Carta Capital, MST e direitos humanos

Até as pedras ferventes de Porto Alegre sabem que a grande imprensa foi contra o Plano Nacional de Direitos Humanos no que diz respeito à lei da anistia. De um modo geral, ela é contra que se investigue e se puna os culpados pelos crimes cometidos durante a ditadura militar.

A Carta Capital traz a prova de que essa postura da imprensa reforça um conformismo extremamente prejudicial. Sabe aquela coisa de que é preciso aprender com os erros do passado para não cometê-los novamente? As páginas 20, 21 e 22 da edição dessa semana da revista denuncia a omissão da Justiça “diante de uma violenta repressão da Polícia Militar contra uma marcha do Movimento dos Sem Terra (MST)”. Polícia combatendo movimentos sociais… É ou não é a história se repetindo? A mesma história que a mídia teima em ignorar.

A denúncia faz com que Carta Capital se destaque de forma ainda mais gritante na comparação com outros veículos com relação aos direitos humanos se levarmos em consideração essa ojeriza ao PNDH que é quase generalizada. A mesma imprensa que não fala nada sobre a repressão aos movimentos sociais também tenta ignorar crimes cometidos no passado. Uma situação leva a outra e a reforça. Ambas são representativas de um descaso de boa parte da grande imprensa com o povo brasileiro. Descaso repudiado pela revista editada por Mino Carta.

Esse tipo de episódio não interessa que seja conhecido. Pra que denunciar massacre contra sem terra se é muito mais interessante criminalizar as ocupações de terra e inverter a ordem do jogo? Com a denúncia publicada pela Carta, sob assinatura de Rodrigo Martins, a revista reafirma de que lado se encontra. Apesar de ser uma das quatro maiores semanais do país, tem uma visão diferenciada, mais humana, menos interesseira.

Afinal, denunciar um massacre contra sem-terra vai contra os interesses da elite, que sustentam a grande imprensa. Um jogo de cartas marcadas que Mino Carta se recusa a jogar. E continua salvando o jornalismo brasileiro de sucumbir completamente.

Postado por Cris Rodrigues

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