Como falar de Brasília hoje

Fazer um perfil pode ser escolher um recorte ou mostrar o máximo possível sobre alguma coisa ou alguém em um determinado tempo ou espaço. Em uma data comemorativa, espera-se a segunda opção, um retrato completo, amplo, ambicioso. Mas como comemorar 50 anos e fazer esse retrato completo de uma cidade como Brasília?

Não parece uma tarefa muito fácil a definição de como lidar com o aniversário de Brasília. Tem que falar bem, afinal são 50 anos. Mas é lá que está o centro do poder, por si só já uma situação pesada, que envolve lados positivos e muitos negativos. As circunstâncias atuais não colaboram, com os recentes casos de corrupção no Distrito Federal. Falar, então, de Brasília no dia de hoje requer um certo cuidado.

Pode-se fazer o que fez o Jornal Nacional e fingir que é Natal, falar coisas superficiais e não aprofundar a cobertura. Entrevistar famosos que nasceram na cidade fazendo elogios e não dizendo nada. Transferir o apresentador para a capital (também AQUI) emostrar a festa ao vivo. Clima, alguma coisa sobre urbanismo (essa parte foi a que teve mais mérito, pois tratou do tema de forma inusitada, diferente), o homem que nasceu junto com a capital. Perfumaria, diria Bourdieu.

Ou pode-se fazer como a Edição das Dez, da GloboNews, um programa em formato semelhante ao do JN e que elaborou uma série, fazendo a cada dia um recorte, de não mais do que cinco minutos, de algum ponto específico da capital federal. Seja o urbanismo de Lúcio Costa, a arquitetura de Oscar Niemeyer, a música, a qualidade de vida. E hoje, além da terceira parte da série, a programação contou com a cobertura dos eventos e uma abordagem mais geral sobre a cidade, em vários de seus aspectos. Tudo bem, tinha mais tempo que o Jornal Nacional, mas era possível fazer uma abordagem semelhante de forma um pouco mais curta – até porque o JN dedicou bastante tempo a isso, de qualquer forma -, mas ainda assim muito mais aprofundada.

Dessa forma, mostrou uma Brasília quase completa, com algumas de suas contradições, mas não todas. O jornal ainda evitou falar de política, como se fosse possível dissociar a cidade do tema.

A abordagem do aniversário de Brasília, na imprensa de um modo geral, mostrou-se hipócrita, fingindo não ver seu aspecto que mais salta aos olhos, ainda que seja injusto com a cidade dizer que seja o mais importante. A ligação de Brasília com a política é intrínseca, e associá-la com todos os acontecimentos posteriores a 1960 é inevitável. Mas não vi isso ser feito de forma honesta e aberta em lugar nenhum. Como se ainda vivêssemos sob censura.

* Como prova de que as redes sociais devem influenciar a política, em especial as eleições de 2010, o governador do Ceará e pré-candidato a reeleição pelo PSB, Cid Gomes, fez uma espécie de entrevista coletiva pelo Twitter hoje, dia 21. O contato é direto com o público, de forma que não se trata de jornalismo. Mas é relevante para nós aqui justamente porque transpõe o jornalismo, prescinde dele. O profissional que antes era necessário para fazer a mediação entre o cidadão e o poder se torna apenas um observador em determinadas circunstâncias.

Postado por Cris Rodrigues

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4 respostas para Como falar de Brasília hoje

  1. all disse:

    A MÍDIA BRASILEIRA ESCONDE SUA POSIÇÃO POLÍTICA.
    MENTE PARA O LEITOR DIZENDO QUE É INDEPENDENTE

    Por Ana Cláudia Barros – TERRA
    Quinta, 22 de abril de 2010, 08h11

    Considerada mito sob os olhares mais críticos, a imparcialidade nos meios de comunicação sempre foi objeto de discussões infindáveis, sobretudo, do lado de dentro dos muros acadêmicos. Em tempos de corrida eleitoral, a questão, polêmica por excelência, volta a monopolizar os debates, na maioria das vezes, inflamados pelas paixões partidárias. Estaria a grande imprensa se portando de maneira equilibrada em relação aos candidatos, principalmente, no que diz respeito aos postulantes à cobiçada vaga de “comandante-mor” da nação? Na análise do sociólogo e jornalista Laurindo Leal Filho, professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), a resposta é não.

    “A diferença entre quase todos os meios de comunicação do Brasil e os do exterior é que, no exterior, eles assumem, publicamente, o candidato ou o partido que estão apoiando”, afirma. Categórico, ele diz que a mídia brasileira esconde sua posição política.”É praticamente impossível a isenção total”, dispara.

    Leal defende que a mesma postura adotada por outros países seja incorporada pelos veículos impressos daqui, para evitar que gatos e lebres sejam colocados em um balaio comum. “É o caminho mais honesto. Do contrário, você acaba enganando o leitor com a suposta imparcialidade que, na verdade, não existe.”

    Terra Magazine – Como o senhor avalia a atual cobertura eleitoral feita pela mídia? Na sua opinião, os candidatos são retratados com equilíbrio?
    Laurindo Leal Filho – Não. A mídia, de uma maneira geral, não só no Brasil, mas em todos os países mais desenvolvidos, sempre assume uma posição, principalmente, nos pleitos majoritários, como é o caso de uma eleição para presidente da República. É praticamente impossível a isenção total. Os meios de comunicação, na maioria dos países, não têm nenhuma preocupação com isso. A diferença entre quase todos os meios de comunicação do Brasil e os do exterior é que, no exterior, eles assumem, publicamente, o candidato ou o partido que estão apoiando. Isso não quer dizer que vão fazer uma cobertura distorcida do pleito. Eles não escondem que têm preferência por esse ou aquele candidato. Isso, na França, na Inglaterra, é muito comum. Os jornais acompanham uma determinada tendência política, e o leitor sabe disso

    VEJAM ENTREVISTA COMPLETA NO:

    http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4393602-EI6578,00-A+midia+esconde+sua+posicao+politica+diz+especialista.html

  2. Caio disse:

    Olha olha mais uma vez eu passando nesse Blog para cumprimentar e falar de jornalismo, vale a pena mencionar novamente o IESB. Não me canso de admirar e exaltar as pessoas que lá se encontram. Parabéns aos moderadores do Blog.

  3. Maicon disse:

    cara o que eu acho de brasilia hoje é o seguinte!
    os politicos e policiais de hoje sao muito corruptos.Não estou generalizando, mas creio que boa parte deles estão envolvidos em algum escandalo. Infelizmente nem todos são punidos por motivos não explicados, assim minha conclusão de brasilia é a seguinte! Ela é um local onde policiais e politicos corruptos se reunem para tirar mais proveitos da população, tornando assim brasilia em um lugar em que o povo não tem muita qualidade de vida, mas em compensação o custo é muito elevado.

  4. glauanny lais disse:

    brasilia e o meu lugar
    o dia que deixarem esse lugar vcs irao saber exatamente
    o quero dizer, eo problemas dos politicos so o ocorre por que o povo brasileiro escolhe o que a de pior de seu estado e manda pra la
    como manter uma cidade legal se temos uma vasta população do que a pior no brasil…..

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