Na última semana escrevemos aqui no Jornalismo B sobre matéria do jornal Zero Hora que atacou a luta do presidente equatoriano Rafael Correa contra os desmandos da mídia privada local. Naquele post o caso foi explicado: Há cerca de um ano, Correa processou pessoalmente os donos de um dos maiores jornais do Equador, o El Universo, por injúria. Em um artigo publicado no jornal, o presidente foi chamado de “ditador” e acusado de ter ordenado um ataque a um hospital durante uma revolta de policiais em setembro de 2010, durante a qual Correa denunciou uma tentativa de golpe de Estado. Na última quinta-feira a Justiça equatoriana manteve sua decisão anterior de condenar os irmãos Pérez e o colunista Emilio Palacio a três anos de prisão e ao pagamento de U$$ 40 milhões. Os empresários, criminosos condenados, fugiram do país, dois deles para os Estados Unidos, o outro para o Panamá.
Agora, na última segunda-feira, Zero Hora reforçou sua posição já incutida na matéria da semana anterior, e publicou um editorial distorcendo a realidade e os fatos objetivos ocorridos no Equador. O texto já inicia atacando o presidente democraticamente eleito pelo povo equatoriano e tentando deslegitimar a decisão judicial: “Um presidente autoritário e uma Suprema Corte submissa (…)”. Depois, o editorial afirma que Correa “opta pela tirania do populismo repressivo, que não admite questionamentos aos governantes de plantão”. Como assim “de plantão”? Mais uma vez Zero Hora desrespeita o povo equatoriano e sua soberania para definir os rumos do próprio país.
E o jornal gaúcho não hesita em modificar as verdadeiras razões do processo de Rafael Correa contra os empresários e o colunista: “processou e conseguiu a condenação de três diretores e um articulista do diário El Universo por críticas ao seu governo”. Na verdade, o presidente foi chamado de “ditador” e acusado de mandar atacar um hospital, acusação refutada pela justiça. Claramente o que foi escrito não configura “críticas ao seu governo”, mas injúria, crime pelo qual os processados foram condenados.
No terceiro parágrafo Zero Hora mostra seu verdadeiro alvo a cada vez que atira contra as tentativas de democratizar a comunicação e de acabar com os desmandos de alguns setores da mídia. Ao chamar os Conselhos de Comunicação e a redistribuição de verbas publicitárias (referida ali como “pressão publicitária”) de “processo que culmina com as liberdades individuais numa fogueira”, o jornal gaúcho busca criar um imaginário coletivo contrário a possíveis avanços que os atuais governos federal e estadual possam buscar na área das comunicações. E não economiza subterfúgios para defender sua sobrevivência, diretamente afetado que seria por qualquer iniciativa séria no sentido de fazer da totalidade da mídia um espaço de construção de cidadania, e não mais um espaço de construção de fortunas.
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Tags:Conselho de Comunicação, democratização da mídia, El Universo, Equador, liberdade de expressão, liberdade de imprensa, Rafael Correa, Zero Hora









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