Uma reportagem da Folha de S. Paulo desta quinta-feira faz uma avaliação forte sobre o cinema brasileiro. O título já resume a ideia: “Vergonha alheia”. A matéria é sobre o Festival de Paulínia, assinada por Ana Paula Sousa, e mostra repercussões horríveis em relação aos filmes apresentados no festival.
O texto é muito bem montado, claro, objetivo e forte. Bem forte. Chega a ser debochado, quase raivoso, ao se referir ao resultado observado pela repórter. O leitor consegue se sentir lá, consegue ter a sensação narrada, quase pode ver os espectadores indo embora antes de o filme terminar enquanto resmungam contra a qualidade do que nem acabaram de assistir.
Em seguida, um texto trata das razões do problema, problema esse que não se resume ao festival, mas, segundo a reportagem, é conjuntural no cinema brasileiro. A decadência estaria em voga, e as razões dessa queda brusca de qualidade estariam em diversos aspectos.
A crítica mais pesada recai sobre o governo federal e a forma como são distribuídos os incentivos, e aí está a principal falha da matéria. Em nenhum momento fica claro para o leitor que forma é essa. Não são explicados os critérios – ou a falta deles, como diz a matéria – para a cessão desses incentivos. Fica pancada em cima de pancada, sem explicações claras. O excesso de festivais também é citado como um complicador, e a matéria também não diz quantos são nem o porquê de serem tantos.
A reportagem de Ana Paula Sousa é um alerta importante, serve para nos mantermos atentos sobre os rumos que diretores, políticos e organizadores de festivais estão dando para esse espaço cultural fundamental que é o cinema. Faltou uma contextualização maior e um aprofundamento em relação a soluções, mas o alerta é importante.
Postado por Alexandre Haubrich
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Tags:Ana Paula Sousa, cinema, cinema brasileiro, Festival de Paulínia, Folha de S.Paulo







Como se lê a matéria? Ela é restrita pra assinantes da revista ou do UOL…
Do jornal, aliás.
Mas bater forte no Cinema Novo, ninguém tem coragem. E a de cadência do cinema brasileiro começou com este maldito movimento de cinema feito-nas-coxas.
Os filmes nacionais serão mais valorizados e melhores arquitetos quando eles começarem a viver dele próprio. Para quer se preocupar com qualidade se o governo vai bancar tudo e não acarretará nenhum prejuízo.Os cineastas atuais deveriam tomar como exemplo o grande Mazaroppi, que conseguiu bancar seus próprios filmes atrevas das bilheterias deles.
Os cineastas de hoje estão acostumados a fazer filme para critico de cinema ver, e esquecem que o povo( que deveria ser o grande publico alvo) são esquecidos, e por isso partem para os blockbust.
oi, alexandre. tudo bom?
acabo de trombar com o seu texto… gostei muito da sua análise. de fato, há muitas questões ali que merecem ser aprofundadas. minha ideia, muito mais do que atacar o cinema brasileiro, era trazer à tona um problema que vive sendo citado nas rodinhas, mas que ninguém traz a público… inclusive, alguns colegas (os que falam o que descrevi) me atacaram fortemente por causa do texto, me senti bastante isolada. acho que até por isso gostei de “trombar” com o que você escreveu.
um abraço,
ana paula