O artigo abaixo é uma colaboração especial de Júlia Schnorr*.
Na edição da semana passada do pasquim tupiniquim ‘’Veja’’, havia uma matéria sobre educação brasileira que, ao longo do texto, buscava criticar o sistema escolar do país.
A matéria, intitulada ‘’Uma lição de futuro’’, era acompanhada por duas fotografias de dinâmicas educativas, uma mostrando a realidade dos EUA e outra retratando uma escola carioca. No corpo do texto, havia a apresentação do programa Teach for America, que leva estudantes de universidades como Harvard e Yale para lecionar em escolas públicas norte-americanas.
Essa iniciativa acaba de ser importada para algumas escolas públicas, localizadas em favelas cariocas. Com financiamento de quase 4 milhões de reais, e custeados pelo setor privado, o programa Ensina! irá começar suas atividades com 40 jovens, distribuídos em 15 escolas.
A matéria, assinada por Roberta de Abreu Lima, lamenta que o sistema escolar do Brasil seja corporativista, pois afirma que falar sobre cumprimento de metas ou criação de um meio competitivo em sala de aula é visto com críticas pela classe de professores. Além disso, ‘’Veja’’ diz que o sistema escolar é corporativo, pois não possibilita que profissionais que não sejam formados em licenciatura, pedagogia ou magistério dêem aulas, o que, em suas palavras, ‘’impede a atração das mentes mais brilhantes para as escolas. ’’
O pasquim trabalha com a educação de uma maneira próxima do tratamento que dá à economia. Ao valorizar as iniciativas de cunho liberal e empresarial, a matéria enfatiza atitudes financiadas por fundos privados, não tratando a questão como problema social com responsabilidade de discussão de políticas públicas.
A jornalista Lima não abordou teorias pedagógicas em exercício em nosso país ou na América Latina, como as práticas educativas de Paulo Freire ou do método cubano ‘’Yo si puedo’’, o último já testado no Piauí e na Venezuela. Ao trazer valores do mercado competitivo para o campo educacional, a matéria não problematiza de forma propositiva a educação brasileira e tampouco visa a valorização de políticas públicas de continuidade para o nosso país.
*Júlia Schnorr é professora de História e estudante de Jornalismo – juliaschnorr@gmail.com - catherinedejupiter.wordpress.com
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Caro Alexandre, quanto ao corporativismo a revista está certa. É um dos maiores entraves à nossa educação pública.Sou professora aposentada e conheço bem os bastidores das escolas. Certa vez ouvi de uma colega numa sala de reunião: “na escola, posso até matar uma criança que nada me acontece”. E, infelizmente, tragicamente, ela descreveu uma realidade. Lembra-se, acho que ano passado, quando o governo de SP tentou dispensar inúmeros professores que tiraram “zero” num teste para professores? Não conseguiu. O sindicato entrou na justiça e conseguiu manter todos os incompetentes nas salas de aula. Os alunos que se danem…