As emissoras públicas de TV deveriam ser espaço importante de manifestação do pensamento popular, espaço de pluralidade e de construção do pensamento crítico. Prestar serviço público de informação e reflexão é seu papel. Mas não é o que acontece com a TV Cultura, emissora de TV pública do Estado de São Paulo.
Mais de uma vez já falamos aqui sobre a forma pela qual vem sendo conduzida a administração da TV Cultura pelos sucessivos governos do PSDB em São Paulo: censura, espaço para um grande conglomerado de mídia (o Grupo Folha, que desde março tem seu próprio programa em uma emissora – não custa repetir – pública)… Práticas como essas, de absoluta falta de transparência em decisões de interesse público, seguem se repetindo. O caso mais recente aconteceu, novamente, no programa Roda Viva, um dos mais tradicionais da emissora paulista.
O entrevistado da última semana foi o ex-colunista da revista Veja, Diogo Mainardi, um dos mais despreparados estandartes da extrema-direita midiática. Para ser um dos entrevistadores foi convidado o jornalista Lino Bocchini, editor da revista Trip e blogueiro do Falha de S. Paulo, censurado pela Folha de S. Paulo em uma ação que teve repercussão internacional. Pois, na manhã da segunda-feira, dia da entrevista, o blogueiro foi “desconvidado”, sem explicações convincentes.
Ora, claramente o nome de Lino Bocchini foi vetado por alguém – por Mainardi, pela direção do programa ou da emissora, ou sabe-se lá por quem. Já causa estranhamento o convite, sem dúvida, já que a TV Cultura não tem costumado primar pela diversidade e pela divergência de pensamento e posicionamento. Certamente alguém botou os pés pelas mãos ao convidar um blogueiro notadamente crítico à direita e a publicações como a de que participou Mainardi durante tantos anos. Mas, com o convite seguido pelo desconvite, escancarou-se o que tenta-se esconder a todo custo: a TV Cultura não é uma emissora efetivamente pública, salvo explicação mais convincente sobre a súbita e atrasada mudança de planos.
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Numa boa, não seria uma boa combinação. Bochinni iria peitar o Mainardi que iria dizer poucas e boas,. A cultura — e o programa foi um sucesso de público e crítica — fez muito bem em impedir um barraco.
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