mulheres eram chamadas de putas e os homens, de maconheiros.
Em seguida, o grupo de manifestantes levou a lata inflável para a Avenida Oswaldo Aranha e a queimou. Batuques e frases de protesto contra a privatização dos espaços públicos eram proferidos. Mais um episódio que evidencia a insatisfação pública com a forma com que a gestão municipal trata os aparelhos culturais e os espaços urbanos de convívio.
Também contra esse processo que já levou os principais parques de Porto Alegre, o Largo Glênio Peres, e o Araújo Vianna, e promete levar a orla do Guaíba, levantou-se na última quinta-feira uma mobilização que reuniu cerca de 400 pessoas, tendo passado pelo local cerca de 1500, segundo a organização, em frente à Prefeitura. Ao final do ato, um grupo que já foi estimado em 50 e em 100 pessoas caminhou até o mascote da Copa do Mundo, colocado no Largo Glênio Peres. A colocação do mascote foi, na verdade, uma promoção da Coca-Cola, inclusive carrega a camisa da empresa. O enorme tatu inflável era protegido por policiais militares. Segundo relatos, quatro ou cinco manifestantes mexeram nas grades que protegiam o tatu, ao que a Brigada Militar reagiu com truculência. Foram alguns presos, dezenas de feridos graças aos cassetetes, balas de borracha e bombas de efeito moral. Cabeças abertas, braços quebrados, sangue. Os relatos são os piores possíveis, muito bem reunidos em reportagem do Sul 21.
O destaque da matéria é todo em cima do “ataque ao boneco” e da pretensa violência dos manifestantes. “No tumulto, dois policiais ficaram feridos sem gravidade. Alguns manifestantes também ficaram feridos”, escreve a repórter Letícia Costa, mais preocupada com os dois policiais feridos sem gravidade do que com os cerca de 20 manifestantes feridos, alguns com certa gravidade. A matéria não diz que os manifestantes estavam desarmados, nem procura explicar como começou a confusão. Não há qualquer preocupação com a violência policial, com a integridade física de seres humanos. A preocupação é com o boneco. Da mesma forma, não há preocupação com a verdade objetiva dos fatos. O texto dá a entender que era um ataque à Copa do Mundo, e que foi a Copa, tão querida dos brasileiros, a violentada. A verdade factual é que o problema não era o boneco em si, mas ser uma peça publicitária da Coca-Cola encravada no meio de um espaço público histórico de manifestações políticas e culturais. Nada disso ZH falou.
Na mesma linha vai a montagem feita com fotos de Diego Vara, na qual se vê o antes e o depois do Largo, com e sem o boneco da Coca-Cola. Mostra um cenário desolador sem o feliz tatu. Interessante que ZH não se interessou em comparar o Largo com suas manifestações e sem elas. Como também não se interessou em comparar os corpos dos manifestantes antes e depois das agressões policiais.
O posicionamento de ZH não acontece por acaso, e não tem sentido de defesa dos seguranças ou da direção do Araújo Vianna. O silêncio demonstra a correta avaliação de que o caso expõe o absurdo e devastador processo de privatização da cidade, liderado pela Prefeitura e apoiado pelo Grupo RBS, que tem como patrocinadores alguns dos beneficiários das privatizações e que tem feito uma cobertura da campanha eleitoral altamente afinada com os interesses de Fortunati.
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Na realidade, o que aconteceu foi a derrubada de um boneco em meio ao espaço publico fazendo marketing da Coca-Cola sem pagar qualquer aluguel ao poder publico que se beneficia com a imagem da copa para seus fins eleitoreiros. Aqui no RGS e como no resto do Brasil a Mídia Corporativa defende os interesses do Poder Economico, não se preocupando com as dez pessoas hospitalizadas durante o incidente, mas simplesmente ficando indignada com a queda de um boneco de plástico. É a Era do Patrimonialismo do Plático Reciclável sobrepondo-se aos valores humanos. A prova mais cabal que os interesses Economicos do Capitalismo Selvagem estão acima dos valores humanos, basta ouvir ou ver a um jogo de futebol transmitido pela mídia , para ver uma verdadeira Apologia do Consumo de Álcool, atingindo menores de idades, mas Ministerio Publico, Governos, Justiça e outros figem que não enxergam tal crime que compromete o futuro desenvolvimento da juventude….
Fico muito feliz que os jovens de Porto Alegre tenham se indignado o suficiente com essa situação absurda pra irem à praça protestar. Na maioria dos casos a reação dos brasileiros é apenas lamentar de braços cruzados. Eu li muita gente criticando a manifestação, infelizmente a mídia consegue transformar qualquer ato legítimo de indignação popular em chacota. Mas fiquem certos que ainda existem pessoas que são capazes de entender e admirar aqueles que tem coragem de ir à luta!
Que esta data seja um marco e um exemplo a seguir! Uma Saudação aos jovens de Porto Alegre! E que esta notícia se espalhe por todo o país! A fotografia desta moça, com as mãos todas ensanguentadas já diz tudo! Nossos políticos são um lixo! Uma lástima! A única esperança são realmente os jovens! Abraços por toda a luta,companheiros!
Eu sou contra a escolha do tatu-bola como mascote do brasil na copa do mundo, mas nada justifica a manifestação que fizeram e ainda mais destruir ele, pra mim isso é coisa de quem não tem mais na da pra fazer em casa e fica vadiando na rua, isso sem contar que o dinheiro para reparar o “mascote” vai sair do nosso bolso, no bom português, vamos estar pagando pela brincadeira dos nossos “amigos” manifestantes, o erro da manifestação ocorreu quando ela deixou de ser pacifica, quando os manifestantes se voltaram contra a policia e contra o mascote se a manifestação tivesse sido pacifica eu até iria compreender e apoiar, mas no momento que ela se tornou “agressiva” eu me tornei contra a manifestação independente do real motivo dela.
PS: Quem patrocina a copa do mundo é a coca-cola, é obvio que o mascote vai usar a camisa deles, ou vocês querem que ela use uma marca concorrente ao patrocinador do evento….. (dãh!!!)
Parabéns aos participantes, pela inciativa e pela coragem.
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Reportagem jornalística.
Pessoalmente quase cuspi na TV quando vi a reportagem da RBS…
Imagens editadas dando a entender que o objetivo inicial era derrubar o boneco. Triste =/
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