A Página 10, coluna de Rosane de Oliveira no jornal Zero Hora, costuma ser um bom termômetro da linha editorial que ZH segue em sua editoria de Política. A colunista tem publicado a maior parte das informações sobre a campanha eleitoral, e é quase sempre em sua voz que está a posição do Grupo RBS sobre os principais temas da política gaúcha. Até mesmo a campanha para o governo do Estado, cuja eleição ocorre em 2014, já começou faz tempo através da coluna de Rosane, com enorme espaço constantemente dedicado às atividades da senadora e ex RBS Ana Amélia Lemos, virtual candidato ao Piratini pelo PP.
Nesta quarta-feira, uma análise simples das notas publicadas na Página 10 traz um bom exemplo do tipo de cobertura que ali tem sido feita da política estadual. São oito notas, que envolvem diretamente três partidos (PT, PMDB e PSDB), e o tratamento dado a cada um é ilustrativo do que estamos dizendo.
A imagem acima mostra, em vermelho, duas notas sobre a pequena queda do Rio Grande do Sul nos números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. A primeira, maior, não ataca diretamente o governo atual (chega a dizer que “a culpa não pode ser debitada na conta deste ou do governo anterior), mas desenha um cenário de desastre total, o que não é uma interpretação totalmente fiel à realidade apresentada pelos números. A segunda nota, no canto superior direito, dá a entender que as “divergências entre o CPERS e o governo” são também responsáveis pelos índices.
Na faixa amarela, duas notas que criticam a “passividade” da oposição, listando problemas na Saúde e na Segurança que, segundo a colunista, deveriam ser usados pela oposição para atacar o governo estadual. Vejam bem: a reclamação de Rosane não é sobre os problemas na Saúde e na Segurança, mas sobre a passividade da oposição. Isso logo acima da nota destacada em roxo, na qual Rosane de Oliveira procura desvalorizar prêmio recebido pelo governo gaúcho graças ao trabalho desenvolvido no Gabinete Digital, espaço de interação do governo com a população na internet.
Quando o tema são os partidos mais conservadores, mais à direita, o tipo de pauta é outro. No grande espaço verde, destaque – com foto – para movimentações do PMDB na escolha de seu candidato ao Senado em 2014 – Pedro Simon ou Germano Rigotto, segundo a Página 10 – e às atividades de Simon e Rigotto nos últimos dias. A única parte factual da nota é a referência a uma reunião da qual os dois participariam nesta quarta, com a cúpula do PMDB, “para a distribuição de tarefas na campanha”. Ou seja, absolutamente nada que justifique a publicação da foto enviada pela assessoria do PMDB e o destaque à nota.
Finalmente, na faixa azul à direita, duas notas elogiosas à atuação de políticos do PSDB – os deputados Nelson Marchezan e Lucas Redecker. Nos espaços pretos, publicidade.
A diferença no tratamento é visível diariamente, e a coluna desta quarta é apenas exemplar do que costuma acontecer. E a prática fica ainda mais caricatural pela insana tentativa de culpar o CPERS pelos problemas da Educação e diminuir os méritos do Gabinete Digital, assim como fica escrachada pela publicação de nota absolutamente sem interesse jornalístico – sem nenhuma novidade, inclusive – a respeito do PMDB, acompanha até mesmo de uma foto-divulgação. Zero Hora está em permanente campanha, e Rosane de Oliveira é o principal cabo-eleitoral de seus candidatos.
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