Rádios comunitárias: construção cidadã – entrevista exclusiva com o presidente da Abraço-RS

25 mai

A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) luta diariamente pelo crescimento dos espaços de comunicação popular. A perseguição estatal é uma realidade que se interpõe como um muro surdo entre a voz das comunidades e seus próprios ouvidos.

Na entrevista a seguir, o presidente da Abraço-RS, Joaquim Goulart, fala sobre essa realidade a ser modificada. A entrevista foi publicada originalmente no Jornalismo B Impresso 37, edição em que comemoramos dois anos de circulação do jornal. Nesta edição, tem ainda Veja e Cachoeira, crise capitalista (Cristóvão Feil), Eldorado dos Carajás (Luiz Felipe Albuquerque, MST), Marcha das Vadias (Ciça Richter), Ocupação Eliana Silva (Lucas Morais), Novembrada (Rodrigo Cardia), a charge do Rafael Balbueno e a coluna sempre especial do Wladymir Ungaretti. Para assinar o Jornalismo B Impresso e ajudar a fortalecer a mídia independente, basta fazer contato pelo bjornalismob@gmail.com.

Jornalismo B – Quantas rádios comunitárias existem hoje no Brasil? E quantas delas estão vinculadas a Abraço?

Joaquim Goulart – Temos em torno de cinco mil rádios com outorga, sendo 15% delas vinculadas a Abraço. Há em torno de 22 mil processos de rádios esperando autorização para operarem.

Qual a importância de uma instituição como a Abraço para a manutenção e o fortalecimento do jornalismo comunitário? De que forma acontece essa atuação?

A importância está no diferencial da produção de conteúdo. Temos algumas formas e metodologias especificas de produção e atuação, levando em conta sempre a realidade de cada comunidade.

Como tu vês a situação das rádios comunitárias hoje no Brasil? Há mais avanços ou retrocessos?

Penso que houve avanços do ponto de vista do conceito popular e do reconhecimento das comunidades, mas houve retrocessos na questão de legislação brasileira.

Qual a importância das emissoras de rádio comunitárias para o fortalecimento da cidadania?

A importância está fundamentalmente no resgate da vida real das pessoas das mais diversas longínquas comunidades, onde muitas vezes não chegam outras ondas de emissoras. Além disso, o fato de as rádios comunitárias não trabalharem voltadas para interesses comerciais é extremamente relevante quando falamos da construção da cidadania.

Quais os pontos fundamentais para que possamos avançar na democratização da comunicação? Que papel a Abraço e as rádios comunitárias podem exercer nessa caminhada?

São vários, especialmente a questão da transversalidade, produção de conteúdo regional, controle social, ou seja, um marco regulatório decente que dê conta do direito à informação sem monopólio. O papel das rádios comunitárias está em conquistar e desenvolver formas e conceitos novos, sincronizados com as mais diversas comunidade e com seus jeitos de ser e viver.

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Mobilização nasce na internet e tira garoto Paulo Sérgio da inexistência social

24 mai

A mobilização que nasceu nos últimos dias em torno de um garoto preso desde o fim de março e violentado psicologicamente por uma “repórter” do programa Brasil Urgente Bahia, começa a dar resultado. A Defensoria Pública da Bahia se mobilizou para apurar a situação de Paulo Sérgio Silva Sousa, de 18 anos. Ao mesmo tempo, o Ministério Público Federal entrou com uma representação contra Mirella Cunha, a repórter-torturadora.

“Eu me senti humilhado, porque ela ficou rindo de mim o tempo todo. Eu chorei porque sabia que ali, eu iria pagar por algo que não fiz, e que minha mãe, meus parentes e amigos iriam me ver na TV como estuprador, e eu sou inocente”, foi o que disse o garoto à Defensoria Pública da Bahia.

Não fosse a internet e Paulo Sérgio seria “só mais um Silva que a estrela não brilha”, como diz a música. Seria mais um dos que mofam nas prisões brasileiras sem julgamento formal, na situação de condenados sociais. Mas, no início da semana, o vídeo em que a enviada da Band humilha o garoto – vídeo que já estava no YouTube desde o dia dez de maio – ganhou destaque com a divulgação da história em alguns blogs – o Jornalismo B esteve entre os primeiros a atacar a conduta da “repórter” e da Band.

