A cidade nos meios de comunicação

Cidade é a pauta do momento. A discussão sobre o planejamento urbano e todos os problemas concernentes às cidades brasileiras encontra-se nos veículos mais sérios na banca mais próxima. Essa semana é possível ler uma excelente matéria na Carta Capital sobre as principais capitais do país, Porto Alegre incluída. O texto abrange a questão habitacional, o saneamento, a violência, o trânsito. Uma matéria muito bem apurada, que dá uma dimensão bem concreta dos problemas urbanos brasileiros. Os dados expostos em pequenos quadros desmistificam a falsa impressão sobre diversas situações tidas como certas no cenário nacional. O exemplo fica a cargo da segurança. Na revista, fica-se sabendo que o Rio de Janeiro tem um índice de homicídios na média das outras grandes capitais, ou até menor. Comparando com Recife, pode-se quase dizer que o Rio é uma cidade segura.

Com um outro caráter, muito mais opinativo, mas não menos interessante, aparece a edição de agosto da revista Le Monde Diplomatique Brasil (a última edição disponível no site é a de junho), com diversos textos sobre as razões da crise metropolitana. Na página 10, o primeiro desses artigos, assinado por Raquel Rolnik, mostra o mapa da exclusão nas cidades brasileiras, com a grande presença de assentamentos irregulares. Nota-se que Raquel não é jornalista. Ela é uma especialista na área e escreve como tal. Não consulta fontes, já que ela própria tem conhecimento de causa suficiente e escreve um texto de opinião, portanto independente de outros pontos de vista sobre o mesmo assunto.

Na página 12, quem assina é Luiz César Queiroz Ribeiro, também profissional da área, sem formação jornalística. Ele trata do espaço urbano como fonte de conflitos sociais. Ele analisa a política urbana através de questões como o transporte e questiona por que não se faz praticamente nada a respeito. Esses textos citados não tem o mesmo nível de facilidade de compreensão de um texto escrito por um jornalista. Afinal, os profissionais não foram treinados na área da comunicabilidade. Não é para qualquer tipo de público, portanto. Quem lê esse tipo de texto provavelmente tem interesse direto no assunto tratado ou tem um alto índice de leitura. No caso de um material opinativo, o fato de não ser produzido por jornalistas não é um demérito, muito pelo contrário. Merece crédito a revista que abre espaço para esse tipo de intervenção, que estimula o debate.

O terceiro texto sobre o tema da capa é nitidamente diferente na sua construção. Já do começo – a primeira frase é “Faz quase 50 graus à sombra” – nota-se que quem digitou aquelas palavras é um profissional das letras. Assina Akram Belkaïd, enviado especial e jornalista. Essa é uma matéria, de fato, com pesquisa e apuração, refletidas nas citações. Ele trata de 15 complexos urbanos que vão se estruturando no mundo, como grandes cidades de países árabes. Elas são o centro da discussão, por seu caráter de construções intensas e muito concreto por todos os lados. O crescimento. São também grandes influências para as grandes – ou nem tanto – cidades do planeta. Arrisco a dizer, sem querer forçar uma situação favorável para os comunicadores, que esse é o texto mais agradável e que informa melhor sobre o tema que trata, justamente por prender mais a atenção e falar de forma mais leve sobre o assunto.

Por fim, o Movimento Nossa São Paulo fecha a série com uma página partindo do debate eleitoral da maior cidade do país e uma das maiores do mundo. Explora a participação do movimento na sociedade para defender suas idéias. Mostra o que tem sido feito e o que está planejado para o futuro.

O debate fica aberto e amplamente enriquecido por essas publicações de excelente qualidade. Vale a pena espiar para pelo menos se colocar a par de um dos principais assuntos da atualidade, que atinge diretamente a vida de grande maioria da população brasileira, que atualmente vive nas cidades.

Postado por Cris Rodrigues

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Sobre alexandreecris

Dois estudantes de jornalismo da UFRGS com visão crítica sobre a profissão e tudo o que a cerca, dispostos a mudar alguma coisa através do pensamento e da exposição do resultado destas reflexões.
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