“Parte da grande imprensa defende o atual modelo”, disse o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, em comentário postado no site Sul 21. Referia-se o governador ao modelo dos pedágios, que acaba de ser modificado em decisão da Assembleia Legislativa. Um rápido olhar comparativo demonstra a correção da tese de Tarso.
Nesta quarta-feira, dia seguinte à aprovação do projeto do governo pela AL, todos os jornais diários com circulação estadual falaram sobre a mudança, alguns com mais destaque, outros com menos. A diferença mais gritante está, porém, na abordagem. Entre o portal Sul 21, e os jornais Correio do Povo, Jornal do Comércio, O Sul e Zero Hora, apenas esta última, apoiadora da privatização das estradas durante o governo de Antonio Britto (PSDB), atacou o novo modelo. Está claro a quem Tarso se refere.
Em pequena matéria do Sul 21 a respeito do comentário de Tarso, é exatamente sobre isso que o governador fala: “No comentário, Tarso disse que ‘as manifestações que transitam numa parte bem identificável da grande imprensa defendem o modelo atual de pedagiamento, sem dizê-lo de forma expressa’. O governador observou que ‘essa mesma ideologia (…) drenou milhões e milhões de reais para bolsos privados’ e, ainda em referência a setores da imprensa gaúcha, apontou que o atual modelo foi ‘harmonicamente implantado com eles durante o governo Britto’.”
O exercício do olhar comparativo é fundamental para não sermos enganados por esse tipo de mídia. Comparemos, então:
* Para entender o novo modelo de pedágios no Rio Grande do Sul, leia a reportagem do Sul 21.
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Esse modelo do Tarso só tem um objetivo, reeleição. Ele vai se postar como o candidato que baixou os preços dos pedágios, mas nossas estradas continuaram horrorosas e perigosas. Depois de reeleito (porque não tenham dúvida Tarso vai ser reeleito) ele vai ter que fazer o que não fez: concessões e parcerias com a iniciativa privada para resolver de vez as questão das nossas horrorosas e perigosas estradas. Isso se chama demagogia.
Engraçado é se percebermos também, aonde cada notícia se encontra, em que sua posição no jornal, dá pra definir qual é o que dá mais importância em um modelo de pedágio. O fato da posição, do tamanho e da cor dos títulos por exemplo, traz diferenter valores de linguagem, por terem diferentes signos à população.
Se olharmos a pequena chamada do Correio do Povo e a grande manchete trazida pelo Zero Hora, é algo impressionante. Tudo uma questão de Semiótica.