“Multiplicam-se os casos de pessoas presas injustamente. Você é a favor da pena de morte?”. A que resposta induz uma questão montada dessa forma? Induz a refutar a pena de morte, é claro. Agora vejamos: “Pelo assassinato de Eloá, Lindemberg Alves pegou 98 anos, mas cumprirá no máximo 30. Você é a favor da pena de morte, da prisão perpétua, ou assim está bem?”. A que resposta induz essa segunda enquete? É claro que assim não está bem.
O segundo exemplo foi a pergunta formulada pelo programa Polêmica, da Rádio Gaúcha de Porto Alegre, nesta segunda-feira. É claro que o resultado indicou uma forte propensão à defesa da pena de morte. 74% dos votos foram nesse sentido, contra 21% a favor da prisão perpétua. 5% dos votantes disseram que “assim está bem”.
A grande mídia sempre defendeu os interesses dos setores mais conservadores da sociedade, e é esse o sentido de uma enquete formulada naqueles termos. É usado um caso específico que causou grande comoção para debater um tema muito mais amplo. Assuntos que envolvem mudanças sociais significativas não podem ser discutidos a partir de parâmetros emotivos, sob pena de caírem sempre no conservadorismo da segurança da classe média acima de qualquer outro valor.
A racionalidade e a percepção do social sobre o específico ficam abandonadas, e, sob forte comoção, o cidadão tende sempre a gritar pela punição mais severa ao agressor, independentemente das raízes das ações deste ou da funcionalidade real da pena de morte. A aparente impunidade de uma pena de 98 anos reduzida a 30 leva a um anseio por “justiça”, mesmo que este conceito esteja absolutamente superficializado pelo esvaziamento da racionalidade do debate social real.
Uma sociedade doente se auto-alimenta. Lindemberg é resultado e causa dessa doença, como o são muitos outros, como o é uma mídia concentrada, elitizada e que propaga valores de ódio ao ser humano e à coletividade, que propaga desesperança, medo e desunião para manter essa sociedade doente sob domínio de uma elite cheia de ânsia de exclusividade e exclusão.
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Tags:Eloá, Lindemberg Alves, pena de morte, Polêmica, Rádio Gaúcha








É isso que a midia quer :estimular mais ferro contra a sociedade.Em nenhuma hipotese sou a favor de perpétua e pena de morte.Mas infelizmente a maioria é facilmente manipulada.Prisão não é vingança.Prisão em teoria é reabilitação.Em teoria pois na pratica é uma tortura.Não resolve nada.
As pessoas pensam que é até fácil ficar 5 anos numa prisão superlotada e torturadora.Prisão brasileira é TORTURA.Se voce encostar num preso sem querer,já é motivo para ele te dar um soco . E nem é reabilitação .Prisão é tortura e escola de crime. E o brasileiro tá caindo na mesma onda americana,pensando que levar todo mundo pro xadrez ou pra morte resolve.Resultado :EUA continua um pais violento,penas de morte injustas , e a maior taxa de incarceração do planeta.
Eu duvido este cara sair inteiro depois que passarem 15 anos.Muitos raros estes casos.
Agora o engraçado é que as pessoas não conseguem ver os problemas sociais nem criticar eles,mesmo sendo eles a maior fonte de desgraça neste pais.Mas não ,”é chato ” discutir politica né.