A coluna F5, da Folha de S. Paulo, noticiou nesta quinta-feira que a Record teria mobilizado seus estagiários em jornalismo “para agir e postar, nas redes sociais, comentários elogiosos à cobertura da emissora nos Jogos Pan-Americanos, em Guadalajara. O objetivo da tropa era contra-atacar as críticas que há desde o início da transmissão, a respeito do tom “ufanista” de gente como Maurício Torres e Fernando Scherer, entre outras coisas”.
A estratégia teria vazado a partir de emails trocados entre esses estagiários e seus familiares. Coisas do tipo a gente não passou anos estudando para ser brinquediinho e, depois, disseram que vazou p (ara) (uma jornalista) um mail da chefia com as ordens. Então o pessoal abortou a operação (anteontem) à noite. Ainda segundo a coluna F5, a Record informa que mantém junto ao seu Departamento de Internet um grupo de trabalho responsável por fortalecer e divulgar a marca da emissora e de seus produtos nas mídias sociais – prática legítima e comum executada por grandes corporações em todo mundo. A Record, obviamente, não endossa ações anti-éticas e vai apurar internamente se houve algum tipo de desvio de conduta.
A mesma coluna diz que essa estratégia já é usada hoje por empresas, marcas, produtos específicos e até pelo governo federal, de forma descarada e, obviamente, com fins políticos. É preciso separar as coisas, e, já que vamos comentar o caso da Record, é importante dizer primeiro que a relação feita pela Folha é absolutamente espúria. Militância política virtual é absolutamente legítima, desde que parta – como parece ser o caso do PT – de militantes efetivos do partido, ainda que pagos. A coluna afirma também: Isso causa impressão de que existe uma situação naturalmente favorável, ou em defesa da marca/partido, mas na verdade, ela não existe. É manipulada. Inventada, “fake”. Não é bem por aí. A militância política é muito diferente da publicidade de uma marca ou empresa. Ela lida com outro tipo de lógica e com outro tipo de ação.
Sobre o caso específico da Record, duas questões se colocam: as transmissões do Panamericano e a exploração dos estagiários em jornalismo. Sobre a primeira, a questão do “ufanismo” é a prática comum nas transmissões esportivas brasileiras. Infelizmente o esporte não é entendido como um espaço cultural, digno de coberturas jornalísticas. É colocado como um grande circo, um espetáculo de entretenimento, o que acaba dando espaço para que narradores e comentaristas mais torçam do que documentem jornalisticamente o que acontece.
Com relação à estratégia da Record para reverter a má impressão causada por algumas de suas transmissões, essa é a realidade da maioria dos estágios em jornalismo no Brasil. Os estagiários são pouco mais do que brinquedos. Nas faculdades de jornalismo são treinados para apertar botões e cumprir ordens nos grandes conglomerados de mídia. Estagiam nesses mesmos espaços, com essa mesma lógica, para depois se tornarem repórteres comprometidos mais com a camisa da empresa do que com o jornalismo e o interesse público. Essas empresas de comunicação não respeitam a sociedade, porque respeitariam os funcionários que vestem orgulhosamente a camisa da grande imprensa?
A propósito, não se deve duvidar de que a Rede Globo possa estar fazendo o mesmo tipo de coisa. Nenhuma emissora de televisão aplica melhor do que ela a lógica da mistura entre jornalismo e entretenimento, com clara sobreposição deste sobre aquele, a qualquer custo. O Panamericano, praticamente ignorado pela emissora, é um bom exemplo. Ao ignorar um fato jornalístico dessa importância cultural, a Globo ignora também a situação em que opera: é concessionária de um serviço público, e, como tal, deve atuar antes pelos interesses informativos do que por seus próprios interesses enquanto empresa.
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A verdade é que os brasileiros não estão vendo os jogos PAN e a culpa é da Record. Se fosse com a Globo a realidade seria outra. Nos jogos Olímpicos de Pequim a Globo transmitiu e o Sportv colocou 3 canais para os assinantes: sportv, sportv2 e sportv3. A Record, no horário nobre, coloca suas novelas de péssima qualidade.
A record está fazendo a pior transmissão de evento que já vi.
Nas paralelas, com Sazaki, ele ficou em quinto, mas ficou algo estranho no ar e interromperam a transmissão sem nos explicarem nada.
o corral ficou com ouro
3 jogadores ficaram empatados com a prata.
logo, a medalha de bronze ficaria com o quinto lugar, nesse caso, o Sazaki.
Cadê o esclarecimento? ficou ou não com a medalha? Quero ver o Pan, não essa merda de novela inútil.