A pobreza jogada para debaixo do tapete

O leitor do Jornalismo B Impresso recebe, nas páginas centrais desta edição, uma entrevista com o presidente da Associação de Moradores da Nova Chocolatão. A vila Chocolatão foi removida da região central de Porto Alegre em maio de 2011 e, se as condições em que viviam mais de duzentas famílias eram péssimas, os problemas apenas foram trocados por outros, como a falta de um endereço fixo ou a dificuldade para trabalhar e para pagar as contas.

O que acontece com a população da Chocolatão não é exceção em Porto Alegre, nem é exceção no Brasil. A expulsão de comunidades inteiras das regiões centrais das grandes cidades tem sido prática comum em diversas capitais brasileiras. Em alguns casos, a limpeza social acontece diretamente relacionada às obras para a Copa do Mundo de 2014. Em outros, é pura higienização das regiões centrais sob os olhares ansiosos das empreiteiras e sob o silêncio patrocinado da mídia oligárquica.

No Rio de Janeiro, chegou-se ao cúmulo de se colocar tapumes para que as favelas localizadas no caminho entre o aeroporto e a Zona Sul não sejam visíveis aos sensíveis olhos dos turistas. O caso da remoção da comunidade de Pinheirinho, em São Paulo, é o mais famoso, como também ficou conhecida a situação da Ocupação Eliana Silva, em Belo Horizonte, ambas tratadas à violência policial.

É necessária uma reflexão – e uma ação – geral, unindo essas pautas em torno de uma luta comum por cidadania, contra a pobreza e a expulsão da pobreza para a perifeira, e contra a transformação das regiões centrais das grandes cidades em espaços insossos, sem povo e sem voz. A cidade precisa ser das pessoas. De todas elas.

O texto acima é o editorial da 42ª edição do Jornalismo B Impresso. A edição será distribuída em Porto Alegre na próxima semana, e o jornal pode ser assinado em qualquer lugar do Brasil. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

Nessa edição, temos textos sobre a cobertura midiática do “mensalão”, o Conselho Estadual de Comunicação, as greves dos servidores federais pelo país, além de uma entrevista exclusiva com o presidente da Associação de Moradores da Nova Chocolatão, vila removida em Porto Alegre, Rogério Brasil Moraes.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 6 edições – R$ 40; 12 edições – R$ 60; 20 edições – R$ 100. As edições são quinzenais. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Sobre Alexandre Haubrich

Jornalista, estudante de Ciências Sociais na UFRGS
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Uma resposta para A pobreza jogada para debaixo do tapete

  1. Ricardo A Salgueiro disse:

    As obras excludentes e “tapa-olhos”, para eventos pouco sociais, pipocam pelo país. Na região do rodoanel de São Paulo, estão colocados muros enormes, caros e de pouca durabilidade para esconderem as favelas e a desordem urbana de Osasco, Carapicuiba, Barueri e Embu das Artes, dentre outras. Verdade, a pobreza apenas escondida e mascarada.

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