O título deste post não deveria soar novidade. O problema é que soa. Não falo especificamente do Jornal do Brasil, mas da imprensa brasileira em geral, que não costuma pautar-se por este tipo de ação.
Tratar da questão das favelas do Rio de Janeiro é um desafio e tanto. A solução para os problemas enfrentados pelas comunidades que lá estão parece distante. É muito difícil formar juízos sobre quais atitudes são melhores, mas de algo não se deve afastar-se: respeito. O Jornal do Brasil dessa segunda-feira, 24 de agosto, trouxe nas páginas A2 e A3 a reportagem “Duas faces do desafio de ocupar”, dos repórteres Thaila Frade e Mario Hugo Monken (os textos estão disponíveis apenas para assinantes, no site do Jornal do Brasil).
No início do ano, a polícia carioca ocupou a Cidade de Deus e o Morro Dona Marta. No domingo, a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal fez um concerto na primeira. Ao mesmo tempo, no Dona Marta, a comunidade reclama de câmeras de segurança instaladas pelos policiais militares. A reportagem do JB (nosso xará de sigla) consegue mostrar essa dualidade, essa oposição, e o faz com clareza, responsabilidade e respeito.
Com textos sóbrios, claros e simples, Thaila (sobre a Cidade de Deus) e Mario (sobre o Morro Dona Marta) fazem retratos distintos de como as comunidades estão recebendo a presença do Estado depois de tanto tempo sob governos paralelos. Com isso, conseguem mostrar que tipo de ação governamental funciona e que tipo não funciona.
Nas matérias, não há preconceitos, criminalizações, críticas ou defesas políticas, antecipações eleitorais. Se fala de pessoas e de comunidades, apenas. É a humanização da pauta. Mesmo um tema tão delicado fica simples quando se faz matérias honestas e preocupadas com as pessoas.
* É nessa sexta-feira, 28 de agosto, às 18h30min, o próximo debate do Jornalismo B. O tema será “A cobertura da imprensa na crise política do Estado”, e o debate acontecerá na livraria Letras e Cia, na avenida Osvaldo Aranha, 444, em Porto Alegre. O twitter do Jornalismo B continua com problemas, então a cobertura via internet possivelmente será feita apenas através do blog. Pedimos aos nossos amigos twitteiros que avisem o pessoal de lá que, para quem não comparecer, a única forma de acompanhar será por aqui.
Postado por Alexandre Haubrich
Tags:Cidade de Deus, Dona Marta, favelas, JB, Jornal do Brasil, Morro Dona Marta, polícia, respeito, Rio de Janeiro, Unidade de Polícia Pacificadora







Olá Alexandre e turma do Jornalismo B! Fico muito feliz por saber que de onde estão… bem longe do Rio, não só acessam o Jornal do Brasil como debatem sobre o que publicamos e nos enxergam como uma “referência” de como fazer jornalismo. Fico muito feliz de ser citada neste post.
Sucesso pra vocês!
beijos
Thaila Frade
ps: eu infelizmente já tinha passado por uma experiência ruim na Cidade de Deus e depois quando voltei para esse concerto fiquei muito feliz de estar lá. Pena que a comunidade ainda não se sente tão bem com a ação que foi implementada.