Reconstruindo a ordem

Em níveis diferentes e de formas diferentes, cerca de uma dezena de países do Norte da África viveu no início deste ano ou está vivendo rebeliões populares. Na América Latina, a transição do século XX para o XXI vem trazendo a ascensão de governos populares, de esquerda e centro-esquerda. Na Europa, centenas de milhares ocupam as praças da Espanha, protestam na Grécia, em Portugal e na França. No Brasil, a Marcha da Liberdade acaba de fazer dezenas de milhares gritarem juntos pelo direito de ter voz. Alguma coisa está fora da ordem.

O que vai resultar de tudo isso dependerá dos caminhos escolhidos durante o processo, mas o que está claro é que a indignação começa a transformar-se em revolta e em luta efetiva por democracia real. A crise econômica e a crise política se alimentam mutuamente. Há clima para que o povo comece a assumir o poder político e, assim, a capacidade de definição sobre os rumos do sistema. Há, porém, sempre o risco de intervenção aberta ou dissimulada dos mais poderosos interesses imperialistas-capitalistas e das próprias elites locais, o que levaria a um processo de simples substituição de elites políticas, e seria um grande retrocesso em processos que têm se mostrado essencialmente populares.

Para esta edição do Jornalismo B Impresso fizemos um esforço para contemplar alguns desses movimentos. Na página 4, Rodolfo Mohr escreve sobre os protestos contra o DCE da PUCRS, que há 20 anos não permite que os estudantes participem da atividade estudantil. Lucas Morais faz, na página 5, um resumo do 15M, movimento que vem ocupando as praças espanholas. Na contracapa, uma edição especial da seção Ponto de Vista, com imagens da Marcha da Liberdade por todo o Brasil. É assim, divulgando e contextualizando os movimentos, que a mídia contra-hegemônica participa desse processo popular.

O texto acima é o editorial da 22ª edição do Jornalismo B Impresso, a edição da segunda quinzena de junho, que será distribuída em Porto Alegre na próxima semana. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Sobre Alexandre Haubrich

Jornalista, estudante de Ciências Sociais na UFRGS
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