*O artigo a seguir é uma colaboração especial de Bia Cardoso e Niara de Oliveira, com participação do grupo das Blogueiras Feministas.
Qual é a voz da mulher na mídia brasileira? Seria a brasileira mais um corpo do que uma voz? Como são mostrados na mídia as propostas feministas? Mais mulheres presentes e atuantes na mídia não significa mais qualidade de informação e nem mais espaço para as mulheres. A informação é atualmente peça-chave na construção de opiniões, porém a reflexão sobre a informação não completa o pacote.
Difícil falar sobre o que não existe. Se a história que será contada no futuro sobre os dias atuais está registrada nos meios de comunicação de massa, nós feministas não existimos. Não somos contraponto de informação e nem analista em casos que dizem respeito à nossa luta e trabalho diários, como os de violência sexista.
O feminismo é um movimento social e político que não encontra espaço na mídia tradicional, pois a ela não interessa repensar o status quo, modificar as relações de poder internalizadas e na chamada mídia alternativa, raros são os espaços. As feministas são estereotipadas como radicais e intolerantes e quando são chamadas a opinar, melhor que sejam as razoáveis, que tratam os homens – mesmo os machistas – com menos agressividade. Aborto é o assunto sobre o qual não se deve falar, pois Deus está vendo. As desigualdades na divisão sexual do trabalho são fruto da imaginação de pessoas que não veem que mulheres estão fazendo as mesmas coisas que os homens, inclusive estão sendo promíscuas, um pecado capital às fêmeas comuns, mas não àquelas retratadas em novelas e programas sensacionalistas.
A mídia invade nossos sentidos todos os dias. Mas a mulher invade a mídia de que maneira? A presença da mulher na mídia, especialmente a televisiva e publicitária, é marcada pela exposição de corpos jovens e bonitos. No caso da publicidade, o que antes era apêndice da comunicação hoje é conteúdo. Faz todo sentido colocar mulheres nuas ou seminuas em jornais populares. Vende. Colocar mulheres nuas ou seminuas na televisão dá audiência. Ninguém discorda. Porém, poucas pessoas criticam o excesso, a maneira como a publicidade passou a moldar a maneira como recebemos a informação, a forma como os programas de rádio e tevê são organizados. A estética toma o lugar do conteúdo e a mulher passa a ser medida por este novo conceito. Talvez nunca tenhamos deixado de ser enfeite. Antes nas salas, fazendo figuração para os amigos negociantes do marido ou servindo-o, hoje também na sala, mas dentro da televisão de uma forma mais “democrática” já que não é mais preciso saber recitar, falar corretamente, falar outro idioma ou tocar piano.
Ainda podemos alegar que há muitas mulheres trabalhando em veículos de mídia e que isso por si só já seria uma conquista. Porém, quantas estão realmente produzindo informação em benefício das mulheres? Quantas estão trazendo a voz da mulher para os principais assuntos do dia? Basta contar quantos especialistas consultados são mulheres. Quantas feministas são convidadas para debater temas atuais? O feminismo não é sequer citado em noticiários ou programas de debate, apenas nos humorísticos, sempre como piada relacionada a estereótipos reproduzidos diariamente pela mídia.
Importante lembrar que caricatura e chavões não são usados apenas para atacar feministas, mas também para ridicularizar qualquer movimento social que o status quo considere arcaico ou inválido de reivindicar direitos, como o movimento LGBT. O movimento negro parece ter alcançado algumas vitórias neste quesito, porém, ainda é possível notar o preconceito de várias pessoas na mídia em relação a pessoas pobres, pessoas que se atrevem a abrir a boca do alto de suas vassouras.
Atualmente vivemos imersos em uma cultura que privilegia o efêmero, o descartável, o individualismo e a competição. Isso vai se refletir na mídia e na maneira como a mulher é representada, como mais um objeto de consumo que participa de um processo de consumo que dita quem devo ser, o que devo usar, como devo agir, como deve ser meu corpo, o que devo desejar. Só não diz onde está minha autonomia e nem minha voz.
Os meios de comunicação de massa são a principal fonte de informação para a sociedade em que vivemos. Dentro dessa rede a mulher só possui voz plena em mídias alternativas. O debate sobre questões fundamentais femininas como direitos reprodutivo, violência doméstica, sexualidade, maternidade e feminismo continua restrito a pequenos grupos. Porém, a internet com seu alcance ilimitado pode ser a grande maneira de invertermos posições e equilibrarmos quem detém o poder da informação. Estamos dispostas a parar de falar baixo nos meios de comunicação tradicionais e a gritar na internet e nas ruas. Juntas, pela democratização da informação e pela nossa revolução midiática feminista.
*Bia Cardoso edita o blog Groselha News, e Niara de Olivera o blog Pimenta com Limão. O blog das Blogueiras Feministas é o http://blogueirasfeministas.wordpress.com.
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Acredito que se deve Mudar muita coisa na vida das mulheres. A mídia de transformar as mulheres em objetos sexuais manipúláveis que vendem seus corpos em troca de valores .Toda vez que a mulher pousa para revistas , que vivem como dançarinas sensuais dão maus exemplos para a sociedade. Claro não é culpa toda das mulheres da tv. Barbies criam este esteriotípo onde ser princesa que vale a pena pois não faz nada e consegue tudo com seu corpo.
