Como todos os movimentos grevistas – e como todas as pautas dos trabalhadores – a greve dos funcionários dos Correios, que teve início na última quarta-feira, começou sob ataques da velha mídia. Nesta quinta o site do Estadão publicou matéria entitulada “Greve prejudica 24% das entregas dos Correios, diz ECT”. Essa matéria foi republicada com chamada nas capas dos sites da Zero Hora e do Correio do Povo, os dois principais jornais do Rio Grande do Sul, com os respectivos títulos: “Greve prejudica 24% das entregas dos Correios” e “Segundo dia de greve dos Correios registra 24% de atraso nas entregas”.
Os parágrafos do texto são divididos de forma diferente nos dois sites que o republicaram, mas o conteúdo se mantém. Na matéria base, do Estadão, são seis parágrafos, e em cinco deles a quase totalidade do espaço refere-se a trechos de uma nota da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). O outro parágrafo fala da decisão do TST de que “os sindicatos precisam manter um contingente de pelo menos 40% dos profissionais em todas as áreas”. Mesmo assinada pela repórter Célia Froufe a matéria é praticamente um release da ECT, já que não vai além de trechos da nota e sequer aponta as reivindicações dos grevistas.
É dessa forma, ignorando as lutas dos trabalhadores, que essa mídia, com sua vocação oligárquica, diz fazer jornalismo. É assim, reproduzindo notas dos patrões como se fossem produto jornalístico, que encampam e difundem o discurso que nega os direitos e despolitiza as mobilizações, ao mesmo tempo em que procura colocar trabalhadores contra trabalhadores, o restante da população contra os grevistas.
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