Analisar de forma comparativa é um caminho básico para compreender as diversas formas pelas quais o jornalismo pode ser usado politicamente, as ideologias que pode propagar e os interesses que pode defender. Comparar um veículo de mídia com outro é um caminho interessante para essa percepção, assim como colocar lado a lado diversas ações do mesmo veículo ou grupo mostra com clareza que nenhuma opção editorial é feita “sem querer”.
Essa é a importância de um material reunido e organizado por Gilberto Maringoni e publicado no site da agência Carta Maior. É uma apresentação em “Flash” onde aparecem 123 capas da revista Veja publicadas entre 1993 e 2010, capas selecionadas entre as 928 edições da revista nesse período.
O material organizado por Maringoni leva numericamente, metodologicamente, a uma conclusão já intuída facilmente: a revista Veja é de extrema-direita e possui critérios editoriais que passam longe do bom jornalismo. As abordagens diferentes para temas semelhantes demonstram isso, assim como a recorrência em ataques semelhantes aos movimentos sociais.
A ideologia do medo é muito presente nas capas apresentadas, pintando recorrentemente Lula, o PT e o MST como espécies de monstros diabólicos que deveriam ser enfrentados e destruídos pela sociedade. Ao mesmo tempo, a adoração por Fernando Henrique Cardoso fica clara em uma grande sequência de capas extremamente simpáticas ao ex presidente e otimistas quanto a suas ações. Mas não é apenas com enfoque partidário que se dá a atuação neofascista de Veja. Os ideários transmitidos em relação a diversos temas da sociedade são sempre baseados em preconceitos ou sensacionalismo, como também está demonstrado no apanhado de Maringoni.
A partir desse material muitas outras constatações podem ser feitas. Estudos sobre o panfletismo fascista da Veja podem abordar o pior jornalismo sob diversos aspectos, sempre a partir da comparação com a forma como outros veículos – mesmo de direita – abordam os mesmos temas ou da análise sobre a clara acumulação de repetições simplificadoras nas capas da revista. Ao publicar essa reunião de capas acompanhadas de análises e comentários críticos, a Carta Maior faz bom jornalismo, desvendando algo que dificilmente chega ao grande público, já que trabalhos assim costumam se resumir aos espaços acadêmicos. Para entender cada ação isolada de veículos como a Veja é preciso buscar o contexto, e a história recente da Veja a condena ao lugar mais sujo do jornalismo brasileiro.
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Dica: http://cristaldo.blogspot.com/2011/09/faxineira-varre-lixo-para-baixo-do.html. Pelo visto, a Veja ainda deixa a desejar. Tem que se apontar a própria cúpula corrupta.
A esquerda bolsonara e sua mídia simpatizante mente, manipula e distorce muito mais do que a Veja. Se não fosse a Veja o governo da Dilma estaria ainda cheio de picaretas que foram desvendados exatamente pela grande mídia. É muito estranho que a esquerda bolsonara queira calar a grande mídia, que interesses estão por trás disso?