Meninas hoje passam maquiagem o tempo todo e as roupas cada vez mais apertadas. O engraçado é as mulheres são mais sensíveis e usam roupas mais curtas e apertadas que nem mesmo deixam o sangue passar.
Isso tem que mudar e o sistema economico é culpado pela erotização precoce, inclusive a moda mundial aculturada.Mas de novo ,enquanto o sistema de lucro não morrer,isso não vai mudar. Mulher virou objeto e quando isso acontece os homens pensam que podem quebrar e jogar fora este objeto.
É inutil fazer campanhas em massa de agressividade contra a mulher.
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Excelente o artigo. Destaco, em especial, o trecho: “atualmente, vivemos em uma cultura que privilegia o efêmero, o descartável, o individualismo e a competição. Isso vai refletir na mídia e na maneira como a mulher é representada”. Dois exemplos, que deveriam estar ‘fora da caixa’, são Ana Maria Braga e Astrid Fontenelle. Até recentemente, não entendia por que apresentadoras tão competentes e maduras se rendem aos ditames de produtores que as querem exibindo o corpo (coxas e peitos, principalmente) e com saltos altíssimos (caso de Astrid). Elas não precisam desses apelos para manter cativa a audiência que as acompanha há anos… Desse jeito, fica difícil ter na mídia mulheres que representem, de fato, o que é ser mulher.
Acho que isso ainda é pior pois para se ganhar audiencia a mulher tem que mostrar seu corpo e abusar da sensualidade. Assim ,a mulher é transformada em uma prostituta legaliazada .E quando se usa o corpo para vender algo ,então a mulher se transforma em objeto de prazer descartável e desprezivel.
Nessas horas culpe as mulheres da televisão que vivem usando o seu corpo para ganhar dinheiro.Não culpe somente o machismo .
Companheiras de luta, vocês arrasaram com este texto. Tocaram em pontos (feridas abertas) essenciais.
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Mulheres de diversos segmentos sociais se reúnem em Valença neste fim de semana para sua Conferência Territorial.
Após mobilizar lideranças femininas nos diversos municípios do Baixo Sul, Valença sediará a etapa territorial da conferência de politicas para as mulheres. O evento realizado pela Secretária Estadual de Mulheres-SPM , ocorrerá no Instituto Federal da Bahia-IFBA durante os dias 17 e 18 de outubro ( Domingo e Segunda) reunindo lideranças Marisqueiras, Sindicalistas, Quilombolas, Religiosas, Intelectuais e que tem como base de atuação o debate de gênero .Estas mulheres irão pensar e avaliar as politicas de Governo do Estado da Bahia e as demandas que as atinge diretamente. A Conferência que é um instrumento de avaliação, monitoramento de ações e programas desenvolvidos pelo estado para estas, terá como tarefa aprovar uma plataforma de politicas de gênero que será usada na elaboração e fortalecimento do segundo plano Estadual de Politica para as Mulheres da Bahia.
A etapa Territorial acontece após uma série de conferências municipais, onde foram eleitas as delegadas que analisaram como as politicas de gênero são praticadas em seus municípios, tendo como ponto de reflexão os eixos de Autonomia, Educação, Saúde, Comunicação e cultura, além do eixo de prevenção a todas as formas de violência. Esta conferência tem um diferencial ao ser cobrado que em todas as etapas que o debate de gênero considere as dimensões de raça e qual o tratamento dispensado a mulheres negras nos eixos de reflexão e avaliação destas politicas.
Para a representante da Spm – Jaciara Ribeiro este é um momento de fortalecimento e participação das mulheres das diversas formas de ativismo social ,esta etapa da conferência da mesma forma que as anteriores contribui para que mulheres com olhares e vivencias diferentes digam o que é importante para elas em seus municípios e como o governo deve atuar . “ Estamos diante de mulheres que relatam que mesmo dirigentes nas associações comunitárias e cooperativistas não estão distante das situações de machismo, racismo e boicote por parte de seus” companheiros” de luta politica, esta Conferência permite então que as mulheres se apropriem desse instrumento estruturante e de mobilização popular. Concluiu Ya Jaciara.
As políticas de gênero são resultados de uma intensa mobilização social das mulheres brasileiras organizadas em movimentos feministas. Mesmo após tantas vitorias, estas ainda requer politicas especificas e transversais de promoção, prevenção e garantias de direitos. Segundo o censo de 2010 as mulheres na Bahia, são a maior fatia da população 7.138.640, dessas 1.876.775 vivem em áreas rurais e 5.261.865 na área urbana onde cinco milhões são negras. Diante destes fatores a conferência torna-se um espaço que além de permitir avaliar e propor políticas especificas ,possibilita ao governo baiano ouvir a opinião destas .
O que: Conferência Territorial do Baixo Sul
Quando: 17 \ 18 de Outubro de 2011 (Domingo e Segunda)
Local: Instituto Federal da Bahia-IFBA-Valença
Hora: 10 h
Informações: 71-8782-7739 \ 9959-2350 –Luciane Reis –COE – Estadual 71- 91317401 -Roberta Sampaio – Coordenadora Spm