A Copa do Mundo ainda não acabou, o “Caso Isabella” acabou de acabar, e a mídia brasileira já tem uma nova história cinematográfica para explorar e encher os bolsos, já tem mais um caso para manchetear por semanas a fio: o “Caso Bruno”.
O desaparecimento de Eliza Samudio tem trazido fortes suspeitas quanto a um possível assassinato dela por Bruno Souza, goleiro do Flamengo. As razões da suspeita são nacionalmente conhecidas, e não preciso me esmiuçar nelas neste post. As razões da imprensa para dar todo o destaque que tem dado a esse assunto também são conhecidas, mas essas não custa lembrar aqui.
Como o “Caso Isabella” ou tantos outros que já aconteceram por aí, o tal “caso Bruno” não passa de mais um factóide que por meses vai abastecer a imprensa de notícias sem qualquer relevância e que estará sempre desligado de uma real compreensão do assunto. Como celebridade brasileira Bruno irá ao céu, como inocentado “quando toda a sociedade o culpava”, ou ao inferno, como culpado de dar mau exemplo aos adolescentes ao assassinar a mulher.
A grande imprensa vai esquecer que são 10 mulheres assassinadas diariamente no Brasil, vai deixar de lado a violência doméstica e suas causas, vai tratar o assunto como mais um show, e a cobertura toda de nada servirá para informar ou acrescentar conhecimento às pessoas.
O Jornal Nacional já dedica mais de um bloco inteiro ao”Caso Bruno”, a Globo.com parece um hotsite da história, os maiores jornais do país dedicam a maioria das páginas de polícia ou de esporte à tudo o que está acontecendo com a dupla Bruno e Macarrão. O espetáculo já começou. Mais ainda dá tempo de comprar seu ingresso. O showrnalismo agradece.
Postado por Alexandre Haubrich






Mais uma vez os holofotes da imprensa estão direcionados para o fato do momento. O caso Bruno, em que a amante do ex-goleiro do Flamengo, muito provavelmente foi morta e esquartejada por comparsas do atleta, ganhou as telas da tevê brasileira. E tão logo a enxurrada de informações sobre o caso começou a dominar a mídia, os primeiros críticos de plantão já iniciaram o desfile de condenações ao grau de espetacularização do caso. Confesso que este tema me intriga profundamente. Porque, em verdade, há uma pergutna defundao a ser respondida: até que ponto o caso Bruno é, realmente, notícia de interesse da população, e quando ele começa a virar um show para o consumo rápido das massas?
Vejamos: o futebol é um fenômeno intimamente ligado à cultura brasileira. Amamos o esporte bretão tanto quanto a nossas famílias. Uma tragédia desse porte, com os requintes de crueldade anunciados e a notoriedade do personagem principal da “trama”, é um tema extremamente impactante. Diante disso, a necessidade de informação sobre o caso é quase uma exigência inconsciente da coletividade brasileira. A televisão brasileira funciona como uma espécie de catalisador do sentimento da população perante o caso e de sua avidez por novidades.
Quando assistimos a um filme ou a uma novela, queremos que a história nos envolva, que nos domine até o último minuto. Com os fatos da vida real, o processo é o mesmo, só que bem mais intenso. Não é por acaso que o Big Brother e outros reality shows cativam tanto. Vivemos em uma sociedade eminentemente plastificada. A globalização nos tornou muito parecidos. Vemos as mesmas coisas, consumimos as mesmas coisas, vestimos as mesmas coisas. Espoucos de realidade fantástica, como a entregue a nós pela tevê no Caso Bruno, nos fascina, é como uma espécie de carta de alforria contra o marasmo do cotidiano.
