Em uma tarde de sábado na qual um baita sol surgiu em Porto Alegre, dois baita nomes das charges brasileiras fizeram um debate divertido e provocador. Na livraria Letras e Cia, no sexto debate promovido pelo Jornalismo B, Santiago e Kayser deram show.

Quem começou falando foi Kayser. Com projeções em uma tela, analisou diversas charges de craques, como Santiago, e de outros nem tanto, como Marco Aurélio (que foi convidado para ser outro debatedor, mas não deu retorno). Entre comentários de Santiago e da platéia, os do primeiro costumeiramente seguidos por ondas de risos do público, Kayser mostrou alguns “truques sujos” usados por certos chargistas, mostrou charges dominadas por preconceitos, outras sem qualquer interesse público.
As charges também são uma forma de se fazer jornalismo, de informar, de conscientizar. Kayser apresentou muitas, feitas para grandes jornais como a Zero Hora, que não chegam perto desse objetivo. Como explicou, “charge não é só para fazer gracinha”. Kayser ainda fez comparações entre charges de Santiago e de outros chargistas, como o próprio Marco Aurélio, deixando evidentes alguns casos de plágio, de apropriação de ideias.
Em seguida, Santiago assumiu a palavra, e sua fala foi além das charges, ainda que tenha tido elas como base. Falou, com propriedade, das possibilidades de se criar uma imprensa alternativa forte, criticou fortemente a grande imprensa e quem a sustenta.
Disse que é impossível para um chargista realmente crítico, um bom chargista, ficar muito tempo em um grande veículo. “Quem tem dinheiro é gente muito inteligente para seus negócios, mas muito burra para o mundo, e são esses os donos dos grandes veículos de comunicação”.

Santiago criticou a falta de crítica da grande mídia. Lembrou que muitos assuntos são proibidos nestes meios, já que os principais atingidos seriam os patrocinadores. Modelo rodoviário, meio ambiente, empreiteiras…são questões que não podem ser colocadas em pauta.
Depois de Santiago, foi a vez de a platéia se posicionar. O café da Letras e Cia virou, então, um grande palco de conversas. Um bate-papo descontraído e interessante tomou conta do ambiente, e fomos até a hora de a livraria fechar em uma grande conversa entre a platéia, os debatedores e os promotores do encontro.
Foi, mais uma vez, um debate muito produtivo. Em qualquer formato, em qualquer circunstância, a troca de ideias é sempre importante, principalmente qando busca construir modelos novos, alternativas novas e que sejam capazes de reunir pensamentos diferentes enquanto semelhantes, que estão do mesmo lado embora ocupem posições diferentes. Essa é também a proposta do Jornalismo B, essa congregação de pessoas comprometidas com o mesmo lado. Ainda que hajam diferenças, as convergências têm de servir para construirmos alternativas e criarmos ideias e ações mais completas. Os debates têm alcançado este objetivo, do encontro, e mês que vem, se tudo der certo, tem mais.
Postado por Alexandre Haubrich
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bom comeco