A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) luta diariamente pelo crescimento dos espaços de comunicação popular. A perseguição estatal é uma realidade que se interpõe como um muro surdo entre a voz das comunidades e seus próprios ouvidos.
Na entrevista a seguir, o presidente da Abraço-RS, Joaquim Goulart, fala sobre essa realidade a ser modificada. A entrevista foi publicada originalmente no Jornalismo B Impresso 37, edição em que comemoramos dois anos de circulação do jornal. Nesta edição, tem ainda Veja e Cachoeira, crise capitalista (Cristóvão Feil), Eldorado dos Carajás (Luiz Felipe Albuquerque, MST), Marcha das Vadias (Ciça Richter), Ocupação Eliana Silva (Lucas Morais), Novembrada (Rodrigo Cardia), a charge do Rafael Balbueno e a coluna sempre especial do Wladymir Ungaretti. Para assinar o Jornalismo B Impresso e ajudar a fortalecer a mídia independente, basta fazer contato pelo bjornalismob@gmail.com.
Jornalismo B – Quantas rádios comunitárias existem hoje no Brasil? E quantas delas estão vinculadas a Abraço?
Joaquim Goulart – Temos em torno de cinco mil rádios com outorga, sendo 15% delas vinculadas a Abraço. Há em torno de 22 mil processos de rádios esperando autorização para operarem.
Qual a importância de uma instituição como a Abraço para a manutenção e o fortalecimento do jornalismo comunitário? De que forma acontece essa atuação?
A importância está no diferencial da produção de conteúdo. Temos algumas formas e metodologias especificas de produção e atuação, levando em conta sempre a realidade de cada comunidade.
Como tu vês a situação das rádios comunitárias hoje no Brasil? Há mais avanços ou retrocessos?
Penso que houve avanços do ponto de vista do conceito popular e do reconhecimento das comunidades, mas houve retrocessos na questão de legislação brasileira.
Qual a importância das emissoras de rádio comunitárias para o fortalecimento da cidadania?
A importância está fundamentalmente no resgate da vida real das pessoas das mais diversas longínquas comunidades, onde muitas vezes não chegam outras ondas de emissoras. Além disso, o fato de as rádios comunitárias não trabalharem voltadas para interesses comerciais é extremamente relevante quando falamos da construção da cidadania.
Quais os pontos fundamentais para que possamos avançar na democratização da comunicação? Que papel a Abraço e as rádios comunitárias podem exercer nessa caminhada?
São vários, especialmente a questão da transversalidade, produção de conteúdo regional, controle social, ou seja, um marco regulatório decente que dê conta do direito à informação sem monopólio. O papel das rádios comunitárias está em conquistar e desenvolver formas e conceitos novos, sincronizados com as mais diversas comunidade e com seus jeitos de ser e viver.






Parabéns por esta entrevista. Precisamos defender as rádios comunitárias. São muitos os municípios ignorados pelas emissoras comerciais. Também é preciso manter a democracia do conteúdo dessas emissoras comunitárias, para que elas não se tornem prisioneiras da informação da grande mídia. Elas não podem servir de meras repetidoras. É preciso apresentar para as rádios comunitárias os meios alternativos de informação e entretenimento.