A culpa não é apenas da emissora de tevê. Obviamente ela, como uma empresa de comunicação, visa o lucro, traduzido em audiência. Abrir espaços generosos para o caso Bruno é uma forma eficiente de gerar audiência. Este interesse, no entanto, não é apenas fabricado: é, também, pedido. Se a Globo não pusesse uma repórter de plantão na frente do presídio para onde foi levado o ex-goleiro do Flamengo, a população iria chiar, e muito. Se no domingo o Fantátisco não esquadrinhar o caso nos mínimos detalhes, haverá nova lamúria coletiva. Trata-se de uma necessidade premente por informação, e mais do que isso, de uma sede ancestral por definhar os “mitos” da sociedade – neste caso, um goleiro famoso. Sempre haverá os que dirão: “ah, claro, o povo foi acostumado a querer ver sangue e tragédia pela tela da tevê”. Engano. Essa é uma constatação, no mínimo, simplista, algo como querer resolver definitivamente quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Não há culpados. Há uma complementação clara entre o que o público quer e o que as emissoras oferecem.
Não nos isentemos de nossa parcela de contribuição para a montagem do espetáculo. Não estou, com essa opinião, imiscuindo os canais de divulgação de informações de se aproveitarem do fato para lucrar. Como disse antes, é de dinheiro que qualquer empresa vive. Dar prosseguimento ao show é uma forma inteligente de gerar preferência do público na constante guerra por pontinhos de audiência. Mas nós somos parte integrante deste fenômeno. Criticá-lo à distância é comodismo.
Na linha 8, a frase é “uma pergunta de fundo”.
Oi Alexandre. Concordo com tua avaliação. É o show pelo show. Eu também escrevi um texto sobre isso no meu blog, mas eu comentei sobre a “novelização” do caso. Abraço e parabéns pelo blog!
Alexandre,
Gostei muito da sua matéria e concordo muito, porque essa semana os jornais no rádio, televisão e escrita só falavam do caso Bruno, como você disse o show não pode parar, aliás como pode ter tantos delegados e policiais envolvidos no caso, como devem está os demais casos na delegacia que esse delegado trabalha? Porque ele vive dando entrevistas, parabéns pelo excelente texto que faz o leitor refletir.
Um abraço, Edmílson
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Além da predisposição da mídia em transformar tudo em show, ainda temos um delegado disposto a teatralizar e a fazer a narração dos atos grotescos.
Nossa imprensa, de um modo geral, não sabe dosar relevância com assuntos pertinentes e o espaço ideal para cobrir certos acontecimentos. Dá-se o holoforte para o sensacional, e deixa-se de lado o que de fato é essencial, infelizmente
Baita artigo Alexandre!
Avante!
O surpreendente delegado do caso Bruno
Em vez de criminalmente, ele é o personagem mais hilariante. Sabe tudo, jamais se viu um policial com esse “conhecimento”.
1 – “A amante do jogador sofreu muito”. Se não acharam o corpo, como saber? 2 – Vi pelos olhos da testemunha, que era culpada”. 3 – “Bruno agiu friamente”. Bem, se ficar provado que é culpado, não precisa muita inspiração para saber que tudo foi feito FRIAMENTE.
4 – Mas não cabe ao delegado, adivinhar e se RENDER à sedução das câmaras de televisão. Não será afastado, ou obrigado a cumprir suas funções de chefe da investigação?
5 – O magistrado e o policial, tumultuam e complicam a questão, favorecendo os possíveis criminosos.
***
PS – Em vez de estar deslumbrado com a televisão, não seria melhor que estivesse concentrado na descoberta do corpo?
Helio Fernandes
http://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=9963&cpage=1#comment-18847
Ótimo texto. Realmente, o mundo é um palco. Em time que se ganha não se mexe. Por isso continuam o show, da mesma forma, todos os dias, no mesmo bat canal. O desafio é vermos que existem outras frequências, outras vibrações e realidades, sempre.
Houve uma demissão em massa no tal Sul21. Por que o Jornalismo B, que trata de ser um vigilante cão da imprensa nacional e regional, se cala diante desse acontecimento? Não esqueçamos que são nas entrelinhas do silêncio que os meios expressam suas mais truculentas posições.
Sabe no primeiro instante fiquei chocada, com a situação, mais depois tive raiva, da TV do jornalismo que se preocupa muito em denegri a imagem de Bruno, hoje são poucos que faz algum comentario a favor.
