Emissoras de TV tratam debates políticos como mercadoria para consumo e alienação

Os debates eleitorais são momentos importantes de divulgação de informações e de confronto de ideias sobre a campanha e, mais do que isso, sobre a visão de cidade e de sociedade dos candidatos aos mais importantes cargos públicos. A pluralidade de ideias e projetos é a realidade, mas alguns setores da mídia tentam escondê-la por detrás de uma falsa cortina de consenso, instrumento para manutenção do status quo, barreira à mudança no âmbito dos processos decisórios estatais.

A decisão da Rede Globo de não realizar o debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo mostra o desapego da emissora à democracia e ao jornalismo sério (sim, um debate também é um programa jornalístico, embora muitas vezes o vejamos como puro entretenimento ou propaganda). Com a alegação de que “seis é o número máximo de participantes para a realização de um debate produtivo”, a Globo preferiu desistir do debate a cumprir determinação da Justiça e convidar os oito candidatos com direito legal à participação, por seus partidos possuírem representação na Câmara dos Deputados.

Se não quer, com o cancelamento do debate, favorecer nenhum dos dois candidatos que estão à frente nas pesquisas (Celso Russomano, do PRB, e José Serra, do PSDB), a Globo deve ser criticada ao menos por transformar em mero produto comercial um trabalho jornalístico, de serviço e de fortalecimento da democracia. Alega que não poderia dedicar mais de duas horas de sua grade de programação ao encontro, e que menos do que esse tempo tornaria inviável a participação de mais do que seis candidatos.

Da mesma forma tem acontecido em Porto Alegre, com a exclusão do candidato do PSTU, Érico Correa, com o argumento legal, mas imoral e antidemocrático, de que o convite a ele não é obrigatório. Não é, efetivamente, mas a questão é optativa. E a opção de Band, Record e RBS foi de excluir Érico e, mais do que isso, excluir as ideias de Érico do debate sobre o futuro de Porto Alegre.

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Sobre Alexandre Haubrich

Jornalista, estudante de Ciências Sociais na UFRGS
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