A partir daí, o caso ganhou grande espaço nas plataformas de redes sociais e nos blogs. Jornalistas baianos se mobilizaram e produziram uma bela Carta Aberta “sobre abusos de programas policialescos na Bahia”. A Carta questiona a “conivência do Estado com repórteres antiéticos, que têm livre acesso a delegacias para violentar os direitos individuais dos presos, quando não transmitem (com truculência e sensacionalismo) as ações policiais em bairros populares da região metropolitana de Salvador”.

Diz ainda, em um bem construído e preciso texto: “Sob a custódia do Estado, acusados de crimes são jogados à sanha de jornalistas ou pseudojornalistas de microfone à mão, em escandalosa parceria com agentes policiais, que permitem interrogatórios ilegais e autoritários, como o de que foi vítima o acusado de estupro Paulo Sérgio, escarnecido por não saber o que é um exame de próstata, o que deveria envergonhar mais profundamente o Estado e a própria mídia, as peças essenciais para a educação do povo brasileiro”.

As repercussões chegaram, por fim, às instituições do Estado. Segundo matéria do iG Bahia, “o delegado-geral da Polícia Civil baiana, Hélio Jorge Paixão (…) vai apurar se houve descumprimento pela 12ª Delegacia Territorial (Itapuã) de portaria que regula a divulgação de ações policiais. (…) Tal portaria assegura o direito à inviolabilidade e a presunção de inocência, e que informações à imprensa devem ser fornecidas pela assessoria de comunicação, pelo diretor do órgão ou por quem esta à frente do inquérito”.

A Defensoria Pública da Bahia também se manifestou. Enviou representantes para conversarem com Paulo Sérgio. E, em matéria publicada no site da Defensoria, explica: “Paulo Sérgio é réu primário, vive nas ruas desde criança, apesar de ter residência em Cajazeiras 11. Tem seis irmãos, é analfabeto e já vendeu doces e balas dentro de ônibus”. O defensor público Rodrigo Assis, foi além: “não é possível conceber a devida justiça neste caso sem uma ação por danos morais. As imagens confirmam o abuso no exercício da informação e da manifestação do pensamento da repórter”, disse. E a matéria completa, referindo-se ao trabalho da “repórter” da Band: de acordo com a defensora pública, a reportagem utilizou a imagem do acusado para humilhá-lo, achincalhá-lo, expô-lo ao ridículo, apenas com o intuito de utilizá-lo em uma tentativa de angariar audiência, de forma sensacionalista, às custas da violação da sua dignidade”.

É importante destacar, em meio a todo o debate que esse caso gerou, que não é uma situação isolada. Em nenhum sentido. Brasileiros pobres, ignorantes e desdentados, abandonados durante toda a vida pelo Estado, são diariamente tratados por este como causa – e não consequência – da exclusão. São tratados como inapropriados e indesejados, quando, na verdade, quem é inapropriado a eles é o Estado, que age violentamente em parceria com a mídia dominante. Mídia essa afirmada por um modelo de comunicação que o Estado brasileiro em pouco ou nada tem agido para modificar. Nesse círculo vicioso, quem acaba destruído é Paulo Sérgio, enquanto quem deveria ter esse destino é o modelo da exclusão. Não é a culpa ou inocência de Paulo Sérgio que está aqui em questão, mas o simbolismo da atitude da “repórter” como exposição caricata do tipo de jornalismo gerado pelo modelo midiático aristocrático que o Estado brasileiro segue aceitando como natural.

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Charge: Paulo Sérgio, condenado pela mídia

23 mai

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Pra que (m) serve o futebol brasileiro?

22 mai

Muito do que se faz no Brasil e se chama de jornalismo esportivo nada mais é do que entretenimento. Na televisão, em verdade, a fronteira é sempre muito tênue, o que não tira a importância do fato de essa linha ter sido ultrapassada com os dois pés quando o assunto é futebol profissional.

A Rede Globo, que até pouco tempo vinha detendo o controle absoluto das transmissões de futebol no país, abandona, na maior parte das vezes, o jornalismo, tornando as coberturas futebolísticas um grande show de mesmice e entretenimento. Com “João Sorrisão” e diversas outras invencionices, força situações que impeçam a limitação das transmissões às burocráticas entrevistas à beira do gramado. Mas a emenda sai pior do que o soneto, e o que poderia ser feito através de perguntas inteligentes e questionamentos relevantes – que levariam a respostas relevantes – é feito com o burlesco como norma.