Se eu tivesse a oportunidade de falar tudo que tenho vontade a estes urubus de plantão, pediria que procurasem realmente algo que tiver valor de verdade para a sociedade, eu abssolveria Bruno, para algo ter acontecido de tal maneira esta garota tambem aprontou muito…
ela não queria mais que a grana dele e inferniza a vida do garoto, no fundo do meu coração acho que ele não merece esta passando por tudo isso. Que Deus o proteja, Quero um dia esta de frente com ele e dizer olhando nos olhos dele que pesso a Deus que o Proteja, e o Guarde…
Primeiro, nenhum deus não vai te ajudar, amiga.
Depois, “esta garota tambem aprontou muito” e “ela não queria mais que a grana dele e inferniza a vida do garoto” não são justificativas para o suposto fim que a sujeita levou.
Se o goleiro sumiu o não com ela, o que você disse para defender o ato não se sustem.
“Coitado do Bruno. Se matou, é porque tinha um bom motivo.”
Sem palavras p/ um pensamento macabro desse…
“Mas nós somos parte integrante deste fenômeno. Criticá-lo à distância é comodismo”, disse esse Daniel Germano. Não há como discordar mais de tal afirmação. Como fazer para evitar fazer parte da coisa, senão criticando a mesma? E criticar à distância é comodismo? O que quer que façamos? De certo pensa que o politicamente correto seria ir até a casa do jornalista da vez, bater na porta e dizer: “Discordo com o que vossa excelência estais fazendo. Permita-me um debate para elucidar meus pontos de vista acerca do assunto em questão”. Isso seria um modo de criticar mais correto, então?
Blogs estão aí para as pessoas poderem expressar uma opinião que não circula na grande mídia Global. Denunciar as besteiras que os jornais de grande circulação cometem é algo extremamente importante, e vai justamente contra a ideia de comodismo. É o que o Jornalismo B faz, e muito bem.
Comodismo é não fazer nada.
Comodismo é querer imiscuir-se das prórpias culpas adotando uma posição maniqueísta, como estás fazendo. Se o Bruno está na TV, é culpa da emissora. Mas também é tua, como consumidor deste espetáculo. O espetáculo só existe para o espectador. Aliás, garanto que vês novela, Big Brother, usas tênis Nike e comes Mc Donalds. Quem sabe começas a fazer a tua parte e, assim, principia o enfraquecimento desse domínio cultural com mais atitudes e menos demagogia.
Bom eu confesso que no começo eu estava com muita raiva do bruno mais depois que ele passou mal na cadeia eu comecei a ficar com pena dele e eu acho que o culpado de tudo é o macarrão e o bola e a eliza é uma interesseira e uma maria chuteira que se oferecia para todos os jogadores ele e ela são irresponsáveis.
Olá!
Leia artigo isento de sensacionalismo. Uma análise objetiva sobre o caso Bruno. Caso goste, divulgue e comente. Acessar em:
http://www.valdecyalves.blogspot.com
Entendo que uma boa parte de culpa a sociedade tem em se alimentar disso .Mas temos que entender que a propria sociedade foi condicionada há anos pela televisão e pela mídia a ficar procurando lixo sensacionalista.
A midia não quer mudar isso .Ela quer que a sociedade fique presa em círculos eternos de pobreza material e espiritual ,pois isso leva a escravidão .Ela não vai fazer diferente.Ela não vai explicar o porque destas coisas e não vai explicar o problema social envolvido nisso.Ela só vai focar no sentimento e na raiva. Pois sentimentos tanto positivos quanto negativos dao muita audiencia.
Temos que ver que o proprio jogador não é de todo culpado.Ninguém é de todo culpado. Bruno só se descontroulou com uma garota que talvez não tivesse boa indole e moral. Os pais da garota e a propria garota são responsáveis por deixar que a filha se tornasse uma grande vagabunda que vive interessante por dinheiro e fama.
Mas de novo ,a propria mídia através da propaganda ensina que toda menina deve ser uma vagabunda e uma prostituta. Meninas de 8 anos
É verdade o futebol do brasil virou caso de polícia tudo por causa da propria jurtíça.
Se a provo não foi encontrada poriquanto acho que ele deveria respoder em liberdade.