Nesta terça-feira chega a uma semana a greve dos bancários do Rio Grande do Sul. Os trabalhadores pedem 12,8% de aumento, o que seriam 5% de aumento real, enquanto os bancos, que lucram cada vez mais, oferecem 0,56% de aumento real. Com a greve, causada pelos banqueiros – e não pelos bancários, as grandes vítimas da lógica trabalhista dos bancos –, os usuários também saem prejudicados. Esse prejuízo é duplo: além das dificuldades óbvias em utilizar os serviços a que têm direito, ainda se vêem afundados em um grande lamaçal midiático. A desinformação é a tônica constante na mídia hegemônica quando se fala em qualquer movimento grevista. Nesse caso não é diferente.
Representante midiático das elites, o jornal Zero Hora começou, no mesmo dia em que iniciava a greve dos bancários, uma campanha difamatória contra o movimento e o Sindicato dos Bancários. A estratégia para jogar a população contra os grevistas vem sendo dupla: mostrar como a greve prejudica o bom andamento da vida do leitor e, imediatamente a seguir, deslegitimar o movimento como instrumento de luta.
Foram, até o momento, quatro matérias falando sobre a greve. Duas delas (27/09 e 04/10) falaram apenas sobre as dificuldades que os consumidores encontram e sobre “como fugir dos transtornos”. Ou seja, a greve é uma prática que atrapalha o bom andamento social e o “consumidor” deve agir em relação a ela apenas buscando formas de contorná-la. Não há porque se interessar em conhecer as motivações dos grevistas, muito menos solidarizar-se a eles. Zero Hora reforça o ideário liberal do indivíduo por si mesmo, desconectado de sua classe – no caso, a classe trabalhadora – ou das demandas sociais impostas de cima e refletidas embaixo.
As outras duas matérias (28/09 e 01/10) “denunciam” o uso de “grevistas de aluguel” que, segundo ZH, “dão volume ao movimento”. A ideia passada é de que o movimento não tem força e busca se legitimar através de artifícios que não são bem aceitos socialmente. Declarações do presidente do SindBancários, Mauro Salles, foram distorcidas para corroborar a tese que visa deslegitimar o movimento perante a população e entre seus próprios militantes. Salles deixa claro que foi contratado pessoal de apoio “para levar lanche, fixar faixas e até dar informações aos clientes”, já que “os funcionários de bancos privados que ficam na frente de suas agências podem ser demitidos”. Sobre mais essa forma de pressão sobre os trabalhadores – o risco iminente de demissão por exercer o direito à greve – Zero Hora preferiu não se aprofundar.
As reivindicações dos bancários também ficam de fora da cobertura, assim como qualquer reflexão sobre o fato de os lucros astronômicos dos bancos não refletirem em uma melhora efetiva na condição dos trabalhadores.
Na matéria do dia 27/09, são seis parágrafos, totalizando 30 linhas, e apenas as últimas quatro foram destinadas a informar que “Os bancários reivindicam aumento de 12,8%, que corresponde à recomposição do salário de 7,8% mais o aumento de 5%”. Em 28/09, 13 parágrafos, 87 linhas, e apenas as últimas quatro, novamente, falam sobre reivindicações, e de forma incompleta (“Em greve nacional, os bancários reivindicam reajuste salarial de 12,8%. A Federação Nacional dos Bancos oferece por enquanto 8%”). No dia 01/10, cinco parágrafos, 35 linhas, e nenhuma palavra sobre reivindicações, o mesmo acontecendo no dia 04/10, quando o texto principal tem sete parágrafos que totalizam 61 linhas.
A grande mídia, representada, nesse caso específico, pelo jornal Zero Hora, é a tercerização do discurso das elites. É a imprensa de aluguel, alugada pelos banqueiros para defender seus indefensáveis interesses. O ataque às reivindicações dos trabalhadores é diário, e a desintegração social entre os explorados é o objetivo quando se criminaliza e deslegitima, através de um discurso distorcido, movimentos sociais legítimos e com direito à manifestação.
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A melhor forma de combater e desconstruir o discurso da grande mídia é fazendo exatamente o que tenho encontrado neste espaço,análises criteriosas e bem fundamentadas sobre os métodos “jornalísticos” utilizados pelos veículos de imprensa para impor à sociedade a sua visão sobre os fatos e dessa forma preservar os seus interesses e de seus aliados.
Talvez seja por isso que esses grupos de comunicação hegemônicos recorrem cada vez mais à censura,já que a crítica a eles se tornou extremamente qualificada,expondo de forma nítida e precisa o que possuem de pior,e impossibilitando o uso de argumentos que a contestem.
A censura atual nos meios de comunicação é muito pior que a praticada nos anos da ditadura. Naquela época os bons jornais conseguiam driblá-la e informar a população. Hoje quando lemos notícias como estas comentadas, vemos um outro tipo de censura, a censura financeira. Os grandes anunciantes (bancos, lojas, montadoras e principalmente o governo) é quem define o que dever ser publicado e como deve ser.
A imprensa mostra-se indiferente a greve dos bancários e noticia todos os dias o desenrolar da greve dos correios. Trepudia em cima dos bancários apresentando os
aposentados e pessoas portadoras de necessidades especiais sem atendimento. É incrível a falta que faz uma imprensa com isenção de interesses. Depois que reduziram os comerciais de bebidas e cigarros, com certeza são banqueiros os maiores anunciantes. Será que a cada ano é preciso parar para que os banqueiros reflitam que é necessário melhor remunerar e qualificar o serviço bancário, para que eles continuem lucrando sempre mais do que o ano anterior.
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