Nas entrevistas de campo, o repórter finge que pergunta, o jogador finge que responde, e o trabalho viciado atropela e reduz a competência até mesmo de repórteres acostumados a boas matérias extra-campo. E, fora de campo, a TV Globo cria brincadeiras que se distanciam da prática jornalística e transformam o futebol brasileiro em uma piada onde tudo gira em torno da emissora. Com sua influência, faz com que os jogadores comemorem os gols imitando um boneco, ou lamentem quando fazem apenas dois gols em uma partida e não conseguem “pedir música no Fantástico”. A tentativa de fazer com que todo o futebol do país gire em torno da Globo não é mais uma dessas brincadeiras, mas as inclui como ferramenta de hegemonia, assim como inclui os acordos com a CBF e o controle sobre o horário das partidas.

Quando alguém ousa não se submeter ao domínio global, é tratado como um extraterrestre. Foi o que aconteceu recentemente com três jogadores estrangeiros, que não têm de lidar, em seus países, com essa espetacularização – e, com isso, esvaziamento do senso crítico – do futebol, que acompanha a transformação do esporte em pouco mais do que uma ferramenta de marketing das grandes empresas de alguns setores da economia. Os atacantes Barcos, do Palmeiras, e Loco Abreu e Herrera, do Botafogo, desafiaram o showrnalismo da TV Globo.

Barcos reclamou de um repórter que insistia em comparar sua aparência com a do cantor Zé Ramalho. “Me parece pouco sério da tua parte”, disse o centroavante argentino ao repórter Leo Bianchi, da TV Globo. Loco Abreu, após perder um gol e ser perguntando sobre o “Inacreditável Futebol Clube”, rebateu: “O Inacreditável Futebol Clube é uma bobagem que vocês têm para sacanear o jogador de futebol, mas só quem está lá dentro sabe bem como é difícil jogar futebol”. E, no último final de semana, Herrera fez três gols contra o São Paulo, e se recusou a “pedir música no Fantástico”, mostrando, também, desacordo com esse tipo de jornalismo alienante. E foi xingado, via Twitter, por um repórter da Globo.

Da mesma forma, volta e meia alguns técnicos – Felipão, Renato Gaúcho, Dunga, Muricy Ramalho – são taxados de grosseiros por se incomodarem com perguntas que demonstram um total desconhecimento do futebol por parte dos repórteres. Estes são, em boa parte, apenas palpiteiros, que chegam às entrevistas com perguntas prontas – sempre as mesmas, com pequenas variações – e que, no vício frenético da rotina, não chegam a aprofundar0-se minimamente nas questões que pretendem abordar.

Os preparativos para a Copa do Mundo têm mostrado o despreparo da TV aberta brasileira para cobrir com profundidade as diversas questões que envolvem o esporte. Essa dificuldade não nasce por acaso, vêm justamente de uma prática viciada, acomodada no faz-de-conta. É preciso desacomodar, e alguns jogadores estrangeiros já têm mostrado que isso tudo pode ser diferente.

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Lula e Paulo Sérgio: pobres, desdentados e estupradores?

21 mai

O ex presidente Lula, nascido pobre, crescido desdentado e com fome, amadurecido analfabeto, já foi acusado de estupro pela mídia dominante no país. Lula passou por cima de tudo isso e tornou-se, ajudado por uma série de eventos e conjunturas, o primeiro presidente operário da História do Brasil. O capitalismo tem dessas, permite que um ou outro indivíduo consiga alçar-se a posições de mando mesmo tendo nascido nas posições mais subalternas possíveis. Mas casos assim são muito raros, se a queda dos regimes institucionalmente aristocráticos passou a permitir algum nível de mobilidade social, esse nível segue ínfimo – e seguirá enquanto estivermos sob esse sistema econômico-político.

