A Ditadura Militar revisitada

 

Quando setores da sociedade conectam suas lutas e conseguem avanços na defesa de direitos, outros setores, os mais reacionários, se veem impelidos justamente à exercer sua reação. É desse embate que nascem tanto as mudanças progressistas quanto os retrocessos conservadores. O acirramento cíclico das disputas em torno das diversas temáticas sociais é uma marca de uma sociedade dividida sempre entre opressores e oprimidos. É o que está acontecendo no Brasil nas questões relacionadas à Ditadura Militar.

Diversas organizações e instituições nacionais começam a trabalhar de forma conjunta pela recuperação histórica e pela justa reparação dos crimes cometidos pelo Estado brasileiro e por seus agentes durante mais de vinte anos. A Comissão Nacional da Verdade nasceu com sérias limitações, que alguns grupos organizados têm tentando compensar através de ações independentes, porém conectadas – ao menos na direção comum para a qual apontam.

O MP passou a atuar denunciando torturadores e assassinos que atuaram contra a guerrilha do Araguaia. Ao mesmo tempo, a UnB anuncia a criação de uma comissão interna para apurar os crimes que os agentes da Ditadura cometeram dentro daquela universidade. Também precisa ser destacada a atuação das Comissões Estaduais da Verdade, como no RS, e de movimentos sociais que têm atuado denunciando locais de tortura e torturadores, como o Levante da Juventude. Por outro lado, Frei Betto afirma que o sistema de espionagem dos militares segue ativo, e a sede da ONG Tortura Nunca Mais é ameaçada e atacada.

O resultado desse embate depende do nível de organização e de inserção social e política de cada um dos lados. Para que a democracia brasileira possa seguir sendo construída, deve comprometer-se com a própria história do país. Especialmente em um momento em que temos um governo de coalizão, com as contradições intrínsecas à situação, é a sociedade civil organizada quem tem a possibilidade de garantir os avanços necessários à luta por memória, verdade e justiça.

O texto acima é o editorial da 41ª edição do Jornalismo B Impresso. A edição será distribuída em Porto Alegre na próxima semana, e o jornal pode ser assinado em qualquer lugar do Brasil. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

Nessa edição, temos textos sobre a greve nas Universidades brasileiras, os ataques midiáticos à Venezuela, a parceria Ricardo Teixeira / Rede Globo, e a Comissão Estadual da Verdade no Rio Grande do Sul, além de uma entrevista exclusiva com Carmen Lucia Paz, uma das coordenadoras do Núcleo de Estudos da Prostituição (NEP).

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 6 edições – R$ 40; 12 edições – R$ 60; 20 edições – R$ 100. As edições são quinzenais. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Sobre Alexandre Haubrich

Jornalista, estudante de Ciências Sociais na UFRGS
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