Em editorial publicado em sua edição do último domingo, o jornal Zero Hora chama seus leitores a prestarem atenção ao horário eleitoral, afirmando a importância deste espaço para o exercício de um “voto consciente”. Por outro lado, a propaganda eleitoral gratuita teve início na última terça-feira, há exatamente uma semana, e desde lá já são três charges publicadas pelo mesmo jornal que ridicularizam e despolitizam aquele mesmo espaço.
A hipocrisia é um dos lugares comuns em Zero Hora. Trabalha dia a dia para despolitizar o debate e para desconstruir os atores envolvidos no processo eleitoral. São reportagens exaltando o “perfil técnico” como grande qualidade para os candidatos, outras lançando a tese de que todos os problema do Rio Grande do Sul giram em torno da “tendência do gaúcho à discórdia”. Isso sem contar os ataques à atuação política não ligada ao jogo eleitoral, como as ações sindicais e as mobilizações populares.
As charges publicadas em Zero Hora somam-se a esses esforços nos traços de Marco Aurélio e Iotti, os dois titulares destes espaços. Já mostramos em diversos posts aqui do Jornalismo B o papel cumprido pelos dois no discurso manipulador daquele jornal. Disfarçam de humor – mal feito e mal expresso, especialmente no caso de Marco Aurélio – o simples reforço de preconceitos, estigmas e visões elitistas sobre a realidade, sem qualquer preocupação com a função social do chargismo tão bem representada por artistas como Santiago e Carlos Lattuf, hoje, e Henfil anos atrás.
É em três charges publicadas na última semana (duas de Iotti, uma de Marco Aurélio) que está a verdadeira posição de ZH, expressa na subjetividade da manipulação muito mais do que na clareza opinativa, porém falsificada, do editorial de domingo. É a ridicularização da política como forma de esvaziamento do debate, esvaziamento esse que favorece apenas aos que fazem da política não uma forma de ação social, mas de lucro individual. A desconstrução da política é o fortalecimento do mercado em detrimento do coletivo e, por consequência, do dinheiro em detrimento das pessoas. Defender o capital frente ao potencial revolucionário da ação coletiva é o verdadeiro papel cumprido por Zero Hora através de suas práticas discursivas / midiáticas, e é a prática que o editorial procura esconder para mantê-la efetiva.
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Caro Alexandre Haubrich, quem prostitui as instituições, ridicularizou a política, esvaziou o debate, tornou a disputa individualista em detrimento do coletivo não foram os editoriais de ZH, nem tampouco os chargistas, que estão apenas expressando na sua arte o que é o senso comum das pessoas. Quem avacalhou e fez a merda que está hoje foi a nossa querida ‘esquerda brasileira’ que já chamo de ‘os ambidestros’, pois para se manter no poder uniram-se aos que há anos ‘mamam nas tetas da mãe pátria’, e não fizeram isto pensando em melhorias para o coletivo, mas para manutenção de benesses de seus indivíduos. Agora querer sugerir que a merda que está é da cagada de uma charge, ou editorial, é quase que uma piada sem graça!
Com o tempo uma imprensa cínica,mercenária demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.JOSEPH PILITZER.(1847-1911)