Lula acusado de estupro, Lula acusado de ignorância, Lula acusado de pobreza. Paulo Sérgio também. Mas Paulo Sérgio não é presidente. E, mesmo que chegasse a ser, continuaria, como Lula continuou, refém de um passado que não teve a oportunidade de escolher. Paulo Sérgio, além de pobre, desdentado e analfabeto, é negro. Lula, além de pobre, desdentado e analfabeto, era nordestino. A ascensão social deste segundo é um acinte às oligarquias brasileiras, e, reconhecido internacionalmente como um dos grandes líderes mundiais, Lula seguiu – e segue – achincalhado pela velha mídia brasileira.

Paulo Sérgio é um garoto negro que foi preso por tentativa de furto. E acusado de tentativa de estupro. Acusado por quem o prendeu e o espancou e acusado pela repórter da TV Band que se fantasiou de torturadora para o inquirir e de juíza para definir a sentença: culpado. Culpado por estupro, culpado por ignorância, culpado por pobreza. Culpado por não ter dentes e culpado por ter a pele de uma cor que não agrada à classe média conservadora e à mídia suja que a representa. Se o acusado é um Paulo Sérgio, negro, pobre, e desdentado, já nasceu culpado.

Como bem definiu Mino Carta, essa é a “mídia da Casa Grande”, que odeia o povo, odeia os trabalhadores, odeia os negros e odeia o Brasil. A mesma mídia que odeia Lula, odeia Paulo Sérgio. A mesma mídia que tenta humilhar Lula por seu passado pobre – e tudo o que isso acarreta – é a mídia que, de mãos dadas com uma polícia que atua como atuava na Ditadura Militar, põe Paulo Sérgio contra a parede e o violenta psiquicamente com gargalhadas, deboches e acusações sem provas. Lula e Paulo Sérgio são, nesse sentido, o mesmo homem, a mesma vítima da História e da mídia que a esquece e esconde.

Essa mídia precisa ser atacada de frente, sem subterfúgios e sem recuos. A senzala deve gritar mais alto, e a mídia realmente independente e popular tem o papel de ecoar esse grito. Para romper as amarras que mantêm a fome, a ignorância e a violência é preciso romper com esse modelo de jornalismo tão afeito à exclusão como espetáculo à venda.

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A violência eufemismada de jornalismo: “Paulo Sérgio, estuprador”

21 mai

Em vídeo postado recentemente no YouTube, a repórter Mirella Cunha, do Brasil Urgente Bahia, ataca um garoto negro preso por furto e acusado de estupro. Quando ele diz que não houve estupro, a repórter não pergunta, mas afirma e acusa: “não estuprou, mas queria estuprar”. O garoto, negro e desdentado, machucado por ter sido agredido pelos dois homens que o prenderam – o que a repórter em momento algum chega a questionar – garante que a polícia pode fazer os exames necessários e comprovará que não houve estupro. A partir daí, a repórter passa cerca de dois minutos não fazendo nada mais do que debochar do fato de o acusado não saber o nome do exame a que deveria submeter-se. Debocha, inclusive, quando ele cita “exame de próstata” como o que deveria ser feito. Ela insiste, sorri, dá risada e continua pedindo que ele diga o nome do exame. Enquanto isso, a legenda chama de “chororô” a alegação de inocência.

A análise da conjuntura geral da mídia brasileira, somada aos preceitos constitucionais e aos direitos universais da humanidade é a forma mais completa e complexa de demonstrar a necessidade absoluta de regulação da mídia brasileira, partindo-se de um novo marco para a comunicação no país. Mesmo assim, alguns exemplos tornam mais palpável essa necessidade. Se muitos deles partem de temáticas político-institucionais, alguns surgem da “base”, em notícias relacionadas ao cotidiano de pessoas que a classe média brasileira insiste em não enxergar.

O programa Brasil Urgente é recheado desses exemplos. Ocupando os finais de tarde na Band, esse programa é dedicado, basicamente, à cobertura policial. Afora o fato de que esse tipo de programação reforça e alimenta a violência de que, por sua vez, também sobrevive, a forma pela qual as notícias são abordadas é um deboche à inteligência do povo brasileiro e às instituições democráticas que pretendem defender o respeito a preceitos básicos de qualquer democracia, como a presunção de inocência. Que respeito uma emissora que veicula um programa como esse demonstra ter pela população brasileira?

O que temos ali, além de preconceito, covardia e desumanidade, é tortura. Mirella tortura o acusado durante três minutos. Tortura verbal, não física, mas não menos humilhante. É a espetacularização da notícia, o circo dos horrores em rede nacional. Nada de notícia, nada de informação, nada de prestação de serviços, nada de interesse público.

