Do golpe branco no Paraguai

A expulsão de Fernando Lugo da Presidência do Paraguai em um golpe branco orquestrado pela direita urbana, pelos ruralistas (incluindo os “brasiguaios”) e por multinacionais como a Monsanto, demonstra a necessidade que os governos progressistas latino-americanos têm de buscar o povo para dentro do Estado. Na Venezuela, há dez anos, tivemos uma demonstração semelhante com a tentativa de golpe contra Hugo Chávez, e o problema se repete no Paraguai.

Chávez entendeu, naquele momento, a importância de fortalecer a mídia contra-hegemônica e a comunicação estatal como forma de neutralizar o poder da velha mídia oligárquica que encabeçou sua derrubada. Lugo teve três anos para fortalecer seus laços com o povo paraguaio, mas seguiu aliado à direita com quem se elegera e que o acabou traindo, como era de se esperar.

Sem apoio parlamentar, Lugo foi derrubado por elites descontentes com a democracia e pelo atraso histórico do processo de politização de um povo que o elegeu presidente sem eleger seu ideário como proposta de país. Lugo foi à presidência sem base no Legislativo, e acabou corrido de seu cargo sem direito à defesa, em um golpe com aparência de instrumento democrático, sim, mas que poderia ser evitado se a emancipação de fato do povo paraguaio estivesse em um ponto mais adiantado, que desse condições de governabilidade ao seu presidente.

Faltou consciência para eleger um parlamento condizente com a presidência, e faltou, da parte de Lugo, coragem e convicção política para unir-se em definitivo ao seu povo e radicalizar um processo que, por tentar resolver sua formação manca apoiando-se na velha direita, deixou de garantir a sustentabilidade de qualquer avanço popular.

O texto acima é o editorial da 40ª edição do Jornalismo B Impresso. A edição será distribuída em Porto Alegre na próxima semana, e o jornal pode ser assinado em qualquer lugar do Brasil. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

Nessa edição, temos textos sobre o golpe branco no Paraguai (Rodrigo Cardia), a Rio+20 e a Conferência dos Povos (Cíntia Barenho), uma resolução que ataca a liberdade cultural nos morros com UPPs no Rio de Janeiro, o Conselho de Comunicação do RS, além de entrevistas exclusivas com os chargistas Santiago e Carlos Latuff.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 6 edições – R$ 40; 12 edições – R$ 60; 20 edições – R$ 100. As edições são quinzenais. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Sobre Alexandre Haubrich

Jornalista, estudante de Ciências Sociais na UFRGS
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