Criminalização da pobreza, preconceito social – ou racial, como escreveu Cristóvão Feil –, homofobia e desconstrução das políticas públicas de saúde preventiva – nas piadas sobre o “exame de próstata” -, acusação sem provas, ridicularização da imagem privada. De tudo isso pode-se acusar Mirella, e está tudo ali, no vídeo. Tudo isso é motivo mais do que suficiente para que seu registro de jornalista – caso tenha um – seja cassado, assim como é motivo para que o programa da Band seja imediatamente retirado do ar – até porque está longe de ser a primeira vez em que situações desse tipo são provocadas pelo Brasil Urgente em todo o país.

O “mercado” não irá regular esse tipo de barbaridade – no sentido último do termo, de ação de barbárie – e um espaço público, como uma concessão de televisão, não pode ser usado dessa forma. É, portanto, o governo federal e o Poder Legislativo quem têm o dever de impedir que essa bestificação da população brasileira – tanto da audiência quanto dos “personagens” envolvidos nas reportagens – tenha continuidade. Tudo isso foi feito utilizando-se de uma concessão pública, ou seja, o poder público brasileiro assina embaixo de tudo o que a “repórter” colocou, assim como assinam embaixo a Band, seus diretores de jornalismo e todos os patrocinadores do Brasil Urgente. São estes os responsáveis por essa violência eufemismada de jornalismo.

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Dois anos de Jornalismo B Impresso

18 mai

O Jornalismo B Impresso chega, nesta edição, ao seu segundo aniversário. São 37 edições em dois anos de vida, e dezenas de assinantes espalhados por todas as partes do Brasil. Vamos crescendo, fortalecendo o jornal que fortalece o blog que fortalece o jornal. E, desse circuito virtuoso, a mídia independente também sai mais forte.

Temos consciência de que continua existindo o abismo que existia há dois anos entre o modelo de comunicação que temos no Brasil e o modelo que precisamos para caminhar em direção ao aprofundamento da democracia. Mas a mídia independente tem podido avançar. Os blogs, especialmente, e as plataformas de redes sociais, como o Facebook e o Twiter, ganham cada vez mais importância enquanto espaços de informação, debate e militância política – inclusive pela democratização da mídia.

O avanço desses espaços deve, porém, ser entendido sempre como um meio, não como o fim. O fim, que só pode ser alcançado se avançarmos muito mais na luta pela democracia comunicacional, é uma sociedade igualitária e horizontal em todos os seus aspectos. O crescimento da mídia independente, para efetivar-se enquanto caminho a este fim, precisa ser acompanhado da batalha pela horizontalização de toda a comunicação do país, com a conquista, pelas forças populares, de todo o espectro da mídia nacional, incluindo as concessões de TV e rádio.

O Jornalismo B se mantém vivo, cresce, e o oxigênio que mantém essa vida é feito da mesma matéria prima do alimento que garante o crescimento: a convicção na luta como única forma de construir uma sociedade com valores humanistas, igualitários e justos, uma sociedade na qual o povo esteja no lugar que lhe é devido. É com essa convicção que seguiremos caminhando. Quem entender essa necessidade, poste-se ao nosso lado. E lute.

O texto acima é o editorial da 37ª edição do Jornalismo B Impresso. A edição será distribuída em Porto Alegre na próxima semana, e o jornal pode ser assinado em qualquer lugar do Brasil. Os locais de distribuição continuam os mesmos, e estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B.

Nessa edição, temos textos sobre as estatizações dos recursos naturais na América Latina, a ocupação Eliana Silva, em Belo Horizonte, a punição dos assassinos de Eldorado dos Carajás, e, claro, as relações entre a revista Veja e o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

É importante que todos os amigos do Jornalismo B se mobilizem para assinar e divulgar as assinaturas do Impresso. A assinatura pode ser feita em qualquer lugar do Brasil.

São três as possibilidades de assinatura: 6 edições – R$ 40; 12 edições – R$ 60; 20 edições – R$ 100. As edições são quinzenais. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

Assine o Jornalismo B Impresso e contribua para o crescimento e fortalecimento da imprensa independente.

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